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Opinião | O que há com os games de hoje?

Eis a questão…

Comecei este post com o intuito de falar de League of Legends, então logo vi que o texto cresceu para algo maior. Comecei a falar do mercado de games de hoje, então expandiu mais ainda para uma comparação entre os games de hoje e os de antigamente. E como se isso fosse possível, ainda acabei sem querer abordando as diferenças entre os games online e os singleplayer.

Acabou por tudo ser uma grande divagação, mas mostrando o meu ponto de vista sobre diversos aspectos dos games contemporâneos, desde a minha indignação sobre achievements até a nostalgia de falar de alguns dos jogos que fazem falta hoje em dia.

Quem quiser ou tiver paciência de ler

Quem acompanha meus posts já percebeu que eu mencionei, vez ou outra, que o mercado de games cada vez mais vêm concentrando seu foco em dois estilos que vêm crescendo muito nos últimos anos: FPS, com nomes como Call of Duty e Battlefield e MOBA com Dota 2 e League of Legends. Há quem diga que os gamers saem ganhando com essa disputa, mas acontece que não é bem por aí não.

Como eu disse no post de Age of Empires 2, semana passada, está faltando games de certos estilos no mercado que já está saturado com os mesmos gêneros se desgastando ano após ano. Sim, o gênero FPS já está aí há décadas, com precursores como Duke Nukem (o antigo) e Half-Life, por exemplo. Mas aqueles foram tempos saudáveis.

Sinto falta de estilos hoje esquecidos, que fizeram a nossa infância, e não vou nem citar Age, que como exemplo, já está mais que saturado. Lembro que jogava muito um game que quando bati o olho pensei que fosse algum spin-off da série Age (claro, na época não fazia idéia do que era a terminologia da palavra spin-off, mas sabia o conceito), o Fate of Dragon. Teve uma época que eu saía das provas e ia para casa de um amigo para ficar revezando partidas no mesmo computador de 64 mb de ram. Como ele tinha o jogo em sua casa, ele já tinha as manhas e demorava muito pra perder. Enquanto eu… Bom, vamos pular esta parte!

Era bom perder horas do nosso tempo livre abundante da infância com aqueles jogos de simulador. Nossa, perdi a conta de quantos títulos eu joguei! Só da linha Sim foi: SimAnt, Simcity 2000, SimEarth, SimFarm e claro The Sims, o ápice da Maxis. Perdi muito tempo nos “lags” de Zoo Tycoon 2 por causa da minha máquina lenta. Mas Ah! Quem liga? Ainda tinha os geniais games de construção da Sierra, entre eles o grande Caesar III…

“Cidadão, esta cidade precisa de mais trabalhadores!”

Já tinha perdido a conta de quantas vezes havia ouvido esta frase enquanto os prédios clamavam por mão de obra. Me divertia muito tentando impedir as cidades de quebrarem, tentando fazer Caesar feliz ou repelir as hordas de elefantes ferozes. Cara, eu passava tardes nisso… Lembro que demorei dias para passar desta missão que contava sobre as Guerras Púnicas.

Deixando estas divagações que surgiram de lado (não foi a intenção), digo que antigamente víamos uma geração mais saudável, onde não havia essa “doença” de ficar horas e horas jogando online para liberar achievements. Era uma geração que só se importava em sentar no sofá (ou na cadeira, como é o meu caso) e curtir as horas de falhas e acertos afim de zerar um jogo, seja ele na raça, ou consultando um detonado ali numa revista ou mesmo num site, dependendo da época que falamos.

Sério, eu não consigo ver diversão em ficar horas procurando liberar um valor booleano numa variável qualquer (leia-se achievements, quem é programador entendeu). Se eu pego num jogo, geralmente é para curtir o que a história e o gameplay dele tem a oferecer, não é ficar me torturando tentando passar 100 vezes da mesma fase ou perder horas de sono para pegar level máximo com todos os personagens.

Hoje, essa juventude sai de casa (aliás, nem sai, olha o Steam ai) para comprar um Call of Duty da vida e já corre para jogar o multiplayer sem nem ao menos dar a mínima de experimentação da campanha. Ou ainda tem aqueles que vão tentar zerar o jogo o mais rápido possível só para postar no Twitter que ele conseguiu zerar o jogo antes de todo mundo. E então, simplesmente, ele joga de novo para pegar os botões coloridos.

E isso fica num ciclo vicioso. Sai Call of Duty todo ano. Sai Assassins Creed todo ano. E os jogos “únicos”, daqueles que você sabe que são especiais só de bater o olho sempre ficam ali na espreita, saindo de vez em quando, vez ou outra.

Alan Wake é um exemplo bom disso.

É um game que eu só via o nome, e nem sabia do que se tratava, até que certo dia me bateu a curiosidade e resolvi testá-lo. Não me arrependi, zerei, curti cada momento da história, da construção dos personagens e dos momentos tensos sem munição. Longe daquela algazarra chata que os jogos online se tornaram hoje em dia.

E por falar nisso, hoje em dia não consigo me ver mais jogando um MMORPG. Joguei muito Tibia no passado, que para mim foi o melhor game do gênero. Foi. Não sei se continua sendo. Já migrei para outros tantos jogos, Conquer, Wyd, mas todos chatos e mais do mesmo, matar monstro, matar monstro, matar monstro.

Ainda bem que nunca me rendi aos desencantos de World of Warcraft, e até hoje não sei que cor é o jogo, senão provavelmente estaria viciado. Mas olhando de fora assim, é tudo tão mecânico, tão vazio e tão… Pensando bem, as cores dele são preto e branco mesmo.

Se antes eu sentia emoção em ficar com um personagem atacando mob’s em cavernas ou florestas, hoje não vejo mais muito interesse na repetitiva tarefa com o único intuito de “upar” níveis e mais níveis ou pegar equipamentos melhores. Foram bons tempos no passado e grandes histórias, mas ficam por lá mesmo.

E aliás, é nisso que os MOBA se baseiam, repetição e mais repetição nas tarefas. Mas em outro grau, já que há mais estratégia envolvida. MOBA é quase um esporte, só que eletrônico. Joguei muito, mas muito aquele Dota do Warcraft 3. E hoje em dia tenho jogado League of Legends e convivido com uma boa parte podre da sociedade gamística, por assim dizer. Gente sem educação, trolls, egocêntricos e arrogantes.

Jogo LoL para relaxar, coisa que nem sempre consigo quando pego alguns destes sujeitos em partidas casuais. O que está me afastando cada vez mais do game. Quando saio de uma partida, vitorioso ou não, mas contente de ter feito minha parte no jogo por um bom time, é uma sensação legal, mas ao mesmo tempo de que de alguma forma estou perdendo meu tempo naquilo.

Um amigo meu uma vez disse que se você faz tudo que um game online tem a oferecer, você zera ele. Eu discordei sumariamente. Há N argumentos contra isso. O máximo que você atinge ao fazer tudo que um MMORPG, por exemplo, tem a oferecer é sensação que você deve ter gastado uns 4 anos de sua vida a toa.

Se você zera um jogo, você atinge a experiência de toda uma jornada planejada pelos programadores, sendo ela de jogabilidade e/ou história. Você passa pelo que o protagonista passou, você sofre com medo que aquele coadjuvante tão carismático saia do jogo. Nada disso existe em jogos online, aliás a experiência é bem diferente.

Hoje, tenho orgulho em dizer que tive uma boa infância jogando games dos que já citei acima e tantos outros que me melhoraram como gamer e pessoa. Seja aprendendo um pouquinho de raciocínio ali com um Agezinho, ou aprendendo o meu inglês com alguns RPG’s do SNES. Bem… Se há uma coisa que eu aprendi foi deixar os outros fazerem o que querem, se elas não estão me fazendo nada. Se querem ficar na sua rotina excitante nos joguinhos de tiro online… Ótimo! Eu prefiro ficar aqui com meus RPG’s mesmo. Mas é inevitável que fica uma pergunta no ar… O que as pessoas aprendem hoje?

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Raphael Meltoh

Bio: Gamer desde a infância, mas precisamente desde os 5 anos. Amo séries (comecei pela influência de Lost), e animes. Jogador de RPG e apaixonado por cinema. Descobri recentemente também o gosto por HQ's. Ah! E é claro, fã confesso de Phoenix Wright!
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