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#PdR – A redenção de Marston e Bellic

Porque nem todo herói é bonzinho e tem um passado limpo…

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(Por João Luis Schellerg)

Red Dead Redemption e Gran Theft Auto IV são dois jogos que considero praticamente obrigatórios para quem gosta de vídeo-game (e para quem não gosta também). A Rockstar se tornou mestre na arte de contar histórias. Sou da teoria de que se um dia eles resolverem investir em cinema, o mercado que se cuide, pois eles vão deixar a maioria para trás.

Ambos os jogos tem muita coisa em comum, a começar por seus protagonistas. É difícil os jogos possuírem protagonistas assim como esses dois possuem. Homens de um passado que você não tem muitos detalhes (mas tem noção de que deve ser uma tonelada de coisas ruim, porque faz os personagens serem um iceberg quando se diz a respeito de se relacionar com os outros). Mas com o passar de cada história, eles vão deixando suas antigas vidas de lado e lentamente vão se transformando em algo que não imaginariam que se tornariam e muito menos pensavam em querer ser.

Começando por John Marston, o gatilho mais rápido do oeste. Um personagem muito Clint Eastwood (fisicamente dos tempos em que fazia filmes western e ideologicamente, como a maioria dos filmes do astro). Após obter a consciência que poucos obtêm quando estão fazendo algo, se cansou da vida de crime e queria apenas levar uma vida normal. Nada mais, nada menos. Uma vida onde ele pudesse ir aos lugares, cidades, estados sem as pessoas o temerem (ou correrem).

Semelhante a outro protagonista, Niko Bellic. O Jason Statham iugoslavo dos vídeo-games. Cansado de sua vida na Rússia, onde cresceu cercado pela fome e violência, ele resolver seguir os passos de seu primo Roman e também parte para a América, terra da oportunidade. Mas, a vida nem sempre é como esperamos. Niko não encontra a vida que queria e muito menos as oportunidades que queria. Assim como John, Niko queria apenas desfrutar do anonimato.

Mas a vida às vezes é complicada porque infelizmente acabamos dependendo de outras pessoas. Nem sempre são as pessoas certas. Tanto John e Niko acabaram cruzando o caminho de pessoas más, ruins e cruéis. Elas em muitas situações tomaram o controle da vida dos personagens, obrigando-os a ter de tomar atitudes extremas para ganharem de volta algo que nunca deveria ser tirado deles, a liberdade. E quem não faria o mesmo na vida real? Quem não lutaria contra tudo e contra todos para poder ter o que esses homens queriam? Muitas pessoas não conseguem compreender porque nascem onde Marston e Belli queriam estar.

Porém a vida não é só crueldade. Assim como existem coisas boas, existem pessoas boas. E elas também cruzam o caminho dos nossos heróis. Sem elas, seria impossível eles terem forças (e recursos mínimos) para conquistarem seus objetivos. Conseqüentemente, se envolver com pessoas do tipo de John e Niko tem um preço muito alto e nem todos estão dispostos a paga-lo.

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Outro fator em comum entre eles é o fato de ambos não terem medo. Eles têm no máximo um mau pressentimento, mas medo jamais. Seja a situação que for, eles conseguem ter o sangue frio necessário para sair do que se meteram (ou do que armaram para eles). Não sentem remorso, ansiedade, tristeza, insegurança.

São personagens que vivem 95% do seu tempo para seu objetivo. Claro que a vida (essa malandra) da uma folga para eles e até dá a oportunidade deles aproveitarem algo que existe no mundo, como uma pequena partida de poker, de sinuca ou de dardos. Mas em contrapartida, o número de tarefas a serem feitas às vezes parece tender o infinito. O número de pessoas pedindo favores e dizendo que são capazes de darem o que procuram também parece não ter fim.
A cada esquina John e Niko tem de não somente vencer a inúmeros inimigos, diversas situações, uma cidade inteira, um estado inteiro, a policia, o crime, os vícios, eles tem de vencer a si mesmos. E é ai que eles encontram sua redenção.

Onde eles têm somente a escolha de vencer. Não existe perder como opção na vida. Não existe “se”. Simplesmente “é” ou “tem que ser”. São homens parecidos, de épocas totalmente diferentes (mas se você olhar bem, nada da época de um mudou para a de outro) e iguais na maneira de lutar. Lutam por algo maior do que suas vidas. Lutam por um significado. Por um sonho. E muita gente não compreende isso.

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Pode parecer um exagero, mas quantas pessoas ai fora não vivem uma história parecida com a desses dois e nós nem ouvimos falar? Não precisam ser parecidas com a trajetória dos dois nos jogos. Troque os inimigos humanos pelos inimigos mais comuns que atacam e dominam nossa sociedade. Desemprego, fome, dívidas, intrigas, traições, entre tantos outros. Quantas dessas passam por nossas vidas e nós não fazemos nada, porque não estamos no controle delas assim como estamos à hora que queremos dos homens mais procurados no oeste e em Liberty city? A verdade é, em algum ponto da vida, as pessoas foram obrigadas a serem quem elas não queriam ou sabiam para enfrentar uma situação. E elas foram por um instante John Mastron ou Niko Bellic.

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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