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Arrow – Primeira Temporada

Esse espectador não foi desapontado!

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Quem aí se lembra de Smallville, o seriado que mostrou ao longo de 10 temporadas o início da carreira do Superman, e que aqui no Brasil recebeu o curioso subtítulo “As Aventuras do Superboy” embora em nenhum momento o codinome Superboy é utilizado. Bem, pelo menos não chamaram a série de Pequenópolis…

Então, quem como eu acompanhou tudo viu coisas bacanas e muitas coisas xaropes. No meu caso, achei que o seriado alongou-se por muito tempo que deveria, mudando de foco e estrutura vezes demais. Mas Smallville chegou ao fim e depois de um tempo surgiu aquele que oficialmente seria o seriado que levaria em frente o legado super-heroico: Arrow.

Nas últimas temporadas de Smallville, o Arqueiro Verde tornou-se mais que um mero coadjuvante e muitas vezes era a estrela do episódio. Muito se falou sobre um possível seriado do personagem. De maneira bizarra, quem chegou mais próximo de ganhar um programa solo foi o Aquaman. É, aquele cara que fala com peixes…

Depois de muita boataria, algum tempo depois do fim de Smallville foi confirmado que seria mesmo o Arqueiro Verde o sucessor espiritual das aventuras do Superman (Superboy é o *******). Porém, em pouca coisa lembraria o herói visto na série do azulão. Ainda bem…

arqueiros verdes

A começar pelo nome, as diferenças tornaram-se enormes. Assim como na série do Superman optou-se por um nome que remetia ao protagonista. Superman ostentou o nome de sua cidade adotiva, já o Arqueiro Verde, sua principal arma. Simples, direto, instigante, e alvo de mimimi entre os fãs dos quadrinhos.

Mas mal sabiam eles que o fato do codinome do herói ser ignorado seria a menor de suas indignações. Em primeiro lugar, assim como Smallville, Arrow é um seriado que segue bem a cartilha do canal CW, que é apresentar dramas fortes e relações digamos… complicadas em virtude disso.

A essência do que é o Arqueiro Verde está lá, mas as mudanças são muitas. Mas eu entendo que é uma adaptação de algo, e não uma tranposição que deve seguir à risca a fonte. Esse é o segredo dos filmes da Marvel, e em Arrow isso também acabou funcionando, ainda que com algumas ressalvas sérias.

A mudança mais chocante é instituir uma família ativa para o Oliver. Todo aquele núcleo familiar é bem a cara da CW. Isso muitas vezes tirou um pouco do potencial da série e constantemente quebrou o ritmo de maneira absurda, mas creio que atendeu aos desejos da CW.

A história que essa primeira temporada nos conta tem pitadas das grandes histórias do Arqueiro Verde do passado, e pitadas do “estilo Batman de Nolan” aqui e acolá. E tudo isso permitiu que se barateasse o custo de produção, sobrando grana quando cenas mais “quadrinhescas” surgiam. Funcionou bem.

Arrow é um seriado que abraça vários estilos, desde o tradicional seriado policial, passando pelo drama romântico e familiar, e pela aventura repleta de ação, afinal, é sobre um “herói”. Unindo o útil ao agradável para o canal, nem sempre para seus espectadores quando essa mistura não foi bem pensada, o que felizmente ocorreu poucas vezes.

Como eu gosto de versões alternativas de personagens, Arrow me cativou desde o começo e eu sempre que começava a assistir um novo episódio me perguntava qual coisa seria alterada em relação à fonte original. Fãs mais xaropes de HQ’s (daqueles tipos que ficaram de mimimi com o Mandarim do filme Homem de Ferro) torcem o nariz, principalmente cada vez que o Ollie crava uma flecha no peito de algum capanga. O quando os draminhas particulares do Ollie tomam muito tempo de tela.

O drama em Arrow é um dos trunfos mas também seu calcanhar de Aquiles, ficando mais insuportável em alguns episódios. Não agrega nada excepcional, só tornou-se um mero catalisador para Ollie ficar batendo na mesma tecla com cara de paisagem. Vários clichês apareceram com isso, e com isso o seriado por vezes perdia seu magnetismo misterioso sempre que a família de Oliver ou alguém com quem ele se envolvia aparecia na tela.

Os flashbacks do passado de Oliver na ilha começaram bem interessantes, mas logo entrou numa enrolação inacreditável. Eram só para dar aquele gostosinho que de vez em quando fazia lembrar vagamente de Lost. Talvez seja seguro a essa altura dizer que a minha personagem preferida é a Felicity, bem diferente da personagem original e  fazendo aqui o papel de uma Oráculo de língua solta, rendendo muitas situações bem engraçadas, e inacreditavelmente tomando o lugar de Chloe Sullivan em meu coração.

felicity smoak pegando no arco

Já o Tommy eu não curti nada, e por mim poderia perfeitamente ter ficado de fora, assim como o futuro Ricardito, pois eu queria ver a Thea como sidekick. Mas o lance de fazer a Laurel como advogada foi um recurso interessante já que ela não tem os poderes sônicos, então ela usa sua retórica como arma, já que no momento o seriado estabelece que em universo não existem poderes especiais. Alguns personagens foram muito mal utilizados, como a Caçadora, que deixou aquele gostinho de quero mais, ou o Exterminador, que foi o personagem que mais me desapontou na transposição da HQ para o seriado.

ARROW

O mais legal foi perceber que a maioria dos acontecimentos mantinha uma ligação entre si, e agora ver tudo novamente torna a trama mais rica ainda, mesmo com algumas enrolações e sumiços de personagens e sub-plots. O saldo final é bem positivo, pois instiga o espectador a não perder nenhum episódio, e as cenas de ação são bem coreografadas, embora algumas vezes inverossímeis.

Arrow nasceu para tomar o lugar de Smallville, e de certo modo em apenas uma temporada já quase atingiu esse objetivo. Mas infelizmente para Oliver seu carisma não é páreo para Kal-El, mas dependendo dos rumos que a segunda temporada trouxer, Arrow poderá se tornar o melhor seriado baseado em um personagem da DC. E quem sabe o Vigilante, em plena Smallville, poderá dizer à Kal-El: YOU HAVE FAILED THIS CITY!

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!

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