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Análise | Blue Dragon

Disponível para Xbox 360

Um fato infeliz da vida adulta: É muito difícil jogar um RPG do começo ao fim em uma só tacada. Ainda mais se você trabalha e é casado. Não foi diferente com Blue Dragon, entretanto, isso não diminui nem um pouco o resultado final desta análise. O game valeu todas as quase 60 horas de jogo.

Blue Dragon saiu nos Estados Unidos com um atraso grande em relação ao Japão. Os japoneses receberam o game em Dezembro de 2006, mas os americanos só ganharam ele em Agosto de 2007. Eu adquiri o meu um pouco depois do lançamento. Porém só pude terminá-lo nestas últimas semanas, não porque o game é ruim, mas porque não consigo ter tempo para me dedicar a tanto tempo seguido a um RPG.

Tive grandes lapsos de meses sem nem colocar o game no console. Mas como minha CPU queimou nas últimas semanas, pensei, “porque não pegar e terminar numa tapada só BD?”. Missão cumprida, resta agora a devida análise.

Só para terminar esta introdução. A história do game foi criada por Hironobu Sakaguchi, criador dos 5 primeiros Final Fantasy e em relação a arte, Akira Toriyama foi o responsável, ele é o criador do visual de games como Dragon Quest, sem mencionar ser o autor do mais famoso anime existente: Dragon Ball. Vale a pena mencionar isso, pois são nomes pesados na indústria dos games.

A história dividida em 3 discos!

Realmente não sou grande fã de falar sobre a história do game quando faço análises, mas também dificilmente faço análises de RPGs, o que por si só já é uma novidade para mim. Enfim, independente disso, é obrigatório mencionar algo sobre o enredo do game já que neste tipo de gênero, o enredo é levado em conta e sempre acaba sendo um fator decisivo ao adquirir um RPG.

Blue Dragon corta a história 2 vezes, o que coincide com o número de discos do game. O primeiro disco praticamente não há enredo, apenas uma introdução e depois disso nada que gira nele importa ou tem relevância significativa. O primeiro disco serve como tutorial e treinamento mesmo. Serve com o único intuito de mostrar ao jogador tudo que o sistema de batalha e configurações do game tem. Há quem diga que isso é um dos pontos baixos do game. Também acho meio besta um DVD inteiro para isso.

O segundo disco as coisas melhoram em termos de história, mas ela só realmente vai ficar interessante no final dele e tocando para o terceiro disco.

Entretanto uma coisa que não vi em nenhum dos reviews antigos do game é sobre o fato de que apesar disso, o disco 3 é o maior disco do game, ou seja, não fique pensando que se o game tem 60 horas, você passará 20 no primeiro, 20 no segundo e 20 no terceiro. Eu cheguei no terceiro disco com quase de 20 horas das 60 que gastei para terminar. Ou seja, os dois primeiros discos são curtos. É no terceiro disco que a coisa melhoras em termos de história e também na qual o jogador passar a ficar atarefado de coisas para fazer.

Claro que não vai faltar gamer para falar que nenhum game vale a pena ser jogado se você precisa jogar 20 horas medianas para a coisa esquentar. Se você pensa assim, pare por aqui. Nada mais que direi importa.

Sobre o enredo em si, não é nada maravilhoso. Tem os velhos clichês do gênero. Não quero contar muito pois como ele não é nada complexo, fica chato revelar as coisas, basta saber que existe um mundo onde perigosas criaturas ameaçam o bem estar das pessoas. Ninguém sabe de certo de onde elas surgiram. 3 Jovens, Shu, Kluke e Jiro decidem criar coragem e enfrentar as criaturas que aterrorizam o vilarejo onde moram. Tudo dará errado é claro. Os 3 acabam sendo pegos numa trama que envolve tecnologia robótica e magia e quando eles pensavam que somente a vila em que viviam tinham problemas, vão encontrar um mundo enorme onde o medo pelo desconhecido paira sobre todos. Mais que isso e eu estranho o enredo.

Outro fator que foi alvo de críticas foram sobre o pouco aprofundamento e assim carisma pelos personagens principais. Não deixa de ser verdade, Shu não tem nenhuma personalidade anormal, como a ansiedade de um Naruto ou convicções e palhaçadas de um Ruffy ou até mesmo a ingenuidade de um Goku criança. São personagens simples, sem grandes marcas para se distinguirem. Shu é apenas valente, Kluke a mocinha da história e Jiro é o cara tímido que em qualquer outra situação seria chamado de perdedor. Mais a frente conheceremos Maru-Maru, que quase faz o papel de um mascote do grupo e é realmente o que mais tem personalidade, mas acaba sendo irritante as vezes e Zola, que tem uma personalidade bem fria e seca. Como a história é singela, fica difícil pedir mais do que isso dos personagens.

Complicado. Eu diria que se não fosse pelo próximo ponto abaixo, Blue Dragon não valeria tanto a pena assim.

RPG de Turnos para matar a saudade!

Faço parte da velha guarda dos games. Gosto quando um ou outro jogo remete a tempos remotos. Os RPGs dos dias atuais não são mais como os antigos. O sistema de turno foi trocado por um sistema de batalhas action, em tempo real. Pouca coisa do velho sistema foi mantido nos games desta geração e mesmo assim ainda não há um padrão predefinido, cabendo a cada empresa montar seu sistema de batalhas em tempo real. Não sou fã desse sistema novo. Gosto do antigo sistema de RPG, mesmo que com seus devidos problemas e turnos por vezes cansativos.

Gosto da sensação de controlar cada personagem, gosta da sensação de que estou jogando uma partida daquelas games de tabuleiro sabe? Não me apressem que tenho todo tempo do mundo para escolher minha jogada. Uma magia elementar não funcionou? Não tem problema, é só um turno. Num RPG-Action dá para entrar em desespero até descobrir o qual elementar enfraquece o chefe, pois o inimigo não para de atacar. Sem mencionar que num Action você geralmente controla um personagem e o resto você programa a CPU para fazer o trabalho sujo.

Então Blue Dragon não foi feito para os fãs do novo RPG, e sim para os nostálgicos, como eu, que vez ou outra, sente falta do sistema de turno.

Claro que o sistema acaba não sendo exatamente perfeito, mas achei bem engenhoso. Todos os personagens em geral são iguais no inicio. Durante o game é que o jogador irá definir melhor quem fará o que no seu grupo. Quem comandará as Magia Brancas (de cura), quem comandará as Magias Negras (ataque), quem ficará no ataque e quem fará o suporte!

Isso graças ao sistema de classes que cada personagem pode obter. No início do game somente uma está disponível. A cada determinado level, você ganha a opção de escolher mais uma classe. Dificilmente você abrirá todas as classes para todos os personagens antes da metade do disco 03. Já vi comentários na Internet que esse sistema é corruptível justamente porque você pode deixar todos os personagens iguais e incrivelmente fortes, a ponto de tirar um pouco da personalidade do grupo.

Em tese é verdade, mas na prática você passará quase que 80% do game fortalecendo um ou 2 classes em cada personagem. Dificilmente você encerrará ele pela primeira vez com todos iguais.

Cada classe tem um sistema de level up independente do personagem. Ou seja, é possível estar com o personagem em level up 99 e a classe escolhida em 10. Cada classe abre uma skill para o personagem. Por exemplo a classe assassino, tem uma skill, a última, que permite atacar 2 vezes no turno. A classe Sword Master tem uma skill que permitem a cada ataque absorver HP ou MP do inimigo. A classe White Magic tem uma skill que permite um Resurrection automático toda vez que seu personagem morrer, fazendo voltar a vida instantaneamente e com toda energia recuperada. São 9 classes e com isso mais de 80 skill diversas para serem encaixadas para cada personagem. Isso porque inicialmente cada personagem pode andar com 3 skill apenas. Mais para a frente esse número aumenta para 8 se você usar uma certa classe e uma certa skill.

Isso é o suficiente para dizer que não há como todos ficarem iguais. Com um número de skill limitadas e tantas opções de escolha, o mais saudável para boas batalhas e partidas é equilibrar todos os benefícios possíveis e espalhar pelos personagens. Por exemplo, se o Shu, é o meu personagem de ataque, não tenho porque ficar colocando Skills do magia nele, vou fortalece-lo com todas as skill relacionadas à ataque.

O sistema acaba sim cativando, mas você só irá mexer e remexer nele lá pelo terceiro disco, quando seus personagens ficam fortes e muitas sidequests aparecem antes do fim. Ah e o ataque corporal é destravado, mas você o usará tão pouco pois ele é tão forte. Mas a animação é de arrepiar.

Outros fatores

O principal já foi falado, história e sistema de batalhas. Rapidamente deixa eu comentar outros pontos do game:

* Sistema de Itens e acessórios: Não tenho do que reclamar. Existem muitos acessórios interessantes, que permitem elevar mais rápido, ganhar mais dinheiro e deixar os personagens mais fortes. O sistema de item eu não acabei utilizando tanto quanto eu gostaria, até porque curas e pragas de status pode ser resolvidas com Magia. Mas ainda tem alguns itens como um que cura o status petrificado são de extrema utilidade.

* Inimigos e chefes: Os chefes do game não são muito difíceis. A não ser os secretos. Uma das desvantagens do sistema de turnos é que se você não ficar afobado, dá para vencer todos sem precisar jogar mais de uma vez. Durante a história principal não me recordo de nenhum chefe que tenha dado muito trabalho, mas já nos secretos tive bastante trabalho com o Dragão Fantasma, a Árvore Zumbi numa ilha do mapa e com os chefes Golds. Já os inimigos são bacanas e bem variados, vão de robôs a monstros mágicas e insetos, fantasmas e outros bem esquisitões. Claro que durante todo o jogo você verá variações dos mesmos monstros, só que mais fortes e com outras cores, mas isso é meio que normal nesse gênero. Mesmo assim são 290 tipos de inimigos ao todo. Fica apenas a minha reclamação quando a 5 ou menos até de inimigos que se você não ficar esperto, não os vê e que depois infelizmente só jogando de novo para ver, o que significa que a conquistas de matar todos os 290 monstros do game vai por água a baixo.

* Extras e Replay: Blue Dragon tem um replay camarada e que dá sim vontade de começar tudo de novo. Primeiro porque você fecha o game tranquilamente sem ver mexer com todas as skill e elevar seus personagens ao máximo. Assim é possível começa-lo novamente e manter seu status, para isso exite a opção “new game +” no menu e aí assim os níveis de dificuldade podem ser escolhido. O mais difícil diz que você deve começar o game em level 50 no mínimo. Eu fechei de primeira com meus personagens em level 60/70. Além disso no terceiro disco tem bastante sidequest legais e áreas para explorar. Tem quem sentiu falta jogando Blue Dragon de um veículo para explorar o mapa do game, isso porque tal veículo só fica disponível quase perto do fim do game. Tem 5 Dragões escondidos pelo mapa, áreas inteiras não exploradas (Sea Cube por exemplo). Dá para perde umas 10/15 horas explorando tudo. Sem falar na busca pelas conquistas do game, pois é o melhor momento. Além de tudo isso há um conteúdo pago na Live chamado Suffle Dungeon que é sensacional, mas sobre ele farei um artigo a parte no futuro.

* Som, Efeitos e Música: Aqui nesse quesito tenho que reclamar um pouco. Blue Dragon quase não é diversificação na música. Tem certos lugares que dá nos nervos a música de fundo que não muda nunca, como lá no fim, no cenário Cube Primitive. Eu até que curti a música cantada nas batalhas contra chefes, mas podia ter sido feita mais umas duas para variar entre eles. Mesma coisa com a música no campo aberto do jogo e nas batalhas simples. Não muda. Faltou criatividade com certeza. Já dos efeitos sonoros eu gostei, assim como a fala dos personagens.

* Gráficos: Tenho que admitir que tem certos momentos que eles se mostram bem simples para um console como X360, mesmo assim não vi nenhum absurdo de que poderia ser reclamado. Apenas a ideia de que eles poderiam ser muito melhores. Tirando as animações em CG é claro, que são muitos pelo game, como um RPG tem que ter mesmo.

Enfim, assim concluo a minha análise de Blue Dragon. Gostei do game pelo resgate à um sistema clássico de RPG, com muitos elementos customizáveis bacanas e um jogo simpático de se jogar até o fim. Não é complexo, não tem nada de complicado. É apenas um RPG mediano se for comparar com outros que estão saindo atualmente. Mas mesmo assim vale a pena experimentar e ser jogado até o fim. Faltou talvez um melhor trabalho com gráficos e sim e talvez mais inovações, mesmo utilizando um sistema antigo de batalhas, porém cumpriu a meu ver, seu objetivo e me divertiu por 60 horas. O que para um adulto com falta de tempo, é algo que deve sim ser considerado.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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