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Xbox One: a continuidade ao invés do reboot!

Apesar do nome, o próximo console apenas apara as frestas do legado 360!

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Sempre que uma nova geração de consoles está para começar há muita expectativa, muita especulação, muito achismo e muito mimimi. É fato que o videogame perfeito não existe. Todo console tem suas vantagens e desvantagens. Cabe a cada gamer decidir qual plataforma traz melhores benefícios com base em seu próprio gosto pessoal. O Xbox One, revelado nesta terça-feira, ainda não foi totalmente desvendado, mas o que vi, com base no meu gosto particular e sendo o dono de um Xbox 360, realmente não vejo motivos para me preocupar. A Microsoft não veio para a próxima geração de consoles querendo reinventar a roda, mas aperfeiçoar tudo aquilo que o 360 criou como legado.

Para entender bem o Xbox One talvez seja necessário entender o Xbox 360 de hoje. É diferente do que ocorre no lado da Nintendo, onde seus últimos consoles foram criados querendo reinventar tudo. O Gamecube foi um videogame com apelo hardcore, depois o Wii chutou a barraca e montou outra perspectiva do zero e o Wii U, apesar do nome, veio querendo fazer outra coisa bem diferente que o seu antecessor. E veja bem, não estou dizendo que isso está errado, cada empresa trabalha com suas próprias jogadas e filosofias. Pensando de forma pessoal, eu larguei a Nintendo exatamente porque não vejo o legado do Gamecube nos consoles que lhe sucederam. Mas isso é conversa pra outro dia e com vários outros aspectos. Não é preto no branco como fiz parecer.

Voltando, a Microsoft a meu ver não precisa criar um console do zero. Na década onde é modinha rebootar tudo, fico aliviado ao ver que os conceitos e sistemas que já existem no Xbox 360 não estão sendo descartados para dar origem a algo novo para ser chamado de “inovador” ou “revolucionário”. Não precisa disso no lado verde da força. Ainda que ironicamente o nome do novo console seja Xbox One.

O fato é que se o Xbox 360 não é exatamente um console que dá aquele ar de ultrapassado e velho. Diferente do que aconteceu com o Wii em seus últimos anos, onde tudo parecia muito datado (para não dizer coisa pior). Basta pensar nos grandes lançamentos desse ano. Tomb Raider, DmC: Devil May Cry, Injustice: God Among Us, Bioshock Infinite parecem games de final de geração? Pra mim não. E olha que estou citando apenas alguns que já foram lançados. Há ainda games que chegam ao longo de 2013 e que em nada declaram o final da geração X360/PS3, como Remenber Me, GTA V, Splinter Cell Blacklist, Rayman Legends e por aí via.

A atual geração está acabando por outras razões, como limitações técnicas e franquias que já expremeram tudo que podia e precisam de mais potência de hardware para poderem continuar “evoluindo” (sim, as aspas são necessárias aqui). Tanto é que nem penso em comprar o Xbox One em 2013, independente do que a Microsoft mostrar na conferência da E3 que acontecerá em menos de 20 dias. Ainda tenho muito combustível pra queimar no meu Xis-360.

Enfim, o Xbox One revelado hoje é apenas o primeiro passo da Microsoft na futura geração de consoles. Se você pensar como foi o sistema de software do Xbox 360 quando ele foi lançado e como ele é hoje, ninguém diz que se trata do mesmo videogame. O Xbox 360 de 2005 morreu faz muito tempo. O console de hoje já é uma extensão em menor porte do que o Xbox One será.

O novo console vem apenas, como disse lá no começo, aparecer as frestas que o 360 não consegue. A mídia limitada se aposenta e agora temos o blu-ray como padrão. Os servidores para games online pulam de 15.000 para 300.000. O hardware em si é mais potente para competir com a concorrência, em especial o PlayStation 4. O Kinect que desde o princípio é uma ideia genial e muito bem aplicado como um meio de entretenimento social (porém não gamer) agora é mandatório (e assim a tecnologia e o uso dele nos games tende a se aprimorar). O controle que já considerava um dos melhores controles de videogames de todos os tempos e onde tinha mais medo que mexessem e cagassem tudo quase não sofreu mudanças, pelo contrário, parece que conseguiram melhorar o que já era ótimo. A dashboard atual que já é imersiva e intuitiva ficou ainda mais. O console que ganhou e conquistou fama de conseguir ser mais do que uma simples plataforma de games, mas de entretenimento se aprimorou mais um pouco, com o óbvio objetivo de tirar os videogames de quartos apertados e escuros para se tornar o centro de atenção da sala da casa. Ou seja, tudo que funciona e diverte e são pontos positivos no Xbox 360 foram ampliados e aperfeiçoados para o Xbox One. Precisava mais do que isso? Não acho.

Veja bem, não que eu pense que os consoles apenas precisam serem turbinados a cada geração. Esse é um modelo que já se provou complicado a longo prazo. As pessoas querem inovações e mudanças. Mas a Microsoft já vem fazendo isso desde 2005, sem precisar trocar seu aparelho. Agora que ela vem com a intenção de que você deve trocar, ela tem uma longa jornada para poder trabalhar com ele e aperfeiçoa-lo conforme a tecnologia for evoluindo a cada ano. O Xbox One que será lançado no final desse ano, dificilmente será o mesmo Xbox One que estará nas lojas em 2016. Essa é a minha visão ao menos, com base na minha experiencia com o Xbox 360. Afinal, já vazou um pequeno vislumbre do que talvez o Xbox One possa realizar em alguns anos (não viu? veja). São coisas que não precisam mais vir desde o Dia 1 do console, mas que são implementadas ao longo de sua vida útil.

E quanto as polêmicas do jogos usados e do sempre online? Isso é algo que ainda carece de muitos detalhes, e também vai da particularidade de cada gamer. Eu mesmo não consigo me lembrar quando foi a última vez que liguei meu Xbox 360 e ele não estava online. Meu Xis está sempre online, indepente do que estou jogando. Já rolou casos até da minha internet estar fora do ar e eu simplesmente não consegui ter vontade de ficar usando meu console offline. Sinceramente não é a mesma coisa, não é a mesma experiência. É como se a sua internet banda larga ficasse fora do ar e você resolvesse nesse meio tempo fazer uma conexão discada (eu não sou louco de fazer algo assim, alguém aqui faria?). Eu entendo que cada caso é um caso, em especial pessoas que não ficam conectadas 24 horas por dia, ou aquelas que nem possuem internet em casa (sim, isso ainda existe). Mas tal como computador, eu já vejo os videogames como algo que deve estar atrelado a uma conexão de internet. Não tem nada mais triste do que um computador offline. Os videogames estão indo pelo mesmo caminho.

Sobre os games usados. Em nenhum momento a Microsoft declarou hoje que irá impedir a venda de games usados. O que está rolando por aí é uma má interpretação generalizada. O que parece que o Xbox One terá é um bloqueio de mídia onde uma mídia usada para rodar em um outro console, numa gamertag diferente do primeiro dono precisaria pagar um taxa (que ainda não teve valor revelado). Ora gente, isso nada mais é do que o sucessor do Online Pass que já existe nessa geração. Não é a toa que a EA marotamente comentou algumas semanas atrás que irá abandonar o Online Pass de seus games. Claro que vai, afinal na próxima geração isso já estará imbutido no sistema geral do console.

E o fato dessa geração existir o Online Pass em nada andou impedido que as pessoas comprassem games usados. Digamos que um game de Xbox One custe U$ 60. O gamer comprou, jogou, fechou e agora não quer mais. Ele vende pra um amigo por U$ 20. Esse amigo para jogar esse jogo no seu console precisa pagar uma taxa. Digamos que hipoteticamente ela seja de U$ 10 (os Online Pass custam isso mais ou menos) e esse segundo dono pague. No final, ele ficou com um game usado que lhe custou apenas U$ 30. Ainda é uma economia de 50% do valor do game lacrado. A ideia da Microsoft e do mercado nos EUA em relação aos usados não é acabar, mas encontrar uma forma de que esse mercado não dê o prejuizo que dá aos estúdios. Ela não está errada em pensar nisso. Resta saber o quanto a Microsoft morde nessa taxa de segundo dono e quanto isso é revertido ao estúdio ou distribuidora detendora do game.

Independente disso, o game que você comprou vai funcionar no seu Xbox One e em qualquer outro que tiver em sua casa, contanto que sua conta esteja nestes aparelhos. Isso já foi confirmado pelo Major Nelson, assim como dá para levar o game na casa de um amigo e com a sua conta na Xbox Live inserida no console desse amigo o game vai funcionar sem qualquer problema. Não é diferente da sua biblioteca de títulos digitais, que amarram a sua gamertag e onde você estiver logado com ela, estes games estão sempre disponíveis para serem jogados.

E falando em biblioteca digital, minha única lamentação no novo console é exatamente a falta de retrocompatibilidade, tanto das mídias físicas quanto absudamente dos games adquiridos de forma digital. A minha coleção na Xbox Live com mais de 200 títulos não vai migrar para o próximo console. Morrerá aqui, no Xbox 360. Isso sim é lamentável. Não entendo como algo assim pode fazer sentido. Não é sem motivo que a Xbox Live anda com muitas promoções de games digitais, queimando o preço até para baixo da sola do pé.

Mas é um fator que ainda é cedo para sair revoltado. Talvez a retrocompatibilidade venha no futuro, ou ao menos parcial. Será que, por exemplo, os gamers não vão querer continuar jogando Castle Crashers no próximo console. E aí, vão lançar de novo e quem comprou no X360 vai ter que comprar novamente? Não me parece justo. Mas como a biblioteca de games ainda é uma incógnita, o jeito é esperar a E3 que está ali, virando a esquina, para saber como procederá com a biblioteca de títulos que tem uma durabilidade maior do que o próprio Xbox 360.

E galera, acho melhor parar por aqui. Poderia continuar falando muito outros aspectos do novo Xbox. A parte da TV que parece que os americanos apreciam muito mais do que a gente, mas que já li que a vontade da Microsoft é que esse sistema seja global, que se adapte a todos os países em que o console foi lançado oficialmente, mas que cada região tem seu processo e tecnologia. Gosto de pensar que o Xbox One terá esse suporte (parcial) no Brasil, mas se será aproveitado vai depender mais de terceiros do que da própria Microsoft. O que interessa no final das contas é que o Xbox One é aquilo que esperava que fosse, e nada mais.

As novidades certamente virão, mas não preciso mais de um videogame que queira mudar a industria apenas no momento em que ele é lançado. Eu gosto do Xbox 360 porque ele mudou gradualmente, conforme a necessidade por mudança foi surgindo ao longos destes anos. É isso que espero do Xbox One. Muitos reclamaram da conferência alegando que quase nada de games foi mostrado, mas ninguém se tocou que a Microsoft já havia avisado que nessa conferência não teria nada de games, e que o foco seria no aparelho e no modelo de entretenimento do mesmo. Os games estão reservados para a E3 que está para acontecer em alguns dias.


A meu ver a Microsoft cortou na carne. Aproveitou seu evento particular para colocar tudo aquilo que não fica bem na E3. A parte social, casual, de entretenimento fora do mundinho dos games veio hoje. O que sobrou para a E3 é exatamente o que nos interessa afinal. Isso sim foi inteligente. E quero ver se a promessa feita aqui será cumprida em alguns dia. 15 exclusivos, sendo que 8 são de franquias totalmente novas. Quero ver quais são e se nenhuma vai morrer até o lançamento do console.

A jornada do Xbox One apenas começou… ainda tem um longo caminho pela frente. E pra que a pressa?

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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