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Minutemen #1 e Before Watchmen se inicia!

Before Watchmen foi lançado e o resultado da primeira edição é…

Before Watchmen é possivelmente o projeto mais ambicioso e controverso da história dos quadrinhos. Por tudo aquilo que a obra em que se baseia representa, Before Watchmen é naturalmente algo a se recusar, pois dificilmente alcançará o status de atemporal como foi seu predecessor.

Porém não vejo porque, os mesmos personagens que compuseram o universo da revista não podem voltar e trazer novas histórias, talvez não tão boas quanto a original, mas quem sabe muito perto dela?

Não vou ficar discutindo muito o mimimi geral entre a comunidade dos quadrinhos, Alan Moore, e a DC, já até falei um pouco disto aqui. O fato é que a DC detêm os direitos e decidiu levar o projeto adiante. O ponto positivo para ela, foram os nomes de peso escolhidos para escrever e desenhar os prequels.

Cooke escolheu muito bem o seu início e seu background. A revista inicia com Hollis Manson escrevendo o livro que veio a figurar nas edições do Watchmen original, Sob O Capuz.

A sequência de imagens iniciais, lembra muito certas sequências que haviam também na fonte da HQ, com imagens de aspecto semelhante se confundindo, e ilustrando o que é narrado.

A decisão de colocar Hollis Manson escrevendo o livro e lembrando de seu passado,  também é uma bela jogada para deixar os quadros  altamente explicativos, e bem narrados em 3° pessoa. Parece que estamos realmente lendo o livro mais a fundo, lendo as memórias do personagens diretamente do seu cérebro.

O primeiro a ser apresentado e a aparecer para o mundo é o Hodded Justice (Justiça Encapuzada, se não me falha a memória da tradução da Panini). Em poucas páginas é passada toda aura sobria que o personagem carrega (o que é condizente com suas ações no original) e seus metódos à lá Batman em suas fases mais sombrias e sem piedade. Minto, muito mais impiedoso que o Batman.

A segunda: Sally Jupter. Aqui a fator podridão da sociedade se mostra bem mais evidente, da maneira que é apresentado em Watchmen. Com o crescimento de popularidade do Justiceiro das Trevas, um certo empresário vê uma oportunidade única para conseguir publicidade grátis e fazer uma estrela. Criando eventos falsos, subornando policiais, temos Sally salvando o dia e pagando de heroína para a cidade. O lado sexual já fica bem evidente, e com ele a jogada de marketing fica mais forte e persuasiva.  A roupa da personagem não foi escolhida à toa pelo seu empresário…

Nite Owl também conta sua própria história. Suas motivações envolviam a proteção dos inocentes, e a narrativa deixa bem claro que isso era sua prioridade máxima. Mas ele não nega que havia outras mil maneiras de alcançar esse objetivo. Então porque se vestir como um super-herói e sair por aí de short e máscara? Pela adrenalina. O constante risco de sua vida em jogo. O provável fato que era comum à todos os Minutemen (E os Watchmen, se posso chamar o segundo grupo que nunca existiu, deste nome).

Todos ali tinha um problema um tanto psicológico, Alan Moore aborda isso em sua história original, pois seria a única coisa que levaria uma pessoa a se vestir de tal maneira e se arriscar tanto.

Falando em problemas mentas, temos Edward Blake. O psicopata, trombadinha juvenil, era com certeza o mais alucinado de todos. Era uma ladrão que atuava do lado da Justiça. Seus métodos eram errados demais. Não ligava pra quem estava salvando, ou quem estava batendo.

O Mariposa era mais um em busca de aventura. Rico, com suas patentes aéreas, ele buscava mais. Desenvolveu suas asa-deltas. Mas como tudo neste universo é mais real do que parece, os acidentes foram frequentes ao ponto de quase matá-lo. Essa aura sombria da loucura de capa heróis presente em Watchmen foi muito bem retratada por cada personagem por Cooke. Mothman tomando um trago a cada vez que pulava mostra o nível da doidera, e do desespero. O inventor tinha meto que sua invenção o traísse e aí,  já era.

Dollar Bill era mais um que trabalhava mais como marketing do que como herói. E esses marketeiros viram que tinham o que ganhar com um super grupo, inclusive seus integrantes tinham benefícios com isso.  Hollis Manson fecha a edição falando que talvez esses benefícios custaram caro demais.

A história foi muito bem conduzida, a cada balão, mesmo em poucas páginas o autor traçou fortemente a personalidade, o jeito de agir, e as loucuras de cada Minutemen. Não enrolou e já definiu a formação dos Minutemen. Agora o que virá pra frente eu não tenho a mínima ideia, mas já tenho um palpite aonde isso tudo irá acabar.

Os traços de Cooke são muito bons para contar a história, bem detalhistas e me remeteram a algo mais antigo. Eu senti uma pegada de quadrinhos mais antigos mesmo, com mais balões, mais explicações, mas sem nunca explicar demais e gastar letras.

Minutemen é a resposta a todos aqueles que falaram que não podia sair coisa boa, que não iam respeitar o trabalho original. Minutemen é quase uma enciclopédia do grupo nesta primeira edição, mas com um toque de caracterização e roteiros muito bons, que em nenhum momento deixam de ser uma história.

Entretanto, talvez não seja isso que alguns esperavam. Eu mesmo pensei que seria algo mais puxado pro lado das aventuras do grupo, como se conheceram, como se separaram.

Talvez isso fosse realmente uma bosta galopante. Algo muito mais caça-níquel do que foi essa primeira edição. Eu realmente me surpreendi com esse começo da epopeia de Before Watchmen. A revista se apóia no original mas consegue fazer uma das suas propostas mais nobres em minha opinião: Aprofundar o que já havia sido criado por Moore.

Você pode ler por exemplo, Minutemen sem saber bulhufas de Watchmen, mas saiba que você estará perdendo cada referência, cada minúcia na construção da narrativa que a revista talvez não seja tão interessante assim para você.

Ao fim da edição temos duas páginas da historinha do Crimson Corsair que acompanhará todas as edições, da série Before Watchmen. O traço me agradou, mas nada de muito profundo a declarar, por ser basicamente um preview.

Em suma, se você já for ler Minutemen com a mentalidade de “nunca vai ser Watchmen”, “O que a DC fez foi isso e aquilo”, nem leia. Você já praticamente está fadado a não gostar da revista por sua posição inicial do que ela representa. Mas se você  fui um dos que como eu ficou na dúvida se podia sair coisa boa daí eu digo pra você que foi uma das melhores revistas que eu li recentemente, e tem tudo para ser uma das melhores que eu já li.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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