Análise DLC | Pokémon Pokopia – Bubbly Basin (Expansion Pass, Parte 1)
Disponível para Nintendo Switch 2

Pokémon Pokopia: Bubbly Basin é um belo motivo para retornar a um mundo onde os humanos desapareceram e os pokémon estão se reorganizando em uma nova sociedade só deles, chefiada por um Ditto realmente diplomático, que entende as necessidades de cada um de seus amigos e está sempre de prontidão para ajudá-los. O DLC pago traz um novo desafio: reerguer uma cidade embaixo d’água.
Bubbly Basin é a primeira de três partes do Passe de Expansão, não sendo possível adquiri-la individualmente. As demais partes chegarão futuramente, ainda com poucos detalhes revelados. Oficialmente, já foi informado que a segunda parte deve adicionar novos elementos cosméticos, com lançamento previsto para o final deste ano, enquanto uma nova região surgirá na terceira parte, prevista para 2027.
Portanto, esta análise tem como propósito avaliar apenas a primeira parte do passe, sua nova região aquática e o conteúdo oferecido por ela. Quanto ao jogo base, vale recordar que a análise encontra-se disponível neste link.

Também é importante ressaltar que Pokémon Pokopia continua sem localização em português, algo que se estende a esta primeira parte da expansão. Trata-se de um aspecto que compromete parcialmente a experiência, em especial a narrativa presente nos documentos encontrados durante a exploração, assim como certos diálogos entre pokémon. Felizmente, boa parte das instruções sobre mecânicas e criação de habitats é apresentada por meio de elementos visuais de fácil compreensão, permitindo executar as ações mesmo quando existe uma barreira linguística.
Ficha Técnica
- Plataformas: Nintendo Switch 2
- Desenvolvedor: Game Freak & Omega Force (Koei Tecmo)
- Publisher: Nintendo & The Pokémon Company
- Gênero: Simulador (de vida) & Sandbox
- Lançamento Jogo Base: 5 de março de 2026
- Lançamento Bubbly Basin (DLC): 5 de agosto de 2026
Cidade Subaquática / Mundo e Narrativa
Se no jogo original Ditto explora quatro grandes regiões em busca de recriar habitats que talvez pudessem chamar os humanos de volta ao mundo que abandonaram, enquanto o jogador encontra documentos deixados pelos mesmos, contando as razões pelas quais tiveram que abandonar o mundo e os pokémon, a nova expansão procura uma abordagem complementar.
Tudo começa quando o pokémon-foca Popplio descobre o que Ditto está fazendo na superfície do planeta, mais especificamente em Bleak Beach, área litorânea desbloqueada logo após a região inicial do jogo, e o convida a visitar uma cidade embaixo d’água. Esse evento, porém, só ocorre caso o jogador tenha adquirido o DLC.

Antes disso, é preciso progredir em alguns objetivos do jogo base, especificamente aprender o movimento Surf, que permite a Ditto nadar sobre superfícies aquáticas. Com isso, é possível acessar uma nova ilha que surgiu em Bleak Beach, onde o jogador encontra o pokémon Manaphy, encalhado no local, sem energia e passando fome. Ao auxiliá-lo, o pokémon acaba ensinando o Dive, permitindo respirar e nadar embaixo d’água. É a partir da conclusão dessa missão que Popplio surge em frente ao Centro Pokémon da área litorânea.
É importante observar que a missão do Manaphy e o aprendizado do Dive não fazem parte da expansão paga. Trata-se de conteúdo gratuito que veio junto desta atualização. Qualquer jogador pode aprender o movimento e explorar o mundo abaixo d’água nas áreas principais do jogo. Para quem não possui a DLC, apenas a nova região, Bubbly Basin, permanece inacessível.

Compreendidos esses detalhes, o foco retorna à nova área, que explora a curiosidade de Ditto e do Professor Tangrowth em entender como pode existir uma cidade humana abaixo do nível do mar. Os humanos fugiram para o mar? A cidade afundou? O que aconteceu nessa região? É exatamente isso que os novos documentos e registros encontrados na localidade irão revelar durante a exploração do imenso lugar.
A nova narrativa não dá continuidade à história principal, mas adiciona novos contextos ao que ocorreu com o mundo e à maneira como os humanos viviam até decidirem abandonar seus lares.

No mais, a nova área funciona de maneira semelhante aos objetivos do jogo principal: restabeleça os habitats dos pokémon que podem viver neste novo bioma, reconstrua o Centro Pokémon da região e realize diversos pedidos e tarefas dos pokémon que irão passar a viver em Bubbly Basin, fazendo com que a área suba de nível e novos itens sejam destravados.
Continue a Nadar / Jogabilidade
Repetir a mesma dinâmica de jogabilidade não significa um aspecto ruim para esta expansão. Afinal, um dos melhores aspectos do jogo base está justamente no formato: encontrar uma área nova, entender suas características peculiares, lidar com as adversidades do novo bioma e, aos poucos, descobri-lo e restaurá-lo, criando habitats para pokémon característicos do local.
A particularidade de Bubbly Basin, obviamente, está no fato de toda a área estar submersa no oceano. Por isso, o movimento Dive, que permite mergulhar e respirar embaixo d’água, se mostra tão importante para o conteúdo. E o mais legal é que o novo movimento não se resume a andar embaixo d’água, mas muda a própria mobilidade dentro desta nova região.

De certa forma, o Dive permite que Ditto se mova livremente em qualquer direção pela cidade submersa. É similar ao Magnet Rise, destravado após finalizar a campanha principal, que dá a liberdade de Ditto voar pelo ambiente, algo mais avançado do que o Glide aprendido na última ilha do jogo base. É bacana ter essa liberdade de mobilidade antes de começar a restaurar um bioma e, por isso, Dive recebe certo prestígio.
Não existe tempo limite para ficar embaixo d’água, não é necessário pegar bolhas de ar, e Ditto consegue inclusive ficar “estacionado” em qualquer local, sem a exigência de apoiar os pés em alguma superfície. Há construções que podem ser feitas no meio do ambiente, como um submarino-casa, ideia que também combina muito bem com o bioma proposto.

A mobilidade é ágil e fácil de realizar. Isso vai na contramão do velho clichê de que fases aquáticas normalmente são chatas por serem lentas e terem controles que dificultam a navegabilidade. Não é o que ocorre em Bubbly Basin. Aqui, os controles respondem bem e Ditto se move relativamente rápido por toda a área, às vezes até de forma mais veloz do que se estivesse em terra. Ponto positivo aos desenvolvedores, que acertaram em não criar empecilhos simplesmente pelo fato de o jogador estar embaixo d’água.
A nova localidade também acerta em outros clichês do formato: existem áreas tão profundas que a escuridão reina, obrigando o jogador a pensar em soluções para criar fontes de luz. Existem cavernas por todo o lado e, muitas vezes, o ambiente causa propositalmente certa sensação labiríntica, já que não há céu ou grandes áreas abertas para ajudar na localização.

Também é possível retornar à superfície, encontrando novas ilhas e espaço para criar uma pequena vila acima da cidade afundada. Claro que, considerando que o jogador pode criar e inserir blocos à vontade, não me surpreenderia se alguém resolvesse construir algo imenso na superfície, já que existe espaço para tal.
Em certos locais há bolsões de ar embaixo d’água, como a caverna onde se encontra o Centro Pokémon que precisa ser restaurado. Usando o conhecimento prévio dos biomas já desbravados, é possível criar habitats e atrair pokémon de outras áreas para esses pontos, ainda que eles não consigam sair desses locais, pois não podem mergulhar e nadar. Então, acabam ficando confinados nos bolsões.
A expansão adiciona aproximadamente 52 pokémon que até então não faziam parte do jogo base. Em sua maioria, são criaturas que podem viver embaixo d’água, com destaque para Popplio e Totodile, dois iniciais do tipo Água de gerações distintas.

Conjuntamente, a expansão apresenta cerca de 30 novos habitats, além de novas combinações de itens relacionados ao bioma, como corais, rochas submarinas e algas. Há novos itens em basicamente todas as categorias existentes: móveis, alimentos, estruturas, materiais, utilidades, roupas para Ditto, blocos e kits exclusivos de construção. Há ainda um mixer que permite criar novos tipos de refeições e, assim, potencializar seus movimentos ou até mesmo utilizar Surf embaixo d’água.
Quanto à longevidade das atividades na nova área, não existe nenhuma grande surpresa. Os pokémons irão pedir por novas construções, itens que você deve aprender a criar e outras tarefas que seguem a estrutura já estabelecida pelo jogo. Talvez o mais trabalhoso, e não me lembro de nada semelhante no jogo base, seja o pedido para construir um templo subaquático em uma área realmente grande, exigindo certo esforço do jogador para realizar a capinagem do terreno onde ele deverá ser construído.

Não é fácil estimar o tempo de duração da DLC, porque, mesmo que as tarefas principais possam ser cumpridas em 2 a 3 dias, há o tempo necessário para determinadas construções serem concluídas, além da liberdade para encontrar todas as novas espécies, criar todos os habitats, elevar o nível do ambiente ao máximo e, claro, restaurar a cidade da maneira que o jogador bem desejar, criando ruas, rotas, reformando casas e reunindo os pokémon em um ambiente agradável de socialização.
Ou seja, ainda que procure algum ponto fraco na jogabilidade, não consigo pensar em nada que tenha me frustrado ou que eu pense que deveria ter algum tipo de evolução ou mudança. Quem já desfrutou do jogo base irá se sentir em casa neste novo conteúdo.
Altos e Baixos
— O que funciona bem:
- Novo bioma, com mais a se descobrir e restaurar;
- Dive permite mobilidade de grande desempenho embaixo d’água;
- Fórmula ainda se apresenta genuinamente satisfatória;
- Mais de tudo: itens, mobília, refeições, documentos etc.;
- 50 pokémon pensados para serem compatíveis com a nova localidade.

— O que poderia ser melhor:
- Título segue sem localização em português;
- Aquisição atrelada à aquisição de um Passe de Expansão;
- Tarefas principais acabam sendo concluídas em poucos dias.

Considerações finais
Antes de concluir esta análise, faz-se necessário esclarecer que o momento é complicado para avaliar o valor cobrado pelo Passe de Expansão, que na loja digital do console está custando R$ 194 (U$ 35). O conteúdo adicional consiste em três pacotes, dos quais somente o primeiro, aqui avaliado, está disponível.
Há poucos detalhes sobre a segunda parte, focada em itens cosméticos, roupas e acessórios que poderão ser equipados nos pokémon, algo que atualmente não é possível. Nessa segunda parte, nenhuma área adicional será lançada. A terceira parte, sim, terá um novo bioma, mas pouco se sabe a respeito.

Dito isso, ainda é difícil dizer se o valor atual do passe vale o investimento. Bubbly Basin, por si só, não justifica o valor, ainda que entregue um excelente conteúdo e uma experiência que dá seguimento à excelente estrutura apresentada no jogo base. Contudo, se esta primeira parte fosse vendida individualmente, pela metade ou por um terço do valor do passe, seria possível afirmar que seu preço seria razoável.
O que dá para concluir neste momento é que Bubbly Basin é uma expansão que não tem como proposta reinventar mecânicas ou a própria jogabilidade. Na real, é um conteúdo que soa complementar à experiência original. É um novo bioma, novas tarefas, mais pokémon e itens. E, dada a maneira como essa fórmula é bem executada na obra original, sua repetição parece mais uma vitória do que qualquer outra coisa.

Não se trata de uma expansão que transforma Pokémon Pokopia. É uma expansão que entende exatamente o que fazia o jogo funcionar e simplesmente oferece mais disso. E, sinceramente, era exatamente o tipo de conteúdo que desejei quando terminei a campanha principal.
Galeria
Dando nota
Nova área é imensa, com muito a se explorar e reconstruir - 9
Dive garante uma excelente mobilidade embaixo d'água - 9.5
Há mais de tudo um pouco: modelos de habitats, itens de criação, novas receitas, roupas, mobílias etc - 8.2
52 novos pokémon baseados em ambiente aquático - 8.1
Tarefas principais são realizadas rapidamente, em poucos dias - 7
Conteúdo só é vendido junto com o Passe de Expansão - 7
Estrutura e fórmula original se repete aqui com bastante êxito - 8.8
8.2
Glub
Pokémon Pokopia: Bubbly Basin dá início a um ciclo de novos conteúdos pagos de um dos mais divertidos jogos deste ano. Esta primeira parte tem de tudo um pouco: uma nova área imensa, mais pokémon e novos itens de criação e habitats a serem descobertos. Dive garante excelente mobilidade ao jogador, tornando a exploração subaquática agradável e eficiente. Ainda é cedo para julgar o custo-benefício do Passe de Expansão, mas o que se pode dizer é que sua primeira parte entrega exatamente aquilo que funciona tão bem na fórmula apresentada pelo jogo base. É mais Pokopia, no melhor sentido possível.


