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Cinema: The Lovely Bones/ Um Olhar do Paraíso – Eu fui!

Após a morte ainda há vida. Um filme do além com muita emoção e uma boa direção capaz de nos fazer refletir sobre a vida!

“Meu nome é Salmon (Salmão), como o peixe. Primeiro nome, Susie. Eu tinha 14 anos quando fui assassinada, em 6 de Dezembro de 1973.”

The Lovely Bones (Um Olhar do Paraíso) é um filme que indico principalmente para aqueles que gostam de um bom filme introspectivo, que trata da questão da morte e da vida, da perda de familiares e da adaptação a uma nova realidade. A trilha sonora é ótima e combina muito bem com o filme. Assisti o filme já há alguns dias e até hoje ele permanece marcado em mim – Peter Jackson soube adaptar o livro Uma Vida Interrompida de Alice Sebold com muita competência, mas não deixou de cometer algumas falhas.

Vamos falar um pouco do diretor. Peter Jackson dirigiu a famosa e bem sucedida trilogia O Senhor dos Anéis, aliás ele ganhou o Óscar de melhor direção, de melhor filme e de melhor roteiro adaptado em 2003 com o filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Parece que Peter manteve a sua qualidade de direção, trazendo mais uma ótima adaptação.

Aviso de Spoiler! A partir daqui provavelmente haverá spoilers! Se é alérgico a spoilers, por favor não continue lendo.

Porém, vamos retornar ao filme deste post: The Lovely Bones. O filme possui uma atmosfera calma até a morte de Susie Salmon, interpretada por Saoirse Ronan. A forma como a história é contada é inteligente e contribui para estabelecer entre os espectadores e Susie Salmon uma relação próxima e amigável. Sim, o filme começa com Susie já morta narrando a sua história – mas a parte mais forte do filme, a morte dela, só causa impacto quando conhecemos não só a personagem, mas também a vida que ela tinha, os amigos, os sonhos e a determinação de viver. Só depois da conhecermos tudo isso é que somos confrontados com a morte violenta de Susie.

É revoltante a forma como ela morre. Não há motivos que justifiquem as ações de um assassino e por isso o filme não se preocupa com justificações mas mostra bem o pensamento do assassino de Susie, a forma como a mente doente, psicopata, escolhe as suas vítimas aleatoriamente e cruelmente. Claro que o assassino tem que ser responsabilizado, mesmo que ele seja doente, mas até onde se pode fazer justiça e até que ponto a justiça é válida como um ato nobre e distinto da vingança e da raiva? Pois é, o conceito de justiça ocupa um espaço fundamental no filme e está sempre ligado à dor dos familiares e de Susie, uma garota que foi estuprada e morta sem piedade.

Chega a ser repulsivo assistir as atitudes doentias demonstradas pelo assassino, mas ao mesmo tempo é incrível ver a mente de um psicopata. Desde o início do filme, o público não conhece apenas Susie e o seu mundo, mas em simultâneo também conhece o assassino e como ele se aproximou e chegou até a sua vítima. A identidade do responsável pela dor de Susie e dos familiares não é um segredo para os espectdores, mas é um segredo para as personagens – excluindo a Susie, claro. Assistimos a camuflagem perfeita (mas frágil) do Mr. Harvey (assassino) e a busca da família por justiça, ou melhor, a busca do pai e da irmã mais nova de Susie, pois a mãe adota uma atitude diferente – ela tenta esquecer tudo para parar de sofrer. Entretanto, o pai e a irmã insistem nas investigações trazendo mais dor. A família é abalada.

Cada personagem reage de uma forma. Aliás, adorei a reação da avó de Susie! O tempo passa e as investigações não resultam em nada. E assim, vemos a família se destruindo e o assassino a se deliciando com as memórias do seu mais recente assassinato. A irmã de Susie começa a desconfiar de Mr. Harvey e a partir daí o filme começa a ficar mais agitado e intenso. Enquanto a irmã de Susie investiga Mr. Harvey, Mr. Harvey começa a sentir o impulso de matar novamente por uma Salmon diferente.

Enquanto tudo isso acontece, em paralelo temos a narração, os comentários e a reação de Susie já morta, com o sonho de ser fotógrafa arruinado e com o seu primeiro beijo (ela estava apaixonada e tinha um encontro marcado antes de morrer) adiado para sempre. Vemos então um mundo astral, do além, onde tudo é moldado pelos sentimentos e pensamentos de Susie. cada acontecimento assistido por Susie, como a dor da família, tem uma repercussão no próprio mundo dela. Ah! As paisagens do plano astral – chamado no filme de “The In-Between” são lindas! Belíssimas!

Perto do fim do filme, Susie descobre todas as outras vítimas de Mr. Harvey. Agora, quanto ao fim, tenho uma crítica a fazer. O filme é maravilhoso e emocionante, logo merecia um fim mais criativo, diferente. A morte de Mr. Harvey é muito previsível  e constitui um fim pouco empolgante. Uma das falhas do filme para mim é sem dúvida a forma como ele termina, mas como o filme é uma adaptação de um livro, Peter Jackson provavelmente não tinha outra opção a não ser terminar o filme com o mesmo acontecimento que põe fim ao livro, imagino (não li o livro, então não posso fazer comparações, mas dizem que o filme ficou melhor que o livro, algo muito raro de acontecer).

Uma coisa interessante que percebi foi o cuidado que se teve em mostrar que o pai possuía um hobby exagerado no qual ele tinha que trabalhar e repetir até conseguir obter um barco engarrafado (o hobby dele era engarrafar barcos) com perfeição… perfeição que nunca era atingida (o próprio pai diz isso à Susie). O assassino pensava assim também: ele precisava matar até sentir que matou com perfeição, obtendo a memória que o deixaria satisfeito até o resto de sua vida. Isso não acontecia e por isso ele matava repetidamente. Ou seja, um hobby é saudável se não for exagerado!

Enfim, gostei do filme. Não é perfeito, mas é muito bom. Se ainda não assistiu, você deve assistir. Se procura um bom filme com relato de um “fantasma/ espírito”, esse é indicado.

“Desejo a todos uma boa e longa vida.” – Susie.

Filme recomendado!

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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