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Cinco séries para assistir e maratonar na quarentena

Opções para quem procura mundos e realidades incomuns

O mundo em 2020 anda muito problemático. Pandemia, distanciamento social, crise econômica, crise política, furacão de gafanhotos e capítulos do mangá One Piece sendo publicados semanal sim, semana não no Japão. Que terror! “Vai passar”, é que todo mundo está dizendo. Assim espero, claro. Enquanto as coisas vão se ajeitando aos poucos, o melhor é pensar nas alternativas impostas pelo novo normal.

Com aglomerações ainda não sendo recomendadas, muita gente precisa encontrar ocupações dentro de suas próprias casas. E não digo isso como algo tão ruim assim… apesar que… sempre gostei de ficar em casa, verdade seja dita. Bem, o ponto é que existe aí uma mudança e são tempos em que muita gente se coça para aprender algo novo ou se entreter com coisas que a turbulenta vida comum normalmente não deixaria.

Aí vale de tudo um pouco. Há quem tenha aprendido a costurar (e tem uma galera aí ganhando dinheiro vendendo máscara de pano), tem aqueles que partiram para a arte de cozinhar (sim, é uma arte), outros entraram de cara em cursos online e estão aprendendo novos ofícios enquanto ainda vivemos uma certa quarentena meia boca. E acho que no status atual, tudo é válido, até mesmo hobbies oriundos da era digital, seja se divertir passando horas vendo bobagens no TikTok ou e redes sociais (até o Twitter, por sua conta e risco), gastando alguns tostões em jogos de cassino, a qual existem até mesmo locais como o online cassino que auxiliam interessados a encontrarem locais seguros, ou simplesmente se tornando aquele cara que vive caçando cupons de desconto e usando-os só porque os encontrou (tive uma fase assim, com certos arrependimentos, admito) ou qualquer outra coisa que a internet possa prover hoje em dia, sem que você precise sair de casa.

Entretanto há aquela recomendação mais tradicional da quarentena: ler, jogar e assistir aquele monte de coisas a qual você normalmente nunca tem tempo. Isso é algo que tenho feito, admito. Nada melhor do que fugir para outras realidades, outros mundos, conhecer novas histórias. Como já escrevo muito sobre jogos por aqui, e sinto falta de ter tempo para indicar outras coisas, hoje resolvi falar de cinco séries que resgatei e/ou conheci nessa quarentena. Seriados que podem ser encontrados nos atuais serviços de streaming disponíveis no Brasil, sem que você precise aprender a lidar com torrents ou IPTV (porém se você não sabe sobre nem um e nem outro, aí está algo que deveria aproveitar esse tempo livre de pandemia para aprender). Enfim, vamos as indicações e as razões de estar listando-as aqui:

  • Community (Netflix)

Das cinco indicações, Community é provavelmente a mais famosinha. E deve ser aquela série que boa parte das pessoas já ouviram falar ou até mesmo assistiram. Trata-se de um seriado de humor negro, absurdo e surreal, lançado em 2009, que passou por maus bocados para se encerrar em sua sexta temporada. É uma série com muita referência a paródias, meta linguagem, personagens estranhos e humor bem característico das comédias dos anos 80.

E por que voltar a falar de Community agora? Porque recentemente a série estreou completinha no catálogo global da Netflix (ainda que aqui no Brasil ela também esteja no catálogo da Amazon Prime) e, não por coincidência, a internet voltou a falar sobre o profético filme do show que nunca veio vir a existir.

Para quem não se recorda, Community durou cinco temporadas no canal que originalmente o encomendou, a NBC. Cancelada antes de uma piada interna da série ser concretizada (de que ela duraria seis temporadas e um filme), a Yahoo chegou a resgatá-la para sua sexta temporada em um serviço de streaming que não veio a dar muito certo, o que acabou fazendo o programa chegar (novamente) ao seu fim.

Durante esse período de quarentena aproveitei para conferir a sexta temporada, que perdeu parte do seu elenco e precisou ser reestruturada para dar certo. Felizmente a série conseguiu de volta o criador original do show, Dan Harmon, e isso resultou em uma divertida sexta temporada. Não épica como as três primeiras, mas ainda assim honrou a qualidade e humor original do show. Os novos personagens fizeram um bom trabalho. E o final dessa temporada honra o legado da série, de romancear a quebra da quarta dimensão e brincar de que os personagens entendem, mas não de forma literal, de que estão dentro de um seriado de TV. Com filme ou não, eu adorei como a sexta temporada terminou.

Por isso é legal conhecer Community. A sexta temporada é desconhecida para muita gente. Aproveite para ver na Netflix, e colocar em evidência o show. A Netflix poderia retirar Community de seu limpo, afim de realizar o filme. Vários atores do show já participaram de série ou programas dos Originais Netflix. Existe uma ponte aí.

  • Evil (Globoplay)

Das cinco indicações, Evil é a única série bem recente, foi lançada ano passado, porém me parece meio desconhecida no Brasil por estar exclusivamente no serviço de streaming Globoplay – que por sinal tem muito seriado norte americano que não se acha em outros serviços, desde clássicos a coisas recentes. A série conta com um elenco realmente incrível. Destaques para Katja Herbers, Mike Colter, Michael Emerson, Aasif Mandvi e Kurt Fuller.

A série trabalha a ideia de uma psicóloga forense sendo contratada pela igreja católica para auxiliar em misteriosos casos sobrenaturais envolvendo mitologia religiosa. É um conceito de ciência e lógica contra a fé e a religião, sendo que em nenhum momento a série pende para um lado ou outro. Brincando muito com aquele sentimento que existia lá nos tempos de ouro de Arquivo X. O sobrenatural pode existir, se você acreditar. Nunca é algo 100% claro no show, deixando muita dúvida. Ou o telespectador é um crente como o personagem de Milke Colter (o Luke Cage do seriado da Marvel e o Spartan John Locke de Halo 5) ou os argumentos de psicanálise da personagem de Katja Herbers vai lhe mostrar um lado sobre os demônios bíblicos e pecados do ser humano a qual você não poderia imaginar, sendo que a própria personagem em certo ponto também se questiona se tudo pode realmente ser explicado.

O roteiro da série é sensacional. Há momentos de grande terror, mas sem nunca perder o charme de suspense da série. Diversos episódios tem um clima muito comum aos contos de Stephen King. É imperdível. Pena que Evil, por enquanto, conta com apenas 13 episódios. Lá nos Estados Unidos a série é produzida pelo canal CBS, que já a renovou para uma segunda temporada, ainda sem data para estrear (era de se esperar algo para este segundo semestre, mas como a pandemia desacelerou a produção de alguns seriados, ainda não se sabe quando Evil retorna para novos episódios). Mas os 13 inicias valem totalmente à pena! Confiram!

  • The 100 (Netflix)

Voltando aos seriados não tão recentes, e que resolvi dar uma nova chance durante esse período de maratona na quarentena, está The 100, uma série que surgiu em 2014 e que conta atualmente com suas seis temporadas disponíveis na Netflix. A sétima temporada será a última e se encerrará agora em agosto nos Estados Unidos (e logo também deve chegar por aqui via Netflix).

Trata-se de uma série de ficção científica em um distante futuro a qual a humanidade foi obrigada a viver em um satélite em órbita da Terra. O plot é que o planeta foi devastado por uma guerra nuclear e o habitat se tornou impossível. O tempo passou e a humanidade no satélite está com os dias contados por falta de suprimentos. O jeito é mandar 100 jovens para o planeta e ver se é possível viver no que sobrou da Terra.

Esta é uma série que comecei a assistir alguns anos atrás, mas larguei em algum ponto logo no início da terceira temporada e nunca mais consegui retomar. Até agora. Para isso recomecei tudo de zero, pois já não me lembrava de um monte de eventos iniciais. Valeu a pena, caso você esteja se perguntando.

Inevitavelmente acabei lembrando porque tinha desistido do show lá no passado: não gosto da segunda temporada. Acho uma temporada enrolada, que inclusive quebra o ritmo da terceira temporada, que leva um bom tempo para reencontrar seu ritmo. Depois disso alguns elementos novos surgem e meu coração Asimov se encanta com o trabalho que o show faz quando elementos sobre inteligência artificial são inseridos no enredo. As demais temporadas são sensacionais. E The 100 possui temporadas curtas, sem enrolação, entre 10 a 16 episódios cada. É boa de maratonar.

The 100 começa como uma ficção científica muito light, mas conforme o show se desenvolve as coisas escalam para o que se espera de contos do gênero, e impressiona pela forma como passa a se reinventar a cada temporada. A premissa de selvageria do ser humano e sua dominância territorial nunca vai embora, entretanto o show permite brincar muito mais com situações improváveis de uma sociedade encurralada por sua própria devastação por meio da tecnologia. Já estou ansioso pela sétima (e última) temporada.

  • The Handmaid’s Tale (Globoplay)

The Handmaid’s Tale surgiu em 2017, não faz tanto tempo assim, porém demorou um bom tempo para estrear no Brasil, e apenas exclusivamente no Globoplay. Trata-se de uma produção do serviço de streaming Hulu, que não se encontra até hoje disponível no Brasil. É um seriado que foi muito aclamado pela crítica quando foi lançado e repercutiu bastante internacionalmente. Até então só era possível assistir por torrent até a Globoplay comprar os direitos de transmissão. Neste momento o serviço conta com as 3 temporadas completas da série, sendo que a quarta temporada está em produção, com dada de estreia somente para 2021.

A série é baseada em um livro escrito por Margaret Atwood, publicado em 1985, que por sinal figura entre os mais vendidos aqui no Brasil de tempos em tempos. Está na minha lista de aquisição para os próximos meses, pois está sempre sendo vendido com um preço bacana. Enfim, livro e série falam sobre uma distopia a qual um grupo religioso aplica um golpe de estado nos Estados Unidos, impondo uma assustadora nova sociedade ditatorial que choca simplesmente por ser algo tão errado em tempos modernos, com tantos direitos que as pessoas conquistaram ao longo das últimas décadas sendo exterminados.

O que mais impacta a série é a forma como essa narrativa acontece. Inicialmente o espectador não sabe o que está acontecendo e aos poucos o enredo não só vai revelando o que aconteceu ao mundo, como apresenta assustadores flashbacks de como algo assim poderia acontecer. O mais chocante de The Handmaid’s tale não é a distopia criada, mas o quão crível é a forma como o maior país do mundo cai e como a realidade, por meio do medo, começa a ser tornar uma realidade que ninguém consegue acreditar ser real.

Mesmo sendo adaptada de um conto de 1985, produzida em 2016/2017, a série tem uma discussão muito atual para o que o mundo vive em termos de direitos humanos, e sobre representantes do povo que se acham acima do que o poder institucional dado por um sistema democrático. Fiquei extremamente incomodado com o cenário do show, com aquela vontade irracional de gritar com a TV e dizer o quanto muito daquilo está errado. Sabe aquilo de desejar a morte violenta e cruel de personagens ruins? Nesse nível.

Não quero falar muito sobre personagens e enredos. Tudo nessa série é realmente de tirar o fôlego. O suspense, a tensão, o debate que ela cria. Não é uma série leve e nem mesmo para se ver com crianças por perto. Não tem nada de família aqui. É uma série pra se passar raiva, mas aquele tipo de raiva necessária afim de impor uma reflexão. São três temporadas, e apensar de achar que o nível de extrema qualidade não se mantenha por todo o tempo, é uma série que é impossível parar de assistir até de fato acabar todos os episódios disponíveis. Se você é destes que gosto de ser impactado, de se revoltar com o cenário imposto e refletir sobre distopias que destroem conceitos… The Handmaid’s Tale é uma parada obrigatória.

  • Battlestar Galactica (Amazon Prime)

Para encerrar essa indicação, resolvi voltar ainda mais ao passado, para 2003. E para algo clássico. Primeiro porque como indiquei duas séries para se ver na Netflix e duas séries para se ver no Globoplay, achei que seria injusto não indicar nada para se assistir no Amazon Prime. E veja bem, sei que nesse serviço há muitos shows originais e exclusivos que são incríveis. Só para mencionar: The Boys, The Man in the High Castle, The Marvelous Mrs. Maisel e até mesmo o injustiçado reboot de The Tick. Mas estas serias indicações óbvias, e são shows super populares. A ideia aqui é buscar aqueles clássicos ou shows que ninguém está olhando nesse momento, e que valham a maratona de quarentena. Bem, Battlestar Galactica se encaixa perfeitamente nesse perfil.

Segundo porque esse é um conteúdo que não está disponível em nenhum outro serviço de streaming, e considerando que não é um Original Amazon, ele pode vir a sair de catálogo eventualmente e não voltar tão cedo assim. Lembro de quando indiquei Caprica aqui no site, spin-off de Battlestar Galactica, quando o mesmo ainda estava na Netflix. Uma vez que a série saiu de lá, nunca mais voltou e segue (injustiçadamente) desaparecida desde então.

Battlestar Galactica é mais uma série de ficção científica que nos tira do senso de normalidade. Leva o espectador ao espaço, a qual os humanos estão tentando encontrar um lar em meio a eventos que os levam a seres caçados por uma mortal raça de robôs que não gostam nem um pouco da gente. É uma série que surgiu lá em 1978, e que o canal SyFy produziu uma nova adaptação em 2003, primeiro como uma minissérie e depois transformando em um seriado que durou 4 temporadas. Na Amazon Prime é possível assistir tanto a minissérie quanto a série que veio logo em seguida.

Trata-se de uma série que tem muito coração. Você passa a amar os personagens, torcendo para que não morram (e alguns inevitavelmente irão morrer), enquanto compra o real terror que toda a humanidade tem pelas entidades robóticas que os perseguem, os Cylons. Em meio a essa perseguição de gato e rato, vai se descobrindo mais sobre o passado dos humanos, o porque estão no espaço, sobre a raça que os perseguem e porque odeiam tanto os humanos, enquanto reviravoltas surgem em meio a uma guerra que parece impossível dos mocinhos ganharem.

É uma série diferente de clássicos como Jornada nas Estrelas ou Perdidos no Espaço. Battlestar Galactica entrega um senso de urgência muito grande, deixando o espectador sempre sem fôlego, sem saber como tudo vai acabar. Foi uma das minhas melhores experiências com séries de ficção especial que tive na década passada, e olha que sou um grande fã de Firefly (um xodó perdido no tempo, sem exibição em lugar algum e tão injustiçada). Enfim, quem nunca assistiu Battlestar Galactica e é fã de Star Wars, Star Trek e afins… estão perdendo algo histórico. É um grande seriado para ver na quarentena e se sentir orgulhoso por finalmente ter feito isso.

E encerro por aqui. Foram cinco indicações bem legais (talvez você pegue algumas outras se prestar atenção nas menções – que uma última pra encerrar? Final Space na Netflix… essa merece um post a parte de tão animal que é). Imagino que algumas sejam de conhecimento do público em geral, mas espero que ao menos uma ou outra tenha dado vontade de ver, ou talvez que você tenha descoberto que essa série está a um clique de distância nos atuais serviços de streaming. Em tempos de pandemia, de quarentena, de querer fugir dessa realidade nada agradável as vezes, ir para outros cenários, outras realidades, ou simplesmente se entreter com hobbies e diversões digitais… acaba sendo uma boa válvula de escape. É permitido nos divertir, enquanto o tempo irá nos ajudar a passar por tudo isso que tem acontecido.

Fique salvo, se cuide, se divirta e se entretenha. E vamos que vamos, logo tudo passa.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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