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#PdR – O Aranha de Raimi e Batman de Nolan!

Aquecimento para os novos filmes!

(Por Pierri Eduardo)

2012 é um ano muito importante para o Aranha e o Cavaleiro das Trevas como todos sabem, pois respectivamente dá início e conclui trilogias. Antes de assistir os novos filmes, resolvi rever tudo dos heróis calmamente, até porque, ao contrário de muita gente, não assisti os filmes repetidas vezes (no máximo duas vezes cada um) e muitas cenas não estavam frescas na memória. É importante deixar claro que não sou grande entendedor dos personagens nos quadrinhos, apenas vi alguma coisa de revistinhas emprestadas. Bom, o texto a seguir é uma simples conversa a respeito dos filmes e um pouco de esperança sobre o que virá a seguir para os personagens. Se você ainda não assistiu algum dos 5 filmes (os três do Aranha e dois do Batman), talvez seja melhor parar porque haverá spoilers.

Não parece, mas já faz 10 anos da estreia do primeiro Homem-Aranha do Sam Raimi. Todos nós éramos crianças ou adolescentes, alguns inclusive indo no cinema pelas primeiras vezes (na minha cidade da época, o cinema foi construído pouco antes da estreia do filme), e por conta desses e diversos fatores, os “óculos de nostalgia” impedem que nos lembremos direito de tudo. Não que Homem-Aranha seja ruim, pelo contrário. Mas há algumas coisas datadas e até algumas inconsistências, que reassistindo tudo hoje, dá pra perceber. O principal de tudo, que constrata muito do primeiro para o segundo filme, são algumas técnicas de direção, que eu, claro, não sei falar com propriedade a respeito, mas que mesmo como leigo dá pra notar a diferença.

O segundo filme parece mais grandioso pois há mais cenas filmadas “longe” dos atores, enquanto que no primeiro há cenas com todo mundo bem próximo, dando a noção realmente de um estúdio. No primeiro filme há fade-outs, que é aquele efeito da cena desaparecendo enquanto a próxima vai aparecendo. Um efeito bem “anos 90”, afinal de contas, os anos 2000 apenas começavam. Mas o que se sobressai no filme são cenas emocionantes como a morte do tio Ben, a parte divertida quando Peter descobre os poderes, o beijo de ponta-cabeça (que virou cena clássica do cinema) e quando tia May está rezando e o Duende Verde vem sequestrá-la mas pede com que termine a oração. Ainda sobre escopo de filmagens, a “spider cam”, aquela que vai subindo e descendo pelos prédios como se fosse a visão do Aranha, aparece em uma única cena no primeiro filme, sendo bem mais usada nos seguintes.

Mas essas são apenas algumas diferenças visuais. Há outras diferenças conceituais, como por exemplo: da primeira vez que o Duende Verde vence (temporariamente) o Homem-Aranha, ele o leva para um telhado, espera que Peter “acorde” e propõe uma aliança. Há 10 anos atrás isso pode ter parecido normal e fiel ao personagem, mas hoje, a partir do que é montado em outras cenas, é algo que parece contra o espírito do Duende, feito apenas para dar continuidade ao filme. E falando sobre o vilão, as cenas de ação seguem aquela filosofia de “câmera próxima” na maioria do tempo (a luta final que o diga), sem muitas grandiosidades. O que muda drasticamente para o segundo filme, inclusive com aquela cena que eu considero a melhor entre os três filmes: quando o Aranha salva o trem desgovernado e a população o vê sem a máscara e o defende do Dr. Octopus. O segundo filme, aliás, é o meu preferido dentre os três, pois tem mais ação que o primeiro (algo que na minha opinião não pode faltar em um filme do Homem-Aranha) sem virar uma coisa louca como muitas vezes é o terceiro filme. Mas mesmo assim algumas partes me incomodam um pouco, principalmente na mudança drástica demais do Dr. Octopus de bom para mau. As razões parecem ser duas: a morte de sua esposa e o circuito inibidor da inteligência artificial dos tentáculos; esses dois pontos poderiam ser mais enfatizados para que o vilão parecesse mais plausível.

E o terceiro filme? Escrachado por muitos, inclusive tido algumas vezes como a razão pelo reboot atual que veremos em breve. Reassistindo calmamente eu pude ver que ele não é tão ruim como eu lembrava, mas sim ainda bem divertido. Só que, realmente, em um nível abaixo dos dois primeiros. O problema principal que pude constatar é que, justamente em razão da maior crítica (muitos vilões), o filme parece feito de diversos pequenos atos, que vão se perdendo na mente de quem assiste. Parece como assistir uma temporada inteira de uma série do Homem Aranha em pouco menos de duas horas. Digo pouco menos porque o que se segue nos minutos seguintes, para completar mais de duas horas, é aquela luta que provavelmente é o que muitos lembram quando pensam no terceiro filme: Aranha e Harry contra Homem-Areia e Venom.

É tudo muito ágil e bonito de se ver, com níveis de grandiosidade que beiram o absurdo (algumas vezes até transcendem esse limite, hehe), mas exige muuuita suspensão de descrença, e não digo isso nem pela exibição de poderes. Acontece que para gerir tantos personagens em tela ao mesmo tempo, alguns deles somem durante longos períodos (longos para uma cena desse tipo) e aparecem convenientemente depois. O Venom, aparentemente tão poderoso, some por tempo demais depois de levar umas pancadas teoricamente simples do Aranha. Nessa luta há uma cena muito legal, que é quando o Venom prende o Aranha enquanto o Homem-Areia dá pancadas com sua mão gigante e a população vai sentindo que o Aranha vai perder. Quando essa luta termina, há uma grande inconsistência, que é quando o Aranha destrói Venom quando uma bomba do Duende (o som foi usado apenas para atordoá-lo) que minutos antes atingiu Harry em cheio e apenas o deixou com uma cicatriz. Outra cena muito legal do filme é quando o Aranha tenta se desvencilhar do simbionte na torre da igreja, parodiando a cena clássica dos quadrinhos.

Pena que, em mais uma falha (ao meu ver), o Eddie está convenientemente ali rezando (o que isso tem a ver com o personagem?) e é então dominado pelo simbionte. Logo a seguir há uma falha de edição no filme, que é quando o Venom (Eddie já dominado) faz uma aliança com o Homem-Aranha já sabendo sobre a filha dele, algo que Eddie teoricamente nem fazia ideia. Pesquisando a respeito eu descobri que em uma cena cortada do filme, Eddie descobre sobre a filha doente do Homem-Areia. Por fim, a pior parte do filme: a rendeção do Homem-Areia. Ele só precisava levar umas pancadas, não podia ter aquela conversinha rápida com o Aranha antes da luta? Hehe, claro que não, pois a luta é conveniente para o filme. Aliás o Peter preferiu ficar conversando uns minutos com o Homem-Areia do que descer uns andares para salvar o Harry (que havia levado um golpe mortal, mas Peter não sabia ainda que o amigo estava morrendo). Sobrou para a Mary Jane. (Mary Jane que aliás mais uma vez usou uns movimentos dignos de Mulher-Aranha saltando entre os veículos presos na teia do Venom.)

Já falei demais? Mas ainda queria falar sobre Batman, hehe.

Batman: Begin, Fall and Rise!

É praticamente unânime a opinião de que Batman: O Cavaleiro das Trevas é excelente, mas e Batman Begins? As críticas foram ótimas, mas não foi tão avassalador quanto sua continuação. Talvez por isso é que foi tão gostoso revê-lo. É um filme melhor ainda do que eu me lembrava. A ênfase no Batman e em Bruce é muito maior, ao contrário da continuação em que talvez o Joker tenha até mais tempo de tela que o herói. Bom, claro, afinal Batman Begins é uma história de origem, hehe. A qualidade que vou falar a seguir pode ser por conta de eu não conhecer tão a fundo o personagem, mas tem uma certa estranheza (no bom sentido) em ver Bruce treinando no oriente e ser convidado a fazer parte da Liga das Sombras.

É algo que não se espera do personagem (pelo menos pra quem tem aquela imagem meio cartunesca do Batman, a partir de desenhos e filmes antigos), e isso é bom. Na verdade, tudo o que eu tenho a falar sobre Batman Begins são elogios, exceto uma única coisa. Na continuação de 2008, é colocada muita ênfase na dualidade entre Batman e Coringa, em como um é ordem e o outro é caos, e basicamente no fato de que o Joker é assassino louco enquanto o Batman se recusa a matar até mesmo seu inimigo. Bom, voltando ao Batman Begins, em uma das cenas finais, Batman percebe que o trem vai sair dos trilhos e deixa Ra’s Al Ghul ali mesmo, sabendo que será morto. Não era uma inconsistência na época, mas a partir de tudo o que se viu na continuação, passa a ser.

Batman: O Cavaleiro das Trevas é o filme mais recente de todos, deveria ser o mais fresco na memória e então o mais fácil de ser reassistido, sem muitas surpresas. Acontece que ele é tão bom que mesmo assim foi o filme que assisti mais “apreensivo”, na ponta da cadeira, preso aos personagens. Também pudera, tudo começa com aquela cena genial do assalto do Coringa, com o efeito dominó entre os capangas. E não muito tempo depois, a piada do lápis. Dentro desses poucos minutos deu pra constatar tudo o que falavam sobre a interpretação do Heath Ledger; realmente é algo que transcende uma atuação, um dos melhores trabalhos de ator que já assisti em qualquer filme, não só de heróis.

O que eu mais gosto nesse filme é que o universo está mais plausível do que nunca, dá para facilmente imaginar um Batman e os vilões de verdade, sem suspensão de descrença. Tanto é que nem teve espaço para o Espantalho e sua droga que precisava daqueles efeitos na tela. O tom realista do filme atingiu até a trilha sonora; para colaborar com o teor sério do filme, o tema do Batman toca bem menos que em Batman Begins. É legal ver o Batman ninja como sempre, se escondendo nas trevas durante a cena do interrogatório do Coringa, mas ao mesmo tempo apanhando de cachorros em duas cenas. Só tiraria o Bat-Sonar, que pelo nome deve ser algo vindo dos quadrinhos, mas pareceu meio deus ex machina (artifício para salvar a história) para encontrar o Coringa.

A respeito dos novos filmes, as esperanças são diferentes. Em se falando do Aranha, espero que reduzam um pouco o escopo das coisas (menos grandiosidade em comparação ao Homem-Aranha 3). Felizmente, parece que é exatamente isso que vai acontecer. Um Peter mais novo, não só o ator, mas também o próprio personagem. Mudaram também a namorada, o que ao meu ver foi outra escolha acertada. Nada específico contra a Mary Jane ou a favor Gwen, mas é que já vimos tanto de MJ na trillogia Raimi que uma mudança de ares nesse quesito pode dar certo. Claro que a Gwen Stacey aparece em Homem-Aranha 3, mas na prática acabou sendo mais um personagem na festa de nomes que era aquele filme, hehe.

Sobre o novo Batman, tenho medo. O filme de 2008 é tão bom que mesmo seguindo com a mesma equipe e atores, acho difícil permanecer no mesmo nível. Outro medo é a respeito da presença da Mulher Gato. Não gosto muito da personagem, mas talvez seja culpa mais uma vez da minha inexperiência com o mundo dos quadrinhos. A verdade é que provavelmente o Nolan fará bom uso da heroína. O triste é pensar mais além e imaginar o próximo filme de Batman. Porque, claro, haverá um próximo, e não será nesse universo que aprendemos a gostar desde Batman Begins. O Nolan já deixou claro que não continuará, e com isso imagino que Christian Bale também não. Tudo que é bom (ou no caso, ótimo) acaba, né?

Bom, é isso. Esses foram meus pensamentos enquanto reassistia os filmes do Aranha e do Batman? E os de vocês, quais são? Discordam de algo? Lembram de alguma coisa diferente dos filmes para comentar? E o que esperam dos novos filmes?

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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