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Análise | New Super Mario Bros U. Deluxe

Disponível para Nintendo Switch

Lançado originalmente para o Nintendo Wii U em 2012, New Super Mario Bros U. Deluxe é a versão definitiva de um sucesso da geração passada. Chega ao Nintendo Switch como uma excelente oportunidade a todos que não tiveram a oportunidade de conhece-lo, e estão agora curtindo a excelente fase a qual passa o atual console da Nintendo.

New Super Mario Bros U. Deluxe foi lançado agora no dia 11 de janeiro, trazendo todo o conteúdo do game original, assim com a expansão New Super Luigi U., lançada como uma DLC em 2013 que trouxe uma nova abordagem sobre o game original, com novas mecânicas e fases. Em adição a todo esse conteúdo, a versão deluxe também conta com dois novos personagens, Toadette e Nabbit. Ambos pensados em tornar a jogabilidade ainda mais fácil e acessível.

Trata-se de um jogo tradicional de Super Mario, com o mesmo estilo side-scrolling de fases em perspectiva 2D dos antigos jogos do Mario, com o revés de utilizar o estilo gráfico 3D – que surgiu orinalmente em New Super Marios Bros lá em 2006 para o Nintendo DS.

O tempo cobra seu preço

Talvez não seja o ponto mais importante deste relançamento, porém este é um apontamento difícil de se ignorar: seus gráficos em pleno ano de 2019. Sete anos se passaram desde o lançamento original e, como todos sabem, gráficos em 3D envelhecem muito rápido.

É muito diferente de jogos como Super Mario Bros 3 e Super Mario World, em que até os dias de hoje são jogos relativamente bonitos (ainda que já com diversos sinais de tempo passado). Veja só, não me entenda errado. New Super Mario Bros U. Deluxe nem de longe é um jogo feio, mas em comparação a outros jogos atuais, principalmente na esfera dos independentes – como Monster Boy, Owlboy, Celeste entre outros – este Mario não representa algo com charme ou personalidade inigualável.

Entretanto, para ser sincero, nem quando ele saiu, lá no Wii U, o achava atraente. Não sou fã desse estilo visual adotado nesta série. Acho que esse estilo gráfico funciona bem nos jogos 3D do Mario – tal como Super Mario Galaxy e Super Mario Odyssey -, porém sou amante da charmosa pixel art dos antigos Super Mario. E já foi provado que há espaço para o estilo clássico, senão pelos jogos independentes, pense no sucesso e nos elogios que Sonic Mania recebeu quando lançado. Eu adoraria ver um Super Mario explorando tais origens gráficas.

Obviamente que não poderia pedir para New Super Mario Bros U. Deluxe, sendo um port, mudar totalmente seu estilo gráfico. Não seria justo. O ponto aqui é que o título já tinha um estilo gráfico meio esquecível em 2012 e agora, em 2019, isso não mudou. Talvez até reforça o ponto de que precisamos de um novo Super Mario 2D com um estilo diferente em uma próxima – e espero não tão distante – oportunidade.

O charme está em suas mecânicas

No outro lado do conjunto de elementos que compõem o título, New Super Mario Bros U. Deluxe brilha mesmo quando coloca suas mecânicas para funcionar. O título tem diversas novidades em relação aos títulos anteriores da série.

  • Multiplayer

Possivelmente a mais marcante é a possibilidade de jogar toda a campanha em multiplayer, com suporte para até quatro jogadores. No meu caso a brincadeira aconteceu com o meu filho pequeno, de seis anos de idade. Terminamos o game todo de forma cooperativa.

Dou destaque à câmera do jogo, que funciona muito bem nessa modalidade coop, abrindo consideravelmente a tela para mostrar o quão grande a fase pode se esticar, ao invés de simplesmente prender os jogadores quando um player fica muito para atrás. Claro que, em certas situações, caso alguém fique muito distante, o jogador pode acabar morrendo. Só que é um sistema amigável, o jogador retorna em uma bolha a qual o jogador que ainda estiver vivo pode libertá-lo.

Além disso o multiplayer é maroto, no sentido de que os personagens pulam um em cima do outro, empurram e geralmente se atrapalham, de uma maneira divertida, ao correrem e pularem pelas plataformas das fases. Há um design muito bem pensado para que tudo funcione muito bem tanto em single player, quanto na experiência, mais caótica, oferecida pelo multiplayer.

  • Nabbit e Toadette

O Nabbit e a Toadette, duas adições inéditas nesta versão deluxe, também vem muito bem a calhar no sentido de tornar o título bem acessível às crianças. Enquanto joguei quase toda a campanha com o Mario, meu filho se divertiu em boa parte da aventura jogando com o Nabbit, que não toma dano dos inimigos, e só morre ao cair buracos, lavas, ser prensado ou alguns poucos tipos de inimigos. O revés desse personagem é que ele não pode usar nenhum power up presente no jogo. Isso também incentiva a criança a brincar com outros personagens.

Já a Toadette é uma personagem que ganhou fama na internet por conta da habilidade do power up Super Crown, que a transforma em Peachette, uma forma bem semelhante de Peach. Peachette pode planar e ter uma espécie de pulo duplo, o que a torna interessante para aqueles que forem caçar muitas das três moedas grandes presentes em todas as fases do jogo. É uma boa adição, mas… não sei, a ideia da Super Crown é interessante e poderia ser melhor aproveitada posteriormente em outras situações – não estou dizendo que Luigi deveria usar um vestido, veja bem.

  • Power Ups

Pensando nos power ups do jogo original, o que mais se destaca é a roupa de esquilo voador, que é uma ótima adição ao catálogo de power ups do universo do Mario. Ela permite planar e também dá uma espécie de pulo extra, sendo fácil de controlar e permite explorar muito bem certos locais das fases. Talvez dê para dizer que ela é até mais legal do que a clássica roupa de raccon de Super Mario Bros 3.

Enfim, dentro outros power ups, há o retorno da Flor de Fogo, sempre muito útil, e também há a Flor de Gelo, que nesse caso congela os inimigos e permite que os jogadores os peguem e arremessem em outros inimigos ou blocos. Há também o cogumelo helicóptero, que fez bastante sucesso na versão de New Super Mario Bros. para o Wii, mas ele vem de forma esporádica como bônus em alguns dos mini games do jogo, nunca estando presente de forma fixa em uma fase. O traje de pinguim idem, o que achei meio chato, pois são power ups que gostaria de ter usado de forma mais frequente no jogo.

  • Yoshi e seus bebês

Algo diferente, que me agradou bastante, foram as mecânicas com os bebês Yoshi. Ao todo são três, um rosa que se infla como um balão, o azul que cospe bolhas que transformam os inimigos em moedas, e um amarelo, perfeito para fases de escuridão, como cavernas e mansões. O Yoshi bebê rosa e azul estão presente no mapa do jogo, seguindo o jogador por todas as fases (exceto castelos) enquanto você não o perder em fase. O amarelo surge em fases específicas e não lhe seguem para a próxima fase.

Claro que o Yoshi crescido, em sua clássica cor verde, também se faz presente aqui. Uma pena que ele apenas seja utilizado em algumas fases do jogo, de forma fixa e nunca lhe acompanhando para a próxima. Talvez a Nintendo pudesse ter mexido nisso nessa versão deluxe. Seria muito legal pode usar o Yoshi em outros estágios, ainda que fosse um extra pós fim de jogo.

  • Detalhes menores

No mais, New Super Mario Bros U. Deluxe tem também algumas outras melhorias em relação ao mapa de navegação entre os estágios. Os mundos são todos interconectados, com vários mini games, itens e inimigos interativos. Há atalhos entre mundos e fases com duplos caminhos. Diversos castelos, boas batalhas entre chefes e fases memoráveis. Gostaria que houvessem mais segredos nos mapas. Há alguns, mas são poucos e nada interessantes.

Dou como outro destaque a fase que brinca com pintura à óleo meio Van Gogh, assim como outras com os inimigos gigantes, castelos que realmente me desafiaram, as boas fases com os Yoshis e uma ou duas que brincam com o sensor de movimento do controle do Switch, ao fazer o jogador controlar certas plataformas móveis. Fases que apresentam coisas diferentes dos velhos clichês.

No geral, New Super Mario Bros U. Deluxe tem uma cara de algo que você já jogou na série de jogos do personagem, com alguns momentos preciosos em que o título lhe mostra que o design de fases do Super Mario tradicional ainda pode inovar e surpreender. Uma pena que não faça isso a todo tempo. Apenas pelo tempo suficiente para ser necessário pontuar sobre este elemento.

Além da campanha principal

Também é importante reforçar que esta versão deluxe vem com mais conteúdo do a versão original. New Super Luigi U é um baita conteúdo adicional. Nesta expansão, que pode ser jogador à parte do jogo principal, já tendo terminado-o ou não – pois a expansão possui um slot de save próprio -, os jogadores não podem utilizar o Mario, mas os demais personagens estão presentes: Luigi, Toad, Toadette e Nabbit.

Aqui a brincadeira é um pouco diferente. Os personagens pulam mais alto, dando aquele pulo meio tentando planar que é característico do Luigi de Super Mario Bros 2, enquanto que escorregam mais facilmente estando no chão. As fases são uma espécie de remix das fases da campanha original, mas com diversas mudanças que a deixam com uma cara totalmente diferente. São mais difíceis e bem mais curtas. O objetivo sempre é sair correndo e terminá-las o mais rápido possível.

Eu, particularmente, achei sensacional esse conteúdo com o Luigi. É uma modalidade que parece ter entendido o personagem e como ele deve agir. Luigi se movimenta aqui como gostaria que ele se movimentasse na campanha principal, onde todos pulam e correm basicamente do mesmo jeito. As fases são muito mais malucas e engraçadas. Em cooperativo é muito divertido as tentativas de sair correndo para não morrer e estragar totalmente qualquer trabalho em equipe que deveria estar sendo feito.

Além disso New Super Mario Bros U. Deluxe conta com modalidades extras de jogos, com uma especificamente que se chama Desafios (challenges). Lembra um pouco o que a Capcom fez recentemente em algumas das coletâneas de jogos antigos do Mega Man. O jogo lhe dá um desafio e você deve tentar cumprir. Sobreviver por tantos segundos enquanto bolas de fogos são arremessadas, ficar pulando em tartarugas sem nunca cair no chão, correr por uma fase específica para bater o tempo no relógio etc. Sempre com o objetivo de bater um recorde e tentar uma das medalhas presentes nesta modalidade: bronze, prata ou ouro.

Em outra modalidade, Corrida Turbo, o jogo reúne algumas fases do modo principal e faz com que elas progridam de forma automática, pedindo ao que jogador que acompanhe a tela se movimentando. Aos poucos a fase vai acelerando, começando a passar ainda mais rapidamente, e o jogador deve acompanhar. Parece fácil no começo, mas logo se prova realmente desafiador.

Há também um terceiro modo, mas este não me conquistou muito. Os outros modos mencionados acima são pensados para um jogador, enquanto que a Batalha da Moeda funciona em multiplayer e como o nome sugere, são fases onde dois jogadores competem para conseguir mais moedas. Uma modalidade meio semelhante ao que existe na versão do New Super Mario Bros 2, para Nintendo 3DS, mas que nunca me conquistou.

Ao fim, dá para dizer que são modalidades que expandem a experiência do conteúdo geral do game. Foi uma surpresa muito boa ver o quanto são modalidade divertidas para se brincar. Ainda que nenhum desafio ou estágio extra para estes modos tenham sido adicionados nesta versão deluxe. O que certamente poderia ter sido feito.

Considerações finais

Pensando no fato de que não tive a oportunidade de jogar New Super Mario Bros U. na geração passada – por não ter tido um Nintendo Wii U – fico bem contente e satisfeito que o jogo tenha ganhado tal versão para o Nintendo Switch. Acho que quem não o experimentou ainda esta é a melhor oportunidade para isso.

O título funciona muito bem tanto no modo portátil quanto na TV. A experiência porém me parece mais divertida na televisão, quando pude dividir os joy-cons com meu filho para jogar. A ideia do Switch com os joy-cons realmente tem me surpreendido, pelo fato de muitos jogos conseguirem se virar muito bem com apenas um joy-con para cada jogador nas modalidades cooperativas, como é o caso deste jogo aqui avaliado.

Fico apenas em dúvida se devo recomendar o título àqueles que o jogaram no Wii U. As novas adições de personagens não me parecem o suficiente para justificar a compra do jogo. Nem no caso de alguém o ter jogado na geração passada, mas não ter aproveitado New Super Luigi U. Ainda assim não me parece justificar. A recomendação fica para quem realmente não jogou ou para aqueles que jogaram e gostaram muito do jogo na geração passada a ponto de quererem repetir a dose no Switch. Mais justo assim.

E é impossível afirmar, mas sinto que talvez esse devesse ser o último jogo da série New Super Mario Bros que deveria ser lançado, ou até relançado. A Nintendo precisa de outro Super Mario 2D, mas não acho que o estilo gráfico dele se sustente mais na atual geração. É preciso repensar isso. Como fã, acho que posso dizer que desejo o próximo passo na evolução visual da série.

New Super Mario Bros U. Deluxe é, acima de todos seus prós e contras, diversão garantida para os fãs do personagem. Sabe apostar muito bem no estilo de diversão familiar. É gostoso de jogar com uma criança, com um amigo, com a namorada ou esposa. Esse multiplayer cooperativo é algo que não existe nos antigos e clássicos jogos do Mario, e aqui faz uma diferença gigantesca. Não desmerecendo, é claro, a experiência single player, que oferece algo similar aos antigos jogos do Mario do gênero 2D. Se você gosta, não tem como errar.

Galeria

Dando uma nota

Perfeito para quem não jogou o título no Nintendo Wii U - 10
Visuais da série New Mario dão sinais de que precisam de atualização - 7
Multiplayer cooperativo é uma experiência fantástica - 10
Nabbit e Toadette são boas adições, mas poderia haver outros extras novos - 8.5
New Super Luigi U, inclusivo nesta versão, é sensacional - 10
Há boas novas ideias, mas também muito da fórmula já batida - 8
Bons power ups, mas excassez de alguns fazem falta - 8.5

8.9

Diversão Familiar

New Super Mario Bros U. Deluxe é o que o pacote promete: muito conteúdo com o melhor que esta série tem a oferecer. O multiplayer é um de seus pontos mais fortes, entregando diversão para qualquer membro da família. Fãs do Mario irão se sentir em casa. Só há uma ressalva: tempos atuais pedem que o próximo jogo da série repense seus gráficos.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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