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Mobile | Impressões de Dead Trigger

Hora de matar uns zumbis!

(Por Pedro Ivo)

Os zumbis podem até ser coisa do imaginário humano, mas é inegável que hoje eles estão em todo lugar: nos consoles de mesa e PCs com Left 4 Dead, Dead Island e os Resident Evils da vida; no portátil da Nintendo com RE: Revelations (sorry, Vita); na TV e nas histórias em quadrinhos com The Walking Dead; nos livros com Guerra Mundial Z e Zumbis – O Livro dos Mortos; no Cinema com Zumbilândia, Madrugada dos Mortos e tantos outros; e quanto aos celulares? Os poderosos smartphones funcionam cada vez mais como extensões do nosso corpo – e inevitável se preocupar ao perceber, tarde demais, que o pequeno foi esquecido em casa. Com o poder de processamento dessa maravilhas tecnológicas aumentando ano após ano, é comum ver pessoas utilizando-os como substitutos dos tradicionais consoles portáteis. Assim sendo, falta um jogo que possa agradar os fãs dos mortos-vivos onde quer que eles estiverem. Ou melhor, faltava: Dead Trigger chegou para saciar essa nossa vontade de estourar os miolos dos semi-mortos através das telas de toque.

A empresa responsável pelo jogo é a Madfinger Games. Não está reconhecendo o nome? Pois então basta dizer que é a mesma empresa responsável por Shadowgun (também voltado para plataformas movéis), um jogaço cheio de ação e com gráficos bonitões. A situação se repete, e a primeira coisa que chamará a sua atenção em Dead Trigger são seus gráficos: o jogo de sombras, a movimentação dos zumbis (feita totalmente com uso de captura de movimentos!), a iluminação, a beleza única do design de cada arma, e por aí vai. Veja por si próprio! E o melhor é que não é necessário um smartphone top de linha para aproveitar tudo o que o jogo tem a oferecer. Meu celular é um Motorola Defy+ (que está bem abaixo de outros mais modernos como o iPhone 4S e Galaxy SIII tanto em desempenho quanto em preço) e ainda assim o game rodou bonito na telinha. Mas é claro que quanto mais potente for o seu aparelho, mais bonito o jogo será – e vale lembrar que há recursos gráficos ativados apenas nos dispositivos equipados com o potente chipset Tegra 3 da Nvidia.

Dead Trigger tem uma história bem manjada: em 2012 houve de fato um apocalipse, a grande maioria dos dos seres humanos tornou-se criaturas horrendas com o único objetivo de devorar quem sobrou – e adivinha quem está na mira deles? Você, é claro. Como um dos poucos sobreviventes, deverá fazer o possível e o impossível para sobreviver nesse mar de mortos-vivos, incluindo aí fazer amizades com outras pessoas que (ainda) não foram transformadas em zumbis. Você irá fazer amizade com o responsável por uma colônia de sobreviventes, tendo que realizar algumas missões para ajudá-lo – mas como não há altruísmo no mundo pós-apocalíptico, você ganhará dinheiro e pontos de experiência ao concluir cada uma. Os pontos de experiência (assim como em qualquer RPG) servem para fazer o seu personagem evoluir de nível; quanto mais alto, maior a gama de armas e itens que estarão à sua disposição. Há duas moedas em Dead Trigger: o dólar e o Gold. O dólar é facilmente adquirido, podendo ser encontrado espalhado pelas fases, ao matar zumbis e também ao concluir as missões; já o Gold é bem mais raro, pois é como a Madfinger lucra com o game. A maneira mais fácil de consegui-lo é comprando com dinheiro real.

Mas está enganado quem pensa que a Madfinger Games é uma daquelas desenvolvedoras mercenárias que força o jogador a gastar dinheiro real. Essa prática é abominada pela empresa de tal forma que é possível jogar Dead Trigger inteiro sem gastar um centavo de dinheiro de verdade! A maior prova de que a Madfinger é gente boa e realmente se preocupa com a experiência do jogador e não apenas com o próprio bolso é que há duas formas de conseguir Gold de graça. Quer comprar aquela arma bonitona, mas que só é vendida por Gold? Pois você pode contar com o sistema “Daily Reward”, que premia o jogador na primeira vez que ele jogar no dia, aí é só contar com a sorte para que o tão sonhado Gold venha entre os brindes (e também não deixa de ser uma ótima forma de deixar as pessoas estimuladas a jogar sempre). A outra forma é apostando no Cassino com fichas (aqui a sorte também conta bastante). Eu acredito que gastei toda a minha sorte de 2012 quando ganhei 80 Gold no Cassino certa vez.

A câmera em primeira pessoa e a jogabilidade frenética não escondem que uma das principais inspirações para este jogo foi a série Left 4 Dead da Valve. A diferença é que em Dead Trigger os cenários são menos extensos e mais apertados; isso aliado ao fato de que saem zumbis de praticamente todos os lugares, cria um combinação interessante: os zumbis nunca param de vir, então é sempre uma eterna dúvida se vale a pena ou não sair do lugar para um que pareça mais seguro, pois no percurso será quase impossível não levar dano dos walkers (como são chamados os zumbis do jogo) devido aos cenários apertados. O grande problema dessa jogabilidade frenética adotada pela Madfinger é (ironicamente?) o “joystick” dos smartphones atuais, as amadas e odiadas telas de toque. Para alguns games como Temple Run e Angry Birds esse tipo de tela é o ideal, mas ela revela seus defeitos ao colocar Dead Trigger para rodar. Joga-se apenas com os polegares, então o negócio fica mais ou menos assim: um dedo fica responsável pela movimentação do personagem (como se fosse o analógico esquerdo de um controle convencional) e o outro fica com a movimentação da arma e mirar e mudar item e usar item e atirar e mudar arma. Pois é, uns botões de ombro fariam a diferença por aqui.

Dead Trigger é mais um ótimo jogo para o catálogo da Madfinger Games. Mesmo numa telinha, os zumbis famintos por carne humana conseguem deixar qualquer um com o instinto de sobrevivência mais aguçado. É uma boa pedida tanto para aqueles que querem matar uns zumbis enquanto esperam pelo ônibus quanto para aqueles que querem se gabar para os amigos frustrados que desavisadamente compraram um PS Vita. Só faltou o jogo ter um sistema de controles mais adequado para a tela de toques. Mas ele está de graça na App Store e no Google Play, então como recusar essa chance?

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Rackor

Gamer de fliperamas aos consoles, passando pelo saudoso GB Color e seu Pokémon Yellow. Leitor de mangás, e dou preferência a estes ao invés de animes. Mais recentemente descobri as HQs, e desde então sou fã da trajetória de Geoff Johns em Laterna Verde, entre outros clássicos como Watchmen.
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