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Análise | Treasure Stack

Disponível no Xbox One, Nintendo Switch e PC

Treasure Stack é um jogo independente no estilo quebra cabeça de criação, desenvolvido pelo estúdio PIXELAKES. Está disponível para Xbox One, Nintendo Switch e PC. A versão utilizada para este review foi a de Xbox One. Porém vale ressaltar que, curiosamente (e infelizmente), o título não se encontra, até o momento de publicação destas impressões, disponível na loja brasileira da Microsoft Store. O jogo foi lançado em tais plataformas no início deste mês de março.

É mais um Tetris?

Direto ao ponto. Dá para dizer, resumidamente, que Treasure Stack é um Tetris diferente do que vemos normalmente por aí. Aqui há um pequeno personagem que pode se movimentar livremente dentro da área dentro jogo, aquele espaço onde caem as pecinhas na clássica fórmula de Tetris. E isso não é tudo, esse carinha pode se movimentar, pode pular e ainda usar uma corda com gancho para puxar as peças.

É diferente porque tradicionalmente os jogadores controlam as peças nestes jogos que são inspirados no arquetípico de Tetris. Aqui não. Você controla um personagem que tem a liberdade de mexer com estas peças. Dá para perceber a nuance? Isso muda totalmente a estrutura do jogo.

Ao invés de termos peças com formatos variados que devemos encaixar e formar linhas, em Treasure Stack temos baús de tesouros, e a forma de tirá-los do campo é abrindo-os com chaves da mesma cor deles. Caso empilhamos baús da mesma cor, uma chave da cor certa vai fazer todos os blocos da mesma cor, e que estejam em contato uns com os outros, abrirem e desaparecerem.

Obviamente há baús de cores variadas, chaves variadas e também alguns power ups, como uma chave arco íris que abre qualquer baú, um cálice que destrói um pilha de baús/chaves inteira, uma espada que permite cortar uma linha inteira de blocos e uma bomba que vai explodir uma área da tela eliminando o que estiver ali. Cada baú destruído ou aberto vai nos dar uma moeda de ouro. Chaves não usadas acabam virando um obstáculo a mais.

E as regras não param por aí. Você pode pegar colunas de blocos (vou chamar assim já que temos baús e chaves misturados) e mudá-las inteiramente de lugar ou subir nelas e pegar baús específicos ou chaves no topo e atira-los para baixo.

Achou que era simples se dar bem aqui, jovem gafanhoto? Ledo engano. Há ainda as pedras vermelhas que são jogadas por um rosto maligno no canto esquerdo da tela. Ele enviará estes blocos “sujeira” toda vez que sua barra aumenta e você não conseguir diminuí-la. Para impedir esta sujeira é preciso fazer combos e manter o marcador acima de 5, caso isso não aconteça – e não vai acontecer, pode acreditar – teremos que lidar com esses blocos, que por sua vez somente somem com o uso de alguns dos power ups mencionados, ou caso sejam pegos juntos um combo de baús ou chaves destruídas.

Dá para perceber que Treasure Stack tem sua própria pegada, certo? Sim, a fórmula é inspirada em Tetris, mas tem seu próprio charme, suas próprias regras e exige que o jogador pense de forma diferente do clássico que todo mundo conhece. E isso é muito bom. Não é somente uma variação, mas um jogo com identidade própria.

Conteúdo básico (e só)

Em Treasure Stack o jogador irá encontrar o modo desafio que é o Solo Play (single player), que o coloca para jogar contra a CPU. Seu objetivo é conseguir a maior pontuação possível e nada mais que isso. Após cada tentativa os pontos adquiridos viram moedas que são usadas automaticamente ao atingir um determinado valor (não fica claro o exato valor, mas acho que são 250 moedas) para comprar baús que contém novos personagens para jogarmos ou novos ganchos para usarmos para puxar os blocos (baús ou chaves).

Há também o modo Local Party que é o conhecido multiplayer de sofá, onde você e mais 3 amigos, cada um com seu controle, podem jogar competitivamente. E também há o modo Online Play, o modo multiplayer online de Treasure Stack. Aqui as coisas ficam um pouco mais interessantes, pois quando você destrói blocos em sequência, a cara maligna manda estes blocos para a tela do adversário como as pedras vermelhas que existem no single player, e aí o problema passa a ser do seu adversário. Jogar assim é interessante pois você tem que ser mais rápido e mais esperto que o outro jogador, para tentar sobreviver mais tempo que ele e consequentemente fazer mais pontos.

E basicamente é isso que Treasure Stack tem a oferecer. É um pouco menos do que talvez se esperasse. Não há um modo de missões com fases e puzzles pré-planejados, ou algo que pudesse ser uma mini campanha contando alguma historinha para o jogo. Ou modos multiplayers com regras diferentes ou ainda mais malucas. Nada mesmo. É somente o básico do básico mesmo.

Som e controle

Um música medieval ecoa ao fundo durante as batalhas contra os baús e chaves que se empenham em cair sobre nossas cabeças e nos deixar desesperados. A medida que a velocidade aumenta e a tensão explode em nossa pele, a música acelera um pouco para deixar tudo mais angustiante ainda. Temos os efeitos sonoras dos baús caindo e das chaves e power ups sendo utilizados.

A trilha é básica, mas contribui muito bem para a atmosfera do jogo. Os efeitos dos baús se abrindo, das moedas sendo coletadas são algo constante. A trilha ao fundo não irrita, mas também não desconcentra o jogador. É um elemento que casa bonitinho com essa ideia de ladrões medievais roubando baús.

Na parte dos controles tudo é uma questão de se acostumar. É meio estranho hoje em dia iniciar o jogo tendo que apertar o botão Menu, ao invés do A – porém antigamente esse botão era o Start e também era obrigatório em muitos jogos. Acho que só estou ficando velho então.

Durante o jogo, usamos o botão X juntamente com o analógico para cima para usar o gancho e pegar os blocos. Apertando o mesmo botão para baixo largamos o que coletamos. E se pegarmos uma coluna e apertarmos para baixo ficando parados no local, e aí acabamos subindo em cima ela. Para pular usamos o botão A. Isso é meio que o básico dos controles de Treasure Stack.

É simples de se pegar o jeito, mas inicialmente pode ser um pouco confuso, já que um mesmo botão pega, coloca e rearranja os baús. Principalmente quando o jogador está tentando entender as regras do jogo. Quando puxar, quando é melhor deixar cair, quando precisa realinhar baús que não estão muito bem posicionados e afins.

Vale a pena?

Treasure Stack tem uma ideia interessante. E o modo como suas mecânicas são colocadas em prática também tem seus pontos positivos. A jogabilidade é boa e fugir da fórmula Tetris de ser tem o seu carisma. O grande porém aqui certamente é a falta conteúdo.

O modo single player não traz nada além de uma eterna luta contra você mesmo a fim de atingir uma pontuação mais alta e assim conseguir mais moedas e mais personagens. Nenhum deles vai lhe dar algum poder ou algo extra, são somente alterações estéticas para seu personagem. É uma boa ideia dar customizações de ganchos e avatares, mas não é algo que o jogador solitário vai realmente querer ter desbloquear tudo. O jogo poderia ter alguns atributos diferentes para alguns grupos de personagens ou ganchos. Isso adicionaria algumas camadas de estratégia ao jogo.

Os modos multiplayer online apresentam um desafio a mais por termos que encarar outros jogadores e ter aquela sensação da competição clássica que temos com outras pessoas, mas mesmo assim o jogo não se reinventa só porque se está online com outros jogadores atrapalhando uns aos outros.

No multiplayer local, Treasure Stack também deve brilhar um pouco mais. O título, afinal das contas, é um Party Game. Então com amigos, disputando em um sofá certamente torna as coisas mais divertidas e calorosas. É um jogo feito para funcionar exatamente nesse sentido.

Galeria

Dando uma nota

Single-player com pouco conteúdo - 5
Tem a inspiração da fórmula de Tetris, mas tem charme próprio - 8
É divertido ter um personagem mexendo nos blocos - 8
Modo Online é acalorado e bem disputado - 8
Valor de replay se limita a customização cosmética - 6
É um Party Game em sua essencial, para se jogar com amigos - 8

7.2

Bom

Treasure Stack cria um ambiente em que o jogador sente-se familiarizado o que está vendo, mas ao mesmo tempo o título apresenta uma ideia nova, que modifica as regras clássicas como a conhecemos. É divertido. Claro que há sim uma falta grave de conteúdo para instigar o valor de replay do jogador solitário. Mas essencialmente este é um título de Party Game. Seu maior peso é seu valor de multiplayer.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o Master System 3. Jogador "colecionador" (difícil conseguir vender os games usados), leitor de Mangás, Treinador de Pokémon e ouvinte das músicas de Animes/Games (^_^). Nas horas vagas ainda me dedico a caça de troféus no PS4.
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