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Opinião | Novamente aquele papo do descaso da Nintendo pelo Brasil…

Uma matéria da Kotaku BR, publicado ontem, levantou novamente uma bola que a gente vive esquecendo: a completa força de vontade da Nintendo de existir oficialmente no Brasil e de melhorar nosso mercado nacional de games. Uma reclamação que nunca é esquecida por completo, mas nunca ganha força o suficiente para que a Nintendo faça alguma coisa para melhorar a situação.

E esse papo não é novo, ano passado a Uol Jogos também fez uma excelente análise da época a respeito da relação da Nintendo e o Brasil, texto que cheguei inclusive a citar algumas vezes aqui no blog. E vira e mexe esse papo surge e me deixa sempre perplexo pelo fato da comunidade que ama a Nintendo ser grande no Brasil, mas aparentemente inexpressiva o suficiente para que a própria empresa não se mexa para melhorar as condições por aqui.

Um bom exemplo de como as pessoas ainda gostam muito da Nintendo foi a quantidade de pessoas compartilhando e mostrando os brindes do McLanche Feliz do McDonald’s desse mês de novembro que tem como próprio tema a franquia Super Mario. Todo mundo correu atrás dos bonequinhos, até mesmo quem há muito não em um console Nintendo. É uma empresa que está em nossa memória, uns mais do que outros.

E é muito chato essa relação de abandono que algumas pessoas sentem (uns eu sei que não se importam com isso, contanto que continuem conseguindo os games por qualquer tipo de meios não oficiais), ainda vendo tudo que a Sony e a Microsoft estão correndo atrás para colocar o Brasil (e muitos outros países) como um potencial bacana para o bom funcionamento do mercado de games como um todo.

Consoles fabricados aqui, games que são lançados mundialmente e chegam pra gente na mesma data que o resto do mundo, localização em nosso idioma, seja com legendas ou até mesmo dublados em português, suporte nos sistemas de compra digital com moeda local com promoções e descontos entre outros fatores. Na BGS (Brasil Games Show) desse ano, lá estava a Microsoft e Sony, enquanto a Nintendo decidiu que não valia a pena vir aqui para mostrar um pouco mais do Wii U ou do 3DS e sua line-up desse segundo semestre de 2014.

E olha que 2014 é meio que um ano importante para a Nintendo. Após o baque que a empresa tomou no início de 2014, com ações caindo, tendo que rever seus planos par ao futuro, admitindo que ela precisava evoluir e até mesmo dizendo que começaria a apostar em países com mercados emergentes. Algumas coisas a Nintendo correu atrás, outras continua largadas sem qualquer percepção de que são algo a serem resolvidas em breve, como é o caso de sua situação em países com mercado ainda em desenvolvimento, como o Brasil.

Chega a ser uma vergonha a falta dos novos lançamentos atuais da empresa estarem em falta aqui no Brasil. Enquanto Call of Duty, Assassin’s Creed, Far Cry e tantos outros lançamentos grandes já estão nas lojas de todo o país, há uma completa falta de sentimentos em relação aos títulos da Nintendo, como Pokémon, Bayonetta 2 e o próprio Super Smash Bros.

Bem que estava achando estranho ver algumas pessoas no Facebook comentando que estavam indo em vários locais em São Paulo atrás dos novos Pokémons para 3DS e algumas delas topando pagar até R$ 179 no game, dado a dificuldade de achar locais que já estivessem vendendo o título. E se for pensar, isso realmente está rolando, a escassez dos títulos Nintendo.

Eu vejo toda hora grandes varejistas como Submarino, Ponto Frio, Saraiva, FNAC ofertando grandes games de PS4 e Xbox One e nunca vejo eles avisando sobre os grandes lançamentos da Nintendo. Eu não vi uma vez sequer alguma destas lojas alertando a respeito do Smash Bros de 3DS, que já foi lançado em outubro. Há algo muito errado quando isso acontece.

O próprio console do Wii U não é um aparelho fácil de se adquirir no Brasil a um preço legal. Eu não tenho coragem de comprar um console que custa a mesma coisa que um Xbox One ou PlayStation 4 (preço do mercado cinza, não aquele absurdo do 4k da Sony). Fiquei pensando se agora na semana da Black friday (que no Brasil ainda é meio balela) não haveriam grandes lojistas ofertando um Wii U com um desconto bacana, mas isso não vai acontecer já que muitos nem possuem mais o console a venda, dado a procura que o mesmo vem recebendo nos últimos meses por causa dos grandes lançamentos. Está vendendo, mas naquela situação engessada, onde não rola promoções, não rola divulgação, não há expectativas de crescer o setor Nintendo, não sem que a empresa venha pra cá e traga melhorias.

Eu realmente fico triste. A Nintendo tem seus momentos, em que mostra disposta a melhorar certas traves que a própria empresa criou nestes últimos anos, ao mesmo tempo em que demonstra totalmente atrasada em relação aos seus concorrentes. E não é como se fosse impossível entrar no mercado nacional, competir com os preços oficiais. Não é! Por mais absurdo que sejam nossos impostos, nossas burocracias. O fato é que a Nintendo não anda fazendo muito mais do que sempre vez, e isso vale para outros países na qual ele não atua.

Quero muito um Nintendo Wii U para 2015, mas quando bate esse sentimento a respeito desse assunto, acabo pensando duas vezes se eu quero a Nintendo desse jeito no Brasil ou se devo esperar até a mesma criar vergonha na cara e melhorar sua situação no Brasil. Sei que sou apenas uma formiguinha falando num mar de pessoas, mas não sei se ficar sem lembrar desse assunto é como chover no molhado. Só sei que é uma situação ruim para todos, para os fãs, para os que querem se tornar fãs e até para a Nintendo que perde a chance de explorar de forma mais eficiente um mercado em potencial.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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