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Sennen Joyū (Millennium Actress): O verdadeiro merecedor do Oscar 2003! [Impressões]

Há muito tempo tenho vontade de escrever um post sobre este filme, mas sempre me faltaram duas coisas: confiança e oportunidade. A oportunidade surgiu através do recrutamento que o Portallos está realizando este ano. Restou a mim, então, trabalhar a auto-confiança e me esforçar para produzir a melhor análise que um blogueiro inexperiente como eu poderia fazer. Não posso dizer que fiquei totalmente satisfeito com o resultado, mas cheguei à conclusão que nem o mais experiente e talentoso dos críticos conseguiria traduzir em palavras todo o brilhantismo de Sennen Joyū. Então, que fique claro desde o início, caros leitores: este review não faz jus ao filme. Nenhum review que já foi ou ainda será escrito sobre a película faz jus a ela. A única forma de entender todo o apelo e a genialidade de Sennen Joyū é assistindo ao filme.

“Por que diabos você sequer se deu ao trabalho de escrever este post então, cara-pálida?”, perguntariam vocês. Muito simples: para divulgar o filme. Algumas semanas atrás, o T_thiago publicou uma análise de One Piece: Strong World, dizendo se tratar do melhor filme de anime que já assistiu. Não vi Strong World, nem tenho a intenção ou o direito de contestar opiniões alheias. O que me incomoda nessa afirmação é a impressão que muita gente continua restringindo o universo de filmes de anime apenas às adaptações de séries de TV consagradas às telinhas. Sei que não é o caso do próprio Thiago – que é fã do Estúdio Ghibli e até escreveu um post sobre Tonari no Totoro -, mas Hayao Miyazaki e companhia não são os únicos que produzem filmes de anime de qualidade no Japão, e acho que muitos brasileiros não sabem disso.

Clique no “continue” para saber mais sobre Sennen Joyū e descobrir o porquê de muitos considerarem os trabalhos de Satoshi Kon tão geniais quanto os do mestre Miyazaki.  🙂

Atenção: Como o objetivo do post é convencê-los a assistir ao filme, fiz o possível para evitar spoilers. Porém, o texto após o “continue” contém um resumo dos primeiros 20 minutos da película e várias screenshots da mesma. Considerem-se avisados!

Felizmente, foi-se o tempo em que os filmes do Ghibli eram conhecidos apenas pelos fãs de animes mais hardcore (os quais me recuso a chamar de otaku). O Oscar de melhor longa-metragem de animação que Sen to Chihiro no Kamikakushi faturou, em 2003, abriu os olhos do mundo para os trabalhos de Miyazaki-san, e atualmente creio que não há um fã de animes que se preze no Brasil que não tenha ao menos ouvido falar dele. Porém, muitos gênios do cinema animado japonês continuam ofuscados por aqui, e um dos objetivos deste post é falar de um deles: Satoshi Kon.

Embora dois dos filmes que dirigiu tenham sido lançados oficialmente em DVD no Brasil – Tokyo Godfathers (2003) e Paprika (2006) -, pouca gente que conheço sequer ouviu falar de Kon. Espero que este post sobre Sennen Joyū – que, na minha opinião, é seu melhor filme até agora -, possa ajudar a divulgá-lo um pouco mais por aqui,  pois o homem é um gênio. Ou melhor, era…

Descanse em paz, Satoshi Kon.

Este texto foi originalmente escrito na época do recrutamento, há pouco menos de um mês.  Foi o segundo dos dois posts obrigatórios que mandei para participar da seleção (o primeiro foi este aqui). Infelizmente, em 24 de agosto, exatos 13 dias após eu ter enviado o post ao T_Thiago, Satoshi Kon faleceu.  Ele havia sido diagnosticado com câncer pancreático terminal em maio deste ano, mas optou por manter a doença em segredo.  O Sr. Kon morreu em sua casa, aos 46 anos, deixando pra trás uma viúva, Kyoko Kon, e uma legião de fãs órfãos. Em breve pretendo fazer um post especial contando um pouco mais da história deste homem brilhante. Por hora, tudo que posso fazer é tentar honrar sua memória com este humilde post sobre Sennen Joyū.

Meu primeiro contato com o trabalho de Satoshi Kon foi através de seu primeiro filme, Perfect Blue (1998), cuja fita VHS eu encomendei do finado fansub/distro Anime Gaiden. Quem é fã de animes há mais tempo com certeza se lembra da época em que não havia fansubs digitais, apenas esses abnegados que gastavam fortunas com equipamentos de legenda e contas de luz para divulgar a animação nipônica no Brasil. Hoje em dia há um fansub em cada esquina do mundo virtual e, por um lado, isso é ótimo. Porém, fico com a impressão de que a real essência do trabalho dos fansubs há muito tempo se perdeu, e atualmente os grupos se preocupam mais em competir entre si por popularidade do que em divulgar os animes. Mas qualquer dia escrevo sobre isso. Voltando ao assunto deste post, fiquei realmente impressionado com Perfect Blue. Acho que foi o primeiro anime que assisti que eu senti que poderia ser realmente apreciado por qualquer pessoa, inclusive quem não gosta de animações. O filme é muito bom e com certeza merece um post próprio no futuro. Por hora, basta dizer que gostei tanto dele e do trabalho de Kon, que importei o DVD americano de Sennen Joyū, segundo filme do diretor.

Lançado em 2001, Sennen Joyū foi muito bem recebido por críticos ao redor do mundo, acumulou 94% no “tomatometer” do site Rotten Tomatoes e ganhou vários prêmios – inclusive o grande prêmio de animação no Japan Media Arts Festival daquele ano, empatado com Sen to Chihiro no kamikakushi. O filme foi promovido por seu estúdio como candidato ao prêmio de melhor longa-metragem de animação no Oscar de 2003, mas, infelizmente, não foi sequer indicado, e a estatueta acabou ficando com Sen to Chihiro no kamikakushi. Sou fã de carteirinha dos trabalhos do Estúdio Ghibli e de Hayao Miyazaki, e gosto muito de Chihiro, mas acho Sennen Joyū superior a ele, e o real merecedor do prêmio da Academia.

Os primeiros 20 minutos:

O filme começa mostrando Tachibana Genya, um robusto cineasta de meia-idade, e seu cameraman, Ida Kyoji, atravessando uma floresta de bambu em direção a uma casa isolada no alto da montanha. Há mais de 30 anos, a residência abriga Fujiwara Chiyoko, uma das atrizes mais famosas da história recente do cinema japonês, que desapareceu misteriosamente no auge de sua carreira, em meados dos anos 60, optando por uma vida reclusa. Genya, fã incondicional da atriz, foi contratado para fazer um documentário comemorando o aniversário de 70 anos dos Estúdios Ginei, e aproveitou a oportunidade para conseguir uma entrevista exclusiva com Chiyoko, principal estrela da companhia ao longo dos anos.

Carregando consigo a chave para desvendar os segredos mais profundos de seu ídolo, Genya ignora os comentários pessimistas de Ida – que não parece nem um pouco animado em se aventurar no meio da floresta para conhecer uma “velha eremita” – e marcha ansioso através de um túnel numa imensa rocha, que esconde a bela moradia da atriz. À soleira da porta, a dupla é recebida pela empregada, que os conduz até a aconchegante sala de estar e serve-lhes chá feito com ervas cultivadas pela própria Chiyoko. Enquanto Mino, a empregada, diz aos visitantes o quanto são sortudos por conseguirem uma entrevista com a atriz, que há anos vive na companhia apenas de seu jardim e seus livros, uma distinta senhora de 70 anos, trajando um refinado quimono rosa e exibindo uma característica pinta sob o olho esquerdo, adentra o recinto, inclina-se em profunda reverência e diz: “Muito prazer, sou Fujiwara Chiyoko.”

Enquanto se prepara para gravar a entrevista, Genya entrega à Chiyoko uma pequena caixa contendo uma chave dourada. Presenciando toda a emoção da mulher ao rever o objeto perdido há tantos anos, o homem pergunta se a chave serve para alguma coisa importante, ao que ela responde: “Para a coisa mais importante que existe”. Neste momento somos transportados, através de um flashback, para 1923, ano em que Chiyoko nasceu.

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A loja de doces que herdou do pai, morto num terremoto no dia de seu nascimento, garantiu à Chiyoko e sua mãe uma vida relativamente confortável, apesar do período turbulento em que ela cresceu. Na adolescência, a garota chama a atenção do diretor-executivo dos Estúdios Ginei, que pretende transformá-la na nova estrela de sua empresa. Porém, ele não consegue a autorização da mãe de Chiyoko, que não gosta nada da idéia de sua filha se transformar numa atriz, e prefere que ela se case e assuma a administração da loja, no futuro. O homem argumenta que, uma vez que sua próxima produção será filmada na Manchuria, Chyoko estaria prestando um serviço à nação, elevando a moral das tropas japonesas estacionadas no local. A mãe, entretanto, foi irredutível: “E o senhor não acha que uma mulher presta serviços à nação ficando em casa e gerando filhos?”

Sentindo que a batalha está perdida, Chiyoko levanta-se e, cabisbaixa, sai de fininho, deixando os dois discutindo sozinhos. Enquanto caminha frustrada por ruas cobertas de neve, a menina sente uma trombada e vai ao chão. O homem que a atropelou, apesar de visivelmente apressado, para e gentilmente estendeu a mão para levantá-la, se desculpando em seguida. Ao se reerguer, os olhos de Chiyoko cruzam o do estranho, e, por alguns segundos, parece que o tempo pára e nada ao seu redor tem mais importância. O momento só é interrompido pelos gritos de um policial e um agente do governo, que seguiam apressados à procura de alguém. Com muita dificuldade, devido a um machucado na perna, o homem misterioso trata de pular uma cerca e se esconder nos fundos da casa mais próxima o mais rápido possível.

Segundos depois, os perseguidores chegam ao local. O oficial do governo, com um semblante sério e marcado por uma profunda cicatriz, questiona Chiyoko sobre o paradeiro do fugitivo. Intimidada, ela hesita por alguns segundos, mas desperta ao vislumbrar uma enorme mancha de sangue em contraste com o chão coberto de neve. Sutilmente, a garota encobre o sangue sob seu pé esquerdo e aponta os perseguidores na direção errada. Após certificar-se de que está sozinha novamente, ela vai ao encontro do homem misterioso e usa seu cachecol vermelho para estancar o sangue da ferida dele. Chiyoko, então, decide escondê-lo no depósito de sua loja até que seus ferimentos estejam curados.

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No cômodo escuro, iluminado apenas pela luz da lua, que adentra o recinto através de uma janela no alto da parede, a menina escuta com atenção às confidências do homem, que ela descobre ser um pintor que se rebelou contra o governo. Ele anuncia que pretende partir em breve para ajudar seus amigos que estão lutando na Manchuria – ignorando os protestos de Chiyoko, que prefere que o homem espere até ficar totalmente curado de seu ferimento. Ela, então, questiona o significado da chave dourada que o pintor carrega pendurada em seu pescoço. “É a chave para a coisa mais importante que existe”, diz ele, e em seguida pede para ela adivinhar o que é. A jovem repara na maleta suja de tinta com um enorme cadeado, na qual o homem provavelmente guarda seus materiais de pintura, que ele esconde sob as pernas, mas prefere se fazer de sonsa e pedir um tempo para pensar, na esperança de passar mais uma noite na companhia de seu amado.

No dia seguinte, no caminho de volta da escola, Chiyoko encontra a chave dourada enterrada na neve, ao lado de um curativo coberto de sangue. Desesperada, ela corre em direção ao depósito e se depara com uma multidão de policiais cercando a loja. Ao avistar a menina, um empregado lhe diz que o paradeiro do homem foi descoberto, mas ele conseguiu fugir até a estação. Apesar de se esforçar, ela não consegue chegar a tempo de pegar o mesmo trem que seu amado, e, enquanto observa desolada a embarcação se distanciar no horizonte, ela se lembra da proposta que recebeu do diretor-executivo dos Estúdios Ginei, convence sua mãe a lhe dar permissão para se tornar uma atriz e parte rumo à Manchuria, na esperança de encontrar pistas sobre o paradeiro do pintor nas locações de seu primeiro filme.

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Minhas impressões:

Sennen Joyū é brilhante em vários aspectos, mas, para mim, o mais genial da obra é a forma como sua história é contada. Passado, presente, ficção e realidade se alternam e se misturam de forma tão sutil e sincronizada que não confunde o espectador ou faz com que ele perca o interesse pela trama (algo que certamente aconteceria se o filme fosse dirigido por alguém menos habilidoso). Todos esses acontecimentos são acompanhados de perto por Genya e Ida, que observam e interagem com cada cena como se estivessem realmente filmando as memórias de Chiyoko no momento em que elas aconteceram. A dupla também é encarregada do importante papel de comic relief, amenizando a tensão de algumas cenas sem quebrar completamente o clima de suspense e drama do filme.

Lembrar com clareza acontecimentos que ocorreram décadas atrás não é tarefa fácil, e isso é muito bem explorado em Sennen Joyū. As memórias de Chiyoko se confundem com seus filmes, e vários personagens da vida real acabam sendo escalados nos papéis de personagens fictícios nas lembranças das obras das quais a atriz participou. Genya sempre encarna o papel de protetor das personagens de Chiyoko – por motivos revelados no decorrer da história -, e os vilões são frequentemente interpretados pelo carrancudo agente da cicatriz que perseguiu seu amado no passado. O próprio pintor também aparece em algumas cenas, sempre usando o cachecol vermelho emprestado por Chiyoko e tendo seu rosto quase que completamente oculto nas sombras.

Algumas pessoas acreditam que um filme só é tão bom quanto seu final, e nesse aspecto Sennen Joyū com certeza não decepciona. É impossível entrar em detalhes sem estragar a surpresa de vocês – o que, como dito anteriormente, não é a intenção deste post -, mas posso dizer que a conclusão da trama é muito bem equilibrada emocionalmente, sem ser completamente feliz ou triste. A cena de um dos filmes de Chiyoko que é utilizada como metáfora para ilustrar o que acontece com ela na vida real é brilhante, e a última linha de diálogo pode mudar completamente a forma como muitos haviam enxergado a jornada da personagem até então.

Em matéria de animação o filme também se destaca. O design dos personagens é ótimo, e suas expressões são animadas com tanta perfeição e realismo de acordo com cada situação que, se fosse um live-action, seria muito difícil achar atores bons o bastante na vida real para substituí-los à altura. A trilha sonora, composta pelo veterano artista japonês Hirasawa Susumu – de quem Satoshi Kon sempre foi fã – também é excelente.

Sennen Joyū narra 1000 anos da história do Japão através de 100 anos de história do cinema japonês, e exibir todos esses períodos diferentes na tela, cada um com suas características definitivas, não deve ter sido nada fácil. Preguiçoso por natureza, eu tremo só de imaginar quanto tempo gastaram pesquisando detalhes de cara era para poder descrevê-las com perfeição através da película. O resultado, porém, com certeza compensou todo o esforço. Cada período histórico é demonstrado nos mínimos detalhes, desde sua arquitetura característica até o estilo de roupas e penteados usados pelos habitantes da época. A forma como o filme mostra as mudanças sofridas pelos personagens principais – principalmente Chiyoko, que é retratada em todos os estágios de sua vida – de acordo com suas respectivas idades e o período em que vivem, tanto na vida real quanto na ficção, é simplesmente brilhante.

Em suma, Sennen Joyū pode ser definido como um drama que narra a complicada vida de uma atriz japonesa que começou a carreira às vesperas da Segunda Guerra Mundial. Pessimistas podem até usar o filme como exemplo para ilustrar a falta de limites da obsessão humana. Entretanto, para mim, Sennen Joyū é uma linda história de amor, que descreve, em apenas 87 minutos, todo o poder do sentimento mais nobre dos seres humanos, e como ele pode definir completamente a vida das pessoas. É a história de uma mulher que se recusou a aceitar que o destino a separasse do homem que amava, e fez tudo a seu alcanse para reencontrá-lo e resgatar os momentos de felicidade que sua presença lhe proporcionava. Uma mulher que, por circunstancias da vida, teve que abandonar sua busca em alguns momentos – e talvez até tenha conseguido encontrar uma alegria momentanea ao lado de outra pessoa -, mas nunca abandonou o que sentia por seu primeiro amor. O sentimento continuou ali, dentro do peito, como uma fera adormecida prestes a despertar, mais forte do que nunca, ao menor sinal de esperança. Um sentimento tão forte que prevaleceu na mente de Chiyoko até os últimos segundos de sua vida.

Sennen Joyū é um ótimo filme, que tem tudo para agradar a todos que curtem histórias emocionantes, repletas de romance e drama – inclusive quem não costuma gostar de animes. O T_Thiago disse que One Piece: Strong World é o melhor filme de anime que já viu. Eu vou mais longe: Sennen Joyū é um dos melhores filmes que já vi, ponto. Mas vocês não precisam acreditar em mim. Façam um grande favor a si mesmos e assistam ao trailer abaixo, pois, apesar de ter apenas um minuto e cinco segundos de duração, ele consegue ilustrar bem melhor toda a excelência desta obra de arte do que eu jamais conseguiria em meras palavra

Trailer:

Ficha técnica:

Título original: Sennen Joyū
Título ocidental: Millennium Actress
Lançamento: 28 de julho de 2001
Gênero: Drama / Romance
Duração: 87 minutos
Direção: Satoshi Kon
Roteiro: Satoshi Kon, Sadayuki Murai
Produção: Taro Maki
Design: Satoshi Kon, Takeshi Honda
Direção de arte: Nobutaka Ike
Música: Hiraswa Susumu
Distribuição: The Klockworx Co., Ltd / DreamWorks

Onde comprar:

Infelizmente, Sennen Joyū não foi lançado no Brasil, então a alternativa (legal) para quem quer ter a obra em sua estante é importar o DVD americano. Este link do Ebay já está configurado para mostrar todos os anúncios do filme cujos vendedores enviam para cá, devidamente organizados por ordem de preço. Quem tiver alguma dúvida sobre como comprar, pergunte nos comentários que explico com prazer.

Abaixo vocês conferem fotos da minha cópia do DVD. A capa é bem simples, mas o filme está em widescreen, conta com áudio original em japonês e legendas em inglês e francês. Como extra, o pacote inclui um making of imperdível do filme, repleto de entrevistas com Satoshi Kon e companhia.

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Onde baixar:

Clique aqui para baixar a versão do fansub Sharingam (da qual tirei as screenshots contidas neste post), através do tracker do site Anime Central.

Minha conexão está longe de ser uma Brastemp, mas prometo ficar de seed por pelo menos um mês para ajudar na distribuição. Quem souber de um lugar melhor para baixar o filme, por favor, avise nos comentários.

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