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The Tales of Beetle The Bard/Os Contos de Beetle, O Bardo (Impressões)

Cinderella? Branca de Neve? A Bela e a Fera? Rei Leão? Clássicos da infância, sim. Todos já devem estar familiarizados com pelo menos uma dessas histórias. E “The Wizard and the Hopping Pot”? “The Fountain of Fair Fortune”? “The Warlock’s Hairy Heart”?

Há algum tempo, havia planejado ler esses outros contos infantis, listados acima, de outra realidade, que teve origem em outro clássico, esse mais moderno. Certeza que já sabe do que estou escrevendo. Caso ainda não saiba, continue lendo para descobrir. Vamos visitar cada conto.

Outro dia estava comprando na Amazon UKHarry Potter and the Deathly Hallows (Adult Edition)“, motivado a reler o epílogo em inglês pela proximidade do último filme, e recebi uma sugestão por email, daquelas que normalmente ignoro. Era o livro “The Tales of Beetle the Bard” (Os Contos de Beetle, O Bardo) de 2007, por um preço ridículo aliado a uma curiosidade extrema, habitual em mim. Então, aceitei a sugestão e abracei a oportunidade.

Em poucas palavras, a autora não deixou muita abertura para reclamação. Ou melhor, talvez uma apenas: livro muito curto. E quando se sente falta de mais páginas, algo do livro deve ter dado certo, concorda? Antes de chegar ao fim, isso já havia ficado determinado, fui devorando as palavras.

J. K. Rowling é uma autora que me fascina pela capacidade inventiva genial que demonstra constantemente. Escrever uma obra literária baseada no grande sucesso que ergueu ao redor do mundo facilita a receptividade embora faça recair sobre o livro expectativas bastante elevadas. E o livro viveu às expectativas. O que realmente salvou foi a criatividade e a imersão dos contos – e não só, Dumbledore enriquece a leitura com observações relevantes e que completam muitos detalhes não comentados nos sete livros.

Quando procuro um livro, tenho em mente uma história que me faça querer saber, desvendar e ler mais ao longo de capítulos bem escritos. E The Tales of Beetle the Bard tem o suficiente disso. Normalmente, tendo o suficiente, leio e experimento. Esse livro não foi publicado exclusivamente para crianças, mas é parte de uma campanha que ajuda crianças em situações vulneráveis. Precisa de mais alguma razão para o adquirir por apenas £3.77? Parece mas isso não é propaganda, só a minha opinião. Não pude recusar. Em menos de uma semana, ele foi entregue aqui.

Inicialmente, analisando no site ainda, fiquei hipnotizado pela Edição Colecionador – simplesmente linda. Indisponível a pagar £147.20 por ela, fiquei com o standart edition mesmo – que aliás é excelente e essa recomendo. Não sei se alguma vez J. K. Rowling explicou a sua obsessão pelo número 7 (7 horcruzes, 7 Diamantes Amaldiçoados, 7 livros, 7 dias de Early Access – The Magical Quill), eis que The Tales of Beetle the Bard não foi excepção, teve apenas 7 cópias originais escritas e ilustradas à mão por ela própria. E um dos livros originais foi vendido por £1.95 milhões à Amazon.com! Indo uma parcela do valor arrecadado para a campanha The Children’s Voice, claro.

Assim como para toda regra, há ao menos uma excepção, J. K. Rowling incluiu poucos contos em The Tales of Beetle the Bard, menos de sete. Temos os cinco contos principais, conhecidos por todos os feiticeiros e feiticeiras do universo fictício de Harry Potter, subtraindo um que fora divulgado em Deathly Hallows – “O Conto dos Três Irmãos”/”The Tale of the Three Brothers“.

Por isso, você paga por quatro contos criativos desconhecidos. Mesmo que ela tente compensar com observações e informações sobre os contos e sobre acontecimentos e personalidades do mundo da feitiçaria deixados por Dumbledore, o livro continua alastrando a sensação de brevidade. Enfim, vamos analisar os contos individualmente.

The Hopping Pot/O Bruxo e o Caldeirão Saltitante abre o livro muito bem, uma história simples e por alguma razão parece até familiar, fazendo sentido. Um feiticeiro que herda um caldeirão mágico do pai e uma missão de ajudar as pessoas. A base do conto acaba por ser a generosidade, a caridade e a humildade. Olhando assim, o conto aparenta ser puramente infantil, mas é agradável de ler do início ao fim, até mais do que uma só vez se quiser – pelo menos em inglês, desconheço a versão em Português.

E por fim, temos as observações e esboços de palavras de Dumbledore. Defendo que a participação do professor após esse conto é a melhor dentre todos os outros. Particularmente, adorei a forma como está explicada a formação do Statute of Wizarding Secrecy em 1689 e a relação comentada com a Inquisição.

Essa aproximação com o nosso mundo e a nossa história, aproxima também os leitores de Harry Potter ao mundo fictício da obra. Seja a favor ou contra os Muggles, esse tema que aborda o preconceito é igualmente decorrente ao longo de todo o livro – diria ser um assunto principal (e serve de metáfora para os preconceitos reais que pessoas enfrentam na sociedade – aí está aquela genialidade que comentei).

The Fountain of Fair Fortune/A Fonte da Sorte é o segundo conto da obra e a história embora seja ótima, intuitiva e merecedora de atenção, o efeito placebo da água da fonte não é tão criativo assim. A critividade desse conto reside, na verdade, no modo como é contado. É melhor o desenvolvimento do que o fim.

Três feiticeiras (Asha, Altheda e Amata) e um cavaleiro escolhidos para escalar até o cume onde supostamente uma água mágica fará milagres. Mais uma vez, J. K. Rowling aproveitou a oportunidade para estreitar a relação entre o nosso mundo e o fictício que criou: milagres não existem, nem com magia nem sem magia. E por aí, gostei bastante da história, sobretudo os desafios que enfrentam e as soluções.

As notas do professor Dumbledore, entretanto, complementam bem o conteúdo, mencionando experiências de vida, criaturas mágicas, reações ao conto ao longo dos anos e o conflito entre ele e Lucius Malfoy. Um bom extra, confirmo.

The Warlock’s Hairy Heart/O Coração Peludo do Mago deve ser o melhor conto de todos. Conquistou por não ser um conto de fadas unicamente com um fim de “felizes para sempre”. Ainda bem! Estava esperando algo assim. Não tenho nenhuma dúvida de que essa seja a história mais adulta do livro (e a melhor?).

Um feiticeiro poderoso, rico e com todas as condições para construir uma vida excelente, perde tudo por medo. Por ser humano e se render ao lado selvagem, animal. Por seguir instintos destrutivos. Por recorrer à Magia Negra. The Warlock’s Hairy Heart é interessantíssimo para qualquer leitor, contudo aqueles que leram os sete livros, apreciarão imensamente mais a narrativa. A autora explora o medo de viver embora esteja diretamente ligado à morte. Aquela ânsia por controle e segurança perpétua.

Os horcruxes podem não ser mencionados, mas paralelamente estão presentes – esse conto lembra um pouco o Tom Riddle. Adorei a ideia do feiticeiro ter trancado o próprio coração e vivido sem ele. Achei genial o coração ter ganhado pêlos, envelhecido por desuso. E o momento perfeito foi o reencontro do feiticeiro com o seu próprio coração. E tirar o coração da mulher com quem pretendia casar? Grande preço, senti que valeu ter lido até que ele sucumbisse. As observações do Dumbledore, mais uma vez partilham apenas reações e interpretações.

Babbitty Rabbitty and her Cackling Stump/Babbitty, a Coelha, e seu Toco Gargalhante apresenta, assim como os outros, uma certa dose de familiaridade. Critíca a ignorância e dá para ler bastante bem, sem cansaço. A integração do rei contribui para o estilo clássico e a caça aos bruxos remetem para o clima da Inquisição que fica maravilhosamente bem aproveitado por razões já citadas acima.

Dumbledore interpreta e observa novamente os detalhes, identifica o rei como Henry VI, estabelece uma ligação com a nossa história e por aí vai cativando. E o resto já sabe, ensinamentos sobre a História dos Feiticeiros, distinção entre Animagi e Transfiguração e a declaração das três maldições imperdoáveis em 1717: Cruciatus, Imperius e Avada Kedavra.

The Tale of the Three Brothers/O Conto dos Três Irmãos encerra a leitura. Finalmente, chegamos ao conto mais popular. Nesse caso, a história já é conhecida. Nunca satura ler sobre a origem das relíquias da morte. Dumbledore explica um pouco mais sobre a sua relação com as relíquias, organiza a história da Varinha de Sabugueiro, referindo os donos, o percurso sangrento e outros nomes que surgiram ao longo dos anos como Ellhorn.

Os Contos de Beetle, O Bardo é um típico livro para ler quando está sem nada para fazer, numa viagem curta, alguma situação assim em que se precisa passar o tempo. Inclusive, dá para reler a obra mais de uma vez de tão curta, simples e proveitosa. Não é uma questão de história, mas de modo como está escrito. Espero ler mais informações extras sobre acontecimentos e fatos do universo do Harry Potter no Pottermore. Aliás, consegui encontrar a The Magical Quill, esperando o Welcome Email para Early Access Login. Se permitirem, farei um preview aqui no Portallos.

A capa é linda, hardcover azul na versão inglesa, e o livro é pequeno. É possível levar facilmente para qualquer lugar. Então, até conveniente se torna. Repito, é um livro infantil mas agradável para qualquer idade – vale a pena conferir. E recomendo.

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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