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Kinect gera discussão: Em qual cômodo fica o seu videogame? E o espaço entre você e a TV?

Videogame no quarto é coisa do passado? Veja bem, me lembro da minha infância, quando meu Super Nintendo ficava no meu quarto apertado, jogava Super Mario All Stars no beliche, todo torto já que não é fácil ficar sentado confortavelmente na cama tanto quanto é num sofá. Mas me lembro também que cobiçava muito a possibilidade de jogar os games na sala de casa, mas eram raras as ocasiões em que meus pais deixavam isso acontecer. Tinha aquela lenda urbana de que videogame estragava a TV, alguém aqui é dessa época? E sobre este pretexto, os pais baniam o console para a TV do quarto do filho, que em geral era a mais capenga da casa. Pode ser que isso não aconcesse apenas comigo, pois tinha amigos que também só podiam jogar VG no quarto. Mas isso foi na década de 90. Passados tantos anos, na era da internet, dos games online, da alta-definição e de games quase hollywoodianos, seu videogame ainda está encalhado naquele quartinho apertado e escurto da casa?

Quarto vs Sala de Estar…

Primeiro é preciso entender que cada um destes dois cômodos tem suas vantagens para se ter um videogame, assim como portáteis casam perfeitamente com o banheiro (mas isso é conversa para um outro post). No quarto se tem a comodidade do isolamento, você joga sozinho, o que e o quanto quiser. Porém não dá para negar que tem suas desvantagens, por exemplo, em geral o quarto é sempre menor do que a sala, o gamer precisa ficar sentado na cama, ou numa cadeira (em geral a do PC), e a TV também tem o costume de ser sempre inferior (tamanho ou qualidade) do que a TV da sala. Por ser um cômodo mais apertado, você acaba jogando meio colado na frente da tela TV. Também é comum aquela sensação de que você está ali, enfurnado num lugar abafado e quente, enquanto sua família está lá na sala, confortáveis vendo TV. Claro que nem todo quarto é um cubículo, nem todo mundo tem seu próprio quarto, enfim, cada caso é um caso, mas dei uma idéia geral entre os prós e os contras que podem existir.

Mas e a sala de estar? A melhor TV da casa, a que deixa a imagem do videogame um cinema pra qualquer gamer. Você pode jogar no sofá, confortavelmente melhor do que qualquer móvel do quarto, pode senter no chão na frente do sofá, pode se estirar num puff (antes de casar, na casa da minha avó, tinha um puff gigante na sala, putz, joguem algum dia sentado/quase deitado num puff gigante!) ou qualquer canto da sala. Como é um cômodo geralmente maior do que um quarto, é costume também ter uma melhor acústica, é mais ventilado, e quanto você reune seus amigos, é bem melhor jogar num ambiente assim do que todos grudados num quartinho. Wiimote, Kinect e Move ficam melhor no ambiente da sala do que num quarto, onde há tranqueiras demais. Claro que também tem os contratempos. Videogame na sala significa certa falta de liberdade, não dá para jogar sempre que quiser, afinal a sala é um centro familiar, é onde todos os habitantes da mesma casa se reunem. Então a TV deve ser compartilhada entre todos.

Muita gente reclama da falta de liberdade em dividir uma TV com os familiares, mas muitas vezes o que se tem é uma errada sensação de restrição. Eu achava isso antes de ter um videogame na sala, que ia ser um porre dividir a TV com outras pessoas, que ia perder a minha liberdade de jogar a hora que quissesse e tal, mas quando se trabalha e estuda, percebe-se que não adianta querer a TV só pra si, até porque você acaba não usando ela a todo o momento. Pense, quantas horas por semana você liga o videogame? Quantas horas por dia você joga? Claro que dependento da sua resposta, certamente você monopoliza a TV da sua casa. Joga mais de 4 horas por dia? 2 horas todo dia? Nem liga o console todo dia? Depende de cada caso. Eu descobri que quando fazia faculdade e trabalhava anos atrás, não tinha pique para jogar todo dia, quanto mais 4 horas por dia. Meu horário de usa da TV da sala era mínimo, então ninguém se importava quando eu pedia para jogar um pouco, até porque nem quando eu jogo, tenho hábito de ficar mais do que 2 horas direto (há exceções é claro). E de uma certa forma, quando se divide uma TV todo mundo da casa passa automaticamente a ter seu horário favorito de  uso e de uma certa forma todo o restante da família acaba aceitando e até se acostumando com isso.

Isso não significa que eu não jogava TV no quarto. É claro que jogava, assim como assistia programas e séries enquanto na sala, o pessoal curtia outra coisa. Mas eram as exceções. Quando eu, por vontade própria não queria incomodar ninguém na sala, pegava o videogame, ia pro quarto e jogava um pouco, mas sempre tive a total consciênciade que o lugar certo para qualquer videogame é na sala de estar. Assim como somos forçados a nos acostumarmos com futebol, novela, desenhos infantis entre tantas outras coisas que dividimos n sala com nossos familiares, pra mim, o videogame sempre teve que ter espaço em casa. Se uma pessoa gosta de videogame, porque as outras que vivem sobre o mesmo teto não podem dar uma chance, ao invés de repudiar e jogar os aparelhinhos em quartos apertados.

Mas provavelmente eu estou errado. Hoje durante o dia todo, tive um debate com a maior parte da galera da equipe do blog e basicamente todo mundo discordou de mim. Todos se sentem mais confortáveis jogando em seus quartos, não gostam de dividir a TV da sala com esse tipo de entretenimento com a família ou não querem incomodar alguém ou simplesmente não se sentem confortáveis jogando consoles, como o Wii na frente d conhecidos. Os motivos e razões para não se usar videogames na salas choveram aos montes. O que significa que eu faço parte de uma minoria radicalmente pequena de gamers que educaram seus familiares para aceitarem os videogames como entretenimento familiar. Desde a adolescencia, jogo na sala, minha avó, meus pais, todo mundo sabe o quanto eu me divirto e o quanto os games devem ser respeitados. Não tem que fazer cara feia, não tem que sair do cômodo. Hoje em dia, todo mundo até gosta, as vezes brinca (minha avó uns tempos atrás numa festinha em casa, estava jogando Street Fighter IV), até porque com os gráficos atuais, tem games que parecem até filmes. Os games ficaram mais adultos e com isso, foi permitido que eles se estabelecessem nas salas familiares, e consoles mais brincalhões como o Wii também ajudaram muito.

Esse debate poderia se extender por 20, 30 até 40 parágrafos. Provavelmente acabaria escrevendo um livro, então vou parar por aqui. Não quero convencer ninguém, só passei um ponto de vista. Pra mim videogames já sairam faz tempo daquela coisa de ficarem enclausurados em quartos, pequenos e abafados. Hoje em dia ele é um centro de entretenimento, com as opções de multimidia, games para todos os tipos de pessoas, incluindo os casuais. Aquela coisa de videogame no chão da sala com fios dos controles atrapalhando as pessoas passarem virou lenda, hoje em dia um console e um aparelho de DVD no móvel da sala ficam irreconhecíveis, sem mencionar os controles, agora sem fio, para ninguém tropeçar e derrubar os aparelhos (já vi muito SNES e Mega Drive em queda livre nos anos 90 por causa dos fios dos controles).

Um outro detalhe que talvez seja  interessante é que hoje em dia existem dois tipos de games, os gamers que não moram em suas proprias casas, em geral jovens que vivem com os pais e os adultos, que possuem sua própria casa e faz o que quiser nela. Eu estou na segunda opção, mas até quando era da primeira, insistia e educava a minha família que videogames ficam na sala e entram na rotina de divisão da TV. Tirando é claro, a época em que era criança, naquela parágrafo lá do começo desta matéria.

E você? Aonde fica seu videogame? E por quais motivos eles ficam ali? Tem pessoas na sua casa que te deixam constrangido por você curtir videogame? O preconceito a este tipo de entretenimento existe? Considerando que estamos no Brasil, com certeza há ainda muita gente que não sabe levar os games à sério, achando que os mesmo estragam TV, emburrecem as crianças, tornando-as violentas, e que são coisas que jamais vão se tornar hábito de uma noite em família. (Mesmo os que possuem um Wii).

Wiimote, Move e Kinect foram feitos para serem jogados em qual cômodo?

Toda essa polêmica acima apenas para chegar na segunda parte desta matéria. Li hoje em vários sites e blogs, nacionais e internacionais, pessoas reclamando de uma notícia na qual confirma que no manual do Kinect do Xbox 360, aquele aparelho que permitirá jogar sem controles e que será lançado nos EUA dia 04 de Novembro, que será preciso manter uma distancia de 1.8 metros entre o jogador e a câmera que faz toda a “mágica” do sistema de movimentação. Quanto for duas pessoas, a distância aumenta ainda mais, vai para 2 metros e meio. E aí que entra a reclamação de meio mundo na internet. Qual é a atual distancia entre você a o movél onde fica a sua TV e videogame atualmente? Sua sala ou seu quarto tem espaço suficiente para isso?

Aí entra uma nova questão, estes novos aparelhos de movimento feitos atualmente para os consoles, são desenvolvidos para serem jogados em qual ambiente da casa. Pense bem, você já viu alguém comercial do Wii, Move ou do Kinect onde o gamer está em seu quarto jogando tais games? Não. Estes comerciais, mostram a família jogando sempre numa sala, com um espaço grande entre a TV e o sofá.

Quanto ao Kinect e o Move, não posso dizer porque ainda não os testei, mas eu já tentei jogar o Wii em quartos e nunca dá certo, ainda mais se é um quarto pequeno. É comum num exemplo assim, a cama atrapalhar,  você não se movimenta direito no quarto, ou quando reune os amigos, fica tudo apertado demais e um acaba atrapalhando o outro. Se a sala da sua casa é maior, óbviamente lá seria mais confortável de se jogar. Há exceções, mas eu realmente nunca peguei um “bom” quarto onde o Wii fique realmente tão bom, quando numa sala, com um bom espaço para se divertir.

Claro que salas pequenas também são um problema para muitos brasileiros. A minha felizmente não é tanto assim. Entre o sofá e a TV tem 2 metros tranquilamente. É costume por exemplo, deitar entre o sofá e a TV para assistir no chão mesmo, enquanto se descansa de um dia cheio. Se você não consegue deitar entre o sofá e a sua TV, com uma almofada na cabeça, então a sala é realmente pequena. Um outro detalhe, as TVs de plama, LED e LCD de hoje em dia, estão obrigando esse hábito de ver TV colado na tela ser exterminado. Se você pegar os manuais destas TVs verá que é recomendando uma certa distância para assisti-la. E quanto mais longe, melhor é a imagem, ainda mais por nem tudo que é exibido nestas TVs é em alta-definição, como um Blu-Ray. Ou seja, as TVs de hoje em dia já são feitas pensando em salas grandes ou que o usuário vá assistir a uma certa distância. E os videogames estão indo por um mesmo caminho. Antes de casar e comprar a minha casa, já tinha essa idéia na cabeça, tanto é que a minha sala não é grande, mas é larga de comprimento, o que possibilita essa distancia entre o sofá e a minha LCD.

Enfim, entendo que esse assunto é recheado de problemas até mesmo culturais, especialmente no Brasil. Muitos jogam Playstation 3 e Xbox 360 em TVs de tubão, aquelas antigas (eu tenho uma no meu quarto). Muitas casas brasileiras são apertadas e pequenas (afinal, ninguem tem condições de viver em mansões), minha casa mesmo é meio lote, pequenininha (mas a sala é grande, ainda bem). O programa preferido do brasileiro ainda é novela de noite, tem gente que ainda assiste três novelas todo santo dia, fora o jornal (e as vezes a reprise do jornal na madrugada), filmes e séries nem sempre estão no menu semanal do brasileiro. São vários problemas culturais de lazer e de vício. Tudo isso colabora para essa sensação de que espaço é algo que quase ninguém tem o luxo de ter.

Mas eu não culpo a Microsoft, e nem fico torcendo pelo fracasso do Kinect. Até acho que essa limitação de 1.8 metros é relativa, pois tudo depende da sua altura e do que a camera precisa captar. O recomendado é 1.8 metros, mas quem não garante com 1 metro e meio ela não vá funcionar? Eu não tenho tudo isso de altura. Tem salas que são cheias de móveis, na minha tem apenas uma mesinha de centro, pequena, que dá pra empurrar porque tem rodinhas. Se isso vai limitar as pessoas a comprarem e a curtirem o Kinect, só o tempo dirá. Lembram quando o Wii foi lançado e a internet inundou de pessoas reclamando e de videos mostrando os perigos do Wiimote? Com a alça do mesmo arrebentando, destruindo janelas e TVs? O pessoal faz mesmo esse terrorismo sempre que algo novo é lançado. Eu não me preocupo com isso neste momento. Mas com certeza, se você joga num quarto apertado, cheio de coisas, colado na TV, provavelmente vai enfrentar problemas com o Kinect, a menos que você crie uma solução para tal problema (vá para a sala?).

Vou ficando por aqui. Sei que esse assunto tem muito pontos que deveria ser ditos, mas a matéria está realmente longa. Pra mim, os videogames estão cada vez mais sendo feitos para ficarem em lugares abertos, como as salas, justamente para essa nova idéia do mercado que surgiu nesta geração: Games devem atrair as pessoas, reunir a família e não criar gamers que se enclasuram sozinhos e solitários em seus quartos. É algo para se divertir com todo mundo, para não se envergonhar, para que mais pessoas passem a curtir.

Nesse ponto concordo com a Nintendo, Microsoft e Sony. Já foi a era onde os gamers se escondiam. Chega disso!

Obs: As duas ilustrações do post, foram retiradas daqui e daqui. (DeviantArt!)

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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