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Mantendo o velho ciclo quebrado com Sonic Generations! (Impressões)

Quando o Sonic estava fazendo os seus 15 aninhos de vida, a SEGA resolveu comemorar a data com um novo jogo que prometia muito e no fim só acabou dando mais força para aquele ritual muito triste chamado o ciclo do Sonic, onde a gente se empolgava demais com os vídeos iniciais pra perder todo o ânimo não muito tempo depois. Porém, não sei quanto a vocês, mas para mim o ciclo foi quebrado já no ano passado com o lançamento de Sonic Colors no Wii, jogo que dispensou qualquer resolução HD para ser bonito no console da Nintendo. As músicas eram animadas como nunca antes, divertidas do primeiro até o último instrumento tocando, a adição daqueles monstrinhos foi meio charope, mas trouxe sim um charme para o jogo além de render o roteiro que o criou. Mas o que deu mais graça na fórmula mesmo foi a SEGA ter voltado a dar um pouco mais de atenção à ação no velho estilo side-scrolling.

Na sequência, seguindo essa perigosa tradição que é ter de lançar um jogo novo todo ano veio o anúncio de Sonic Generations. E então gritamos, duvidamos, alimentamos o hype sem deixar ele nos dominar, mas não teve jeito, a esperança que habitava cada um de nós foi mais forte. Por aqui, assim que cofrei o game coloquei ele de escanteio para dar prioridade a outras coisas, mas se eu soubesse que ao colocar o disco na bandeja eu ficaria preso por horas a fio em frente ao vídeogame sem a menor vontade de dropar o jogo, eu já o teria devorado logo no primeiro dia. Difícil convencer só falando, mas vocês podem crer no que eu digo, tudo o que à minutos, horas, dias, semanas, meses, anos atrás foi motivo de chacota, paus e pedras e muito protesto no ouvido dos produtores voltou na forma de uma compilação de colocar qualquer fã do Sonic estático em frente a TV rezando muito para que nenhum momento marcante ali se acabe tão cedo. Acreditem ou não, a SEGA acertou a mão em cheio esse ano, e o aniversariante enfim pode cortar o bolo e soprar as velinhas sem se preocupar com as críticas.

Passado  e presente se encontram no melhor Sonic da 7ª geração

Só para começar todo o espaço que você tem para explorar as zonas em Sonic Generations é um completo vazio em branco (lembram da sala de treinamento em Dragon Ball Z? Então, é daquele jeito). Isso porque ambos os Sonic acabaram de ser tragados por alguma entidade do espaço misteriosa que resolveu fazer bagunça com o espaço-tempo, fazendo aquela mistureba boa. A única coisa que mostra vida por aqui são as apresentações de cada zona, antes mesmo de entrar em cada fase você já pode sair correndo por esse espaço limitado, testar umas rampas e ver como está a física de ambos os Sonics. O gameplay fora dessas fases é todo em side scrolling, independente de você estar usando o Sonic moderninho de olhos azuis ou o Sonic clássico mais baixo e barrigudinho, isso fica a sua escolha. Basta apertar um botão e o Sonic que estava ali muda de forma. A versão mais atual do ouriço é daquele jeito que todos nós já sabemos bem, basta um punhado de anéis e você sai voando alto na velocidade da luz sem muito controle ou intervenção da física, agora quando o assunto é o Sonic clássico a coisa fica muito mais interessante. Quando os vídeos começaram a ser divulgados, a mistura de ângulos diferentes e as leves pitadas de 3D influenciando diretamente na visão do personagem não deixavam muito claro se a jogabilidade respeitava os velhos tempos do ouriço à risca. E quer saber? No fim das contas ela de fato não segue a velha receita rigorosamente e nem tem porque disso. Se você tiver jogado Sonic 4 vai perceber em poucos segundos a diferença monstruosa entre os dois. O Sonic clássico de Generations não é alto, não tem pernas enormes e finas demais, ele não patina antes de você começar a correr e por ai vai. Na movimentação dele a SEGA também procurou não inventar muito e fez muito bem na escolha, o lance é correr, pular e dar aquela roladinha da qual eu esqueci o nome original sempre que der na telha, o que vier para diversificar ainda mais o gameplay com ele só vai rolar dentro de cada zona reconstruída. As velhas características do antigo Sonic também foram respeitadas como por exemplo aquele som clássico das botas dele raspando no chão e cantando como o pneu de um carro… ou seria de uma bicicleta?

 Claro que não vai faltar quem diga que esse Sonic clássico nem chega aos pés do personagem que tanto brilhou no Mega Drive, a jogabilidade de Generations não faz questão alguma de esconder que ele sofre algumas influências que o Sonic mais moderno trouxe quando os seus games 3D chegaram, mas criticar as mecânicas do personagem e das suas fazes por inteiro só por conta disso é a mais pura burrice, quem desaprovar mais esse jogo do ouriço provavelmente está fadado a jogar as antigas versões para o resto da vida e se esse for o seu caso aproveite e coloque também um cabresto para não ter mais que olhar para os lados. Mudando de assunto, mas ainda falando do Sonic clássico, sentir o dedão doer de tanto ter que pular com o baixinho foi mesmo demais. Depois de tanto tempo correndo por aí com o Sonic velocista eu nem me lembrava mais dos tempos de Master System, quando o maior desafio que você podia encontrar estava sempre numa plataforma protegida por alguma parede cheia de espinhos ou bombas vindo na sua direção. O Sonic clássico resgata tudo isso de uma forma tão incrível que nem mesmo as pequenas pitadas de modernismo vistas nas fases com ele tiram o brilho da sua presença. Muito pelo contrário, acho até que se não fosse o boom do 3D que levou Mario e Sonic a apostar mais nesses estilos por algum tempo, talvez o Sonic tivesse seguido esse caminho mais cedo e já estaríamos bem mais familiarizados com ele. Uma idéia disso já podia ser vista antes mesmo desse jogo sair com alguns remakes feitos por fãs que andaram ganhando fama pela rede e que a SEGA fez questão de vetar. Na época muita gente achou sem sentido a empresa barrar a homenagem, mas depois de ver o resultado final dá até para ter uma idéia mais clara do porquê.

Recordar é reviver o passado intensamente

E quando você acha que Sonic clássico e Sonic moderno juntos já é mais do que suficiente, vem a SEGA e mostra que o passado nefasto dos antigos lançamentos por mais que tenham sido decepcionantes ainda tiveram algo de bom para ser relembrado. Se na divulgação o jogo já abusava de tudo o que rolou nos jogos antigos, ao vivo a emoção provocada por isso só falta saltar a boca, ganhar vida e sentar do seu lado. É sério, só pra se ter uma idéia a cada zona pela qual você passa apenas pela entrada, assim mesmo, sem fazer nada, a música tema numa versão mais atual começa a tocar. E a medida em que mais zonas se abrem dá pra percorrer um lado a outro do cenário e ouvir a mistura das músicas tudo de um vez só, e esse é só um aperitivo do verdadeiro passeio musical que é o jogo. Cada zona tem duas fases, uma para cada Sonic e aqui ambos os lados carregam a sua dose de vantagens e desvantagens. Por exemplo, na reprodução da Seaside Hill, uma das fases iniciais de Sonic Heroes, a música tema na versão do Sonic mais moderninho é a melhor porque é a original e com ela ninguém pode, isso é fato. Porém se você volta seus olhos para a clássica Sky Sanctuary de Sonic & Knuckles do Mega Drive, você vê que a música original dá de 10 x 0 na versão moderna. No gameplay é a mesma coisa, eu adorei o que fizeram com a City Escape no Sonic clássico, realmente ficou muito show e não forçou em momento algum algo que fugisse do que era a jogabilidade do Sonic clássico, mas sinto dizer que se tivesse de escolher entre essa e a versão moderna, a minha escolha seria a número 2. Não tem como descrever a emoção de descer aquela ladeira e só pensar em correr a mil por hora sem medo de segurar a vontade de cantar a música tema inteirinha enquanto a jogatina rola solta.

Na hora de enfrentar os chefões e os chefões dentro dos desafios opcionais o jogo volta a dar show em todos, EU DISSE: TODOS OS SENTIDOS, é tanta coisa boa desde o início do game que até o par de vilões que ficou para o final não nem chegou aos pés de todo esse flashback em massa. A única falha dessa parte é que o Sonic clássico acaba não se destacando muito, talvez porque a sua era foi mais povoada pelas criações do Robotinik ou simplesmente a seleção não fez jus a ele como deveria, a única exceção a meu ver mesmo ficou por conta do desafio com o Metal Sonic, uma das recordações de Sonic The Hedgehog 2. Em contra partida o Sonic moderno acaba tendo a grande chance de mostrar que nem tudo o que a SEGA pensou para o futuro do personagem aos moldes do 3D foi ruim. Silver, Perfect Chaos e Egg Dragoon por exemplo deram o ar da graça só para relembrar o que ainda deve estar na memória de muito fã que jogou a série Adventure no Dreamcast ou o metade bom e metade ruim Sonic Unleashed. É bem verdade que a dificuldade passou longe desses momentos em muitos desses embates, talvez porque a SEGA tenha preferido entrar nesse espírito de tornar o jogo mais acessível a todos os públicos, muito embora isso não explique o porque do Hard Mode não ser exatamente algo difícil. Mas todo esse resgate valeu mais do que a pena.

Os desafios que citei aí em cima são mais pedacinhos da história do Sonic espalhados por cada zona, os desafios primários guardam disputas contra os antigos desafetos do ouriço azul e rendem as indispensáveis esmeraldas do chaos que vão ajudar lá no fim do jogo, cada desafio apela sem dó para os melhores momentos da franquia e te fazem sentir toda uma vontade de tirar uma nota de ranking S custe o que custar para deixar como recordação.  Eu por exemplo voltei umas duas, não… cinco, não, não… umas seis vezes para lutar com o Shadow na reprodução de Sonic Adventure 2. Não foi nada 100% fiel ao original, tudo pareceu mais uma corrida e a dificuldade mesmo no Hard Mode não tornou as coisas mais interessantes. Mas quando a corrida pelo poder dos meteoritos começa e você se dá conta de que a fase tem direito a 3 músicas que mais parecem grude mental, você vence a imitação feiosa do ouriço uma vez com a trilha sonora de fundo do Sonic, depois volta e facilita só um pouquinho para a música do Shadow tocar antes de derrubar ele e depois você faz tudo de novo e deixa rolar naturalmente porque a música tema da fase já era o máximo no jogo do Dreamcast e aqui ela foi somente aperfeiçoada. Outro ponto alto do game para mim foi poder voltar à Crisis City do tenebroso reino dos bugs construído em Sonic The Hedgehog de 2006/2007. A fase ficou muita linda e tirei o chapéu até mesmo para a versão com o Sonic clássico, que acabou tendo suas fazes mais bem trabalhadas, só achei uma pena a Sonic Team não ter feito duas versões para cada desafio. Aliás a essa altura já era para eu ter percebido, mas lerdo como sou só fui entender que o fan-service estava mesmo rolando a solta quando avistei Speed Highway e logo depois, quem diria, Rooftop Run de Sonic Unleashed, nem Sonic Colors escapou e voltou com a mais do que simpática Planet Wisp, muito embora se dependesse de mim a escolha seria outra. Todas muito bem reconstruídas tanto na versão moderna quanto na clássica. Melhor do que isso, só mesmo dois disso.

Uma festa sem hora para acabar

Fator replay é outro elogio mais do que merecido para Sonic Generations, porque cada zona terminada ainda guarda vários portões menores para os desafios secundários, e cada um mostra a zona de uma forma diferente, como se fosse uma fase nova mesmo não sendo, eles também aproveitam a presença dos amigos do Sonic de forma divertida e sem intervenções inúteis que poderiam estragar o gameplay principal. Dá pra perder umas boas horas completando tudo, provavelmente metade do tempo que você gastaria jogando Generations sem dar a mínima para os extras. Pecado esse que eu recomendo fortemente que você não cometa, primeiro porque é quase como se fosse uma extensao, uma expansão do jogo que viria por DLC se esse lançamento fosse da Capcom e não da SEGA e segundo que é com eles que você acumula pontos para comprar as habilidades extras. Claro que aumentar ainda mais a velocidade absurda do Sonic moderno ou usar aquela velha bolha no Sonic clássico não são obrigatórios para a sua diversão no jogo, mas dentre esses mesmos upgrades se encontra a versão do primeiro Sonic, uma ótima pedida para aquele tipo de amigo que se acha hardcore jogando Call Of Duty. Peça a ele que experimente o velho Sonic sem muitas vidas sobrando na dispensa e sem opção de salvar o jogo no meio para continuar um outro dia. Não é tão cruel quanto um Dark Souls, na verdade está bem longe de ser, mas está ou melhor dizendo, estava no caminho. Tentei jogar um pouco logo depois que terminei o game, mas como já eram quase 03 da matina e sofri para sair da Marble Zone enquanto pescava cada vez mais peixes no sofá, resolvei deixar para um outro dia. Não sei se a SEGA incluiu os outros jogos ou se ela cumpriu com a promessa de incluir apenas Sonic The Hedgehog no disco, mas seria muito legal zerar o primeiro e dar de cara com o segundo escondido na Chemical Plant. Gostaria muito de saber se a produtora cogitou a hipótese dessa grata surpresa. Alguém sabe de algo?

Depois disso o game termina e bate aquela tristeza de fim de festa, começamos a pensar mais uma vez no que o futuro reversa para o Sonic, até que vem a SEGA e encerra o jogo com a sessão de créditos quase interminável mais linda que eu já vi em tempos, tocando todas as músicas das zonas pelas quais passamos, porém mostrando cenas dos jogos originais na telinha ao lado pra você não perder nenhuma referência aos antigos jogos. Fazia tempo que eu não via algo de tanto respeito assim. Se em meados de 2006 a SEGA perdeu o meu respeito com um trabalho que foi de dar vergonha à qualquer um envolvido na produção, em 2011 ela paga absolutamente todos os seus pecados. No mais, quando você já tiver revirado o game inteirinho correndo atrás de uma nota S e ainda tiver fome por mais, o jeito vai ser trocar a música da Green Hill pela da Chemical Plant ou a da City Escape pela fase/desafio do Silver só para justificar o fato de você estar jogando tudo aquilo de novo. E se só jogar depois de um tempo também não for mais o suficiente, a coleção de músicas, cutcenes e artworks vão estar todas lá te esperando desde que você tenha feito por onde. Destaco mais uma vez as músicas, cada uma com o seu som original e logo correspondente ao Sonic da época em que foi lançado, até Sonic Pinball e Sonic CD ganharam seu merecido espaço graças essa dose extra de nostalgia. Enfim, se esse não é o melhor presente que um fã de Sonic pode receber, então provavelmente ele nem pode ser chamado de fã só para começo de assunto.

Finalizando

Olha só, falei tanto que nem sobraram tantas palavras assim para concluir, só para me repetir enchendo línguiça em cima da história mesmo. Mas o fato é que o melhor jogo do ouriço em tempos está entregue, o que a SEGA pretende fazer com o mascote no ano que vem eu prefiro nem pensar por hora. Completar cada artwork que criou idéias boas e nem tão boas assim para o personagem, cada música que embalou e tornou as tardes da minha infância mais felizes até os meus dias de hoje, criar as tão esquecidas bolhas de tanto apertar o botão de pulo significam curtir ao máximo esse jogaço. Se a SEGA vai repetir esse feito maravilhoso amanhã? Não sei e por enquanto nem desejo saber.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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