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Análise Grand Theft Auto IV (X360)

Dá para reclamar de um game que foi praticamente perfeito em todas as avaliações realizadas pelas mídias estrangeiras e nacionais? Não dá. Mas nem por isso precisamos ficar puxando o saco dele…

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Admito que cresci no lado Nintendo da força. Jogos como GTA nunca foram lá grande coisa pra mim. Agora no 360 é que passo a dar uma chance a estes games “só para adultos”. E apesar de algumas surpresas, ainda consigo refletir sobre alguns aspectos que me fazem perguntar “é só isso o game?.” Vamos com calma que eu chego nestes detalhes.

Família Sopranos The Game

Primeiro é a história. Muitos jogadores consideram a história como um dos pontos que devem valer a pena num game. Eu fui criado na base do Encanador bigodudo que salva a princesa do reino dos cogumelos das tartarugas gigantes, então nunca levei assim tanta consideração por enredo. Sempre achei que por mais bucha que seja uma história, o game sendo divertido, ele já tem a minha atenção.

GTA IV tem um enredo amarradinho. Não vou contar muito porque senão eu estrago a surpresa de quem gosta, mas é como ver um episódio enorme de Família Sopranos. Sabe, com aqueles sotaques gozados que os atores fazem? Sem mencionar esse climão de máfia e chefões que o jogo tem. É onça devorando onça conforme a história vai crescendo. Se você viu o mapa de Liberty City, a cidade do game, vai notar que há meio que 3 ilhas. Até o fato do enredo migrar em determinado ponto de uma ilha a outra faz sentido, ou seja, a história é amarrada e tudo que acontece no jogo afeta ela direta e indiretamente.

E se você está habituado a aquele clima de traição, violência, sotaques, bebidas, fugas, roubos e matanças que Sopranos tem, vai entrar no clima do game de boa.

Liberty City é finitamente infinita?

Quer dizer que dentro dos seus limites, tudo é possível. Você rouba qualquer veículo, seja carro, caminhão ou motocicleta. Têm até os mais exóticos como ambulâncias, caminhão de bombeiro, viaturas policiais e caminhões de lixo. Exóticas porque não são veículos que na vida real você dirige facilmente. Pedestres vocês esbarra em todos, e como eles são educados, manda o jogador para aquele lugar isso quando não gostam de xingar sua mãe. E o mais legal é que todos os pedestres sempre estão fazendo algo, não tem somente 6 dúzias de pessoas e o restante são clones, há muitos indivíduos diferentes no game e isso impressiona mesmo. Eles conversam entre si, levam coisas, tomam sorvete, fazem compras na rua, se entocam em becos, etc. Você não tem aquela sensação de que a cada esquina tem o mesmo grupo de pessoas fazendo a mesma coisa. Isso é impressionante.

Mas como eu disse, tudo tem seus limites. Apesar de Liberty City ser imensa, você não entra em todos os prédios, todas as lojas e todas as casas. Existem pontos que você pode fazer isso, mas na maior parte dos lugares você não entra. Além disso ainda tem o mar, no qual o personagem pode nadar, se jogar com carros e andar de barco. Terra, água e céu? Sim, céu também, até helicóptero dá para curtir no game. Tem controles bem confusos, é verdade, mas imagino que um real também não seja mamão-com-açúcar. Além de tudo isso ainda há muito mais que o jogo irá oferecer, como rampas para saltos e a caçada a 200 pombos pela cidade. Mas não vamos alongar mais ainda um texto que provavelmente será longo.

Gameplay!

A jogabilidade tem seus altos e baixos. E isso pode ser apenas uma impressão pessoal e não regra geral, entretanto achei um pouco enfadonho em certos momentos.

Apesar de imensa liberdade as coisas acabam se repetindo quando se trata de fazer missões. Pega alguém num ponto do mapa, leve-o a outro ponto, roube ou faça algo, e volte se preciso. O jogo é praticamente isso. Tem mais, é claro, mas eu diria que 80% se resume a isso.

Nas missões mais a frente quando a ilha do meio é aberta elas ficam um pouco mais complexas. Você continua indo de um ponto a outro, mas muitas vezes é preciso matar a gangue rival ou fugir da polícia que não é lá muito esperta. Só o sistema de cobertura dela que é.

Essa coisa de ir toda hora de um ponto a outro no mapa pode cansar. Não dá para ir matando todo mundo ou atirando, senão a polícia vem atrás e aí você precisa despistá-la. Dá para ouvir rádio, mas sei lá, não vi tanta graça. O mapa ajuda nessa coisa de se deslocar por grandes áreas, pois mostra o caminho a ser seguido. Mas é um tempo de jogo que às vezes cansa. A solução da Rockstar foi implementar um sistema de táxi. Você chama um deles e pede para ir aonde tem que ir. O chato é que isso gasta dinheiro, não muito, mas gasta. Achar táxi até que não é difícil, o problema às vezes é que chegando ao local da missão de táxi, antes de entrar nela, você vai ter que dar uma sondada para roubar um carro senão a missão não inicia. Ah, obviamente você não precisa ficar assistindo a viagem inteira, aperte “A” e corte o passeio.

Quanto à polícia eu não achei tão interessante o sistema de fuga. Ela vem de todos os cantos e uma área fica vermelha no mapa. Você precisa sair dela. Só que se você estiver quase saindo de tal área e topar com uma viatura, a área muda e você passa a ficar no centro novamente. Até aí tudo bem, mas a Rockstar deveria ter colocado a opção de se esconder dentro desta área. Pois há muitos becos e cantos que não adianta ficar agachadinho escondido, a polícia acha! Tem um galpão que você entra, mesmo estando dentro da área vermelha que você anula a caçada, mas é um local por mapa. Até na água ela te pega se der bandeira. Estava fugindo quando resolvi pular no mar. Dei bandeira, a polícia chegou de barco e me deu uma sapecada de tiro até morrer. É importante dizer que há um sistema de wanted level, o que quer dizer que há graus de fuga. Uma estrela, o campo vermelho no mapa é pequeno. O máximo é 6 estrelas. Consegui no momento apenas 5, que foi quando entrei no aeroporto da cidade de carro enquanto um avião estava pousando. XD

Um outro detalhe, ainda falando em missões, é que conforme você avança na história elas vão ficando maiores e mais perigosas. No começo é apenas ir de um local ao outro. Depois que o protagonista ganha sua arma começam as missões de intimidação ou de matar uma pessoa em específico. Mas a coisa pega fogo mesmo quando você vai para a segunda ilha e aí sim começa a utilizar um grande arsenal de armas e matar muitos bandidos rivais de uma só vez. Aí o sistema de cover que o game traz é bem útil. Não é tão eficiente quanto o de Gears of War, mas é quase. Mover-se enquanto está em cover é meio frustrante. O negocio é se posicionar no local certo, usar o cover e aí só atirar. A mira é automática, mas dá para mexer nela para, por exemplo, com um tiro na cabeça, matar o inimigo. Depois disso é bom sempre pegar munição, pois se ficar sem ela, Niko (o protagonista) joga sua arma fora e aí quando você a quiser de novo e não achar com nenhum bandido, precisa comprar novamente. Fique com uma bala só para não perder a arma. Munição é mais barata do que arma. Legal mesmo é a sniper, o alcance dela é inacreditável. A espingarda também faz um senhor estrago. O jogo traz um arsenal bacana que vai abrindo conforme você progride.

A única ressalva que faço é em relação ao mecanismo de troca de arma, onde você precisa ir apertando o direcional até achar a desejada. Muitas vezes, após uma animação, Niko começa sem arma na mão e os inimigos estão atirando, aí lá vai o jogador apanhar do controle para colocar a arma certa. Às vezes é melhor correr e se esconder até acertar a arma desejada.

Mas há muitas missões diferentes, apesar de quase todas seguirem uma mesma dinâmica. E como a cidade é gigante, uma hora você está dando tiro à noite numa casa abandonada e em outra está numa prédio em construção subindo até o topo para matar um chefão local. Isso faz toda a diferença e dá aquele clima de diversão sem estranhar estar fazendo a mesma coisa toda hora. Numa das missões que participei, eu tinha acabado de destravar a granada, numa fuga onde os bandidos estavam atrás de mim. Consegui acertar uma delas bem ao lado do carro deles. Imagine a emoção de conseguir tal feito.

Em um outro momento, numa missão de moto, estava Niko perseguindo alguns motoqueiros e eu atirando neles. Acertá-los em pleno movimento é emocionante, ainda mais quando se está mirando não acerta a moto em nenhum carro no meio da pista. Um das desvantagens de se usar a moto é que qualquer batida brusca faz o personagem despencar, junto com uma grande quantidade de energia. Nas missões onde se usa moto é moleza morrer por bobeira. Em muitas delas eu prefiro descer, roubar um carro e seguir o alvo assim. Aí basta atropelar o maldito.

Espere! Ainda não acabou!

Fora as missões e a enorme cidade para explorar, ainda dá para perder tempo com as atrações extras. Entretanto para isso preciso explicar a importância do celular.

O jogo traz um desses aparelhos para ser usado para marcar encontros, executar tarefas em missões, chamar a polícia, tirar foto, entre outras coisas. Você usará a todo momento. Não se preocupe pois ele é bem intuitivo e dificilmente o jogador ficará perdido mexendo nele.

A única coisa que tenho a reclamar é em relação às mensagens de texto. O celular aparece no cantinho da tela e em alguns momentos os personagens secundários mandam torpedos. Alguns deles são importantes, como encontrar alguém em tal lugar. Tenho uma TV de LCD e preciso chegar um pouco perto da TV para entender o que está escrito. Fico imaginando algum jogador numa TV de 29 ou menos lendo as malditas mensagens de texto.

Voltando, tem muito mais coisas a serem vistas em GTA IV. Boliche, bilhar, dardos… todos bem divertidos e muito intuitivos. Você joga com os personagens da história, ligando para eles e convidando (às vezes eles ligam e convidam). Essa interatividade torna o jogo muito real. Dá pra levá-los para almoçar, beber, ir à boate, etc.

Lembrando que tudo isso está no mapa do game, que aliás é incrivelmente elaborado, mostrando tudo que o jogador pode fazer de extra e ainda as missões principais.

Multiplayer online: por fim, não tem como pelo menos mencioná-lo. Admito que não testei em todos os detalhes. Joguei apenas uns minutos com o pessoal da NGM numa de nossas sextas de jogatina e li em alguns lugares.

O multi é muito bem elaborado, dando aos jogadores muitos modos de jogos, desde o mata-mata, polícia e ladrão, missões, etc. Sem lag e com suporte a muitos players (no máximo 16).

É um excelente atrativo, mas o grande filé é mesmo a aventura e a liberdade de exploração.

Finalizando…

Gráficos: têm seus altos e baixos. Não é um dos games da nova geração com os melhores gráficos, porém é o mais complexo, com muitos detalhes interativos e muito diversificado. Muitas pessoas diferentes na rua, sem aqueles clones a cada esquina. Casas e edifícios com detalhes distintos. Lixos, caixas de correios, parquímetros espalhados por toda a cidade, elevações, becos, vielas, escadarias, jardins, centros comerciais. Na realidade Liberty City é tão completa como uma cidade de verdade. É muito difícil você iniciar o jogo e não se impressionar com o tamanho da cidade e tudo isso graças à potência gráfica dos novos consoles. Pode não ser o game mais bonito, mas fica longe de ser feio. O equilíbrio é perfeito.

Som: as vozes dos personagens são o grande atrativo. Com dublagens muito reais que passam identidade. Fora isso tenho que fazer um adendo ao rádios quando se está usando um veículo. São diversas estações com música e locução. É impressionante.

Jogabilidade: para um jogo tão grande, com tantas variações, tantos modos, o controle está muito bem equilibrado. Faço apenas uma ressalva em alguns momentos do game, quando se precisa trocar de arma ou sair de um carro e Niko sai desarmado. Fora isso tudo responde muito bem. Os controles de direção são perfeitos. A precisão dos mini-games também assusta de tão exata que é. Até mesmo a câmera, que pode ser ajustada, não atrapalha, o que é um milagre em games 3D. Ela sempre se posiciona no local correto e nunca esconde o personagem.

Replay: o jogo é muito grande. São muitas missões secundarias. Soma-se ao modo multiplayer que disponibiliza diversos modos e muita diversão com outros jogadores.

Conquistas: não há do que reclamar. Conquistas completando o modo story, conquistas no modo multiplayer, conquistas secundárias fazendo outros coisas. Tem conquista para todos os gostos.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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