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Chaves | Enraizado na infância dos brasileiros!

Chaves Quadro

Sexta passada, 28 de novembro, foi um dia incomum. A ocasião foi marcada por uma black friday até que interessante ao olhar do brasileiro, mas ao final da tarde uma notícia triste fez quase que todo mundo esquecer dos descontos e ofertas para relembrar uma das poucas constâncias da infância de muitos adultos, pois Roberto Gómez Bolaños (nosso eterno Chaves, porém Bolaños foi muito mais do que isso) faleceu no México aos 85 anos.

2014 não tem sido um ano fácil em termos de perda, mas eu já havia comentando um pouco disso quando escrevi aquele texto me despedindo do Robin Williams em agosto (este aqui). Dito isso, eu entendo é claro toda a comoção dos últimos dias, e que ainda vai perdurar por mais algumas semanas acredito, em torno de tudo que Bolaños representa para muitos brasileiros nas eternas figuras dos Chaves e Chapolin. Só não fiquei tão chocado assim com essa perda porque ao contrário do Robin Williams que acabou tendo um final muito mais trágico e impactante pra mim, enquanto Bolãnos já estava com 85 anos de vida e não era de hoje que sua saúde estava debilitada. Claro que isso não torna as coisas menos ou mais tristes. Se despedir é sempre triste, principalmente para quem fica por aqui, já que sobra apenas a saudade e muitas memórias.

E parece que uma das formas que as pessoas encontraram para honrar a memória de Bolaños foi através de seus personagens, que se tornaram ícones de nossa infância e marcaram pra sempre nossas memórias de tempos diferentes da infâncias dos pequenos que estão nascendo nesse moderníssima era digital. Chaves & Chapolin marcaram o DNA do brasileiro (assim como de outros países da América Latina).

O curioso é que hoje já não sou mais tão fã assim de Chaves ou de Chapolin. Pra mim estes programas foram uma fase, que perdurou toda a minha infância e adolescência, mas hoje já não consigo mais assistir e achar incrível quanto as vezes fica parecendo por aí. Me lembro que algum tempo atrás Chaves & Chapolin entraram na grade do Cartoon Network e também na Netflix, incluindo episódios raros e até algumas inéditos em relação aos que o SBT reprisa em looping infinito até os dias de hoje. E foi nessa ocasião em que tentei assistir alguns, mas não sei, não consegui ficar ali por muito tempo.

Alias agora já crescido tenho a ligeira impressão de que Chapolin envelheceu um pouco menos do que Chaves. Me lembro de quando criança preferir Chaves, enquanto Chapolin achava muito tosco ou não tão engraçado. Só que acredito que na época não tinha a visão de que tudo bem um programa ser sobre um super herói que faz justamente a galhofa com o universo de super heróis. Chapolin é realmente uma brincadeira bem humorada com esse universo, com personagens excêntricos e situações absurdas. Ver Chapolin hoje em dia me dá uma outra visão que nunca tive quando criança e nesse sentido, ele já me parece melhor agora, porém ainda surrado e datado pelo tempo. E veja bem, não estou dizendo que ambos sejam ruins hoje em dia, mas que apenas envelheceram bastante.

Inclusive vale lembrar que Chaves não morreu junto com Bolaños, apesar de que há uma certa confusão mental normal destas situações onde associamos o real e a ficção como uma única coisa. Chaves morreu há muito tempo. A gente esquece que o programa é da década de 70, onde os episódios pararam de ser produzidos em 1979! Chaves acabou há 35 anos… faz muito tempo! Claro que certas coisas só morrem verdadeiramente quando são esquecidas e enquanto o SBT continuar exibindo o programa, Chaves continuará em nossa memória. Sempre com aquela saudade de querer mais, porém sabendo que o que temos é somente aquilo ali.

Chaves Animado

Até acho uma pena que a animação do Chaves não tenha conseguido o mesmo sucesso do clássico. Felizmente ele não parece ser uma fracasso também, pois já acumula mais de 100 episódios, e continua sendo exibido pelo SBT, Cartoon Network e também está disponível no Netflix. Eu acho o desenho bem simpático e gosto quando ele pega piadas do antigo clássico e meio que dá uma modernizada ou expande para uma coisa nova. Eu gosto desse Chaves animado, e hoje um pouco mais do que o clássico, mas parte disso se dá devido ao excelente trabalho de dublagem que o Brasil deu para o desenho, que manteve as vozes originais dos principais personagens. E não deixa de ser uma forma de continuar o legado do Chaves num formato que pode se comunicar mais facilmente com as crianças de hoje em dia. Ainda que pare adultos o desenho continue soando estranho e bobo frente ao clássico.

Enfim, não tem como falar sobre Chaves e dizer tudo que precisa ser dito. É muito triste se despedir de Roberto Gómez Bolaños, mas não como apenas o Chaves da TV, mas como uma grande figura do mundo do entretenimento, afinal ele foi  ator, escritor, comediante, dramaturgo, compositor e diretor de televisão lá no México. Produziu muito em toda a sua vida. Pra mim ele é uma versão do nosso grande e saudoso Chico Anysio, que por sinal, já tem muito jovem e criança que nem sabe o quanto Chico nos fez rir por tantos e tantos anos. É a geração da despedida dos grandes ícones da comédia, tal como há anos já nos despedidos dos Trapalhões. Mas imagino que a geração mais velhos, de nossos pais e avós também passaram por isso quando tiveram que se despedir de figuras como Os Três Patetas, O Gordo e o Magro e Chaplin. Um ciclo termina para que outro comece.

Chaves perdura muito mais do que qualquer outro programa de comédia da TV, mas fica evidente pra mim que a sua força também diminui pouco a pouco a cada ano. Afinal nos anos 90, só tínhamos aqui no Brasil a TV aberta para assistir e o SBT reprisava sem dó ou pudor Chaves. Hoje, no mundo da internet, os programas disputam um pedaço do dia das crianças de uma forma muito mais agressiva e não sobra muito tempo para ficar revendo pela trigésima vez aquele garoto que vive num barril e adora sanduíches de presunto.

Talvez simbolicamente, a triste partida do Bolaños seja isso, a hora de percebemos que Chaves talvez não dure mais 10 ou 20 anos sendo reprisado ou que para a infância das crianças e jovens de hoje, tanto Chaves como Chapolin não terá o mesmo significado que tiveram para nós, que estamos com 20, 30 ou até 40 anos! Pode ser que até dure para sempre, mas o impacto de Chaves hoje é muito menor do que foi para a nossa geração.

E isso não é necessariamente triste, mas apenas a constatação de que estamos envelhecendo e uma nova geração com suas próprias marcas e características está surgindo.

É isso!

Chaves ARQ

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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