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Análise | Rage 2

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC

Rage 2 Analise Review

Rage 2 é um título que tem um auto controle dentro de sua proposta, não extrapola, mas também não desaponta. Mesmo que ele disfarça muito bem isso em um mundo pós apocalíptico caótico inspirado em universos como Mad Max. O título é uma produção da Avalanche Studios, em parceria com a id Software, distribuído pela Bethesda, tendo sido lançado em maio deste ano.

Trata-se de uma sequência de Rage, lançado em 2011, ainda na geração passada, desenvolvido pela id Software, o mesmo estúdio de DOOM. Muito da identidade do jogo original foi mantido pela Avalanche nesta parceria. O ponto importante aqui é que ter jogado o primeiro não é um requisito necessário para adentrar em Rage 2. Há referências aqui e ali, mas no contexto geral, Rage 2 é uma obra própria, uma nova porta de entrada para este universo. Até porque a sequência se passa 30 anos após a aventura original.

Rage 2 é um jogo em primeira pessoa de ação e exploração em um mundo aberto, com missões principais e toneladas de atividades secundárias para serem realizadas. O combate, o estilo, a loucura tem muito do DNA do que se encontra nos jogos abraçados pela Bethesda. Talvez um legado deixado justamente pelo primeiro Rage. Em certos momentos de ação pura, Rage 2 me lembrou muito de DOOM, com a única diferença de ser um pouco mais lento e cadenciado.

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O último Ranger

A premissa do título é simples, porém funcional. Em um mundo pós apocalíptico, onde a tecnologia tem um quê de sci-fi futurista, é claro que há um vilão que deseja tomar o controle de tudo. Sendo que o mesmo é o detentor do controle de boa parte das mais potentes armas e tecnologias desse mundo. Ah, e esse cara mal tem um corpo robótico! O jogador? É o último Ranger, uma espécie de super soldado desse mundo. Aquele capaz de encontrar e assimilar tecnologias que ninguém entende muito bem como funciona, mas que são essenciais para derrotar o grande vilão. Sim, é clichê. E sim, funciona.

Logo no  prólogo do jogo você assiste sua mentora, quase mãe, ser assassinada por esse vilão, General Cross, um ditador como manda a cartilha de todo cara que quer conquistar tudo na base da força. O jogador, que pode escolher entre um protagonista masculino ou feminino, em que o nome Walker funciona para ambos os sexos, assume a responsabilidade pra si de derrotar Cross. Isso logo após descobrir que tem meios de se tornar mais forte e habilidoso por meio de estranhas arcas espaçadas pelo mundo. Arcas que contém tecnologia e armas que podem combater a tirania de Cross.

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Para isso sua mentora lhe deixa um plano, um projeto para adentrar na fortaleza de Cross. E é exatamente esse o plot principal do game. São três linhas narrativas, três fases do projeto. Para isso você precisa viajar por esse mundo danificado, tomado por punks, mutantes e soldados. Ir até três regiões distintas e ajudar três personagens que possuem seus próprios problemas a serem sanados antes de conseguir lhe ajudar. Resolvido o problema nestas três narrativas, o projeto é concluído e você pode enfrentar o General.

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Aberto, porém contido

Sou um grande fã de jogos de mundo aberto. Gosto da liberdade para explorar, de descobrir eventos e missões secundárias, de poder administrar a velocidade a qual quero progredir no jogo. De não seguir uma ordem específica de segmentos. Rage 2 faz isso muito bem. Muito melhor do que muitos jogos nessa geração que tornaram o gênero megalomaníaco e extremamente cansativo.

Talvez o segredo para um bom jogo de mundo aberto seja o auto controle mencionado lá no início. Saber se conter, não extrapolar só porque pode extrapolar. A progressão principal de Rage 2 levam menos de 20 horas para ser concluídas. Isso é ótimo porque torna o jogo objetivo. Não cansa, não enjoa.

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Não significa que o título se esgota após isso. Missões secundárias provavelmente tomam mais de 20 a 30 horas para aqueles que não desejam ir embora desse mundo. Há muito a ser feito, mesmo após a campanha principal ter sido concluída. O ponto é que boa parte desse segmento secundário não é obrigatório para progredir pela aventura. Não se torna uma barreira. Isso é importante.

E olha que Rage 2 tem uma quantidade impressionante de atividades secundárias diversificadas.Como há três linhas de história, há também três linhas de missões secundárias para se realizar. E dentro desse segmento a diferentes tipos de atividades. Detonar bloqueios e covil de bandidos, destruir sentinelas que são máquinas gigantes, limpar esconderijos de mutantes, combater mechas, realizar caçadas, perseguir comboios pelas estradas do jogo e assim por diante. Há o interesse constante de olhar aqui e ali, dentro do mapa, por alguma atividade secundária acontecendo pelas proximidades.

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Arsenal de progressão

Inclusive encontrar as tais arcas, que lhe concede novas armas e poderes, são atividades que fazem parte das missões secundárias do título. Você pode terminar a aventura sem ter encontrado todas, e por consequência, não ter todas as armas ou habilidades para usar no confronto final. E sim, dá para vencer sem ter destravado tudo.

Já que entrei no departamento das habilidades, sinto que preciso dizer que Rage 2 tem um complexo, mas justo, sistema de progressão por meio de inúmeras árvores de habilidades. E sim, é tudo muito confuso inicialmente, mas tudo se torna assimilável conforme as coisas vão sendo apresentadas.

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Basicamente tudo dentre seu arsenal tem uma árvore de habilidade. Cada arma de jogo tem, cada item consumível – como granada ou uma injeção que restaura sua saúde -, cada habilidade de arca, e cada linha de história lhe oferece uma árvore que dedica a um aspecto do seu modo de jogar, podendo melhorar sua capacidade de carregar mais itens, ou de otimizar a fabricação de consumíveis ou melhorar status como maior dano causo pelas armas, itens ou habilidades.

Isso fica ainda mais louco quando você percebe que diferentes itens são exigidos para diferentes árvores de habilidade. A árvore de armas não usam os mesmo itens da árvore de itens ou da árvore de história. O que em certa parte faz certo sentido. Isso bloqueia o jogador de apenas atualizar uma única árvore e assim desbalancear todas as vertentes dessa mecânica.

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O ponto positivo disso é a constante sensação de que você está sempre melhorando e aprendendo algo novo. Não importa quantas horas de jogo se passaram. Sempre haverá algo a ser aprimorado.

Engate a marcha na hora da ação

Nada disso seria interessante se o combate de Rage 2 não correspondesse à altura. E felizmente corresponde. As batalhas são recheadas de ação, movimento, pulos, poderes e aquele tipo de violência que faz sentido dentro da premissa do jogo.

Uma boa forma de exemplificar como são os combates de Rage 2 talvez seja dizer que o mesmo fica entre um meio termo da velocidade e agilidade de DOOM, com o malabarismo e dança visceral de um Bulletstorm. Trata-se de um jogo de tiro em primeira pessoa, mas você quase nunca fica parado de longe, escondido atrás de uma mureta, atirando. Rage 2 quer que o jogador vá direto para ação. Metendo bala e porrada em tudo que estiver próximo.

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Sua arma preferida aqui será a boa e velha espingarda. O combate é de proximidade. Desviando de granadas, usando habilidades especiais para empurrar inimigos, atirando à queima roupa em uma horda de punks ou mutantes que não estão munidos de armas, apenas tacos de baseball e garras afiadas.

Horda é um bom termo alias. Os combates de Rage 2 são sempre recheados de múltiplos inimigos. O jogador está sempre sozinho nesse caos, mas tem força e habilidade o suficiente para fazer esse malabarismo com os adversários. Meta bala, corra, user poderes, lance granadas. Nunca fique parado.

Há dois poderes ótimos para o combate. Um que empurra inimigos e quebra suas armaduras (outro ponto legal do jogo, inimigos de armaduras precisam perder parte de sua proteção para serem mortos), e uma habilidade que lhe concedem o poder de pular e dar um murro no chão, detonando tudo que estiver perto do impacto. É incrivelmente satisfatório tal habilidade.

Outro especial chave do jogo é chamado de Sobremarcha. Trata-se de um medidor de especial que enche conforme inimigos vão sendo eliminados. Faça combos de mortes e mais rápido essa barra se enche. Ao ativá-la, todas as armas do jogo ficam especialmente imbatíveis. O estrago da armas em sobremarcha é massivo.

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Além de tudo isso, Rage 2 tem toda uma gama de recursos que tornam a experiência do jogador mais divertido dentro do game. Você tem a habilidade de ver inimigos através das paredes, tem colecionáveis por todos os lugares, tem veículos maneiros (um inclusive tem personalidade e fala com o jogador – com ótimas tiradas) e há toda uma construção de ambientes e áreas que dão a sensação de que missões iguais ainda são diferentes graças a topografia criada.

Considerações Finais

Rage 2 é uma surpresa interessante. O título não inova dentro de sua premissa, mas entrega uma competente experiência de mundo aberto, sem megalomania, sem longas sessões do mais do mesmo. O combate é frenético, divertido e a sensação de progressão é constante.

Visualmente o jogo tem boas decisões de arte, seja em seu mundo inspirado em Mad Max em certos momentos, seja no destaque à cor rosa que existe em diversas partes e mecânicas dentro do jogo. Dá um senso de estilo próprio, um charme pessoal à série. Além disso o título chegou ao Brasil totalmente localizado em português, com dublagem e legendas. Um cuidado realmente legal e que dá muito crédito ao jogo em nosso mercado.

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Os segmentos de veículos dentro do jogo talvez não sejam os melhores, mas raramente me desapontaram. Corridas não me instigaram, mas também não as achei ruim. Coletar veículos, tal como o Crackdown original, me chamou a atenção e achei divertido ver isso de volta em um jogo. Já os combates contra comboios, estes poderiam ser mais ágeis, enquanto em muitos momentos os mesmos me cansaram. Fora que o carro principal não tem munição infinita, uma mecânica que normalmente seria mais interessante dentro de tal atividade.

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Rage 2 também só oferece uma experiência single player, o que me parece como uma oportunidade desperdiçada. Ter um modo com jogadores brincando e se encontrando em seu mundo aberto poderia soar bem interessante. Seja disputando corridas, seja abatendo covis, seja matando uns aos outros. Seria um caos que soaria orgânico dentro desse universo criado.

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Não posso terminar sem apenas comentar que me divertir nas poucas, mas ótimas batalhas de chefes que estão presentes no jogo. Grandes mutantes que não oferecem muito risco, mas são divertidos de serem confrontados. Nada inovador, porém muito bem executadas.

Dito tudo isso, ao fim, Rage 2 me soa como um título honesto. Que sabe seus pontos fortes e fracos. Entende sua origem e abre as portas para que a série não termine por aqui. É um belo recomeço, que aproveita muito do potencial deixado pelo jogo de 2011. Sou amadurecer, ainda que não por completo. Para fãs dos jogos da Bethesda, é um título que faz tudo que promete. Sair metendo bala, explodir tudo, destroçar mutantes e causar caos é divertido. É um jogo de videogame em sua essência mais pura.

Galeria

Extra – Gameplay do início

Dando uma nota

Auto controle é a palavra chave, tem de tudo, mas sem ser enfadonho - 9
Combate frenético, sem deixar o jogador parado atirando - 9
A história é clichê, mas jamais chega a ser um problema - 7.5
Momentos em veículos não se destacam como talvez devessem - 7
Há uma ótima diversidade de atividades secundárias - 8.8
Localização em português com ótima dublagem - 9
Progressão constante, com inúmeras árvores de habilidades - 9

8.5

Show

Rage 2 é um ótimo exemplo de como jogos de mundo aberto podem ter auto controle, sem extrapolar ou ter mundos megalomaníacos apenas pelo prazer de se repetirem. O resultado é um jogo consistente, divertido e que em nenhum momento soa cansativo. Não reinventa nada, mas cumpre as expectativas. Há o genuíno DNA dos FPS da Bethesda nesta empreitada. E o resultado é ótimo.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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