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As impressões de Super Smash Bros. para 3DS…

Ver Super Smash Bros. num portátil é um marco para a franquia! Ter um console de mesa da Nintendo, desde a era 64 até os dias atuais, e não ter Smash Bros. em sua biblioteca de títulos é algo inconcebível pra mim. E agora essa ideologia se aplica ao primeiro portátil a receber o título. Não ter a versão para 3DS de Super Smash Bros. é inconcebível, independente se você pretende pegar o game para o Wii U no final de novembro.

E adaptação do título ao pequeno mundo da tela portátil se sai muito bem, com poucos escorregões, o que diga-se de passagem é natural nesse tipo de transição. O game continua incrivelmente viciante e divertido, com tudo e mais um pouco do que se espera num Smash Bros. Com diversos modos de jogo, muitos troféus colecionáveis, e toda uma roupagem que suga o jogador para aquele universo mágico e meio alucinógeno que são as franquias da Nintendo.

Uma das minhas preocupações iniciais quando pensei em como o game funcionária num portátil com certeza estava na questão da pequena tela do game em relação a visão caótica que o game tem a tendência de ser com múltiplos personagens em tela e naquele zoom mais distante da batalha. O jogo se esforça para que isso não seja um problema, e em boa parte das vezes não é. Menciono isso porque o game parece funcionar muito bem em combates com três personagens, sendo que com quatro (jogador e três CPUs por exemplo) personagens a partida fica confusa além de um nível aceitável, dependendo do cenário e também de quão afastados ou tumultuados os personagens estejam. Tanto que o game vem automaticamente setado para funcionar em batalhas de três personagens, cabendo ao jogador ligar o quarto combatente se assim o desejar.

Vale também informar que toda a minha experiência nestas últimas semanas com Super Smash Bros. foram feitas num Nintendo 3DS XL, na qual a tela é muito maior do que a versão normal do 3DS, modelo este que acho horrível de se utilizar. Tive algumas oportunidades de jogar e mexer num 3DS tradicional e não rola pra mim, acho uma péssima experiência. E se num XL jogando Smash Bros. as vezes se tem a impressão de que a tela ficou pequena demais, imagino que essa impressão seja muito mais frequente num 3DS tradicional.

Quanto aos controles e jogabilidade, felizmente o game permite certa customização, pois os padrões de fábrica do game achei péssimos. Só que isso é algo bem particular e peculiar de cada jogador e de quão habituado você está com os controles da Nintendo. Por exemplo, não vejo porque se faz necessário dois botões de pulo um ao lado do outro, enquanto defesa e agarrão ficam programados para os botões L e R do 3DS, que não são lá tão amigáveis assim pela ergonomia do aparelho. Felizmente tudo isso não é problema quando se permite arrumar os comandos da forma que quiser no aparelho. A única coisa que o game não permite, é que você movimente o personagem pelo D-Pad ao invés do analógico, o que é um pequeno aspecto negativo, já que dá um certo medo de quebrar o analógico (que aparenta ser fácil) caso fosse seja um daqueles jogadores mais brutos. Felizmente, em mais de duas semanas de game, nada aconteceu com meu analógico. Talvez seja uma preocupação boba minha apenas.

Também não seria justo apenas elogiar o game e comemorar sua chegada ao mundo portátil sem ressaltar alguns pontos que não são lá tão fenomenais quanto a empresa alardeou durante os meses que antecederam seu lançamento. O modo Smash Run, por exemplo, não é algo tão incrível assim. O modo The Subspace Emissary de Smash Brawl no Wii era muito mais interessante e divertido. O problema do Smash Run é que inicialmente ele é divertido, pois você encontra inimigos diferentes e as batalhas contra estes são instigantes, porém depois de umas cinco partidas, a repetição já se torna algo muito mais evidente. Esse pequeno modo tem cenários diferentes, mas geograficamente é bem pequeno. Você está sempre nos mesmos lugares, lutando contra os mesmo inimigos. Também julgo meio desnecessário a competição final entre quatro jogadores, seja uma batalha ou corrida. Depois de 5 minutos de Smash Run, você meio não está no pique certo para uma batalha com as regras do modo. Nesse aspecto o Smash Run não é um bom modo principal de jogo. A falta de um Adventure Mode se faz aparente aqui.

Felizmente há outros modos mais clássicos, discretamente inseridos no menu “Games & More”, onde se tem o modo clássic que existe desde o primeiro Smash Bros. que consistem em algumas batalhas na qual ao final do trajeto o jogador irá batalhar com a Master Hand e suas variações, como a Crazy Hand. Pra mim acabou que esse é o principal modo de Smash Bros. do 3DS, sendo que é exatamente este que lhe dá os troféus  dos lutadores do game alias. Só é uma pena que ele não seja maior e mais diversificado. Se mexeu muito pouco nesse modo em termos de trazer novidade ao mesmo.

Além dele há outros modos legais, como o All Stars, que funciona como uma linha do tempo, onde você enfrenta os personagens pela ordem na qual foram criados originalmente para seus games, sendo que você só tem uma vida e a energia não zera a cada vitória, cabendo ao jogador vencer todos os personagens do game sem morrer! Fora isso, há o modo Multi Man (que tem os Miis como oponentes) que consiste em derrotar hordas de Miis, setados por tempo, quantidade ou dificuldade, além dos outros modos clássicos como arremessar o saco de areia mais longe possível ou usar uma bomba para destruir alguns alvos. Há também um mini game relacionado a função de Street Pass do 3DS, que funciona como um joguinho de empurrar pecinhas para fora do cenário.

Há uma diversidade consistente no game, porém mesmo assim depois de um tempo ele vai cansar um pouco. Existe também os challenges, mas ao menos nesta versão do 3DS, não os achei tão interessante quanto eles eram, por exemplo, em Smash Bros. Melee do Nintendo Gamecube, que eram incrivelmente bem bolados (e alguns quase impossíveis). Aqui você só precisa fechar todos os modos com todos os personagens, conseguir certas horas de gameplay, destravar coisas que normalmente se destrava jogando o game etc. Não há nada muito desafiador por si só nos challenges, que infelizmente não funciona com um modo de jogo a parte, mas sim com algo integrado ao modos existentes no game.

 Vale a pena mencionar também a quantidade de lutadores que existe na nova versão. Muitos são personagens conhecidos dos fãs, os grandes clássicos. Estes personagens tiveram pouquíssimas mudanças ou novos movimentos. Alguns já começam até mesmo a me parece desnecessários frente aos novos personagens com novos sistemas de combate. Jigglypuff, Marth, Toon Link, Dr, Mario são personagens que não fazem tanta falta assim. Poderiam sair para entrar outros mais interessantes. Da mesma forma que sinto saudades do Mewtwo e não tenho o menor carisma pelo Lucario. Há alguns clones, como é tradição do game, mas com o elenco crescendo, alguns já demonstram estarem ali apenas para encher a lista como um todo. Não é algo ruim, é claro, mas é algo que se faz notável e não sei se deveria me fazer perceber tão descaradamente.

Dos novos personagens, fiquei bem impressionado como Pac-Man se encaixou bem no game, além de Little Mac que é um dos personagens mais fortes e rápidos do game. Um que não se saiu tão bem quanto esperava foi o Mega Man, que pra mim ficou um personagem meio travado, com ataques ruins e fracos. Duck Hunt, que é um dos personagens secretos é uma grato surpresa e ficou muito bem estruturado seus movimentos. Bowser junior é outro personagem que ficou até mais interessante do que o próprio Bowser. Sonic? Não sei. Já tinha visto sua performance em Smash Brawl no Wii e lá eu gostava, aqui ele parece um pouco sem o destaque que outrora já recebera, talvez se Tails também fosse um personagem jogável. Charizard e Greeninja superam o Pokémon Trainer do game anterior? Não estou totalmente certo, mas acho que não. Eu realmente gostava do Pokémon Trainer, enquanto Charizard me lembra um personagem mais pesado como Donkey Kong e Bowser. Já o Greeninja me lembra uma versão mais fraca do Sheik, sendo um personagem de velocidade. Alias, falando em pokémons, achei que há muita pouca variação de pokémons saindo de pokébolas.

O game possui um suporte a multiplayer online, porém não testei de forma apropriada ainda. Simplesmente por não me sentir instigado a ver como é. Joguei uma partida online, rolou uma lag terrível e parei por aí mesmo. Não há aquele estímulo para ficar usando funcionalidades online como, por exemplo, Pokémon X & Y incentiva. Nesse ponto me lembra como a Nintendo ainda está anos luz da qualidade de uma PSN ou Live. Funciona, mas não basta funcionar, precisa ter algo a mais e eu não senti isso.

Espero que seja o primeiro de muitos outros Smash Bros. desenvolvidos para portáteis da Nintendo. Que isso vire tradição a partir de agora. E que essa versão do 3DS possa receber DLCs que expandam o conteúdo. Eu pagaria sem problema algum para ter mais personagens e principalmente mais cenários (achei que o jogo precisava de, no mínimo, mais uns sete cenários, ou que a rotatividade dele fosse melhor aprimorada, pois o jogo parece te jogar sempre nos mesmos cenários).

Depois de um pouco mais de duas semanas, já vi tudo, já joguei de tudo e já destravei tudo que me interessava. Talvez o game devesse ter durado um pouco mais, mas aí eu me lembro que estou num game do gênero luta e que esse tipo de game é só isso mesmo. Nem mais e nem menos. Serviu completamente seu propósito. Com alguns escorregadas aqui e ali, mas certamente continua sendo um título obrigatória para qualquer um que possua ou venha a ter um Nintendo 3DS. Vale a compra, sem dúvida alguma!


Super-Smash-Bros.-3DS-Trophies

Um último pensamento. A caçada por troféus, marca de Smash Bros., já foi mais empolgante no passado. Talvez seja a hora da Nintendo repensar mecanicamente como tornar isso divertido novamente. Só um exemplo, mas tem alguns ali que adoraria que fosse possível compartilhar em redes sociais, sinto a falta de um sistema de share para esse tipo de situação. Alias o sistema nem mesmo me diz quantos existem ou quantos ainda faltam para completar tudo, o que é estranho se pensar que isso não incentiva muito a você querer descobrir todos.


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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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