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Crítica | Somos Tão Jovens – Eu fui!

Força Sempre: Do Aborto Elétrico à Legião Urbana!

Somos-Tao-Jovens

Legião Urbana é (na minha opinião) a banda mais influente e importante do Brasil, banda que foi porta-voz  da geração anos 80, geração que cresceu ao som dessa banda, com suas músicas fazendo parte da trilha sonora da vida, todos temos alguma história pra contar envolvendo alguma música da carinhosamente chamada Legião. Banda que tinha Renato Russo como o mentor, pessoa muito culta, sensível e pouco comunicativa, que usava a música para se expressar.  E como se expressava!!! E agora chegou a hora de descobrir como tudo começou.

O local é Brasília (a Capital Federal), durante o Regime Militar do final dos anos 70, esse é palco ideal para o nascimento de uma revolução da música Brasileira, porém, pra se iniciar essa revolução precisava-se de um porta-voz e esse cara se chamava Renato Manfredini Jr.

O Filme Somos Tão Jovens conta a história do Grande Renato Russo (Thiago Mendonça ) ainda jovem, antes da gravação do primeiro disco da Legião Urbana.

Quando se lê no cartaz que Thiago Mendonça é Renato Russo, não é nenhuma mentira ou exagero, pois o ator simplesmente incorpora o músico, em alguns momentos cheguei a me arrepiar, sei lá, coisa de fã mesmo. É muito legal assistir esse pedaço da história do Rock Nacional.

Talvez a maior beleza desse filme seja o fato de mostrar só o inicio da carreira musical do ainda adolescente Renato Russo, nos apresentando um rapaz debilitado por uma doença óssea chamada epifisiólise, suas incertezas e frustações, aquela busca por algo novo que existe dentro de cada jovem, o amor ao Rock’n’roll, os primeiros acordes no violão, a busca pela solidão, o interesse pelos livros, e, principalmente, a necessidade de se expressar. Mostrando um Renato revoltado pela apatia quase aristocrata que dominava a Capital Nacional, é bonito ver a juventude se levantando contra as indiferenças, considerando que essa revolta não escolhe classe social, pois o filme mostra que todos os jovens eram de classe média alta. Não sei se dá pra entender o que eu vou dizer, mas o filme faz uma mistura bem interessante de poesia e anarquia, não só o protagonista, mas o filme em si me transmitiu bastante isso.

A trilha sonora é muito gostosa de ouvir, pois são os clássicos que estamos acostumados a ouvir nos álbuns, porém, na voz dos garotos e sem arranjo nenhum, ficou algo bem orgânico, bem “Banda de Garagem”.

O fator histórico é que o filme se passa numa época em que o Brasil suplicava por música de rebeldia, precisa de um grito na multidão, e essa música estava aparecendo em vários locais ao redor do país simultaneamente, esse foi o nascimento do Rock Brasil anos 80, e em Brasília o que predominou nessa época foi o Punk Rock mais politizado, pois era a realidade daqueles garotos, diferente (por exemplo) do Punk Rock que nascia em São Paulo que era algo mais voltado pro antimilitarismo, então, é muito legal ver hoje onde todos esses “moleques” chegaram. E principalmente no caso da Legião Urbana, que mesmo já não sendo mais uma banda de Punk Rock, foi uma das poucas bandas dessa época que conseguiu transcender aos estilos músicais e principalmente sobreviver ao tempo.

O filme mostra todas as lendas sobre a juventude do Renato: A influência e ajuda de Herbert Vianna; o nascimento do Punk Rock de Brasília através dos embriões Aborto Elétrico e Plebe Rude; o momento em que ele conta pra mãe que gosta de meninos e meninas; a depressão pela morte de John Lennon (reação parecida com a de muitos fãs pela morte do próprio Renato Russo); a paixão por Flávio Lemos e as brigas com o Fê Lemos; as primeiras composições; o anjo chamado Ana; as pessoas que o inspiraram a compor muitas músicas que nós adoramos;  a frustação por ser um cara  à frente do seu tempo; o primeiro show da Legião Urbana; as belas referências às bandas antigas, está tudo lá, muito bem colocado.

O filme não é perfeito, mas se você se interessa pela história do Rock Nacional, é fã da Legião Urbana (um Legionário), e admira a obra de Renato Russo, esse filme é um prato cheio, vá sem preconceitos, e certamente você vai se comover no final.

Urbana Legio Omnia Vincit

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Gustavo Grangeiro

Gamer desde a época que não existia Pause, que o Atari estragava a TV (Telefunken), que o Mario ainda se chamava Jumpman, e que Fliperama não era lugar para bons meninos. Amante de uma boa leitura de ficção, filmes e séries. Sou baterista (sem banda) e adoro falar bem e mal de tudo que é ligado a rock and roll e suas derivações "legítimas". Aceito uma discussão sadia sobre qualquer assunto, principalmente os polêmicos.
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