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Wendel Bezerra: a voz de Goku e Bob Esponja fala ao Portallos! [Entrevista]

É impossível assistir televisão sem ouvir a voz dele: atualmente, um dos dubladores mais populares do cenário nacional. Emprestou seu talento à dezenas de vozes, mas ganhou destaque mesmo, com os golpes e o jeito amigável do Goku, atrapalhado do Jackie Chan e com a risada insuportavelmente irritante (mas imprescindível) do Bob Esponja.

Na minha opinião, Bob Esponja é a obra prima de Wendel Bezerra, que hoje, aos 34 anos, é garantia de público em qualquer evento que reúna nerds, otakus e fãs de cultura pop em geral.

Entrei em contato com o Wendel a partir de um sentimento pessoal de que a qualidade das dublagens em geral tem caído: com grande acentuação dos sotaques e gírias de certas regiões – o que influencia a caracterização original do personagem. Além de artistas do meanstream sendo utilizados em filmes e animações, mesmo sem terem qualidade para realizar o trabalho!

Então, ninguém melhor do que alguém, cujo o trabalho eu admiro, para responder a estes e outros questionamentos! Resumi tudo em 10 perguntas e fiz um “ping-pong” rápido, objetivo, mas bastante pertinente e divertido (claro!) com um dos melhores profissionais de dublagem do país. Wendel falou ainda dos kamehamehas com os amigos, da notoriedade dos dubladores, de como funciona a adaptação das outras línguas para o português, como é o processo para a escolha do tipo de de voz a ser usada etc. Confira!

Portallos: Acompanhei algumas dublagens de má qualidade (quase que dublagem de documentário) em alguns desenhos e séries. O que está acontecendo com o mercado atualmente?
WB:
Trata-se da pulverização do trabalho. Existem muitas distribuidoras e, consequentemente, muitos estúdios. Isso gera uma briga por preço que, por sua vez, gera estúdios com péssima qualidade técnica e artística. Assim, o mercado acaba se dividindo em 3 níveis: baixo, médio e alto.

Portallos: Há também uma descentralização de mercado, como novos estúdios e novos “profissionais”. Como definir o bom profissional neste mercado com tantos novos sotaques (que tem colocado até expressões de regiões especificas – alterando a ideia original, da voz original).
WB: O bom profissional é aquele que consegue aliar bom sincronismo com boa interpretação e neutralizar seu sotaque de modo a se adequar ao padrão ao qual o público já está acostumado.

Portallos: O que você acha de artistas que obviamente não têm nenhuma experiência em dublagem e só “ganham o papel”,  porque são famosos, estarem no mercado? Muitas vezes o trabalho sai com péssima qualidade final – sem emoções reais, por exemplo, sem atuação.
WB: Acho que esses artistas podem participar eventualmente da dublagem de filmes e desenhos. O problema maior é que, normalmente, quem escolhe o artista e que personagem ele irá dublar é alguém, atrás de uma mesa, que acha que entende de dublagem, mas não conhece profundamente as especificidades e as dificuldades da dublagem.

Portallos: Como é a adaptação das outras linguas? Por exemplo, as piadas e expressões que são “brasileiradas”. Isso é trabalho do ator, roteirista, produção, o estudio quem pede, enfim?
WB: Normalmente, o bom tradutor já faz a adaptação, o que justifica a expressão “versão brasileira”. Porém, também cabe ao diretor e ao dublador “mexerem” no texto para que a dublagem fique mais coloquial e verossímel.

Portallos: Como você escolhe o tipo de voz para cada personagem?
WB: Eu procuro conciliar o tipo, timbre de voz necessário, com o grau de dificuldade de interpretação e sincronismo. Dessa forma, é possível realizar uma boa dublagem e variar o máximo possível as vozes usadas.

Portallos: Qual série sente saudade, que você trabalhou?
WB: Married With Children (Um amor de Família), Anos incríveis, 31 Minutos e Dragon Ball Z.

Portallos: Qual personagem queria ter dublado, mas não o fez?
WB: Todos os que eu não fiz. Adoro dublar!

Portallos: Como está a notoriedade e reconhecimento do dublador, já que temos tantos eventos de cultura pop no país, os quais as atrações sempre são dubladores!
WB: Estamos caminhando a passos largos num caminho muito bom nesse sentido, mas ainda falta acabar a hipocrisia dos pseudo intelectuais que tem vergonha de dizer que gostam de ver um trabalho dublado. Absolutamente todas as pesquisas de home video, tv por assinatra e salas de cinema apontam que o público prefere programação dublada. Tais pesquisas são tão verdadeiras que nosso volume de trabalho aumenta cada vez mais.

Portallos: Seus amigos te pedem muitos “Kamehamehas”? Ou as risadas do Bob Esponja?
WB: Pediam! Eles já sabem que eu sempre me nego a fazer! Hahaha…

Portallos: Quais seus personagens prediletos?
WB: O Goku e o Bob Esponja são por quem mais tenho carinho porque eles mudaram minha vida profissional, mas existem inúmeros personagens e atores que, simplesmente, amei dublar.

A entrevista é curtinha, eu sei! Mas, o Wendel Bezerra tem o tempo apertado, dirigindo, dublando etc. Mesmo assim, achou um espacinho para estreiar esta nova empreitada minha aqui no Portallos!

Agradecimento especial também para Fabio Vila, diretor do SuperHeroCon, que ajudou no contato.

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Pedro Duarte

Jornalista apaixonado por todas as coisas que existem. Deve ser isso! Não há nada de novo que não demonstre interesse imediato em conhecer: ler, assistir, escutar, experimentar. Tentando viver um pouquinho de tudo por dia e passar a experiência aos nossos leitores!
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