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Reflexão | Será que jogamos Pokémon do jeito certo?

A compulsão pela perfeição não tira a graça da coisa? Fora o tempo perdido…

No final de semana que passou finalmente terminei a minha jornada pokémon pela região de Kalos. Venci todos os ginásios, derrotei a Team Flare, capturei o pokémon lendário da minha versão, chutei a bunda da Elite 4 e do atual campeão da região. Enfim, terminei a campanha principal de Pokémon X. E agora, o que fazer depois disso? Há realmente algo para ser feito após terminar o game?

Se você procurar pela internet respostas a essa pergunta encontrará algumas direções. Algumas fazem sentido, como completar a pokédex (estou focado nisso no momento) ou alguns missões extras que o game só habilita depois que você termina a campanha. O próprio Friend Safari, que é um espaço onde vocês podem visitar alguns “jardins” de amigos adicionados no 3DS e capturar pokémons que não existem em lugar algum do game e com habilidades especiais, só é destravado depois de terminar a campanha.

Até aí tudo bem. O jogador agora possui pequenas metas. Encontrar pokémons que ainda não viu, evoluir aqueles que precisam evoluir para serem registrados na pokédex ou até mesmo elevar aqueles pokémons prediletos para ver quais os golpes eles ainda vão aprender e até onde realmente ficarão fortes para batalhas online. Há pequenas outras coisas que acabam sobrando, como caçar os TMs que ficou faltando no game, ou as pedras da Mega Evolução de alguns pokémons. Ainda há algumas coisas a serem exploradas certamente. O jogo até mesmo ainda oferece algumas batalhas bacanas, como o seu rival que lhe desafia diariamente (mas apenas uma vez por dia), criando uma batalha que dá muitos pontos de experiência e uma boa quantidade de grana para continuar gastando no game.

Agora na minha opinião, os problemas sobre o que fazer depois de terminar o game, começam quando vejo que muita gente começa a recomendar a criação dos pokémons perfeitos. O game oferece sim esse sistema que não é tão simples, mas que já foi muito mais complexo em versões anteriores, onde você cria o pokémon com IVs (valores individuais) que beiram a supremacia das batalhas, com habilidades especiais e naturezas mais fortes. Em palavras simples: o Pokémon mais fodão possível. Para saber mais sobre essa técnica, veja este artigo no N-Blast.

Criar o pokémon mais overpower possível não é tarefa fácil. Veja comentários de alguns jogadores dizendo que cruzaram e fizeram centenas de ovos de pokémons até finalmente nascer aquele pokémon impecável. Depois disso você desova as sobras por aí. Isso pra um pokémon apenas. Numa batalha você utiliza seis pokémons, ou seja, o jogador ainda vai fazer esse mesmo processo para mais 5 pokémons no mínimo (já que todo mundo acaba tendo entre 2 a 3 times de pokémons para serem usados em batalhas). Um processo que é burocrático e que pode levar horas, dias e até semanas até você conseguir o(s) pokémons com IVs perfeitos. Haja paciência e tudo isso apenas por uma leve vantagem na hora de batalhar com um amigo ou desconhecido online?

Não sei. Pra mim Pokémon começa a ficar chato quando começo a pensar em como tem tanta gente nessa compulsão em criar pokémons super poderosos e apelões. Cadê a diversão das batalhas por tipos e golpes estratégicos que Pokémon sempre teve? Não é a pra menos que o diretor de arte de Pokémon X e Y disse que gostaria de ver a série dar um passo para trás e tornar algumas coisas mais simples nesse universo de games (leia aqui). E essa é uma discussão que veja algumas pessoas fazerem por aí. Será que precisa mesmo de tanta complicação nas batalhas de Pokémon?

As batalhas deveriam ser divertidas e niveladas pelos golpes e estratégias individuais de cada um. E dá para treinar e deixar o pokémon relativamente habilidoso sem precisar de 300 ovos para achar o pokémon supremo. Golpes que o adversário não espera ou estratégias que tiram vantagem sobre o tipo de cada monstrinho. Não é o suficiente? Talvez seja picuinha da minha parte, que não tenho saco para fazer isso que vejo que muitos estão fazendo.

Prefiro continuar minha jornada usando meus monstrinhos capturados mesmo. Eu já criei vínculo com eles. Os vi evoluir, aprender novos golpes, eles passaram por perrengues e salvaram a minha pele em várias situações criticas da minha jornada. Eles possuem IVs imperfeitos ou naturezas ruins? Talvez alguns tenham mesmo, mas foram o suficiente para completar o game. Por que não poderiam ser fortes o bastante para batalharmos online? As batalhas pokémon não deveriam ser niveladas apenas pela força… ou deveriam?

Enfim, minhas batalhas são para me divertir. Quando coloco meu Pancham2 (o primeiro teve que ser sacrificado no meio da jornada por uma HMs malvada), que na verdade é um Pangoro, para lutar contra um tipo que ele obviamente tem uma desvantagem, ainda assim tento fazer com que ele supere isso usando golpes que também sejam eficazes contra esses tipos. É pelo calor da batalha, pela estratégia, em não saber o que o oponente sabe fazer ou que golpe ele tem escondido na manga. Não tem nada mais chato (pra mim) que batalhas como essa abaixo, onde fica uma troca-troca frenético de pokémons pelos jogadores, onde ninguém acaba batalhando até que o outro pare com algum pokémon que seja desvantagem ao outro.

Enfim, realmente não entendo porque os jogadores acabam se tornando tão compulsivos criando pokémons geneticamente mais poderosos e absurdamente fortes. O tempo que se gasta com isso, com o número de monstrinhos que acabam sendo desovados, com o desbalanceamento que isso acaba ocorrendo em partidas (ou como isso obriga todo mundo a ficar criando pokémons overpowers), acaba que tirando um pouco a graça e diversão do game.

Porém deixo esse espaço para que você deixe a sua opinião aqui nos comentários. Será que só eu penso assim? Você também não tem saco para ficar gerando dezenas (as vezes centenas) de ovos de pokémon? Ou está tudo errado mesmo e precisa sim dessas técnicas para conseguir vencer o mundo das batalhas Pokémon? Diga aí.

Obs: o autor da montagem que abre a postagem é o usuário Jonathanjo do DeviantArt.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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