Japão

Um bom anime ofuscado por obras-primas? Tiger & Bunny! O verdadeiro espiríto do herói! [Impressões]

Tiger & Bunny era o único anime que eu estava planejando ver, junto com [C] antes da enxurrada de recomendações sobre outros aqui no blog. Acabou que foram lançados 3 episódios e eu não havia visto nada ainda. Mas com um tempinho sobrando lá fui ver.

Confesso que só tinha baixado por ser Masaku Katsura (DNA², Video Girl Ai & Len, I”s, Zetman) o responsável pelo character design do Anime. Mas tive uma grata surpresa no quesito originalidade, e do desenrolar das coisas. Mas já adianto que não é de longe indispensável como os outros animes que eu recomendei por aqui. No entando ele tem algo especial que provavelmente me fará acompanhá-lo. Após o Continue tem o porquê disso.

No começo o desenho se encarrega de explicar o universo da série. A tal da Hero TV, que é tipo um campeonato de heróis, contando pontos a cada salvamento ou captura de ladrões, ou vilões. Não sabemos quem é o protagonista, e um a um somos sumariamente apresentados aos heróis-protagonistas, suas habilidades, nomes e patrocinadores. Sim, herois possuem patrocinadores. Normalmente eu acharia essa atitude de colocar propagandas no meio da coisa toda ruim, mas em T&B isso deu um toque bacana de realidade à coisa toda. Semelhante aos animes de futebol que em geral tem chuteras e materiais esportivos “in-anime” da Adidas, Puma, etc, sabem? Então, uma das heroinas possui como patrocinador a Pepsi e antes dos comerciais sempre aparece a propaganda abaixo, muito bem bolada. O Voador (esqueci o nome, o que sempre agradece XD) tem uma companhia área e por aí vai.

O ponto do anime, assim que fica claro quem é o verdadeiro protagonista ou os protagonistas, é Wild Tiger, que possui o poder de maximizar todas as habilidades de um ser humano normal por 5 minutos. O seu timing péssimo o acaba colocando diversas vezes em situações em que acaba precisando ser salvo, e isso só contribui para sua falência perante aos espectadores e ao campeonato.

No último crime da temporada, numa dessas situações eis que Barnaby (ou Bunny, como Tiger o chama) aparece sem mais nem menos e captura o ladrão, e o pior: com exatamente os mesmos poderes de Tiger. Por não ser um herói que participa da Hero Tv ele não ganha pontos nem nada, mas é rapidamente aceito pela “confederação”, digamos assim. E Tiger é obrigado a trocar de patrocínio ao final da temporada. É aí que as coisas começam a ficar legais. SPOILERS À FRENTE, SE NÃO OS DESEJA PARE AQUI!

A grande jogada da nova empresa é a dupla de heróis, a primeira em toda história. O bacana disso é que apesar de terem os mesmos poderes Barnaby e Tiger não se entendem nem um pouco. O que eu gostei bastante é como o anime brinca com esse conceito de herói, – Ocidental, aliás, algo vindo de uma HQ por exemplo e não de uma mangá – temos Tiger, que luta com o sentimento, para salvar o próximo, e nunca fazendo promoção de si, não mostra a sua identidade por nada, e lembra os antigos heróis agindo por instinto e muitas vezes sem pensar (heroi, heroi, heroi, me desculpem pelas repetições, mas não há, realmente, termo que melhor qualifique isto). Já Bunny é moderno, mostra de cara a sua identidade, distribui autógrafos, planeja suas ações em prol de sua promoção e do campeonato. Calcula minuciosamente seus pontos e é quase inflexível quanto às leis e punições.

O caso do terceiro episódio serviu bem para ilustrar isso, aliás. Barnaby cheio de fãs, e Tiger comprando seus cards e dando de graça, mesmo ninguém querendo. Mas no final eu fiquei bem feliz ao ver que, apesar de tudo Tiger conceguiu torcer Barnaby com aquela coisa de instinto. No final a ideia de chutar a bomba foi genial, e só um herói com seu dever a flor da pele poderia pensar, ao contrário de Barnaby que só admitia opções quanto à mecânica da bomba. No final os dois saíram-se bem juntos pela primeira vez até então, que me deu até uma pontinha de vontade de torcer pelos dois.

Voltando ao segundo episódio, esse sim foi um que me deu até uma emoçãozinha. O Mr. Legend me lembrou todos os heróis que percorreram minha infância, sempre enfrentando os caras maus de peito aberto, e com um senso de justiça e de ajudar o próximo apuradissímos. E quando se acha que já fazem o bastante por salvar milhares de pessoas, eles aindam incentivam pequenas coisas, como o que Legend falou ao Tiger. E ele fez a mesma coisa com aquele tal garoto que controlava as estátuas. Percebam que Tiger não ficou “bravo” por não ter sido ele que acabou por salvar a sua filha, pelo contrário se sentiu bem só por tê-la ainda ao seu lado. O incentivo ao garoto, de virar super assim como ele foi demais. Era aquilo que os super-heróis de antigamente faziam.

Em contraste temos esses “heróis” novos, voltados ao dinheiro e fama, e que às vezes esquecem da essência do que fazem. Aos pouco Barnaby está tomando conhecimento disso.

O anime ainda tem lá os seus pontos cômicos, principalmente devido à bordões bem engraçados como o do chefe da empresa patrocinadora do Tiger sempre falando “Se não gostou, pode se demitir”, o Homem Touro sendo sempre estabanado, ou o Air Man falando obrigado toda hora.

Indispensável? Não. Divertido? Sim. Mas principalmente bom por mecher com esse conceito de herói de antigamente. Sem contar as animações 3D que estão show!

Onde baixar? Eu assisti em inglês pelo Commie, mas tem em português lá no Punch.

[Créditos à imagem que abre o post ao Zerochan]

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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