Assistindo

The Walking Dead: Mid Season 2011 – PdS

Senta aí e vamos conversar sobre os nossos parentes mortos lá do celeiro.

Faz tempo que não venho bater um papo sobre séries no Portallos. E nesse intervalo aconteceu muitas reformas. Mudança de layout, de textos, de leitura e de dinâmica. Sigo com um Papo de Série por igual reformulado – Papo de Série EXP.

Neste exato momento quero comentar o episódio 2×07 – Pretty Much Dead Already. Então, faremos isso. Combinado? Conversaremos somente o suficiente sobre o rumo que a adaptação tem tomado e como isso contrasta com a versão original. Não faz mal não ter lido a HQ, você tem a base necessária. Desligue-se do mundo que te rodeia, sinta os cadáveres errantes, o desespero dos vivos e continue lendo.

NOTE: Caso tenha alergia à spoilers, volte mais tarde. Não que seja o meu desejo te excluir do papo – que antipático da minha parte afastar alérgicos… Tudo bem, continue se apesar da alergia for sua decisão seguir para os próximos parágrafos. Entretanto você foi alertado.

Há semanas, a produção tem nos entupido com cenas ocas, algumas sendo baseadas sem discrição em fatos passados da história que não são supostos desaparecer como a Sophia, porque num pequeno grupo de sobreviventes ninguém esquece de nada, mas que não precisamos assisitir serem remoídos. Sabemos dos problemas. Ponto. Anseamos por mais e piores. Novos. Consequências!

“Enough! It ain’t like it was before!” – Shane

No mesmo lento ritmo dos zumbis, decidiram dar um basta e acrescentar algumas ocorrências surpreendentes. Uma reviravolta ali, outra qualquer dia desses. E sabe o que mais curto da série quando resolvem lançar fogo em tudo, deixar queimar e depois reunir as cinzas? É que não se prendem à HQ. Para quem lê, acompanhar a mesma história, vendo um desenvolvimento monôtono, atingiria um patamar quase insuportável. The Walking Dead não planeja isso para o futuro. Por isso qualquer um deve continuar ligando a televisão durante a exibição.

(Concordo com o Shane. Esse episódio foi melhor que os anteriores. Já não é como antes, né?)

Antes que o drama morra, o ataque de alguém, a conduta moralmente duvidosa ou a loucura de um sobrevivente saturado e até mesmo a morte de uma criança ou adulto tão importantes fazem a adaptação se erguir do túmulo, pôr um walker no lugar, disparar contra a cabeça do cadáver animado e reproduzir a espécie humana logo em seguida. Lori, você está fazendo isso errado? (Pergunta disfarçada)

Tanto a HQ quanto a série são sobre o limite de uma pessoa. Você seria capaz de comer baratas se toda a comida terminasse na esperança de sobreviver mais alguns dias? Mataria um amigo para se alimentar? Seria capaz de enfiar uma bala na cabeça de um ente querido que estivesse tentando te matar? O que escolheria é uma incógnita. E The Walking Dead tem tentado simular isso – essa é a raíz do sucesso de Robert Kirkman. Até onde um grupo de indivíduos abandonados e ameaçados consegue ir em nome da humanidade e da sobrevivência. E não ficamos por isso. Essa simulação de insanidade vai ainda mais além.

Primeiro Impacto: Hershel e Rick

A Fazenda está ocupada, Rick.

Honra e humanidade. Esses valores estão valorizados no mundo de The Walking Dead porque eles sempre nos separaram dos outros animais – pensa, muitos seres humanos têm menos disso do que um gato ou um cachorro. E Religião ainda tem um lugar? É fácil ter na sociedade, que corrupta apoia a hipocrisia, o aparentar ser. Somos aquilo que fazemos em condições extremas.

(Minha gata é um exemplo disso embora seja uma fera!)

(Não, a Fiona não é verde e não pintei o pelo dela. Dica: Shrek.)

Quando o mundo vai para o abismo, quantos seres humanos vão conservar isso? Imagina. Exclui os memes do cinema, dos livros e dos games. Visualiza. Será uma bagunça. Gritos, um correndo pela sua vida, outro perdendo a sanidade. Pânico. Medo. Horror. Um herói em milhares, talvez. Me disseram que não resulta o resgate assim. Um por milhares.

(Não sei  qual seria a minha atitude. Usar o esgoto como esconderijo?)

(Não, isso faria de mim um rato literalmente.)

Assim que a sociedade caí, você não tem mais como esconder. Ou você tem humanidade e honra, mostra isso e sofre com isso ou apenas instinto de sobrevivência egoísta. Claro que estou falando do Shane e do Rick. E igualment do Hershel. Foi ótimo o confronto entre a Maggie e o pai – para quê estender a mão se tem alguém para pegá-la? Primeiro eu. Depois você. Esse lado do dilema Hershel-Rick tem sido uma boa adição. É uma versão moderada da diferença entre o Líder e Shane.

Seria a humanidade suficiente para te fazer partilhar o seu abrigo com estranhos quando ninguém mais liga para você?

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Segundo Impacto: Gravidez de Lori

O pai do ano. Shane ou Rick?

Nada de espanto com a irmã do Carl. A Lori está cumprindo com o seu destino segundo as Primeiras Palavras de Kirkman. A tensão do parentesco permanece na guerra fria. O aborto intensifica o drama e ter um filho num mundo onde todos morrem rápido. É melhor morrer antes de nascer, Lori pensou assim. Estava errada?

(Error 404: Answer not found.)

Para além do Shane tentando se aproximar de Lori através da gravidez, o Rick pirando ao saber da hipótese de aborto e a Sophia desaparecida, a barriga cresce e Carl fica mais ousado. As chances dessa criança nascer saudável, ter uma boa infância, viver fortes emoções e morrer idosa são maravilhosas!

Sério agora, sou a favor da filha dela. Sei que isso não fará diferença – a escolha certa é facilitar a sua vida quando o mundo vai para o estrume. Você também tem o dever de tentar ser o mais feliz possível. A complicação disso é que ser feliz não é fácil.

(Por isso que acaba tudo em estrume. Sempre.)

Entre facilidade e felicidade, qual você seguiria? Felicidade para mim. O máximo que puder arranjar. Provavelmente ela não ficará *Double Rainbow All the Way* (isso seria um exagero, morreria de overdose), a não ser que se drogue com cogumelos mágicos ou perca a sua sanidade. Para os dois não falta muito. Carl não será mais o único a ficar entre Shane e Rick…

Se forem pelo mesmo roteiro da HQ, será bom. Não digo mais nada. Contudo, prefiro ver o que eles conseguem fazer por conta própria.

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Terceiro Impacto: Shane, Otis e Carl

Honre os mortos. Você vive.

Tinha em mente escrever sobre três impactos excelentes dessa Mid Season mas fui surpreendido por mim mesmo. Descobri que tenho quatro impactos para mencionar (é, esse texto vai ficar um pouco maior). Peço que confiem no que afirmarei: eles fizeram a minha cabeça na parte da recuperação do Carl. Ingenuamente pensei que fosse possível o garoto falecer, bater as botas, *insira aqui expressão de preferência*.

(Insira a expressões nos comentário. Uma delas pode acabar no espaço acima. Sério.)

(Teríamos que acelerar a gravidez da Lori para voltar a ter uma criança no cast! O.o)

Essa temporada está sendo fantástica por vários motivos. É fundamental sabermos quais são porque quando uma série faz sucesso, podemos aprender onde ela poderá falhar ou como ela poderá inovar. Shane, esse é um dos principais motivos. Podia jurar que ele já estaria morto, que a sua arrogância e intolerância já o tivessem executado – Carl, a caça com o Shane e o Rick está cancelada (pelo que aconteceu da última vez, claro). O Carl parecia alucinado observando o veado, lembra?

(Parabéns se entendeu. E cuidado com o veado. Florestas perigosas!)

Sinto a raiva do Shane. Faz sentido. Ele perdeu a Lori quando o seu melhor amigo regressou, perdeu a oportunidade de criar Carl como um filho e está prestes a perder o seu próprio filho (desculpa, deve ser filha) para salvar o casamento num mundo onde casamentos não existem mais. Shane, todavia, está ficando perigoso – um walker é mais seguro.

Falo do celeiro mais tarde. Quero antes relembrar Otis. Dale não fique dificultando a vida do Shane, ele sabe como sobreviver! Aquele episódio foi um dos mais fortes e incríveis até agora. Nomearia no meu top 3 desta temporada os episódios 1, 3 e 7. É genial o detalhe do Shane não ter dado o tiro na cabeça do Otis: os zumbis não curtem carne morta – a gente curte! (menos os vegetarianos). E achei nada a ver a Andrea com o Shane. Por que não Andrea e Dale? Eles já se odeiam – meio caminho andado! (*Smile Face*)

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Quarto Impacto: Sophia e o Celeiro

Limpando o celeiro e adotando um zumbi?

Você adotaria um zumbi criança? Fiquei pensando nisso. Que exaustão dessa novela do desaparecimento da Sophia! Pensei que fossem fazer da garota um mito e continuar enchendo os episódios com o mesmo drama da mãe, Carol. Separa o romance entre ela e Daryl e joga fora os momentos de enrolação restantes. A ideia não é reclamar mas esperava ver a Sophia transformada numa sobrevivente selvagem, cruel, prática e fria. Quem sabe ela não sacrificaria a mãe pela própria sobrevivência mais tarde? Teria sido insano.

(Romance? Daryl está mais para delirante com a ausência do irmão. – ele a ama!)

E que foda o Shane abrindo o celeiro, completamente louco e descontrolado. Depois, eles matando os amigos e parentes de Hershel, sem hesitar. De repente, surge a cereja no topo do bolo: Sophia. Nossa, aquilo foi bom demais. Ela toda morta, andando. No silêncio só dava para ouvir os barulhos zumbificados da garota. Da filha de Carol. Rick é o líder, ele provou isso. Quando o trabalho fica muito sujo e muito difícil, ele vai lá limpar.

(Aliás, o Hershel tem uma fé cega, nem óculos resolve?Aquele celeiro comeria a sua família um dia!)

(Opa! Não seria canibalismo familiar se parentes do Hershel comessem a própria família? Só invento.)

Agora, fecha os olhos. Quer dizer, não porque você vai precisar ler o que vem daqui para frente. Portanto, apenas considera um celeiro cheio de parentes e amigos zumbis (pode me pôr lá dentro também). Você teria coragem para matá-los? Me mataria? Acredito que eu teria (cometi suicídio ou é impressão minha?). Mas não tem como saber ao certo. Talvez fugisse, fosse nos centros urbanos à procura de alguma pista ou cura. E provavelmente seria mordido por zumbis… Diz a lei evolutiva que nos sacrificamos pela nossa espécie (alguma coisa assim). O que você faria?

(Essa pergunta aí é para você mesmo. Responde nos comentários?)

Houve uma grande discussão sobre a qualidade do episódio que terminou a Mid Season de The Walking Dead este ano. Compreendo a divisão de opiniões. Deram-se evoluções interessantes, nomeadamente a relação entre Glenn e Maggie, a morte de Otis por Shane, a gravidez de Lori e a descoberta do celeiro. As pessoas ficam criando aborrecimento com aquilo que aconteceu entre essas fortes movimentações. Esqueça o lado menos positivo porque toda história tem que construir uma base que nem sempre é tão atraente. Parece não ter valor mas por ela chegamos aos desenvolvimentos épicos. Menos preocupação com o molde, mais apreciação do recheio.

(Pensei que servisse a metáfora. É muito awesome quando perfuram os zumbis.)

(Você sabe o que quis dizer… sangue, tripas e órgãos se espalhando. Curto isso.)

Algumas observações podemos tirar do que produziram até agora. Estou convicto de que a série já entrou num caminho diferente e a HQ não serve mais de comparação. Quando penso na revista original, entendo que ela seja uma segurança caso os roteiristas façam besteira. Deve ser confortável para a série ter uma base segura – sempre dá para retomar um caminho já percorrido e aclamado pela crítica. Tenho precisamente nada contra – afinal nem acredito que venham a  precisar.

Não temos The Walking Dead na televisão. Temos uma espécie de derivado. Andrea e Dale participam melhor dos conflitos, aliás vários personagens ganharam o direito ao respeito desde que se mudaram para a fazenda do Hershel. Perfeição não temos mas ao menos os personagens que costumavam ficar à margem dos acontecimentos têm interferido e mostrado mais atitude. Por vezes, essa é a falha da série até este Mid Season – desperdício de personagens. Alguns congelam enquanto outros se desenvolvem. É uma alternância estratégica meio destrutiva em certas ocasiões. No fim das contas, constrói alguma coisa.

Acaba que os melhores episódios são aqueles em que um só acontecimento desenvolve a personalidade, a atitude e a presença de todos. Tudo numa só tacada. Porém, nem todos episódios podem ser tão bons. Ou será disso que os produtores nos querem convencer? Deixo esse argumento no encargo de convencer aos que ainda duvidam que esse foi um episódio de fazer o sangue jorrar pelos olhos.

(Como adoro fazer referências sangrentas numa série de zumbi… cliché?)

(Ah! Não duvidem, essa Mid Season foi fodástica – alguns episódios melhores que outros.)

Pessoalmente, fiquei bastante satisfeito com essa Mid Season da 2ª temporada. Penso que foi justa e equilibrada. Encontraram a Sophia, fizeram o Shane explodir publicamente, puseram o Hershel de joelhos, impressionaram a audiência – até uma referência ao Portal incluíram (Glenn tem bom gosto)compre Portal 2 se ainda não comprou. O Glenn não teve a nossa sorte. O mundo dele foi para o estrume mais cedo. By the way, estou aplaudindo de pé a escolha da atriz para interpretar Maggie. Escolha impecável.

(Like por fazer esta observação? Eu realmente aplaudi de pé depois de escrever isso.)

Sinto como se tivessem aparado o mato do caminho para prosseguirem para novos detinos. Limparam o celeiro para começar o ano de 2012 com casa limpa! Well done.

(Experimente a HQ. I’m out of here now.)

Achievement unlocked – Dead Girl Killed (GOLD)

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.

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