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#PDR – Wado

Você conhece?
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(Por Lucas Tillwitz)

O progresso das mídias sociais e da tecnologia foi um grande divisor na maneira com que nos sociabilizamos. Não há limites geográficos e culturais para mentes insaciáveis por informação. A maneira de pensar também foi mudada. Hoje, a organização de tribos e comunidades com pensamentos em comuns é muito mais viável do que antigamente. Viável e perigosa. 

Estas aglomerações de mentes com pensamentos e quereres em comuns pode culminar em grande troca de saber pelos seus “integrantes”. Perigoso é, quando estas mesmas pessoas substituem o pensamento crítico pelo pensamento ou ideias do meio em que faz parte. Prova disto, é que ao dar uma rápida olhada em qualquer rede social consegue-se ver vários posts que falam da “vergonha da cultural nacional”. Estes dias estava dando um rápida olhada no meu mural e várias postagens falavam sobre como o Brasil era um lixo, culturalmente falando, em relação a outros países. Também pudera, era encerramento das Olimpíadas em Londres: um prato cheio para os pseudointelectuais.

As postagens iam desde “Certeza que o Brasil vai chamar o Michel Teló pra cantar no encerramento. Vergonha, Brasil.” até “Queria o Renato Russo mostrando como é que se faz!”. Sempre com um português impecável, afinal, a Cartilha Hipster assim manda. Aliás, esses tipos de discursos não são recentes. Esse fenômeno de rejeição a tudo que é tupiniquim (e novo) veio junto com o boom cibernético. A questão é que o Brasil já foi muito rico, tratando-se de cultura. E, uma surpresa: continua sendo! Oh!

Não sei se por preguiça, ou se para parecer mais descolado, mas é aparente que essas pessoas não usam de forma eficiente a internet. Se usassem, poderiam descobrir todo o dia um novo artista. Quem sabe um artista brasileiro. Quem sabe um artista brasileiro foda de bom!

Foi por uma dessas minhas indiadas na internet que me encontrei com Wado. O nome bastante singular (aqui no Sul penso que seja) já me despertou o interesse. De tão incomum que o nome e a capa do recente álbum, Samba 808, eram, me veio a vontade de escutar o som do cara. E ainda bem que assim o fiz. O embalo das músicas é verde-amarelo na veia. As composições são todas regadas por ritmos de samba, funk, eletro, pop, hip-hop, afrobeat, rock. Uma fusão de ritmos que não cai na desgraça que é o som mais popular e que tocam incessantemente no rádio ou a qualquer lugar que se vá (o popular a que me refiro é o som dos moços de calça apertada e camisa xadrez).

Além disso, as composições por si só são belíssimas. Wado (ou Oswaldo Schlikmann Filho) se entrega e nos delata a cada composição. São músicas que falam de amor, de dor, do eu próprio, do universo em que os brasileiros estão imersos. Tudo de uma forma lírica, mas frontal e honesta.

Outro fato curioso sobre o artista é a sua forma de se fazer presente na internet. O disco que falei acima não será comercializado em lugar algum. Está todo jogado na web. Você pode ir ao site do cara e baixá-la quando quiser. E não somente o Samba 808, mas toda a discografia do moço. Porque sim, ele já possui uma discografia com seis discos, incluindo o último.

Wado é um dos maiores expoentes da nova safra de cantores do Brasil. Um artista que merece ser ouvido, tanto pela sua inteligência em mesclar música com internet, quanto pela sua musicalidade, que é boa demais. A prova de que o Brasil tem muito artista bom, sim senhor! Vamos parar de babar tanto os estrangeiros e valorizar, ao menos um pouco, o que é bom e da nossa terra? Abaixo, uma das composições que eu mais gosto do rapaz. Nos vemos nos comentários!
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A janela permite ao sol entrar
Portas são pra conter ou deixar passarTodo sol tem sua hora de deitar
É do ofício morrer e ressuscitarQue ao repórter suscite reportar
Sobre o mundo escrever
Seu mundo anular

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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