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Tem mangás demais nas bancas, cacete!

Mercado esfolando o pobre bolso do colecionador de mangás?

E pra ler tudo? O_o

E esse fato não aconteceu do dia para a noite. Faz já algum tempo que tem mangá demais sendo lançado no mercado brasileiro e a gente não consegue ler ou acompanhar nem metade do que vem saindo. Quantos mangás você coleciona? E agora quantos mangás você gostaria de colecionar? O resultado dessa pergunta é que você coleciona menos títulos do que gostaria? Faz sentido. Acho que essa guerra de títulos nas bancas começou com a ascensão do Planeta Mangá (divisão da Panini) e a chegada de títulos como Naruto e Bleach. Depois desses dois a coisa não parou mais. Não estou dizendo que são os melhores, mas pra mim foram os títulos que abriram as porteiras, depois de um tempo meio complicado onde com a Conrad estava metendo o pé na jaca e cancelando One Piece e afins.

Atualmente a JBC e a Panini se estapeiam nas bancas por espaço e os títulos não param de ser lançados. É bem verdade que deram uma diminuída nos lançamentos esse ano, mas ainda assim foram lançados novos mangás e daquele naipe que faz você querer ficar sem o trocado pra merenda escolar pra poder gastar na banca de jornal. Esse ano meio que o foco foi lançar reprises. Títulos de sucesso que já saíram por aqui, mas que já estava mais do que na hora de saírem de novo para uma nova geração. One Piece, Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Neon Geon Evangelion, Sakura Card Captors entre outros. E olha que nem todos ainda foram lançados. Eu, por exemplo, aguardo ansiosamente por Yu Yu Hakusho. Estes veteranos de guerra acabam sendo imprescindíveis para todos aqueles que não compraram tais títulos pela primeira vez. Sem contar que estão saindo por aqui em formato original (mais ou menos), com seus volumes completos e não mutilados como eram no passado.

Não que eu seja contra diversidade e variedade. Entendo que existem gêneros dentro do universo dos mangás (ainda que não faça questão de aprender mais sobre isso), mas no final das contas, em minha opinião: mangá é mangá. O gênero não vai importar pra mim enquanto as histórias forem boas ou pelo menos divertidas. Não importa se é mangá de porradeira, safadeza ou pra meninas. Porque se eu levar pra esse lado, acabaria tendo que classificar traço, que pode diferir tanto entre um mangá e outro. Tem que goste de traço realista, tem tenha pavor de traço caricato e aí o gênero não importa em nada. Então com mangás demais nas bancas, mesmo dentro de certa variedade, acabam um título prejudicando as vendas do outro e não é difícil imaginar que estes títulos muitas vezes são de uma mesma editora e dentro da variedade que a mesma proporciona. Kekkaishi está aí para mostrar isso, um excelente mangá e ignorado, dentro de um público consumidor que já se satisfaz com títulos como Naruto, Hunter X Hunter e Bleach. Pode-se dizer que D.Gray-Man tem esse mesmo problema: um bom mangá, mas ninguém da muita bola (no sentido daqueles que compram nas bancas, não os que lêem na web).

É o mesmo conceito pelo qual as publicações de super-heróis são publicadas em mix de títulos no Brasil, os famosos medalhões. O mercado não sustenta o formato americano, que inunda as comics shops com centenas de revistas da Marvel e DC todo o mês nos EUA. Aqui não tem como publicar tanta revista fininha. Uma acaba massacrando a outra. Não dá pra colocar um Batman pra competir com um Homem Animal, mesmo que ambos tenham uma boa qualidade. Num formato assim, muita revista boa e mediana encalharia nas bancas por causa dos títulos AAA da linha, independente se é Marvel ou DC. Claro que existem outros fatores, mas esse é um deles. Com revistas demais da mesma linha nas bancas, um título mata outro menos popular, mesmo que este tenha qualidade. Pra mim é isso que vem acontecendo com os mangás que estão sendo lançados por aqui.

Há que se levar em consideração ainda o preço de um mangá, que já extrapolou a marca dos 10 reais. Uma publicação extremamente elevada, onde se você coleciona 10 títulos mensais, vai ter que desembolsar mais de 100 pratas por mês. Aí não dá. O preço do produto, agregado com a quantidade oferecida, não ajuda em nada o colecionar. No mínimo consegue afastá-lo. Com 100 patacas você faz coisa melhor que ler 10 mangás, não consegue?

Tanto é que a JBC e a Panini meteram o freio nos lançamentos de mangás inéditos por aqui. Demorou pra cair à ficha que colocaram coisa demais no mercado, que é pequeno e não comporta tanta coisa sendo vendida ao mesmo tempo. Infelizmente o número de vendas e o tamanho do nosso mercado dentro desse gênero de quadrinhos é um verdadeiro mistério. Temos uma noção de que título X vende bem pela periodicidade dele, quase mensal, nunca atrasando, e de títulos Y que precisariam melhorar, aqueles que logo viram bimestrais, mas saem quase que trimestralmente, atrasam, somem e não possuem muito espaço na mídia. Claro que mesmo dentro dessa lógica há exceções, como a proximidade do título com o Japão e, por isso, desaceleram a janela de lançamento.

Presumo também que se boa parte desse público já consegue os mangás por scans na internet, não é enchendo as bancas com eles que farão a galera sair comprando mangá a rodo. Na verdade acho que acaba criando até um efeito contrário. Os fãs de mangá acabam ficando desestimulados de comprar, sabendo que tem tanto e não dá pra ter verba pra tudo, e ficam pela web mesmo. Geralmente esse pessoal coleciona um ou dois mangás e só. O mercado não trabalha com a idéia de que as pessoas poderiam colecionar muito mais se trabalhassem melhor com essa quantidade ofertada, periodicidade e preço.

Aonde quero chegar com isso? Na verdade não quero chegar a lugar algum. Estou apenas desabafando. Até ano passado conseguia colecionar mais títulos do que meu bolso geralmente agüenta, mas esse ano a coisa meio que extrapolou e fiquei meio perdido. Não consigo mais colocar minha coleção em dia. É coisa demais saindo e que não acaba nunca. E quando um título acaba dois novos acabam surgindo. Talvez você esteja dizendo “pow, seja mais seletivo”. Pois é, talvez seja essa a solução…

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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