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Análise | Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise

Disponível para Nintendo Switch

Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise é um destes títulos em que transitam naquele limiar do que é ou não um jogo de videogame, seja para o bem ou para o mal. Tudo acaba dependendo das suas expectativas para com ele. Esta análise vem para ajudar tais dúvidas.

Seu lançamento ocorreu no dia 4 de dezembro de 2020, com exclusividade para o Nintendo Switch. Um título desenvolvido pelo estúdio japonês Imagineer, que está no mercado de jogos eletrônicos deste 1986, sendo a companhia responsável por diversos jogos de franquias como Medabots e Hello Kitty, que fazem seu sucesso no mercado japonês. Mesmo estúdio que também é responsável por um clássico de locadora da era do Nintendo 64: Quest 64. Não é um jogo que muitos vão se lembrar, mas ei, ele teve seu espaço na clássica biblioteca do N64. O estúdio trabalha há muitos anos com a Nintendo, que aqui também atua como publisher para este recente lançamento.

O primeiro Fitness Boxing foi lançado em 2018, também para o Nintendo Switch, e a série é um sucessor espiritual de Shape Boxing, lançado lá em 2008 para o Nintendo Wii. Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise vem para refinar a experiência de seu primeiro jogo, trazendo novos exercícios, assim como todo o elenco de treinadores do jogo original, e novos treinadores, e uma nova lista de músicas para manter o ritmo durante as lições. Quem tem o primeiro pode mover seu progresso (o monitoramento físico) para a nova sequência, assim como já existem dois DLCs gratuitos com exercícios mais intensos para quem achar as lições básicas do jogo suave demais. Por fim, sempre é legal apontar que o título se encontra na eshop brasileiraagora acessível apenas pelo console – com seu preço em reais.

Programa de exercício em formato videogame

Bem, o subtítulo acima é uma excelente forma de definir o que é exatamente Fitness Boxing 2, mas posso ir um pouco além e dizer que o jogo é mais um programa de exercício interativo do que um videogame naquela sua definição mais comum. Não espere por aparições de personagens da Nintendo, nem mini games para entreter o jogador naqueles momentos que você já suou horrores e agora precisa pegar um pouco de fôlego. Nessa direção o jogo é bem objetivo e direto: é para se exercitar e pronto. Nada mais, nada menos.

E como o título deixa claro, trata-se de um jogo de exercício na modalidade boxe e de ritmo, ao som de uma faixa dançante que faz com que o jogador mantenha certo astral animado para embalar os exercícios que são apresentados por um treinador virtual que lhe ajuda a seguir passo a passo cada um dos movimentos.

O jogo oferece algumas opções de treinadores, de ambos os sexos, a qual dá para notar que todos com personalidade próprias no tom da voz, alguns mais amigáveis, outros mais sérios. O que não muda são as falas, todos dizem as mesmas coisas, os mesmos comandos, as mesmas frases de incentivo. O jogador também pode customizar as roupas dos treinadores, escolhendo diferentes seleções, dentre camisas, shorts, tênis, óculos, luvas e afins. Tudo bem básico. Roupas de exercícios mesmo, nada de coisas malucas como fantasia de coelho ou chapéu de mágico.

Só é uma pena que mesmo que Fitness & Boxing 2 esteja na loja digital nacional do Switch, o título não possua localização em nosso belo português. Pensando como os atuais Just Dance ou até mesmo Dance Central (na geração do Xbox 360, quando ainda adorávamos o Kinect) possuem/possuíam essa localização em nossa língua… é realmente uma pena que um jogo relativamente simples de localizar não o tenha sido. Desenvolvedora e publisher deveriam ter tomado essa decisão de oferecer o jogo na maior quantidade possível de idiomas, inclusive em português. Acessibilidade linguística é um ponto que faria diferença aqui com um público mais casual.

Retornando para a questão da jogabilidade, o título oferece ao jogador uma experiência que em parte lembra algo Guitar Hero, com trilhas rolando pela tela e o jogador executando ações dentro de um momento em que o ícone móvel passe por um quadrado fixo na tela. Simples, porém funcional. Se no Guitar Hero o jogador apertava um botão no controle ou na guitarra-controle, aqui você mexe seu braço executando os movimentos em que vai aprendendo lição a lição.

Aí é que entra a tecnologia dos joy-cons, com seus giroscópios e sensores de movimento. Aqui o jogo exige que se mantenha os joy-cons separados, cada um em cada mão. Não é possível jogar de outra forma, ou com um Pro Controller. Coloque cada joy-coin no adaptador que vem com um laço e prenda-o no seu pulso. Dá uma certa nostalgia dos tempos do Nintendo Wii, certo? Prenda mesmo, pois como há muito movimento de socos, não é impossível imaginar alguém desastrados deixando um joy-con escapar da mão. Comigo não aconteceu, mas é um cenário plausível.

Tudo preso, joy-cons em mãos, basta executar os movimentos que a treinadora vai ensinando na tela. Todos baseados na modalidade boxe. Jabs e Straights são os primeiros e mais comuns movimentos. Não entendo de boxe o suficiente para dizer que estes termos possuem traduções por aqui, mas pensando na pose de um boxeador, straight é aquele soco que o punho do jogador perto do queixo vai em direção frontal ao oponente, é um soco mais longo, por assim dizer. Já o jab é um soquinho mais curto e rápido, pois é com o punho que está a frente do punho que fica próximo ao queixo. Se soou complicado, saiba que não é. O jogo ensina bem como se posicionar.

Conforme se progride no programa de exercício, executando-o por vários dias, novos movimentos vão sendo destravados em novos tipos de desafios. Você aprende ganchos horizontais e verticais, assim como bloqueio, desvio e etc. É um programa que trabalha muito a musculatura superior do tronco e braços. As pernas não possuem muito a se fazer, mas só de ficar em pé, fazendo movimentos sutis para não ficar parado, já é um exercício. Mas não dá para dizer que Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise é um programa de exercício completo. Não é. O jogo não vai te mandar fazer flexões ou abdominais (ufa!).

Mas e aí? É divertido?

Com certeza não tenho uma resposta exata para uma indagação sobre diversão. No caso de Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise, isso me parece muito relativo com as expectativas que o jogador tem para com o título. Se estiver esperando algo mais Guitar Hero, só que com punhos… imagino que alguma decepção possa acontecer. Até porque sua trilha sonora, apesar de bacana, não tem a proposta sonora que um Guitar Hero certamente possui.

Acho válido colocar aqui a lista das músicas que fazem parte do programa de exercício:

  • Alone – Marshmello
  • Animals – Martin Garrix
  • Bang Bang – Jessie J, Ariana Grande & Nicki Minaj
  • Beauty And A Beat – Justin Bieber ft. Nicki Minaj
  • Boogie Wonderland – Earth, Wind & Fire
  • Born To Be Wild – Steppenwolf
  • Break Free – Ariana Grande (Feat. Zedd)
  • Can’t Hold Us – Macklemore and Ryan Lewis
  • Castle on the Hill – Ed Sheeran
  • Don’t You Worry Child – Swedish House Mafia
  • Girls Just Want to Have Fun – Cyndi Lauper
  • Hot N Cold – Katy Perry
  • I’m an Albatraoz – AronChupa
  • It’s My Life – Bon Jovi
  • Sandstorm – Darude
  • Something Just Like This – The Chainsmokers & Coldplay
  • So What – P!nk
  • Venus – Bananarama
  • What Makes You Beautiful – One Direction
  • Y.M.C.A. – Village People

Curtiu? Não curtiu? Bem, lembrando que são versões instrumentais destas canções famosas e licenciadas. Não há vocal, já que ao longo dos exercícios, a única voz que o jogador deve prestar atenção é o do(a) treinador(a) selecionado(a).

O único grande problema é que essa lista não está disponível desde o primeiro dia de exercício. As músicas são liberadas dia a dia, conforme se cumpre metas de exercícios dia a dia. Alias, esse é um ponto importante no aspecto do jogo em geral: sua progressão é lenta.

Passado uma semana fazendo os exercícios diários, me vi preso em um processo repetitivo que começou a dar sinais de tédio, dado a ausência de maiores novidades dia após dia. Aprender um movimento novo, ou liberar uma música nova… de repente já não estava mais tão dinâmico como queria que estivesse. Isso porque a trilha de comandos com o tempo se torna muito previsível.

Isso ocorre porque, como disse, Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise é mais um programa de exercício do que videogame. Ele não pode, ou talvez propositalmente não queira, ir além da proposta de condicionamento física. Você começa uma faixa de exercício e o treinador vai lhe ensinar três a oito movimentos, você executa e agora, ele inverte para que você faça a mesma coisa, mas com a posição do corpo invertida (se fez primeiro os jabs com a esquerda, agora faz com a direito, e vice-versa).

A proposta do jogo é que você entre nele diariamente e escolha o programa diário do dia, entre três opções: leve (28 minutos), médio (38 minutos) e “suando em bicas” (48 minutos). Dentro desse programa, ele lhe dará diversas faixas de exercícios, como se fosse fases de um jogo tradicional. Estas faixas se dividem entre aquelas de 5 minutos, para outras de até 12 minutos. E essas faixas se repetem diariamente, em diferentes ordens, até que o jogador desbloqueie todas as 60 que existem dentro do jogo. Mas assim… uma semana de exercício… 7 dias… e só umas 5 foram desbloqueadas. É uma progressão muito lenta, que não adiciona muita coisa em seu mix diário de exercícios.

Seria uma coisa muito mais interessante se ao desbloquear um novo movimento, todas as faixas que trabalham esse movimento fossem desbloqueadas juntamente, adicionando assim novas faixas em uma maior velocidade.

O que sei é que uma semana depois, os movimentos, quase sempre parecidos, com as sequências já decoradas, o pique e inventivo que o jogo deveria me dar, começou a diminuir. Uma falha a meu ver. Mas assim, é divertido? Inicialmente achei. Cansa e dá pra suar? Com certeza. Ao fim da primeira semana, estava com dores aonde nem sabia que poderiam doer. Ficar com o braço levantando, socando o ar, é realmente um tipo de exercício que nunca havia testado. A dor muscular atrás do ombro foi uma novidade. E se está doendo, o exercício está funcionando!

Então como videogame, Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise não parece ter pensado direito e meios para brincar mais com o jogador, enquanto como programa de exercício, ele cumpre sua proposta física, ainda que em um ritmo muito mais óbvio do que se espera. Se bem que, pensando em academias reais, as pessoas vão muitas vezes todos os dias fazer os mesmos exercícios, não? Então repetição parece ser um elemento comum a proposta.

Modos e multiplayer

Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise também não oferece muito modos distintos de jogo. O programa diário de exercício (Daily Workout) foi o que expliquei acima. Você entra todo dia, escolhe a intensidade dos exercícios e os executa. Ao final carimba um selinho de mérito em um calendário digital. E pronto.

O jogo também monitora seu desenvolvimento. Quantos golpes acertou, quantos errou e quantos movimentos perfeitos foram realizados. Com isso ele faz uma estimativa matemática de calorias perdidas e uma média de como tenho me saído ao longo dos dias. Bem informativo para quem gosta de ficar ligado em números e gosta de saber tal progresso. O jogo, entretanto, sempre alerta que é uma estimativa e nunca deve ser levado como um dado certo e exato. Se você não estiver trapaceando, e fazendo tudo certinho, é mais ou menos o que está perdendo de calorias.

O jogo também te mostra as partes do corpo em que cada faixa de exercício possui, além de te deixar trocar faixa de música e fundo de cenário. Sobre estes fundos, são bonitos, mas não tem nada muito incrível. São fundos básicos, como praia, algo mais eletrônicos. Apenas um com (saborosos e açucarados) doces e bolos dançando ao fundo parece não combinar com o ambiente de exercício, mas tudo bem.

Feito o Daily Workout, o que o jogo apresenta de conteúdo adicional é um modo de treinamento livre, a qual você executa as faixas de exercício que escolher, mas somente aquelas em que você já desbloqueou, assim como uma modalidade que treina os movimentos de boxe em que talvez você sinta que não esteja fazendo corretamente. E só. Depois disso ver coisas mais técnicas, como a troca e customização do personagem treinador, suas roupas e um arquivo com seus dados, o quanto já se exercitou e pontuação geral.

Quanto ao multiplayer, porque Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise suporta dois jogadores locais jogando em uma mesma tela simultaneamente, cabe um aviso: só com um par de joy-con não dá para duas pessoas jogarem. São preciso dois pares de joy-cons para que duas pessoas possam aproveitar essa modalidade. Nada de deixar meio joy-con com um e ficar com a outra metade pra você. É preciso de cada mão segure um joy-con, então dois pares dos mesmos. Sem choro. Isso porque cada joy-con fica responsável pelo movimento de cada braços/punho.

Isso porque se um problema para algumas famílias que curtem jogarem juntas. Tome aqui em casa como exemplo: temos um par de joy-con e um controle similar (genérico) do Pro Controler. Não dá então para jogador Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise com duas pessoas. Teria que comprar um novo par de joy-con. Em todo caso, a opção existe e deve ser legal para um casal que se exercita diariamente juntos. Acho bacana a opção.

Considerações finais

Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise é um título que é muito a cara da Nintendo, que tem um console muito eclético, que tem todos os tipos de públicos, incluindo aquela núcleo mais casual e familiar. É um título que funciona com essa audiência.

Trata-se de uma sequência que apresenta mais elementos em relação ao título anterior, a qual infelizmente não tive a oportunidade de testar, mas que pesquisei um pouco a seu respeito pela internet. O que essa sequência não faz é reinventar a fórmula estabelecida. O que pode ser bom e também ruim, em diferentes perspectivas. E aí é simples, quem jogou e gostou do primeiro, vai gostar deste aqui também. Inclusive seus dados de exercício de seu perfil do primeiro podem ser transportados para a sequência.

Dito isso, como um novato na iniciativa, e um fugitivo veterano de exercícios, minha experiência pessoal com o título, a qual brinquei por algumas semanas ao longo do final do ano passado, foi a de que seu progresso carecia de um melhor ritmo. Que novos movimentos, faixas de exercícios e músicas fossem destravados mais rapidamente, para dar novas dinâmicas e desafios diversos ao jogo.

E como um videogame, Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise, também tropeça ou não trazer conteúdos mais “videogamisticos”. Por exemplo, meu filho de 8 anos ficou curioso com o título no primeiro dia, ficando ao meu lado e imitando meus movimentos. Já no segundo, ele já achou tudo igual demais. E depois nunca mais se animou a “brincar” comigo. Extras, como mini-games ou modalidades mais criativas, talvez aumentassem o escopo do público, incentivando outras faixas mais novas a se exercitarem. Me parece uma chance perdida. Não seria legal se os exercícios tivessem faixas musicas de clássicos da Nintendo? Seria vai.

Ao fim, a conclusão que cheguei é que Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise faz unicamente aquilo que ele promete: lhe dar um programa de exercício diário, baseado nos movimentos de boxe, sempre ritmado com boas trilhas sonoras que casam com a proposta de sair saudavelmente desse sofá em que muitos se encontram há meses por conta da pandemia. mais exercício, menos videogame. E se para você está tudo bem, então isso é ótimo!

Galeria

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Dando uma nota

Como programa de exercício diário, cumpre tais intenções - 9
Como um videogame, o título brinca muito pouco nessa direção - 7
Vai te fazer suar e ficar dolorido, basta fazer certinho os exercícos - 8.5
Sensores de movimento e giroscópios dos joy-cons são bem utilizados - 8
Multiplayer local para dois jogadores, mas exigem dois pares de joy-cons - 7.5
Progressão lenta e ausência de modos extras desincentivam um pouco - 6.5
Trilha sonora não gera surpresas, mas são animadas e dentro do esperado - 7.5

7.7

Vai suar!

Fitness Boxing 2: Rhythm & Exercise é um programa de exercício interativo, entenda isso. O título está um longe de ser um jogo de videogame nos moldes mais tradicionais. Lembra, de forma muito relativa, o sistema de trilha dos saudosos Guitar Hero, mas você o faz com seus punhos, enquanto segura os joy-cons do console. É um título para te fazer suar, o que não é nada mal em tempos de quarentena e pandemia. Só lamento que não seja mais divertido em termos de usar a ferramenta "videogame" para extrapolar e brincar um pouco com tal ideia. Tem uma progressão lenta de desbloqueio de conteúdo, então requer paciência nos primeiros dias de programa.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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