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Análise | Crash Team Racing Nitro-Fueled

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

Crash Team Racing Nitro-Fueled é um destes jogos inesperados. No melhor sentido possível. Sob os cuidados do estúdio Beenox, e ainda distribuído pela Activision, o título consegue ir muito além do que um simples remake do original de 1999, desenvolvido pela Naughty Dog.

Lançado no final do mês de junho, o jogo chega para provar que Crash Bandicoot é muito mais legal do que qualquer lembrança que os jogadores mais velhos possam ter. São personagens e um universo que facilmente consegue encontrar um espaço relevante na atual geração de games.

E dizer que este é um simples remake de um clássico é dizer muito pouco sobre o mesmo. O trabalho da Beenox aqui foi muito além de modernizar e remasterizar um jogo do final da década de 90. O estúdio levou em consideração outros jogos menores da série – que possivelmente não fariam sucesso se relançados de forma isolada – para encorpar o caldo deste Nitro-Fueled.

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

Com isso, pistas, personagens e conteúdos de Crash Nitro Kart (2003) e Crash Tag Team Racing (2005) foram recriados e adicionados ao pacote. Mas não como aconteceu na coletânea Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, com os títulos separadinhos – em busca do sentimento original que cada jogo representa na história do personagem. Não faria o menor sentido fazer o mesmo aqui. Então Crash Team Racing Nitro-Fueled é um jogo só, com o conteúdo das sequências de menor sucesso incorporadas ao pacote como um todo.

Significa que todos os personagens funcionam em todas as pistas. Que todas as pistas funcionam em todos respectivos modos de jogo a qual foram criadas. Que todo o pacote de conteúdo roda em harmonia, sem nunca deixar óbvio qual conteúdo é de qual jogo clássico. Isso é fantástico.

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

Derrape como nunca derrapou

Tenho que dizer que me lembro muito pouco de Crash Team Racing. Sei que o tive e o joguei. Porém foi naquela fase louca do primeiro PlayStation e sua relação com a pirataria em nosso mercado. Tinha de tudo, e não jogava nada com a devida dedicação. Enfim, o ponto é que não me recordava de quão difícil e diferente era a proposta de Crash Team Racing em relação a um Mario Kart da Nintendo. Algo que Nitro-Fueled faz questão de deixar bem claro.

O segredo para dominar e conseguir correr em Crash Team Racing Nitro-Fueled é entender o sistema de derrapagem e dos turbos realizados nas corridas. Só acelerar, correr e fazer bem as curvas… não serve para exatamente nada! As mecânicas aqui são pensadas para não funcionarem na mera simplicidade que os jogos de Kart normalmente são.

Essa série de Kart do Crash é muito mais pensada para corredores mais jovens e adultos do que para crianças. O jogo exige que o jogador entenda como derrapar, para acumular um boost em seu turbo, sendo que essa derrapagem acumula até três níveis. Quando deve realizar a manobra, quando se deve pular para ganhar um turbo grátis, quais os locais estão os corta caminhos (que existem em quase todas as pistas), a não depender dos itens de trapaça, de como cada segundo conta e como um mínimo erro pode colocar toda uma corrida em risco. Pois é, não é fácil.

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

Meu pequeno, com seus seis anos, se sentiu bastante intimidado com o jogo, mesmo sabendo que tem um modo fácil que ameniza bastante a dificuldade. Só de me ver jogar no modo normal, e perder inúmeras vezes, já o fez perceber que é um jogo que requer mais paciência do que ele certamente teria.

Dito tudo isso, o sistema de derrapagem de Crash Team Racing, por mais agressivo que seja, é digno de elogios. Não é uma mecânica que surgiu nesta nova versão, pelo contrário, já existia no jogo original de 1999. Já era um diferencial na época, porém tenho pra mim que ficou muito mais em evidência sua utilização nesta versão restaurada. Inclusive o indicador na lateral inferior da tela mudou, tornando mais fácil entender o momento de ativar o boost.

É um sistema de dois comandos, um bumper na parte superior do controle derrapa e enche uma barra. Um segundo bumper, no lado contrário do controle precisa ser pressionado antes que essa barra encha. Se encher tudo o boost falha, enquanto mais próximo da barra encher 100%, mais eficiente será o boost. Ao interromper com sucesso uma primeira vez, o jogador ganha um turbo e a barra recomeça a encher novamente – caso você mantenha a derrapagem. Nessa segunda vez em que a barra enche o processo é o mesmo, espere o momento certo e ative novamente este segundo boost. Uma terceira vez é iniciada, e garante um terceiro turbo simultâneo e ininterrupto aos anteriores já ativados. Percebe como é apelona essa técnica contra um jogador que não domina o movimento? Curvas podem ser cruéis em Crash Team Racing Nitro-Fueled, pois são o melhor momento para engatar estes turbos e sair na frente de qualquer um que não esteja fazendo o mesmo.

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Corridas aceleradas

Graças a esse estilo de jogo, Crash Team Racing Nitro-Fueled é um jogo rápido. As corridas são pura adrenalina. Um deslize e sua colocação nunca mais é recuperada. E não espere que um item de trapaça vá salvar sua pela. Normalmente não vai.

Sobre os itens, eles são exatamente o que se espera dentro de seu elemento. São um tanto clichês, ainda que goste bastante de alguns destes. A caixa de TNT, por exemplo. Tão natural ao universo de Crash e seu funcionamento aqui é realmente criativo, grudando na cabeça do corredor e começando uma contagem regressiva. Ao final ela explode, porém se o jogador começar a pular pressionando o bumper rapidamente, ela se soltará e não lhe causará dano. É bacana a ideia, pois mesmo que você se solte, acaba sacrificando sua velocidade para ficar pulando até ela se soltar.

Porém há outros mais genéricos. A poção química tem o mesmo efeito da banana em Mario Kart, enquanto o escudo lhe garante proteção, mas para usar um novo item coletado é preciso sacrificá-lo lançando-o para frente, quase como tiro de energia. Há os clássicos foguetes, e também bombas que rolam pela pista. Das bombas gosto em particular do fato delas poderem ser arremessadas para trás e se caso chocarem com uma caixa de item, garante ao jogador a seleção de mais um item. É nos pequenos detalhes que muitas vezes estes itens se provam inteligentes.

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Também há um equivalente ao Casco Azul de Mario Kart aqui, que é uma esfera de energia que persegue os primeiros colocados da corrida. Entretanto não a acho tão eficiente assim. Isso ocorre porque a recuperação durante a corrida é muito rápida graças ao sistema de derrapagem.

Fora que estes itens mais poderosos são raros. Estar em último colocado não garante tirá-los, como ocorre em Mario Kart. Não descobri exatamente como é configurado isso dentro do jogo, mas estar perdendo não garante que você vá tirar um item bom atrás do outro. Caixas de TNT e poções químicas seguem saindo com frequência mesmo que o jogador esteja em uma colocação muito baixa.

Indo adiante, o jogo ainda apresenta as clássicas Wumpas, frutas que me lembram um misto de maça com pêssego. Colecar wumpas em caixas ou espalhadas pela pista deixam o carro ligeiramente mais rápido, além de deixar os itens de trapaça ainda mais poderosos. Uma caixa de TNT vira, por exemplo, uma caixa de Nitro, que explode imediatamente ao contato. Coletar as frutas é uma ótima estratégia para garantir que os itens de trapaça sejam o mais potente possível em momentos em que forem realmente necessários.

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Além disso, para deixar tudo ainda mais veloz, as corridas possuem muitas rampas que exigem que o jogador esteja sempre saltando. Quanto mais alto seu kart sai do ar, ao aterrissar um turbo é ativado. Mais alto, mais potente o mesmo irá ser. Então o design das pistas dificilmente são totalmente planas. Há pequenas saliências, rampas, morros em tudo quanto é lugar. Se você não está derrapando, certamente estará procurando um lugar para saltar.

É por isso que Crash Team Racing Nitro-Fueled tem um estilo que injeta muita adrenalina ao jogador. Você não corre procurando o próximo ponto de vantagem na pista. Os pontos são constantes, a cada salto, a cada derrapada, a cada item. É tudo muito acirrado e, talvez até, cruel demais. Não o suficiente para ser frustrante, mas o suficiente para que o jogador perceba que não pode vacilar demais.

Uma aventura em quatro rodas

Saindo um pouco do escopo de como jogar Crash Team Racing Nitro-Fueled e entrando no que o título tem a oferecer, um de seus principais destaques fica por conta do modo aventura, uma espécie de campanha presente para a modalidade single player.

E quando digo campanha, é até mesmo uma com direito a um plot, cenas animadas e tudo mais. Não que seja um super enredo, mas o suficiente para impulsionar e dar sentido a tal modalidade de jogo. No caso, temos a chegada de Nitros Oxide, um alienígena, chegando do espaço para desafiar todo o planeta para uma série de corridas. Vencê-lo significa que o planeta será poupado da destruição, é claro. O que é o suficiente para sustentar uma narrativa de heróis e vilões correndo uns contra os outros.

Para jogadores das antigas, uma boa forma de comparar este modo é pensar em Diddy Kong Racing, outro clássico do gênero, que fez algo exatamente assim, dois anos antes do Crash Team Racing original. Mais exatamente em 1997, no Nintendo 64.

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Aqui o jogador explora um mundo aberto, encontrando pontos de corrida e outras missões que servem como desafios complementares a aventura, e que também definem outras surpresas para aqueles que os completarem. O mundo é todo interconectado, porém portas estão travadas. Para abri-las é preciso vencer corridas, e assim ganhar troféus que lhe dão mérito para correr contra o detentor das chaves para a próxima porta, e por consequência, do próximo mundo.

Pode-se dizer que há nessa modalidade um forte elemento de collectathon, que é um termo que definimos jogos que possuem muitos itens colecionáveis para diferentes propósitos ou apenas pelo puro prazer de colecionarmos. O jogador corre por troféus, por chaves, por moedas CTR, por cristais, por relíquias, por diamantes. Cada item significa ter que explorar mais esse mundo, cumprir diferentes desafios que nem sempre envolvem a tradicional corrida de três voltas.

O jogador disputas corridas contra o tempo, quebrando as tradicionais caixas amarelas que congelam o tempo por alguns segundos. Corre para coletar cristais. Corre contra chefes que usam itens de forma infinita e que nunca lhe deixa ficar em primeiro lugar por muito tempo na corrida, sendo a curva final sempre a curva decisiva de cada disputa.

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É um modo de jogo que pode lhe tomar um bom tempo e que é divertido o suficiente para tornar uma das principais atrações do título. Ainda que não diga exatamente que seja. Porque há mais em Crash Team Racing Nitro-Fueled do que uma aventura para salvar o planeta.

Menos estático, mais online

A experiência entregue nesta versão vai muito além da remasterização, e é muito mais dinâmica e flexível do que a experiência estática dos clássicos originais. Crash Team Racing Nitro-Fueled está evoluindo enquanto escrevo esta análise. Graça ao que os jogos podem oferecer nos dias de hoje: modalidades online e eventos sazonais que adicionam mais conteúdo aos jogos.

Vamos começar pelo online. É genial que haja a possibilidade de mutiplayer online aqui. Algo que os jogos originais sabemos que não tinham como oferecer. Na época era apenas o multiplayer local, que sim, também está presente aqui. Porém agora as disputas estão mais empolgantes, mais desafiadoras, mais dinâmicas. E um tanto quanto inacreditáveis – no sentido de como há jogadores profissionais que deixam os medianos, como eu, no chinelo.

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

Primeiro é certo dizer que o modo online funciona. A versão testada para esse review foi a de Xbox One, então não posso afirmar como está a situação em todas as plataformas. Fora que imagino que este seja um título que esteja vendendo muito mais no PlayStation 4. Faz sentido dizer que a comunidade online seja mais forte nessa plataforma.

Dito isso, o Xbox One não tem desapontado muito. E preciso colocar desta forma porque o modo online de Nitro-Fueled se dividia em duas modalidades: corridas e batalhas – esta última ainda não expliquei, mas farei isso mais abaixo. Corridas é tranquilo conseguir achar partidas, e acho que é a modalidade que as pessoas mais querem jogar. Já as batalhas, não consegui nenhuma vez, mesmo esperando sessões de busca maiores de 5 minutos. Uma pena.

Não espere vitórias frequentes nas corridas online. Minha melhor colocação, por exemplo, após várias partidas, foi terceiro lugar. Há jogadores realmente feras jogando online. Daqueles que derrapam e acionam os turbos até mesmo em retas. Loucura total. Não significa que isso não tornam as disputas mais desafiadores. Apenas não se deixe frustrar por quão insanos são alguns jogadores. Está tudo bem não ser. É o que sempre digo: diversão em primeiro lugar.

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Eventos sazonais e o incentivo assertivo

Além da inserção da modalidade online, a Beenox parece que teve uma excelente ideia – que casa muito bem em como os jogos mantém suas comunidades ativas e interessadas – ao adicionar eventos sazonais ao jogo. Eventos que adicionam novidades ao jogo, como novos personagens, novos itens de customização, novas pistas e a sensação de que o jogo está fresco e vivo.

Não é diferente do que jogos como Destiny 2, Fortnite, dentre outros tem feito nesta geração. Eventos, que não são DLCs pagos, que mudam o dia a dia dos jogadores, e os força a irem atrás de desafios e metas para ganharem recompensas bacanas que se tornam permanente no jogo.

Agora mesmo, enquanto escrevo esta análise, está rolando o evento Nitro Tour Grand Prix, que adicionou novos carros, cinco novas personagens, incluindo Tawna – namoradinha de Crash em seu primeiro jogo -, novas cores de personalização, novos adesivos, uma pista totalmente nova feita para o jogo e muito mais.

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A nova pista, Twilight Tour, vem para somar as 31 pistas que já estavam presentes no dia do lançamento do jogo. Enquanto os demais itens de customização, assim como skins alternativas e novas personagens são adquiridas de diferentes maneiras.

Primeiro é na lojinha interna do jogo, que até onde vi só se pode comprar com o dinheiro ganho em corridas, principalmente nas online, que rotaciona seu conteúdo diariamente e só é possível comprar o que se tem nas ofertas do dia. A segunda, e mais interessante, é cumprindo desafios que rendem pontos que se acumulam e enchem uma barra do evento. Conforme essa barra progride, ela vai atingindo metas de itens de recompensas. São três níveis, enquanto que os desafios mudam diariamente e semanalmente. Entre todos os dias, faça o que se pede – em modos online e offline, nas modalidades arcade – e vá acumulando pontos.

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É um sistema que incentiva os jogadores a voltarem para o título com frequência, provavelmente diariamente. Nem que seja para ligar e fazer algumas corridas para garantir as metas do dia e ver seu progresso na barra de recompensas subir mais e mais. E é uma progressão justa. O jogo não lhe pede 4 ou 5 horas por dia para conseguir tudo. Trinta a sessenta minutos diários é mais do que suficiente. E nos finais de semana, as moedas são dadas em dobro, ou seja, fica mais fácil acumular dinheiro para gastar na lojinha.

Pra mim isto aqui, a ideia dos eventos online, é o pulo do gato para Crash Team Racing Nitro-Fueled. É aqui que o título se prova além de um mero remaster. Ao fazer isso o título se mostra moderno e totalmente dentro do que os jogos precisam ser hoje em dia para terem suas comunidades sempre interessadas em continuar jogando-os. É simplesmente genial.

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Quer mais? Há mais!

Crash Team Racing Nitro-Fueled ainda é mais impressionante quando o jogador nota que não há apenas os modos já citados dentro do pacote de opções que o título tem a oferecer. Há algumas outras modalidades menores, mas tão promissores e divertidas, dependente do gosto e estilo de cada jogador.

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Dentro da aba arcade há outras sete opções de modalidades, sendo que algumas se fragmentam em outras opções dentre as que o estilo de jogo tem a oferecer. Batalhas, por exemplo, há cinco estilo dentro desta modalidade.

E já que a mencionei, Batalhas é um estilo que hoje em dia está morrendo aos poucos. Os jogos de corrida de Kart normalmente ainda inserem tal modo em seu repertório, mas é um estilo que não satisfaz os jogadores como satisfaziam em Mario Kart 64, com a televisão dividida em quatro telas menores. Era animal na época. Hoje, concorrendo com jogos como Rocket League, as batalhas de Karts não são mais tão interessantes assim. Até porque, para o público que envelheceu e está mais adulto, não é fácil reunir quatro amigos para dividir a tela, ou até mesmo ter quatro controles disponíveis.

Batalhas fariam mais sentido na modalidade online, mas como mencionei, tem sido difícil achar partidas no Xbox One. A comunidade parece mesmo preferir as corridas convencionais, que dependem mais das habilidades e memorização das pistas, do que a sorte nas disputas de batalhas.

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Alias, para quem se perdeu, batalhas são modalidades em que os jogadores tentam acertar uns aos outros em arenas fechadas. Não são circuitos de corridas, mas um estádio mesmo, fechado e com curvas e esconderijos. Quebre caixas e use seus itens para acertar outros adversários. Dentre a modalidade há suas variações, como dominar bandeiras ou coletar cristais.

Avançando para outras opções dentro da aba arcade, os jogadores também irão encontrar as tradicionais copas. Disputa quatro corridas, obtenha as melhores colocações e a pontuação final garantirá sua posição no pódio. Há jogos de karts que só possuem essa modalidade de copas como destaque. Aqui é só mais uma opção dentre tantas outras. E o jogador regula o nível de dificuldade. Não será moleza vencer, a menos que você queira.

Corrida contra o tempo também é uma opção que me chama a atenção, justamente porque é aqui que os jogadores mais dedicados vão treinar para ficarem realmente bons em certas pistas. É um modo bom para investigar atalhos e treinar trechos. Além disso é possível ligar um fantasma de seus melhores tempos, e assim competir contra si mesmo.

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Quanto aos demais modos, são eventos que são encontrados no modo aventura, mas que o jogador pode se aprofundar, treinar e se especializar aqui. Além de poder competir com um amigo tais desafios. É uma boa ideia, ainda que sejam modos que apenas alguns jogadores devam se interessar.

Considerações finais

É preciso encerrar a análise, que já se estendeu muito além do que esperava, e mesmo assim não mencionei todos os pontos que talvez Crash Team Racing Nitro-Fueled merecesse. Por exemplo, que tal saber que o jogo recebeu localização e está totalmente dublado em nosso português? Pois é.

E sim, é estranho ouvir algumas vozes de personagens em nosso português. Nunca os ouvimos falando nosso idioma e nem todos soam como no original. Não é ruim, mas é estranho. Entretanto pense que para um público mais novo ou até mesmo para aqueles cujo o idioma estrangeiro é uma barreira, essa localização vem para ajudar. Fora que é um título que não tira você de dentro da imersão de seu mundo apenas porque não está com as vozes originais (que você pode ligar colocando seu console em inglês).

O único ponto nisso tudo é que lamento que a Activision tenha localizado este título, mas optou por deixar a trilogia original de Crash Bandicoot N. Sane Trilogy totalmente em inglês, sem nem mesmo legendas em nosso idioma. Teria sido muito épico ter recebido este outro jogo com a dublagem aplicada aqui, no jogo de corrida da série.

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

Seguindo adiante, acredito que Crash team Racing Nitro-Fueled deveria ser um modelo de remasterização a ser seguido. Ele faz tudo que poderia esperar que fizesse e vai muito além. Entregando muitas surpresas aos fãs, de conteúdo a até mesmo pequenos detalhes. Acho incrível, por exemplo, todo o cuidado com customizações dos corredores e seus veículos apresentados aqui. São skins, cores, adesivos. Com detalhes o suficiente para que o jogador dê um toque de pessoalidade ao seu corredor. O que fica bem claro quando se disputa com outros no multiplayer. Chega a ser visível aqueles que já estão avançados no jogo em relação aos que não tem muitas opções ainda.

Crash Team Racing Nitro-Fueled analise review

E mesmo que estas customizações seja por meio de uma loja com itens que mudam diariamente, o título não tem um ponto de microtransação. Tudo é feito com moedas dentro do jogo e o jogador sabe exatamente o que está comprando quando está na lojinha. Não há itens sortidos ou aleatórios. O jogador ainda não tem acesso a tudo de uma só vez. É uma forma de voltar ao jogo, e à loja, todos os dias, para ver as novidades.

Ao fim, Crash Team Racing Nitro-Fueled entrega uma experiência completa, com um toque de modernidade, mas sem perder a nostalgia e o charme do jogo original. Não soa datado, não soa como algo fora do que o mercado pode oferecer nos dias de hoje. Não soa sequer como algo velho requentado para a era moderna. É muito impressionante como tudo no título funciona bem hoje, independente de você saber ou não de que se trata de uma versão baseada em um jogo muito antigo. Potencialmente é um dos melhores jogos de Kart desta geração, sem a menor sombra de dúvida.

Galeria

Extra – Início do modo aventura (Dublado)

Dando uma nota

Vai além de um simples remaster, é uma modernização da fórmula - 10
Há conteúdos para todo lado, single, multi, online, offline - 9
Reúne, com bela harmonia, três jogos clássicos em um - 10
Mecânicas de turbo e derrapagem requerem muito treino - 9
Muito bem dublado em português (talvez você estranhe, mas tudo bem) - 9
Eventos sazonais e modo online garantem longevidade e valor de replay - 9
Customizações, sem microtransações, dão charme aos personagens - 8

9.1

Excelente

Crash Team Racing Nitro-Fueled é um pacote fantástico de conteúdo, que consegue ir muito além de apenas uma versão remasterizada de uma série clássica. O trabalho aqui é digno aplausos. Há conteúdo, modos, extras, novidades para todos os lados. Um título obrigatório para os amantes do gênero.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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