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Infamous 2: Heróis (ou vilões) por acaso também fazem história! [PS3] [Impressões]

Amor a primeira vista é assim, você bate o olho e pronto, está apaixonado. Foi assim na era dos 16 bits com Mario, foi assim na era dos 32 com Chrono Cross, foi assim na era dos 64 com Zelda Ocarina Of Time, foi assim na era dos 128 com God Of War e foi assim na era dos 256 bits com Uncharted. Só que é totalmente impossível se apaixonar por apenas um único game no meio de tanta coisa boa dentro de uma geração. Porém as paixões seguintes são mais difíceis de se firmar, pois você olha uma, duas, três vezes e mesmo se sentindo satisfeito ainda fica achando que falta uma coisa ou outra para aquilo ficar perfeito.

E foi isso o que aconteceu comigo este ano com Infamous, um game que para mim tinha tudo para ser uma segunda paixão a primeira vista nesta geração HD, mas no fim acabou devendo em certos aspectos que dariam a glória máxima ao game (na minha humilde opinião). Mas nem por isso exitei em comprar a sequência. Apostei na evolução da franquia e agora posso dizer com total certeza: amor a segunda vista também existe e que Drake me perdoe, mas estou flertando com o Cole neste exato momento, confesso.

Deixando claro antes de mais nada, que eu joguei atuando pelo lado do bem. Logo, desconheço as diferenças existentes na campanha pelo lado do mal, mas é uma excelente desculpa para se jogar tudo outra vez e descobrir como Cole destroi toda a humanidade.

O Infamous de 2009 tinha uma trama e tanto, cenários de respeito e uma jogabilidade bastante inovadora. Mas o quesito gráfico e o detalhamento dos personagens era baixo e apesar do game tirar o foco de Cole hora ou outra, a minha impressão era a de que eu sempre estava sozinho contra as aberrações de Empire City e no fim não senti afinidade alguma por nenhum outro personagem além do protagonista. Já o Infamous de 2011 é diferente, ele é uma completa evolução de tudo o que foi visto no anterior. Temos personagens carismáticos (e por incrível que pareça são mais de um), temos gráficos mais bonitos, temos uma diversidade ainda maior de cenários, desafios maiores e o melhor de tudo: muitos, mas muitos poderes. Para o bem ou para o mal.

A fera se aproxima

Infamous 2 começa dando continuidade a história que o primeiro game deixou em aberto. Cole agora sabe de seu futuro e do porque exatamente ganhou seus poderes e porque razão enfrentou tantas aberrações em Empire City. Porém todas as provações pelas quais Cole passou ainda não são o suficiente para ele enfrentar o que está por vir e logo descobrimos que tudo o que fizemos pela cidade no primeiro game acabou sendo em vão. A besta da profecia se apoderou dela e não contente, segue destruindo as outras cidades vizinhas.

Com a ajuda de uma agente da NSA chamada Lucy Kuo e seu amigo Zeke, Cole se dirige para a cidade de New Marais, um dos locais a serem atingidos pelo monstro e onde se encontram os 06 núcleos de explosão capazes de dar novos poderes ao protagonista. Sendo esta a única esperança de parar o avanço do monstro. Agora Cole vai percorrer toda a cidade em busca destes novos poderes e no processo, vai encontrar novos inimigos, novas habilidades, novos aliados, novas revelações e principalmente novas escolhas. O futuro da humanidade está em suas mãos agora, cabe a você salvá-la ou enterrá-la de uma vez por todas. A escolha é sua.

Patinho feio? Não mais!

Uma das coisas mais desanimadoras do primeiro Infamous são os gráficos in-game das cutcenes, que são pobres demais e tornam as poucas CGI’s do jogo nada empolgantes. A Sucker Punch ouviu as críticas na época e não deixou por menos nesta segunda edição do jogo, pois o game está totalmente repaginado visualmente falando, as feições de Cole e a presença de um Zeke bem mais detalhado deixam tudo isso bem claro.

As velhas passagens dos acontecimentos sob a visão de quadrinhos americanos continuam, mas o que chama a atenção mesmo são as cenas de ação com os gráficos do game, agora mais bonitos do que nunca. Porém gostar mais de um ou de outro aqui não faz muita diferença já que existe um revezamento entre os dois estilos. A cidade de New Marais é outro item que dá novo fôlego a trama, depois de ver a desolada Empire City, é muito bom ver uma cidade tão colorida e animada de novo. O mundo continua sendo aberto e grande parte dos cenários agora é destrutível, a coisa fica ainda melhor pela diversidade das localizações, onde podemos encontrar os mesmos inimigos, mas dificuldades totalmente diferentes para enfrentá-los.

As ruas escondem todo o tipo de coisa, como pequenos assaltos a luz do dia, milicianos fazendo gente inocente de refém, cantores de rua, bêbados sem rumo e muitas missões paralelas. A maioria delas você deve ativar antes de começar, mas algumas coisas de menor importãncia acontecem ao simples virar de uma esquina e deixam Infamous 2 um pouco mais parecido com jogos como GTA ou Red Dead Redemption.

Várias missões estão espalhadas pelo mapa, além das principais e as paralelas ainda temos a oportunidade de jogar missões ou mini-games criados pelos fãs e apesar de não ter o menor interesse em testar a novidade, acabei achando a idéia muito legal. É Little Big Planet fazendo escola.

Herói ou o vlião? Você escolhe!

Como não poderia deixar de ser, Infamous 2 pede por escolhas suas e elas não são poucas. O velho sistema de karma continua e agora a cada ação maléfica ou bondosa a roupa do protagonista vai mudando seu tom para algo mais claro (se você for bom) ou provavelmente algo mais escuro (se você optar pelo mal). Muitas das decisões que você vai tomar no jogo são precedidas por alguma discussão entre a formosa agente Kuo ou a punk do pântano Nix. Enquanto uma está lhe dando uma idéia sensata e apelando para a razão, a outra está tentando despertar o seu lado mais revoltado, mais emocional e cabe a você descobrir qual das moças você quer realmente agradar.

Algumas habilidades especiais também dependem destas escolhas, como os poderes de controlar o fogo ou o gelo, uma das decisões mais difíceis do game, tendo em visita que ambos são muitos legais. Quanto aos poderes mais básicos algumas modificações foram feitas e partir de agora não é mais preciso descer num boeiro e procurar o gerador mais próximo para ficar mais poderoso. Como o resumo da trama já disse, temos de sair a caça dos núcleos de explosão espalhados pela cidade que contem energia suficiente para  elevar as habilidades de Cole ao próximo nível. Já outras são adquiridas somente mediante a compra utilizando os pontos de XP que você ganha a cada missão realizada, a aquisição de alguns também depende de pontos ganhos em missões paralelas.

No que diz respeito às habilidades antigas, com exceção daquele raio de trovão que conseguiamos quase no final do primeiro jogo, todos os outros poderes estão de volta com diferentes níveis para serem aprimorados. E se por um lado perdemos a estrondosa rajada de energia elétrica, por outro ganhamos passe livre para ativar vórtices, a melhor das novidades depois do envolvente enredo. Mas apesar de ser o trunfo final em muitos momentos difíceis, ele deve ser usado sempre com moderação para não atingir inocentes no meio do caminho (caso você esteja jogando no lado do bem), muito embora seja mais fácil falar do que fazer.

Outra mudança bacana é que agora Cole não depende mais só de sua habilidade de atirar raios, explosivos e tudo mais que aproxima o game de um shooter. Em Infamous eram raras as vezes em que você podia entrar na porrada literalmente com o inimigo, pois para cada dois socos dados tinhamos 10 balas chegando às costas, forçando você a combater todos de longe e bem escondido. Já em Infamous 2 Zeke projeta a AMP, uma arma para Cole na qual ele pode energizá-la e partir pra cima dos inimigos sem a menor cerimônia, os movimentos ficaram muito bacanas e deram um dinamismo sem igual para o jogo. Os combos com esta arma também permitem finalizações cinematográficas belíssimas, um dos pontos altos da ação quando se está cercado de inimigos.

Um Cole Mcgrath muito bem acompanhado

Nos tempos de Empire City você era um cara feio e desprezado pela maioria numa cidade ainda mais feia. Lá você perdeu o pouco que ainda tinha e foi obrigado a deixar tudo para trás não muito tempo depois. Mas agora em New Marais até que as coisas melhoraram e muito. Além de Zeke, que aqui ganha maior destaque em comparação ao primeiro jogo, ainda temos a agente da NSA Lucy Kuo, que não parecia tão bonita nos trailers e foi preciso vê-la mais de perto para conferirmos sua beleza. Temos também a revoltada vinda do pântano Nix, que procura esconder a sua beleza em meio a tanta fúria.

Além da turma que fica mais próxima do herói também acabamos conhecendo os mocinhos de New Marais que se opõem ao governo regido por Bertrand. O líder da milícia da cidade e corrupto envolvido com a esfera de raios que finge estar do lado do povo enquanto cria monstros e tenta incriminar Cole pelas súbitas aparições dos mesmos no lugar. As várias lutas em que agimos em conjunto com os chamados rebeldes da cidade são muito divertidas e não lembram em nada o clima solitário que a trama de 2009 deixou.

Aqui cada lado destas forças, sejam elas aliadas ou inimigas, recebem o seu devido destaque cedo ou tarde e com isso a Sucker Punch mostra que o game não evoluiu somente nos gráficos, mas também amadureceu sua trama a olhos vistos. Demonstrando que uma história não permanece rica somente por ter um herói poderoso em cena, mas pelos coadjuvantes que o cercam e fazem dela algo emocionante do início ao fim. Agora se você for daqueles não dá a mínima para nada disso também não tem problema. Os vilões, os monstros e o responsável por arquitetar todo o plano de dominação de New Marais não deixam a desejar, mesmo o maior vilão da sequência não sendo tão surpreendente quanto foi o do primeiro jogo.

Ainda há espaço para se perguntar sobre a ausêcia de algumas figuras que foram muito presentes durante a jornada em Empire City, como a agente Moya. Mas personalidades tão aguardadas como ela simplesmente não apareceram e deram lugar a coadjuvantes totalmente inesperados e que deixaram um ar de improviso de última hora para fechar alguns buracos da trama.

Versão dublada, será que a moda pega?

Para quem andou tirando férias em Venus e não ficou sabendo, Infamous 2 entrou para a pequena lista de exclusivos da Sony que possui tanto legendas quanto idioma em português do Brasil. A qualidade da dublagem como já era de se esperar não é nenhum primor. Muitas falas forçadas, outras sem expressão ou emoção alguma e toda aquela história que já cansei de repetir aqui. Mas estranhamente as vozes escolhidas para cada um foram bons acertos na minha opinião, principalmente a do Zeke que caiu praticamente como uma luva no personagem.

Alguns termos ficaram estranhos de se ouvir e como não deu tempo para conferir a versão em inglês, continuo estranhando os seres com poderes serem chamados de depravados. Até onde me lembro não vi ninguém nu durante o jogo, então não sei de onde tiraram isso. Me impressionei também com o excesso de palavrões, achei que a censura falaria mais forte, mas foi bom ver que isso foi mantido. E colocando tudo na balança, no fim das contas o trabalho de localização feito com o jogo merece elogios, pois é um começo e se este ano é mesmo o ano do Brasil nos games, então que venham mais jogos traduzidos e que a Sony acabe assim estimulando Microsoft e Nintendo a fazerem o mesmo com suas produções, nada me deixaria mais feliz.

Finalizando

Infamous 2 é uma evolução muito bem sucedida do primeiro, ele eleva e muito a história de Cole Mcgrath a outro nível. A Sucker Punch está mesmo de parabéns pelo excelente trabalho que começou a tempos atrás quando o estudio decidiu que não se tornaria uma empresa lembrada apenas pelos jogos de Sly Cooper.

Com uma jogabilidade extremamente dinâmica, rápida, cheia de opções e surpresas, o game já tinha tudo para dar certo, mas a cereja desse bolo foi sem duvida nenhuma a trama, que dá uma reviravolta totalmente incrível quando você já presume como tudo vai terminar. A corrida contra o tempo em busca de um meio de salvar a humanidade está repleta de ação, humor, adrenalina e emoção. Tanta que talvez você se pegue mais envolvido com os personagens do que pensa quando o desfecho da trajetória do herói por acaso chegar.

E se depois de ver lágrimas rolando e a paz reinando finalmente você achar que a aventura enfim terminou, melhor pensar duas vezes. Pois onde existe o bem, também existe o mal. Nenhum dos dois lados deixa de existir plenamente e quando as luzes do show finalmente se apagam, um novo convite para começar tudo outra vez é feito.

Mas como não poderia ser diferente, a escolha continua sendo sua e somente sua.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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