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Análise | Pikmin 3 Deluxe

Disponível no Nintendo Switch

Pikmin 3 Deluxe é uma das melhores oportunidades que se pode ter para se conhecer uma das mais charmosas e criativas franquia da Nintendo fora do escopo das grandes IPs da empresa que são altamente conhecidas por todos. O título acabou de receber uma versão revisada exclusiva para o Nintendo Switch, tendo sido lançado no último dia 30 de outubro, estando já disponível digitalmente para compra em nossa eshop.

Trata-se de uma versão refinada e aprimorada do jogo lançamento em 2013 para o Nintendo Wii U. É uma sequência que foi muito aguardada por fãs, se considerar que o primeiro Pikmin surgiu em 2001 e Pikmin 2 veio logo em seguida, em 2004. Ambos no (sempre saudoso) Nintendo GameCube. São jogos incríveis, mas se fossem relançados hoje em dia, certamente precisariam de um trabalho enorme de revisão gráfica, pois estariam visualmente super datados.

Quanto à Pikmin 3, o mesmo chegou a ser anunciado em 2008, ainda no Nintendo Wii, porém seu desenvolvimento se enroscou e isso acabou levando-o a sair somente em 2013, direto no Wii U. E se você está se perguntando sobre Pikmin 4… bem… em 2015 o próprio Shigeru Miyamoto chegou a dizer que estava em desenvolvimento, entretanto quase nada mais chegou a se falar a respeito do projeto. Tem muito fã torcendo para que Pikmin 3 Deluxe reacenda a chama da Nintendo de lançar Pikmin 4 em algum momento futuro. Tomara.

Por fim, vale apontar que a versão original de Pikmin 3 foi desenvolvida pela Nintendo EAD em si, entretanto para esta versão aprimorada no Nintendo Switch, a empresa contratou o estúdio japonês Eighting para ajudar nesta tarefa de adaptar o jogo, adicionar pequenos conteúdos e assim entregar a melhor versão possível de um clássico que já era muito apreciado em seu lançamento original.

Nunca jogou Pikmin?

Para aqueles que nunca jogaram nenhum título da franquia, Pikmin é um jogo de estratégia e gerenciamento de um pelotão, com combate tático em tempo real, envolto em um ambiente aberto de exploração e resolução de puzzles que dependem da classe (tipo) de pikmin para criar novos atalhos ou enfrentar certos combates ou desafios.

Jogadores possuem um limite no número de pikmins que podem ficar em tela, mais precisamente 100 deles. Enquanto o sistema do jogo também possui um sistema de passagem de tempo por dias, ao qual no final do mesmo, é preciso levar todos a uma área segura, e todos que não estiverem nesse ponto ao anoitecer morrem diante das criaturas que saem à noite. Além disso, o jogador precisa de suprimentos para sobreviver a cada dia, então é preciso coletar recursos, e cada dia vencido, uma parte da sua comida vai-se embora. Ao final do estoque, e ainda não vencido o jogo, é Game Over. Mas normalmente há recursos suficiente para se sobreviver por muito tempo, afim de cumprir todos os objetivos do jogo.

Além disso, outra característica muito marcante a série é o ambiente quase foto realista. A exploração ocorre em um mundo a qual os protagonistas são do tamanho de pequenos insetos, sendo que os pikmins são ainda menores. A exploração ocorre em meio a enormes plantas e gigantescas frutas, e em meio a objetos humanos de grandes proporções em comparação os personagens do jogo. Os únicos elementos menos realistas, são os inimigos, que seguem um design gráfico mais semelhantes aos pikmins e aos protagonistas da história, em uma tendência mais cartunesca do que realista, ainda que possam vir a ter animais ou insetos que andem dos dois lados destes estilos.

O objetivo dos jogos da série é explorar esse jardim gigante em busca de recursos, utilizando diferentes pikmins para abrir caminhos afim de levar itens até sua nave. E levar literalmente mesmo, é preciso que os pikmins peguem o objeto e andem até todo o caminho de volta a nave. Os combates também ocorrem por meio da utilização destas pequenas criaturas, sendo que cada inimigos tem fraquezas e pontos fortes e fracos, assim como tipos diferentes de pikmins são eficazes em certos tipos de inimigos, enquanto outros são fracos. Números também são importantes, quando mais pikmins você mandar atacar um inimigo, mais eficaz será. Um pikmin apenas não consegue dar conta de um inimigo. Quantidade é importante nestas horas.

Basicamente está é a fórmula de todo jogo da série Pikmin. Cada sequência, obviamente acrescentou novas ideias e mecânicas. Pikmin 3, por exemplo, traz novos tipos de pikmins, novos ambientes, novos protagonistas, assim controles aprimorados e novos tipos de inimigos. Vou descrever melhor estes elementos no decorrer desta análise.

Do Wii U para o Switch

Sendo um título originário do Nintendo Wii U, uma plataforma relativamente diferente do Nintendo Switch, certas adaptações foram necessárias para a chegada de Pikmin 3 Deluxe. E já vou deixar claro que foram mudanças para melhores aspectos do que a versão original. Esta versão Deluxe é a melhor versão que se pode ter para Pikmin 3, vamos deixar isso bem claro.

Na versão de 2013, por exemplo, o sistema de visualização do mapa do jogo não era tão prático quanto se possa imaginar. O mapa só era visto por meio da tela do controle do Wii U, independente de estar usando um Pro Controller, para citar um cenário que poderia acontecer. Na versão para Switch, o mapa do mundo abre com um apertar de botão, muito mais prático, sendo que agora se pode dar zoom no mesmo, assim como toda a área tem o mapa revelado desde o início. Ficou muito mais nítido enxergar sua navegação por grandes áreas do jogo. Até mesmo um mini mapa foi inserido no canto inferior direito da tela para melhor conforto do jogador. Difícil imaginar que não era assim na versão original. Ainda mais sendo um jogo em que entender o layout do ambiente se faz tão importante.

Outro recurso que parece que não existia na versão clássica é a opção de voltar a sua base e emitir um chamado que cobre todo o mapa, para que os pikmins perdidos ou que ficaram para trás possam volta a base. É muito prático, pois sempre acaba ficando alguém perdido, seja preso em alguma parte do cenário, seja ainda carregando algo lentamente (e aí ele larga e volta pra base) ou simplesmente alguns que você pediu para construir ou carregar algo em certos pontos e que acabam voltando ao ponto de origem desse comando, ao invés de retornar ao seu grupo após o término do serviço.

Entretanto algo que me parece um pouco datado e não se mexeu muito foi a interface de certos menus, que ainda possuem aqueles botões de bordas arredondadas, semelhantes a bolhas, que são uma influência lá do Nintendo Wii e que parecem que seguiram alguns jogos no Nintendo Wii U. É um design que a todo momento me fez lembrar de se tratar de um jogo feito já alguns anos atrás, em uma fase específica dos títulos da Nintendo.

Dando sequência as novidades entre versões, Pikmin 3 Deluxe recebeu um sistema de níveis de dificuldades, que pode ser selecionado antes de se iniciar a campanha do jogo. Normal, Hard e Ultra Spicy. Hard é a modalidade Normal da versão clássica, enquanto o novo modo Normal é um pouco mais amigável e acessível aos novatos do mundo de Pikmin. Porém é importante avisar que esse detalhe não fica muito claro quando se liga o jogo pela primeira vez e é preciso decidir qual dificuldade escolher. O normal da versão deluxe os inimigos possuem menos HP e os dias duram 18 minutos, o que para quem não gosta da tensão de correr contra o tempo, me soa uma ótima ideia. A criançada pequena, por exemplo, pode se divertir bem mais nesta modalidade. Meu filho, de 8 anos, achou bem tranquilo adentrar nesse mundo graças a essa modalidade.

Já no Modo Hard, é o formato como o jogo foi originalmente idealizado. Os dias são mais curtos, 13 minutos, e os inimigos possuem mais HP, sendo mais difícil derrotá-los. Parecem mudanças pequenas, eu sei, mas fazem uma tremenda diferença. Por fim, o modo Ultra Spicy, além de inimigos ainda mais resistentes, o jogador não pode andar por aí com 100 pikmins, como nos outros modos. O limite aqui é somente 60 pikmins, o que torna ainda mais difícil manter uma estratégia de quais classes usar em uma equipe tão limitada.

Mas talvez a melhor novidade da versão Deluxe certamente é a opção de multiplayer local para dois jogadores com tela dividida. Uma feature que é até difícil imaginar não existir na versão de 2013. Toda a campanha pode ser jogada com um amigo, dividindo o pelotão de 100 pikmins entre ambos. Eu brinquei um pouco assim com o meu pequeno, mas tenho que admitir: achei mais gostoso jogar sozinho. Primeiro porque a tela é maior, segundo porque o Thales é fominha que ter todos os pikmins no pelotão dele.

A tela dividida foi mais prática quando voltei a jogar com o pequeno em seu próprio save. Como ele ficou preso no jogo em alguns momentos, ao invés de ficar apenas explicando e dando lhe comandos verbais, dividimos a tela e fui guiando ele dentro do jogo, até os objetivos a qual ele se perdeu um pouco como fazer. Isso porque tem alguns momentos em que para avançar é preciso construir pontes, e as peças ficam espalhadas em alguns pontos escondidos as vezes. É fácil pra uma criança agitada e sem paciência para olhar todos os cantos perde o local em que precisa olhar. Nestes momentos achei legal entrar, dividir a tela e guiá-los. E o multiplayer local é daqueles que você pode entrar e sair a qualquer momento, sempre precisar voltar aos menus para ligá-lo. Super inteligente fazer assim.

Já deu para ver que muita coisa foi refinado e aprimorado em relação a versão original, não? E olha que não foi apenas estes elementos. Os controles mudaram, agora com uma opção de travar a mira em um inimigo ou objeto a ser carregado. A nova versão também trouxe um novo modo, que funciona como um epílogo e um prólogo para o jogo, podendo ser jogado em paralelo a campanha principal.

Nesse novo modo, você pode jogar com Olimar e Louie, protagonistas dos jogos anteriores (Olimar no primeiro, e Louie surge em Pikmin 2), em eventos que se intercalam com a trama de Pikmin 3. Nessa modalidade, mais limitada, o jogador tem um tempo pré-definido para coletar frutas e tesouros, assim como derrotar inimigos com um número já estipulado de pikmins que podem ser encontrados ao redor do ambiente, que é baseado em arenas menores, porém nos locais em que se visita na campanha principal.

Alias cabe explicar que os protagonistas de Pikmin 3 são Charlie, Alph e Brittany. Exploradores espaciais do planeta Koopai, que explorou todos seus recursos naturais e agora sua população está a beira do colapso, sem comida. O trio acaba indo para o planeta denominado PNF-404 (muito semelhante com a Terra), a qual descobrimos ser o mesmo planeta em que Olimar e Louie estão. A dupla vem se outro planeta, chamado Hocotate, que está atrás dos tesouros (objetos humanos basicamente) encontrados em PNF-404. Todo esse quinteto acabam se chocando ao longo da aventura de Pikmin 3. É uma trama bem divertida e que te motiva a querer ver o que vai acontecer.

Adoráveis Pikmins

Repassei um pouco da fórmula básica da série, mencionei um pouco as diferenças entre a versão de 2013 para esta nova versão Deluxe, assim como algumas novidades importantes e marcantes para tal relançamento, mas ainda não tirei um tempinho para explicar quão adoráveis e interessantes são os pikmins em si. A alma da série certamente são essa estranhas, mas simpáticas criaturinhas.

A começar com o fato de que os pikmins são uma espécie de organismo que mistura um pouco animal e vegetal. Eles saem da terra, como plantas, mas podem andar livremente e seguem fielmente os exploradores espaciais da trama, graças ao apito que todos carregam consigo. Os pikmins vivem em uma espécie de nave que parece com uma flor. Esta mesma nave serve como uma incubadora para se criar novos pikmins. Para isso basta o jogador pedir para um grupo levar pequenas fichas numéricas que estranhamente dão em flores ou qualquer criatura abatida por eles e que possam ser carregadas até a base. A nave vai sugar fichas e criaturas e transformar isso em sementes que caem ao seu redor, cabendo aos tripulantes espaciais domadores de pikmins apenas puxá-las do solo.

Mais importante que saber como germinar novos pikmins é entender que existem diferentes pikmins, cada um com peculiaridades únicas. Pikmins vermelhos são resistente ao fogo e bons de briga, amarelos são condutores de eletricidade e também são mais leves, o que o faz atingir grandes alturas quando arremessado, enquanto os azuis são os únicos que podem entrar na água sem se afogarem, além de atacarem tudo que estiver nadando neste tipo de ambiente aquático. Esse trio original existe desde o primeiro título da série, mas novos pikmins surgiram ao longo de suas sequências.

Em Pikmin 2 os jogadores descobriram dois novos tipos: um roxo, que gordinho e pesado, super lento, mas super forte, podendo carregar sozinho o que outros pikmins precisaram de um número maior; e também há o pikmin branco, muito fraquinho para combates, mas altamente venenoso e que também resiste a nuvens e áreas tóxicas. Infelizmente estes dois tipos não estão presentes na campanha principal de Pikmin 3. O que me deixou meio triste ao descobrir que suas presenças aqui só estão em algumas missões extras do modo desafio. É algo bem limitado e pontual mesmo. Que pena.

Dando lugar a duas novas classes, Pikmin 3 preferiu apresentar mais duas novas classes de criaturinhas. Uma se chama Rock Pikmin, e é quase como um pikmin em formato de pedra, literalmente mesmo. O jogador pode usar este pikmin para quebrar cristais, além de arremessar e assim deixar alguns inimigos desnorteados por alguns preciosos segundos. Na essência, soa como uma versão alternativa do pikmin roxo, ainda que o Rock Pikmin não seja mais forte na hora de atacar ou carregar itens.

Já o segundo pikmin inédito deste terceiro jogo se chama Winged Pikmin, facilmente identificado pela cor rosa. Sendo um pikmin inseto, ou seja, ele pode voar. Isso o permite passar por cima de superfícies aquáticas, assim como são eficientes para atacar inimigos voadores, arrancar uma espécie de planta do solo puxando-a no ar e também servem para levantar um tipo de ponte de bambu. Em algumas batalhas podem ser fraquinhos, especialmente se o inimigo estiver no solo. Estes pikmins também levam os itens até a base voando, o que os fazem passar por obstáculos que outros pikmins podem travar ou não conseguir passar.

Assim a campanha de Pikmin 3 tem cinco classes para se gerenciar ao todo. Com um pelotão de 100, o jogador pode, por exemplo, dividir os pikmins em grupos de 20 para cada tipo. Dentro das mecânicas de jogabilidade, é bem fácil escolher qual classe usar, assim como separar os grupos caso decida avançar apenas com um tipo.

Também é interessante lembrar que são três protagonistas aqui, sendo que isso abre a possibilidade de andar com os personagens de forma individual pelo ambiente, trocando-os a vontade quando assim desejar, assim como todos podem compartilhar os pikmins uns com os outros. Alias há muitos momentos da aventura que essa separação da equipe é obrigatória para atingir certos locais. Arremesse um explorador em uma plataforma mais alta, e jogue alguns pikmins para ele. Com isso você pode explorar um ambiente que não poderia se estivesse sozinho, afinal o jogo não tem um botão para pular ou escalar.

Ainda dentro do leque de opções de controles, há dois movimentos bem úteis em Pikmin 3. A primeira coisa é poder travar sua mira em qualquer inimigos ou objeto interativo que os pikmins possam coletar. É bem mais prático isso do que usar o analógico ou até mesmo os sensores de movimento dos joy-cons para tentar mirar em que ponto quer arremessar os pikmins. Também gosto muito do que o jogo chama de Charge Attack, que é uma espécie de movimento que o jogador ordena que toda uma classe de pikmin vá para cima de um inimigo ou um muro que precisa ser destruído. Bem mais prático do que arremessar um por um.

No geral a campanha de Pikmin 3 é conduzida com essa premissa de que o jogador deve descobrir todos os tipos de pikmins para que aí sim consiga explorar todas as áreas do jogo com total liberdade. Cada classe surge em certo ponto da campanha, após já se estar plenamente acostumado com os pikmins já descobertos. Voltar para áreas já exploradas, afim de pegar mais frutas (mantimento para durar mais dias no jogo), abre um leque de novas possibilidade para se explorar. Em alguns casos, até mesmo inimigos mais fortes acabam sendo acessíveis quando se revisita uma área com maior poder para abrir novos caminhos.

Considerações finais

Pikmin 3 Deluxe é, no final das contas, uma excelente adição a biblioteca de grandes sucessos do Nintendo Switch. Além disso é até curioso como mais uma vez a Nintendo reforça a força que suas franquia possuem, trazendo um relançamento de 2013 para um momento tão pontual de transição de geração de consoles. Certamente os donos do Switch podem se divertir de montão com um título que ainda permanece no auge de sua proposta e se prova ainda deveras relevante.

Claro que isso não o torna isento de pequenas críticas aqui e ali, como qualquer jogo eletrônico. Posso apontar que por mais legal que seja a implementação da tela dividida e deste multiplayer local, também não dá para negar que estamos em 2020 e não ter qualquer funcionalidade online faz Pikmin 3 sentir um pouco o peso do tempo. Seria interessante poder jogar com um amigo online a campanha.

O título ainda traz uma modalidade, a qual acabei não abordado, que se chama Bingo Battle. É uma modalidade competitiva multiplayer, a qual dois jogadores são soltos em uma grande arena e precisam coletar itens para fechar uma cartela de bingo. É uma destas ideias simples, mas que funcionam como uma atração a mais ao pacote. Porém, em tempos de pandemia, a qual ainda vivenciamos algum distanciamento social, é uma pena que o Bingo Battle não tenha um matchmaking online. Até porque até mesmo brincar com o filho ou o mesmo amigo, por algumas partidas, já torna-as meio repetitivas – ainda que hajam algumas opções de arenas. O interessante é o potencial de ver tal modo com diversas pessoas ao redor do mundo, como cada um faria sua caçada pelo objetivo de fazer bingo antes do adversário.

No aspecto visual, Pikmin 3 também dá alguns sinais de passagem do tempo, especialmente em algumas texturas grandes, como certos tipos de chão. O jogo ainda é muito bonito para os dias de hoje, graças ao estilo mais realista de plantas e objetos, entretanto é nos detalhes, olhando demais para certos pontos, que se percebe que não é tudo tão bonito quanto aparenta. Isso só me faz imaginar o quão mais incrível seria ver um Pikmin 4 feito inteiramente pensado em aproveitar o potêncial gráfico do Switch. Certamente seria um colírio aos olhos.

Tirando detalhes como estes mencionados, realmente não consigo imaginar nenhum outro ponto a se questionar do título. Pikmin 3 roda em uma ótima taxa de quadros, mesmo com 100 pikmins em tela, em nenhum momento o jogo engasgou ou desacelerou, algo que eu me lembro acontecer quando jogada os dois primeiros lá no GameCube. Os efeitos de luz e água também mantém um padrão excepcional e impressionam. É um jogo visualmente carismático, ficando bem mais bonito de se jogar na TV, despertando facilmente a atenção de quem passar por perto. É um destes jogos impossíveis de não parar e ficar espiando um pouco.

A experiência no modo portátil também não é desagradável, mas não achei tão prazerosa desta vez. E olha que gosto muito mais de aproveitar o Switch em modo portátil. Com Pikmin 3 quis a experiência da tela maior, para ver cada mínimo detalhe da tela.

Também acho adorável o trabalho com a trilha sonora da série, assim como os efeitos de som e pequenos ruídos dos personagens e dos próprios pikmins. O título tem uma sonoridade muito peculiar a seu universo. Passa uma sensação de calma, soando como um jogo ótimo para desestressar após um dia tenso no trabalho. Mesmo quando o próprio jogo fica mais tenso, com o dia chegando ao fim e você apitando como um maluco para tudo quanto é lado atrás de pikmins perdidos e retardatários.

Por fim, há um fator complicado de se analisar: o preço do título, que lá fora está sendo lançado a 60 dólares, e 300 reais na conversão atual dos lançamentos do console em nosso mercado. Vi diversos reviews lá de fora questionando o fato da Nintendo está lançado o título no chamado preço full. Em se tratando de um relançamento, o normal seria um valor mais amigável. Talvez.

Mas ainda assim a Nintendo demonstrou um grande esforço para entregar uma experiência ainda maior do que o título original. Não só remasterizou os gráficos, mas trouxe o multiplayer em tela dividida, novas missões em um modo extra com Olimar, todos os conteúdos de DLCs lançados no Wii U, readaptou controles, criou níveis de dificuldades. Ou seja, ela fez bem mais do que normalmente se esperaria de um resgate como este. Talvez como testes de ideias do que podem vir a ser utilizadas em Pikmin 4? Talvez. O ponto é que se preço não é algo que te preocupa, não há mais o que dizer: vá fundo. Por outro lado, se você tem essa preocupação, Pikmin 3 Deluxe é um título com um valor um pouco inflado. Poderia custar um pouco menos? Poderia. que posse 10 dólares a menos ou 50 reais. Poderia.

Em todo caso, este é um lançamento que merece estar na biblioteca de todo fã da Nintendo. Entrega uma experiência única, super divertida, satisfatoriamente grande para sua proposta, mesmo que não vá durar dezenas de horas, e é a melhor versão de uma franquia com poucas sequências. Não exige conhecimento prévio dos jogos anteriores, ainda que a história faça algumas conexões, e é uma boa forma de mandar a mensagem para a Nintendo: nós queremos Pikmin 4! Faça Nintendo!

Galeria

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Dando uma nota

Visualmente ainda continua incrível, apenas certas texturas revelam a real data do jogo - 8.5
Jogabilidade segue agradável e totalmente funcional aos controles do Switch - 9
Melhora considerável na interface do título, com boa navegação pelo mapa das áreas - 8.5
Multiplayer local com tela dividida é uma excelente adição - 9
Tem boas opções de modos que agregam um ótimo valor de replay - 8
Preço de um grande lançamento é ligeiramente exagerado, podia ter sido lançado por algumas moedas a menos - 7
Divertido para crianças, fazendo-as pensar antes de agir - 9.5

8.5

Incrível

Pikmin 3 Deluxe é a melhor versão de uma adorável franquia que precisa urgentemente de um novo título inédito. É uma excelente forma de apresentar um título com uma experiência tão singular e criativa. Uma versão que traz muita melhorias e novidades em relação ao original de 2013, incluindo aí a opção de curtir sua campanha com dois jogadores com um multiplayer local de tela dividida, além de novas missões em um modo de desafio e todo o conteúdo de DLC do original. É um título essencial para fãs da Nintendo e uma grande adição a biblioteca do Switch.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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