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#PdR Como seria se: South Park fosse no Brasil

Uma crítica a cultura brasileira…

(por Gustavo Grangeiro)

Um dos programas de TV que mais assisto com certeza é South Park, as aventuras nonsense de Cartman e seus (não) amigos realmente me fazem rir muito e, também, me fazem imaginar o que aconteceria se um programa como esse se passasse no Brasil e os “homenageados” fossem as nossas celebridades que tanto adoram fazer participações nos mais diversos programas de TV e não perdem uma oportunidade de aparecer.

Interessante, também, imaginar como seria esse cartoon passando durante programação infantil das manhas, a tradução direta possivelmente seria “Parquinho do Sul”, as dublagens deveriam sofrer uma pequena alteração devido a algumas palavras um pouco mal vistas pela sociedade, e algumas cenas seriam cortadas devido à censura moral que ocorre aqui. Ou na seção da tarde, com aquela voz alegre dizendo: “essa turminha do barulho vai aprontar muita confusão pra salvar a escola que está de pernas pro ar”.

Mas, considerando o programa não censurado, e que fosse exibido em “Horário Nobre”, massa mesmo seriam as homenagens àqueles que tanto contribuem para nossa cultura, que são dotados de talento e simpatia globais, aqueles formadores de opinião que muito tem a agregar para nosso conhecimento, sim: nossas amadas celebridades.

Mesmo sabendo que aqui já existem alguns programas cuja especialidade é zoar o barraco dos famosos, parece que falta alguma coisa, falta essência, falta criatividade, falta coragem, e infelizmente falta talento, essa moda do tal humor inteligente se tornou tão piegas, não consigo ver graça em piadas onde chamam os políticos de ladrões, o técnico de futebol de burro, fazem piada com os artistas por não falarem inglês, ou forçar demais uma situação até que receba uma bela agressão moral ou física, gerando um sensacionalismo encima disso, é tudo tão redundante, tão genérico. Creio que até os zoados já estão de saco cheio das mesmas piadas.

O diferencial de South Park está na acidez, no ato de colocar o dedo na ferida e fuçar bastante, de fazer sangrar, de mostrar que ninguém é tão mocinho e nem tão bandido, de tratar cada um dos “homenageados” de forma única e extremamente surreal, e no final sempre deixa uma bela forma de nos fazer refletir.

South Park é um programa que deve ser visto sem um pingo de hipocrisia ou demais sentimentos baseados no politicamente correto, e sim deve ser visto com bom senso e coerência, de saber que aquilo é ficção e por mais cruel que possa parecer, cada episódio revela um pouco da natureza humana.

Além de imaginar a quantidade de processos judiciais que o desenho receberia quando homenageasse nossos intocáveis seres da mídia tupiniquim, imagino também que ele não seria digerido facilmente pelo grande público adulto, ou devido a uma mentalidade errônea de que desenho é feito pra criança, aumentaria ainda mais o problema, pois, certamente os pais iriam colocar as crianças para assistir esse petardo antes de dormir.

Acho que no geral, além do preconceito e da hipocrisia, o que impera também é falta de ética, de discernimento, vejamos, por exemplo, o fatídico episódio dos Simpsons que eles viajam ao Brasil, gerou uma revolta geral, protestos e campanhas para que o episódio não fosse assistido por ninguém, devido ao fato de ser mostrado um Brasil que não é agradável de se ver. Ok é triste, sim, porém é mais fácil protestar e boicotar do que refletir, buscar a causa raiz do porquê eles possuem essa imagem do Brasil, enxergar essa situação como um tapa na cara (ou um combo) e tentar reverter, mudar a forma de como somos vistos lá fora.

Estamos vivendo uma situação interessante economicamente, e sim, isso é ótimo, porém, não podemos esquecer que um país forte é feito por pessoas fortes, honestas, corretas, que se preocupam com política, com o estado, com a nação, com o futuro, que tratam futilidades como futilidades, reagem de forma sensata diante de uma crítica, que sabem conviver com as diferenças, e que bom senso é o melhor remédio contra a falta de inteligência.

Iniciei esse post para ser uma crítica a TV brasileira, porém creio que o assunto englobou uma gama maior da sociedade, e se alguém se sentir ofendido por esse texto, espero que saiba como reagir.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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