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Boku no Hero Academia | Sem os limões que a vida deveria lhe dar…

O que acontece num mundo onde todos possuem superpoderes? Esse é basicamente o universo de Boku no Hero Academia, um mangá que estreou bem recentemente na Shonen Jump e ainda corre para conseguir sua longevidade na revista. Pegando o vácuo deixado por Naruto, resolvi dar uma olhada em um mangá novo (no sentido de “estar começando agora“, e não “um dos vários que já existem e eu nunca li“) e um leitor aqui do blog me sugeriu esse título.

O mangá ainda não possui nem 20 capítulos. Olhando por aí encontrei 6 capítulos já em português e 7 em inglês. Não estou totalmente certo em quantas ele está no Japão, já que deve levar um tempo até todo mundo que curte traduzir pegar esse novo título e começá-lo a deixar ele em pau a pau com o Japão. Em todo caso resolvi ler apenas o primeiro capítulo e tecer uma breve opinião sobre o mesmo, e deixando claro que irei ler os demais capítulos e dependendo do feedback dos leitores, ele pode ou não virar um novo Conversa de Mangá aqui no blog. Ou seja, vai depender dos comentários, se os leitores querem ou não que eu volte a falar do mangá por aqui.

Boku no Hero Academia é um shonen bem clássico, no sentido de ser espalhafatoso, com personagens jovens e diferentes, batalhas malucas e situações cômicas. E é natural que a Jump esteja tentando emplacar um novo título assim após o final de Naruto. É preciso encontrar algo nesse momento para preencher o buraco deixado pelo ninja laranja de nove rabos. E é normal crescer e não dar muita trela para esse tipo de mangá, que tem o público algo a garotada mais jovem que curte essa coisa mais “aventureira e fantasiosa”. É normal começar o mundo dos mangás por um shonen e após um tempo migrar para mangás mais sombrio ou mais cabeça ou mais específicos de um determinado gênero que você tenha afinidade. No meu caso, ainda curto muito mais esse shonen leve do que qualquer outro gênero, principalmente se pensar que esse sim é um excelente tipo de mangá para se acompanhar semanalmente pela internet, enquanto outro títulos mais pesados, prefira o formato de volumes tankobon, e aí pego-os em banca por aqui mesmo.

Ainda nos dados técnicos de Boku no Hero Academia, o mangá é escrito e desenhado por Kōhei Horikoshi, um mangaká relativamente novo, com seus primeiros trabalhos publicados na Jump em 2007 e que depois em 2011 e 2012 teve duas séries semanais na revista que não duraram muito: Ōmagadoki Dōbutsuen com 37 capítulos e Sensei no Bulge com 16 capítulos. Não sei se isso quer dizer muita coisa no sentido da longevidade de que Boku no Hero Academia. Quer dizer, a gente não vê o surgimento fácil nos tempos atuais de mangás com o potencial de um Naruto ou One Piece, e não é fácil definir o momento em que um mangá vai morrer porque seu plot não se sustenta por muito tempo. E o primeiro capítulo de qualquer novo mangá não consegue definir ou dizer esse tipo de coisa. Se você pegar o primeiro capítulo de One Piece, Naruto, Bleach, Dragon Ball, Hunter X Hunter não tá para imaginar que estas histórias se arrastariam por anos e anos, mantendo o sucesso e pique narrativo. Então já adianto e digo que é impossível definir se Boku no Hero Academia irá durar ou morrer em algumas dezenas de capítulos. É preciso tempo e mais capítulos para dizer isso. Minha intenção aqui é apenas apresentar a história inicial e comentar a respeito da ideia da construção de um mundo diferente para sustentar uma história.

Sendo assim, retorno a referencia que fiz no título da postagem. Quando a vida lhe dá limões, você faz uma limonada e no caso de Boku no Hero Academia, todas as pessoas do mundo ganharam seus limões, menos é claro, o protagonista da série: Izuku Midoriya. A premissa do mangá não é totalmente original, pois há quadrinhos americanos, filmes e séries sendo produzidas nestes últimos anos que brinca com a ideia do que aconteceria se de repente os seres humanos começassem a despertar super poderes e habilidades. Felizmente o mangá consegue tratar desse plot com originalidade, trazendo um universo onde todos possuem habilidades, onde o mundo ainda está se adaptando a ideia de pessoas que usam habilidades para o mal, o surgimento dos vilões, e aquelas que possuem o senso de justiça e querem impedir tais pessoas, ou seja, é o início da era dos heróis.

Boku no Hero Academia 01

O mangá trabalha bem com essa estrutura para a história. É fácil entender porque com uma habilidade incrível você se tornaria um vilão, da mesma forma que as bases da lei e das regras da sociedade como a conhecemos acaba virando de cabeça para baixo de tal forma que os governos do mundo acabam tendo que aceitar que eles precisam dos (super)-heróis para combater estes vilões, e por isso se cria um programa para remunerar as pessoas que combatem os vilões. E nesse meio tempo, a sociedade passa a ficar tão acostumada com a ideia de super seres que se torna comum você ligar para seu trabalho dizendo que vai se atrasar porque tem um vilão na linha do trem atrapalhando o fluxo de pessoas e que está esperando um herói surgir para resolver a situação.

E é aqui que o mangá começa, mostrando a ótica de um garoto, o que é uma excelente ideia, além de ser natural de um mangá juvenil. Se as crianças de hoje já nascem com um pé na era da informática e dos eletrônicos, sobre completa influencia disso, coisa que não existia quando eu era uma criança, imagina a influencia de nascer e crescer num mundo onde todos possuem super poderes? É aqui que Boku no Hero Academia quer trabalhar. É aqui que entra o protagonista do mangá, o Izuku, um garoto que nasceu sem a sua “individualidade”, que é o termo usado pelo mangá para dizer que a pessoa tem um super poder.

Izuku cresceu vendo super heróis reais salvando o mundo, e assim como qualquer outra criança dessa geração, ele também quer ser um herói. Até que ele descobre que nunca terá uma individualidade, ou ao menos é o que o mangá inicialmente deixa claro quando um médico explica a sua mãe que ele jamais teria a individualidade por não ter duas articulações específicas do dedo mindinho do pé, que sabe-se lá porque, é a origem dos poderes das pessoas desse mundo. Essa é a regra inicial da história, mas nada impede que isso mude no futuro, pois no final do capítulo fica aquela ideia de “esse é o começo da história desse garoto que no futuro se tornará o maior herói de todos os tempos” o que é uma excelente chamada para te fazer continuar lendo.

Boku no Hero Academia 02

Fica então esses dois lados, um que Izuku nunca terá poderes, mas em algum momento futuro ele encontrará um caminho para se tornar aquilo que sempre sonhou sem precisar de super poderes ou ele terá algo ainda mais incrível que uma individualidade, mas são posições que o mangá ainda não está no ponto de construir. De qualquer forma Izuku não tem os limões da vida e ele fará sua limonada cósmica de qualquer forma. Isso o autor deixa bem claro no final do primeiro capítulo.

Ao longo do primeiro capítulo também são mostrados outros aspectos do mangá, alguns são clichês batidos do gênero, como aquele momento da vida escolar, a apresentação de um rival que era amigo de infância de Izuku, mas cresceu e se tornou arrogante e odeio o garoto sem poderes, e também o herói número 1 de todos que por acaso Izuku topa e aparentemente pode vir a se tornar seu mentor, outra coisa batida dessa narrativa. Não que nada disso não funcione, porque funciona bem, graças ao contexto na qual tudo acaba sendo inserido, e que é normal vindo de um primeiro capítulo, que tem mais páginas e precisa ser excepcionalmente bom para fazer o leitor continuar acompanhando a história.

Boku no Hero Academia 03

E é legal esse personagem All Mighty, seu nome heróico. Quando ele surge, ele aparenta ser uma espécie de clichê de super herói, todo pomposo, se achando imbatível, com frases de efeito e tal. Dá um ar cômico ao capítulo, ao mesmo tempo que o personagem tem um carisma e charme próprio. E dá a impressão de um personagem vazio de início, mas de forma proposital, pois de repente você descobre que All Mighty não é tudo aquilo que ele esteticamente parece e eu só não vou contar o que é porque é realmente uma das boas surpresas do capítulo inicial.

Basta saber que de repente, com o andar da narrativa e das situações na qual Izuku acaba se envolvendo, fica claro que o garoto ensina uma lição a All Mighty e todos os heróis na proximidade de um certo evento, mostrando que ser um herói não significa necessariamente apenas ter um super poder. É preciso mais do que isso. E a cena final do capítulo, quando All Mighty pergunta a Izuku porque ele fez o que fez momentos antes, com o garoto dizendo que foi o que seu corpo mandou fazer, e logo All Mighty afirmando que talvez ele possa se tornar um herói é realmente muito bem feita e empolgante.

Boku no Hero Academia 04

Fiquei o suficiente convencido para voltar para ler o segundo capítulo e torcer pelo sucesso da série. Personagens cativantes, um universo que está dentro do que é popular atualmente entre os jovens, com um ótimo gancho para construir pelos próximos capítulos. E o traço e feitos do mangá, nesse capítulo inicial, são excelentes, incluindo cenas de ação, detalhes de cenários e pessoas ao fundo, criação de poderes especiais e feições e expressões dos personagens. Achei num nível extremamente competente. Vale a indicação com certeza!

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E se ele não durar o tempo que precisar para encerrar alguma coisa de sua história, não tem problema. Acho que só a premissa divertida e diferente, atrelada aos bons desenhos e personagens bacanas, já vale ao menos o começo dessa jornada. Torço para que ela continue, mas se não der, não vou considerar tempo perdido lendo um pouco mais desse mangá.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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