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Os Sete | Uma caravela de 500 anos e vampiros portugueses! (Indicação & Trechos)

No momento em que começo a escrever estas impressões estou iniciando o capítulo XI de Os Sete, romance nacional de André Vianco, que está sendo relançado nas livrarias, desta vez sobre a tutela da Editora Aleph. Sim, a mesma Aleph que anda apostando muito em livros de ficção científica nestes últimos anos, dentre clássicos (Pedra no Céu, Neuromancer) como livros da literatura moderna (Guerra do Velho).

Então é bacana ver a aposta da editora em um livro de suspense sobrenatural, especialmente em uma obra nacional. André Vianco chegou a publicar o romance de forma independente lá no já distante ano 2000, depois conseguiu que o mesmo fosse publicado pela Editora Novo Século. Agora, em casa nova, a Aleph pretende republicar toda a saga, sim porque Os Sete é só o primeiro livro de uma série de livros. Por sinal, a sequência veio rápida, pois Sétimo já está à venda nas livrarias, tendo sido lançado há alguns dias atrás.

Abaixo, um trechinho do prefácio que Vianco escreveu para esta nova edição:

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Livrão!

Diferente de outros livros da Aleph que andei lendo ao longo deste ano, Os Sete é um livro razoavelmente grosso, com aproximadamente 400 páginas. O texto nas páginas ocupam quase todo seu espaço, com margens bem estreitas em relação a outros livros na qual andei lendo.

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Levei um tempo considerável para ler os primeiros 10 capítulos do livro. Muito mais do que normalmente estava levando com outros livros ao longo destes últimos meses. Foram 130 páginas e ainda não arranhei completamente a superfície da trama. Gostaria de ter lido mais dele antes de vir aqui escrever a respeito, porém com o lançamento do segundo livro, achei que não poderia adiar por muito mais tempo esse compromisso.

Porém isso também não é um problema, afinal sempre volto para falar mais sobre os livros que ando lendo, já que os devoro em um sistema de rodízio, pausando um em detrimento de um outro, sempre renovando e não deixando que os mesmos me cansem pelo sentido de urgência de terminá-los. Leitura apressada é sempre inimiga de um bom livro.

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O caso é que também já li o suficiente para gostar de Os Sete, então posso comentar um pouco sobre a sua trama e o que venho gostando dela até então.

A caravela portuguesa que esconde um segredo… um bem ruim!

A história se passa nos tempos modernos, em Amarração, cidade praiana do litoral do Rio Grande do Sul. Aliás, descobri que Amarração de fato não existe (ou ao menos para o Google, já que não consta nada nele), mas o nome e o lugar são tão convincentes no livro que o autor me convenceu de que poderia existir um lugar assim no Brasil com tal nome. E é meio que total nome de cidade brasileira que facilmente passaria em uma novela de litoral na televisão, não? Se não tivesse procurado, jamais teria descoberto que Amarração não existe.

Tudo começa com uma dupla de amigos, César & Tiago (esse nome sem ‘H’ me soa tão estranho) que curtem mergulhar no litoral da cidade em busca de tesouros arqueológicos. Eles já fizeram achados e ganharam uma grana com isso. Então meio que possuem experiência na parada. Até que ambos encontram essa caravela, totalmente esquecida no tempo, repousando no fundo do mar, totalmente lacrada, como se estivesse sepultada justamente para nunca ter sido encontrada.

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Não vou dar mais detalhes dos eventos, pois parte do entretenimento inicial do livro é deixar o autor descrever e trabalhar estes personagens, que nesse primeiro momento, são os protagonistas da história. São eles que vão dar o pontapé inicial para eventos que mudarão toda a perspectiva de realidade da pacata cidade de Amarração. Basta saber que dentro da misteriosa caravela há uma caixa selada, com inscrições ainda mais misteriosas e que obviamente em determinado momento da trama ela será resgatada e aberta! Dentro dela? Bem, você pode imaginar vindo de um livro com a promessa de haver vampiros, certo?

Abaixo, trecho bem do início do livro, hora de mergulhar e procurar como entrar na caravela…

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O que me agradou neste início do livro é que a obra não é como as histórias mais modernas da literatura ou de outros meios de entretenimento com vampiros dessa geração. Não se trata de humanos adolescentes ou jovens vampiros e aquela romantização açucara da lenda e de como os próprios vampiros vão se relacionar com o núcleo de humanos da trama. Esqueça tudo isso! Felizmente não há nada disso em Os Sete (ao menos por enquanto, mas nada indica que isso vá mudar ao longo da obra, se acontecer volto correndo aqui para avisar).

André Vianco trouxe uma excelente ideia de como tornar os vampiros atraentes aqui no livro. Não posso dizer sobre todos, pois até onde li apenas dois estão de fatos acordados, e o processo de como o primeiro vai despertar ao longo destes primeiros capítulo é deveras instigante, prendendo o leitor na leitura até que o evento de fato ocorra. E tudo indica que estes vampiros possuem habilidades especiais, cada um um tipo específico. Darei a pista que o livro dá em seu começo no próximo parágrafo.

Na caixa selada há sete palavras: Inverno, Lobo, Tempestade, Gentil, Espelho, Acordador e Sétimo. O despertar do primeiro vampiro resulta em um estranho fenômeno climático na cidade de Amarração. Uma frente fria jamais vista na cidade ocorre, a ponto de nevar em um lugar que jamais viu neve. Inverno é o primeiro vampiro a despertar! E se ele pode fazer isso, o que os demais podem fazer? Instigante, não?

https://www.instagram.com/p/BMm360qhOp1/?taken-by=portallos

Eu, particularmente, gostei da ideia de fazer algo diferente em torno do mito dos vampiros. Soma-se ao fato de que são vampiros oriundos de Portugal, dos tempos da colonização, há mais de 500 anos atrás. É de se esperar que falem o português de Portugal, e que irão ficar impressionados com a forma como a humanidade evoluiu desde que caravelas eram a forma mais rápida de através continentes.

Quer dizer, eu já li o despertar do primeiro. Sei como será essa reação, mas não quero descrever aqui (ainda). É um momento excelente do livro. Então por ora, apenas posso atiçar a curiosidade.

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Suspense, ciência e algo mais…

Outro elemento de Os Sete que me agradou é a forma como os eventos iniciais são conduzidos na trama. César e Tiago encontram a caravela, a caixa e os vampiros, mas não é como aqueles típicos filmes de terror, com os caras colocando o achado na sala de suas casas e aí é só gritaria com gente correndo em círculo. Nada disso.

Parte desse início da trama é dedicado a criar um cenário na qual pesquisadores e envolvidos no meio acadêmico científico vão até Amarração, improvisam um pequeno laboratório e de lá todos os eventos sinistros vão acontecer. Sempre com personagens da ciência questionando como algo assim pode acontecer. Demônios, magia e o próprio sobrenatural podem ser explicados pela ciência? Há ótimos diálogos no livro contendo tais discussões.

— Abaixo: o aviso para não abrir a misteriosa caixa… mas a ciência é curiosa, não?

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Até mesmo elementos que normalmente não me agradam em obras de ficção como religião vão surgir aqui, mas a forma como surge é inesperado e só levanta pulgas atrás das orelhas. Então esse elemento também me ganhou.

Dito tudo isso, minha única observação a respeito da proposta do livro é uma incógnita de quem serão os protagonistas reais aqui. César e Tiago são importante aqui no começo, mas logo percebo que assim que (o vampiro) Inverno despertou, parte da história passa também contar sua perspectiva das coisas. Após os setes despertarem, e imagino que vão, qual será a importância dos humanos a trama proposta? Há uma curiosidade nesse aspecto, e só vou descobrir mais à frente do livro. Não acho que me importo com o núcleo humano a ponto de torcer para eles ficarem vivos até o final do livro… mas ainda não sei se isso é um aspecto negativo.

Vale indicar?

Assim, após o primeiros 10 capítulos e 130 paginas, estou curtindo bastante Os Sete. Muito mais do que inicialmente achei que curtiria. Não porque não curta literatura nacional, pois curto pacas, mas porque normalmente me sinto mais compelido a ler obras de ficção científica ou fantasia fantástica ultimamente. E mesmo que OS Sete tenha um pouco destes elementos, me parece uma obra voltada mais ao suspense e terror. Já topei com uma passagem do livro que tem essa pegada mais terror, e gostei. Fiquei intrigado com o momento. Seu trecho está abaixo. Porém não vou explicar muito o que está acontecendo nele. Novamente, é só para atiçar a curiosidade.

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Por fim, estou gostando do texto do André Vianco. Existe um prefácio do autor antes do romance começar nesta versão da Aleph, na qual ele conta um pouquinho mais de si e de sua carreira (trechinho lá do começo desta matéria). Esta é sua primeira obra, então é natural que haja elementos narrativos que poderiam ser melhores se o mesmo estivesse escrevendo este livro hoje, já com certa experiência adquirida ao longo de todos estes anos.

Mas todo escritor normalmente começa assim. E não que o livro seja mal escrito, não é nada disso! Apenas há parágrafos realmente enormes (vide o 1º trecho postado lá no topo da matéria), que admito terem me assustado um pouco (as vezes perdia o fio da meada no meio deles e acabava tendo que ler tudo novamente).

Espero continuar lendo as outras obras do Vianco e ver como ele evoluiu em seus próximos livros. Aqui, em Os Sete, a única coisa que poderia soar como uma crítica (e uma bem leve) é que há algumas passagens que normalmente levam mais tempo do que o necessário para serem narradas e descritas. Bobeira minha, claro. Não incomoda em nada isso, mas alonga a leitura, dando a impressão de que a drama demora a gerar frutos. Cria uma expectativa, mas também cansa um pouquinho.

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Independente disso, certamente recomendo a leitura do livro, especialmente para aqueles que procuram uma história que se passa aqui no Brasil, com mistério, suspense e uma visão bem curiosa de como seriam os vampiros se estes existissem e morassem originalmente em Portugal. Qual seria a reação destes seres após uma hibernação de 500 anos e recebessem o impacto do atual mundo moderno? É realmente uma proposta bem diferente dos atuais vampiros açucarados do entretenimento atual. Certamente vale a indicação!

— Abaixo, uma carta de um morador de Amarração reclamando do estranho frio… um ótimo extra antes do livro começar, para já instigar a curiosidade do leitor.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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