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As Desventuras entre um Gamer e seis PS3!

Tenho um Wii e um PS3, duas grandes bombas com diferentes targets.

Brown Box dava esse tanto de defeitos?

Outro dia liguei o PS3 e comecei a jogar Skyrim, merecia aquele momento sozinho com o videogame. E 5 minutos mais tarde, nem mais nem menos, aconteceu novamente aquilo que tive a inocência de pensar que nunca mais se repetiria. Duvido que haja alguém no Portallos, leitores inclusos, que tenha escapado de alguns traumas.

Esse texto é um ensaio de raiva e ódio, estou sendo honesto, abrindo o jogo. Até porque há muito gamer hipócrita por aí e outros que se glorificam por jamais ter tido um problema com consoles, sendo que não há glória nenhuma em contar com a sorte. Sorte, claro. Há glória em tomar a sorte como um produto seu, como se houvesse esforço envolvido? E, antes que perguntem, cuido dos meus consoles – limpando externamente, cobrindo as ventilações quando desligado e até dando aquela aspirada básica mensal.

Não existe limpeza que cure o fracasso do hardware. Tentei fazer dar certo inúmeras vezes mas os atuais consoles têm demonstrado vantagens na igual proporção de dor de cabeça que acarretam. Não há remédio para isso e não basta sentir o bolso sendo consumido (e consomem até a sua alma); caso não tenho feito uma cópia externa dos saves, GAME OVER (sem “continue” que isso é coisa do passado). Por isso, recuso-me a escrever em favor a qualquer um deles, os nego e manifesto somente decepção, principalmente com o equipamento da Sony. Desabafarei contra essa geração tecnológica absurda. É isso, revolta. Deixa-me contar o meu infortúnio com o PS3, maldita Sony!

A maior parte dessa história ocorreu em Portugal, o atendimento da Sony lá foi “ótimo”, tendo em conta o atendimento prestado sem atrasos. A primeira vez que o PS3 desligou-se e recusou entrar em atividade (nem a porrada aquela coisa passava do boot) foi, acho que em 2008, após o Natal – fazia o típico frio do Inverno e tinha ganhado LittleBigPlanet, BioShock e Resistance 2. Viciei bem rápido neles (menos no excluído e overhyped LBP) e fui curtindo dia após dia, um tanto exagerado e eufórico. Um dia experimentei LBP, lembro de ter recebido, na tarde desse dia, um telefonema da minha avó, que faleceu em Setembro do ano passado (2011) pouco tempo depois de ter regressado ao Brasil, . O PS3 FAT que me custou 800 euros, morreu primeiro, logo no dia seguinte, e perdi todos os meus saves – faltou-me o bom senso de fazer cópias externas na época.

Já fora da garantia, a Sony ofereceu uma reposição, um novo PS3 FAT 60GB, por 300 euros – valor aproximado, não lembro de todos os valores depois de tantas reposições que ocorreram. Aceitei, paguei e rezei para nunca mais passar por aquilo – e como não sou religioso, ateu mesmo, rezei em nome do meu também falecido Sega Genesis – o primeiro console que tive, aos 4 anos de idade; dormia jogando Sonic Genesis e deixava o ouriço lá, impaciente e batendo o pé, e agora chegara a minha vez de ficar impaciente e batendo o pé porque poucos meses depois de receber a reposição, o novíssimo PS3 falhou e morreu. Foi o segundo óbito. Assim como Earl diria karma’s a bitch! – acredito no Earl, não no karma (ignore o paradoxo). Ainda não sei se sou um PS3 Killer ou se essa geração de consoles é o meu Apocalipse ou Juízo Final ou se o princípio de Premonição aplica-se aos objetos com os quais me envolvo. De qualquer forma, deu múltiplas M***** daí para frente.

No dia seguinte, liguei para a Sony para usufruir da maravilhosa garantia. Embrulhei o PS3 avariado (e com um jogo dentro) e enviei para o endereço de troca. Demorou 1 mês para receber um novo console, mesmo modelo claro – e o jogo que havia ficado dentro foi enviado em separado. Ansioso, abri e instalei. Os dias que se seguiram foram um alívio na minha vida gamer até que… Sim… Até outra avaria me atingir como um balde de água fria em pleno Inverno – xinguei muito e quando acabei com os insultos, peguei o telefone e senti a frustração pulsando. A Sony procedeu com a reposição. E adivinha, outro mês fiquei sem poder jogar e sem garantia de que a garantia que tinha viria a funcionar um dia desses, viria a ser útil de fato.

Foi uma experiência horrível, todavia parcelada. Consegui um PS3 FAT aparentemente perfeito e enterrei o número do atendimento na gaveta. Passou-se um ano inteiro e mais alguns meses, parecia não haver mais o fantasma do PS3 piscando o indicador luminosa em três cores alternadas. Estava satisfeito com o console, sempre preferi o PS3 pelos exclusivos. Enquanto durou, adorei. Imagina, entretanto, a minha reação quando o PS3 faleceu na última parte de Uncharted II. Ia terminar o jogo, estava prestes a atingir o clímax e saborear o desfecho… Quase perfeito e o produto da Sony escolheu a pior hora para mostrar a sua fragilidade estúpida. Já sabe o que fiz, liguei para a central e pedi uma nova reposição e eles atenderam como se fosse a minha primeira troca – a garantia de dois anos ainda não tinha vencido logo não paguei nada. A reposição enviada após um mês durou 1 semana e todo Uncharted II que joguei nessa semana foi perdido (calma, terminei o jogo meses mais tarde).

A solução da Sony foi me oferecer um PS3 Slim em troca de uma taxa de 100 euros, eu acho. Eles ainda queriam que eu pagasse por fora da garantia para ter uma reposição melhor e acharam que tinham crédito para que eu confiasse a eles mais dinheiro depois de todo tipo de avaria e aborrecimento. Neguei e eles enviaram outro FAT que veio já avariado. Liguei na corrente e nem a luz vermelha acendia, um PS3 que não dava resposta de vida. Sony mas que M****! Finalmente, enviaram um Slim porque o PS3 FAT 60GB estava em falta no estoque – devo ter consumido com outros clientes inconformados todo o estoque do FAT 60GB. Ri para não chorar. Não paguei taxa. E estou com ele aqui na terra dos Tupis, sem nenhuma garantia, lançado à sorte e à esperança. Os primeiros sobreaquecimentos já começaram…

Daquilo que o Wii possui de hardware ultrapassado (e não é pouca coisa, diga-se de passagem), o PS3 e o X360 compensam com mal planejamento estrutural de hardware (failures/sobreaquecimento/YLOD) – ao menos, é isso que tenho sido obrigado a acreditar. E por isso, cheguei a conclusão que defender um console desta geração é pura arrogância, tarefa semelhante a desempenhar figuras como um irritante bobo da corte, faça-me rir; Ainda que você possa ter uma preferência com base em outros fatores, como exclusivos se quiserem um exemplo concreto (o meu caso), nenhum console desta geração merece defesa. NENHUM. Essas “guerrinhas”, já tão comentadas, se traduzem, analogia adiante, à escolha de um braço para amputar. Escolhe-se direito ou esquerdo, em função de ser destro ou canhoto, mas no fim todos acabam sem um braço e, PELO AMOR DE RALPH BAER, precisa-se de duas mãos para jogar!

Antigamente, era soprar o cartucho e ter somente uma preocupação: evitar o Game Over, derrotar o Boss e sentir a plasticidade de um universo único disponível para quem jogasse. Era entretenimento. Substituíram a realidade em que os jogos esperavam ser jogados por uma em que o gamer espera pelo bom humor do destino. E os consoles vão e vêm. Só ficam as histórias, o mito do videogame que pode durar uma geração, servindo fielmente o gamer. Mito.

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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