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Alice Madness Returns | Ande, bata e aprecie a paisagem! (Impressões)

Não fui ao cinema ver o último filme de Alice no País das Maravilhas, também nunca me simpatizei com os contos da Disney, mas quando American McGee’s voltou a se aliar a Electronic Arts para trazer Alice de volta à loucura e desta vez também nos consoles, foi difícil ignorar os trailers que demonstravam como aqueles cenários alucinados podiam ao mesmo tempo ser tão belos. Felizmente para alguns e infelizmente para outros, esse é um dos poucos quesitos onde o game ganharia o prêmio do ano.

De volta à Terra do Nunca, ops.. script errado!

Como todos vocês já devem saber, em Madness Returns Alice continua sendo uma esquizofrênica descabelada procurando os parafusos que cairam de sua cabeça. O jogo começa com ela num manicômio em Londres aos cuidados de um psiquiatra. Embora a garota pareça recuperada, as lembranças da morte de sua família ainda a atormentam e após algumas horas de liberdade na cidade ela acaba mais uma vez convidada a retornar ao País das Maravilhas, fazendo uma leve desvio e indo parar na terra natal do Beetlejuice.

Chegando lá o visual da moça muda radicalmente se comparado com a realidade e além de uma beleza sombria ela agora tem direito a novas armas e novos caminhos para explorar neste mundo estranho que guarda não só uma nova ameaça como também resposta para as perguntas que tem tirado o sono da noiva em tamanho família do Chuck. Resumindo bem, assim começa Alice: Madness Returns.

O que há de bom no mundo da loucura?

Cenários, cenários, oh… benditos sejam os cenários. Se há uma coisa que devemos aprender com a releitura de American McGee’s é que os cenários também fazem o hype de um game. Alice Madness Returns dificilmente cativará aqueles mais exigentes quando o assunto é gameplay, mas todos hão de convir que a paisagem do lugar é algo para se parar e observar por pelos menos um minuto que seja. Engrenagens acinzentadas flutuando, simpáticos espantalhos falantes, o fundo negro de um abismo sem fim em contraste com o amarelado de um entardecer que nunca chega ao fim e o bom e velho carpete cor sim/cor não (essa é velha). Eu não vou conseguir me lembrar de tudo, mas pode acreditar que essa é só a ponta do iceberg, é aquele tipo de surrealidade que você só vê em um sonho e raramente consegue se lembrar dela com detalhes quando acorda no dia seguinte.

Mas as belas paisagens não se limitam somente ao outro mundo, a cidade de Londres também ficou muito bem representada na minha opinião. Claro que nunca estive lá para saber, mas tenho certeza de que o trabalho feito com ela lembra com maestria o visual da cidade em tempos mais remotos, com um ar de crueldade nas ruas e uma população fria que já se acostumou a essa realidade, trazendo sempre um traço diferenciado em seus rostos, que são bizarros e ao mesmo tempo tristes, como se não houvesse um ser que sequer seja hospitaleiro para com o próximo. Acredito que esse é um dos pouquíssimos casos onde a ambientação roubou completamente as atenções, deixando até mesmo a jogabilidade em si que já não é muito interessante para trás.

Fazer ação talvez não seja fácil, mas podia ter sido melhor!

Quando o título foi anunciado, procurei ver os vídeos do primeiro game exclusivo para PC para ter uma idéia do que vinha por aí. E como esperava, não precisei de muito tempo para saber que o esquema todo era bem repetitivo. A sequência não foge muito disso e pode lhe causar um ataque súbito de sono caso você esteja esperando algo mais dinâmico.

Assim como os cenários os inimigos também tem um visual sem igual, mas a diversidade não é lá das maiores, você sempre encontrará algo diferente toda vez que estiver num local novo dentro do País das Maravilhas, porém você pega rápido o jeito de derrotar cada um dos inimigos sem muito esforço. Uma exceção ou outra às vezes te obriga a criar uma rápida estratégia ou simplesmente ser mais cauteloso, mas basicamente nenhum desafio dos infernos te aguarda neste título. A falta de chefões de verdade para dar trabalho também tira um pouco o brilho da coisa toda, há muitas fases onde bolaram uma esquema legal de exploração pelas muitas plataformas voadoras que você encontra ao longo do jogo por exemplo que ficariam bem legais se obrigassem o jogador a encarar alguma criatura mais desafiadora em meio a esses cenários, mas dinamismo de verdade meio que inexiste em Madness Returns, mesmo os poucos puzzles são muito rasos e não necessitam de muita reflexão por parte de quem está no comando para serem solucionados.

A mecânica de movimentos da Alice é meio robótica, mas isso é mesmo uma característica natural dela e todo o seu ar sombrio de ser, em compensação ela pode se esquivar facilmente se dispersando em meio às borboletas. Há também um pequeno efeito de bullet time sempre que um inimigo está prestes a te atingir, o que te dá tempo de tentar sair ileso de um combate 3×1. Mas se você não conseguir obter êxito nos poucos momentos de estratégia forçada do game, o jeito é ativar a Histeria, que vem sempre que a sua energia está por um fio. São um dos poucos momentos em que o visual da Alice fica realmente interessante e você pode descer o braço em qualquer um sem maiores problemas desde que preste atenção ao medidor que vai mostrando quanto tempo de ação overpower a garota possui.

Infelizmente no fim das contas não existe muita coisa no gameplay pra te surpreender e o jogo parece se resumir numa idéia só, é como se você só estivesse de passagem fazendo uma excursão por um lugar bem estranho, saltitando de um lado a outro e esfaqueando algum indivíduo quando preciso, seguindo seu caminho sem qualquer percauso. Pode parecer exagero meu, mas chega um certo momento em que a sensação é a de que você está andando em círculos. Ainda que as localidades sejam interessantes e diferentes, as tarefas são sempre as mesmas, a dificuldade é sempre a mesma e você se pega rezando para que a próxima cutcene chegue logo, pois ouvir as maluquices da Alice é melhor do que andar nesse loopin quase eterno.

Uma faca de açougue, uma pimenteira e um cavalo de pau são o suficiente para enfrentar a sua insanidade!

Pois é, aqui é o mundo da fantasia, da loucura e coisa e tal. Por isso, para que as crianças possam jogar também, a maioria dos monstros estão cobertos com óleo que é para não jorrar sangue demais na tela (porque isso aqui não é Mortal Kombat ouviu bem?). Em seu arsenal na luta contra as criaturas do País Subersivo Das Maravilhas Nem Tão Maravilhosas Assim, Alice conta com uma faca de açougueiro, um canhão também conhecido como pimenteira da mamãe e uma cavalo de pau para dar na cabeça de qualquer pervertido que estiver escondido debaixo do chão só pra ver o que há dentro da saia da moça. Mais a frente ela também encontra um guarda chuva, um bule de chá e mais uma variedade de artefatos do lar que você nem desconfiava serem tão resistentes assim.

Também a medida que você avança, suas armas evoluem com a simples condição de coletar sempre que possível os dentes que estão espalhados por ai, geralmente encontrados em lugares menos acessíveis onde você tem acesso ao usar a incrível habilidade de encolher da moça, que por sua vez também é útil para enxergar plataformas invisíveis. Mas ao invés de entregar tudo ao seu verdadeiro dono desdentado, esses dentes lhe servem como pontos para fazer upgrades nas armas, que não mudam visualmente falando, apenas ficam vermelhas, roxas ou alguma outra cor que os meus olhos cansados tenham distorcido. Ah sim… elas também aumentam o seu poder de luta (para mais de 8.000), algo que chega a ser meio inútil, já que nenhum inimigo lhe dá trabalho suficiente que justifique a evolução de tais armamentos. Analizando bem, seria melhor ela voltar para casa e entregar tudo de volta à cozinha antes que a sua mãe visse o que sumiu. Ops… esqueci, seus pais já morreram, certo? Meus pêsames Alice.

Finalizando

Alice: Madness Returns é um jogo divertido e ao mesmo tempo chato, não tem nada que vá lhe chamar a atenção com exceção dos já declarados cenários malucos, provavelmente inspirados no mundo do Beetlejuice (tentando falar seu nome várias vezes, vai que ele aparece…). É um game pra se jogar aos poucos, quando der saudade de algo menos complexo só pra distrair a mente, pois passar horas em frente ao vídeogame com Alice pode lhe render uma senhora dor de cabeça. Se você ficou curioso com o game, mas teme uma futura dor na consciência por gastar seu rico dinherinho com ele, o jeito é esperar a poeira baixar. Apesar de não ser um DVD da banda Calipso, daqui há alguns meses ele deve ser encontrado facilmente a preço de banana numa loja de usados pertinho de você.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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