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Primeira Hora | Sunset Overdrive – Xbox One

Sunset Overdrive


UPDATE 31-Mar-2015: Confira uma nova opinião do game, que complementa e muito ao que foi mencionado nesta impressão inicial! || Clique aqui!


Antes de iniciar esse texto, acho que se faz importante ponderar que esse é realmente uma impressão muito inicial de Sunset Overdrive. É possível que tenha jogado um pouco mais de duas horas de jogo, mas as últimas semanas não foram fáceis no que diz respeito a sentar no sofá e ter um certo foco num único tipo de game, seja pela corriqueira da vida adulta, seja porque andei colhendo os últimos lançamentos da temporada e cai naquela velha armadilha e ficar com muitos games em mãos e não conseguir jogar apropriadamente nenhum. Que atire a primeira pedra que não passou por isso, seja naqueles tempos de pirataria do PSOne ou dos tempos de locadora onde a gente alugava mais do que três games e já não dava conta de nenhum.

Feito esse esclarecimento já digo de cara que Sunset Overdrive começa de uma maneira que não me agradou muito. Talvez novamente o hype tenha falado mais alto, afinal trata-se de uma nova franquia num mercado massacrado de sequências, é a chegada de um grande estúdio famoso por se dar bem no PlayStation (Insominiac) e também porque as notas nos reviews foram muito mais positivas do que achei que seria. Mas de cara, não achei tudo isso que estavam rasgando pela internet.

E não que o game seja ruim, pois não é, apenas começa de uma forma bem desinteressante. Novamente, talvez nessa época de lançamentos para tudo quanto é lado não ajude muito no foco, mas o jogo não conseguiu me sugar e prender como, por exemplo, Destiny o vez desde o primeiro minuto na qual o game iniciou.

Talvez seja um erro meu, afinal essa minha tara por jogos de mundo aberto me faz muito mais crítico do que o normal. Eu começo um jogo assim e não quero o sistema pegando na minha mão ou criando barreiras para ir me dando liberdade. Não! Me libera de vez tudo que precisa liberar inicialmente e deixa que eu me viro. Eu queria que Sunset Overdrive fosse assim, mas em suas horas iniciais ele não é.

Nesse ponto fica a minha maior crítica: a de pegar demais na mão do jogador para ele não se sentir frustrado. É diferente, por exemplo, da liberdade restrita de Dead Rising 3, que te prende ali nos 15 minutos iniciais até um posto de salvamento e depois disso lhe dá tapa nas costas e diz “agora é com você, vai fazer o que quiser, seja jogar a campanha ou simplesmente ficar perdendo tempo fazendo zueira“.

A promessa de um mundo cheio de adrenalina e liberdade com armas malucas e pilhas de seres mutantes gosmentos ainda não surgiu pra mim, pois preciso continuar a calma história do game, abrindo armas, ganhando dinheiro para comprar mais armas (e munição – sim, o jogo me fez ficar sem munição em certos momentos só porque eu estava de bobeira pelo mapa), além de melhores customizações. Fora os amps, que são uma espécie de poderes que melhoram minhas armas e status como personagem. Não que tudo isso seja realmente muito chato, mas é um começo de game que não me prende o suficiente para me divertir como achei que seria.

E novamente, esse texto é somente um sentimento que estou tendo com as primeiras duas horas de jogo. Talvez daqui a pouco o jogo para de querer me ensinar a jogar um sandbox e me libera da forma que quero que ele faça. E se for esse o caso, certamente volto aqui para retratar e dizer que ele é muito mais legal após tantas horas iniciado a campanha inicial.

O problema com a campanha nem é a história. Nesse quesito posso ficar com elogios porque a proposta de ser algo esculhambado e divertido é realmente feito na medida ideal. Os personagens são engraçados, o protagonista é cativante, as piadas são escrotas (no bom sentido) e o jogo tira sarro de si mesmo a todo o momento. Nisso Sunset Overdrive acerta na mosca.

A mesma coisa vale para a mecânica de jogo. Diferente dos atuais jogos de tiro em terceira pessoa que consistem em que você fique num sistema de cobertura, ou não precise se movimentar demais, Sunset Overdrive vai contra a maré e lhe obriga a ficar a todo momento “patinando” entre trilhos, cabos e saltando sobre bases elásticas que lhe garante saltos enormes. A pior coisa no game é ficar parado, e parece que o sistema foi mesmo projetado para punir o jogador que não fica se movimentando, já que em segundos você morre se parar de se mover. Não que os inimigos ficam mais apelões, mas eles se concentram em cima do jogador e o jogador também fica mais fraco ao se manter parado, graças ao sistema de grid que garante combo e maior potencia e dano conforme você fica mudando de lugar e fazendo novos movimentos durante os combates.

Esse sistema funciona até determinado momento, ao menos inicialmente, pois os combates que presenciei até agora foram realizados em áreas muito bem específicas do game, que garantiram que houvesse opções para ficar escorregando em cabos, principalmente um trajeto mais simplório onde eu possa ao menos ficar rodando em círculos até encontrar alternativas para sair desse looping. Não é ruim, mas não me garante a sensação de estar fazendo algo diferente a cada combate, já que o esquema me parece ser sempre o mesmo: subir num cabo e rodar até acabar com tudo na área. Espero que mais a frente arenas de combates fiquem um pouco mais complexas.

Um outro bom destaque do game é a variedade de armas, ao menos as inicias são bem interessantes, indo daquelas que quicam entre múltiplos inimigos, aquelas que explodem num raio considerável de espaço e também as apelonas como uma que se controla um cachorro robô que destrói tudo em seu caminho. Curiosamente o jogo algumas armas convencionais, que apenas disparam contra um único inimigo e elas são meio chatas de serem usadas. Ah e não se preocupe com pontaria, como algumas armas são malucas o suficiente, elas não exigem muita mira, até porque não faz sentido ter isso num jogo onde você fica como um macaco pulando e escorregando para todo canto da tela.

Infelizmente não tive ainda a oportunidade de testar o multiplayer, apesar dele já ter sido aberto, mas espero fazer isso muito em breve. Achei meio chato começar o multiplayer sem armas ou poder o suficiente para competir, mas acho que agora já dá para brincar um pouco. Se for necessário, volto a falar disso futuramente aqui no blog.

No geral Sunset Overdrive me parece um bom título. Não me deu a impressão inicial de ser tudo que disseram que ele é, ou talvez fosse um título que ficaria muito mais agradável de ser jogado numa época mais calma de lançamentos, onde não há muito urgência para se jogar alguns games já pensando quando você irá começar aquele outro parado na prateleira. E sei que o errado nisso tudo sou eu, que fui meio fominha e peguei mais do que consigo jogar. Mas independente disso ainda assim fiquei um pouco chateado do game não ser tão ágil quanto um Crackdown, Dead Rising e até mesmo GTA é na questão de me dar a liberdade que eu quero logo de cara pra fazer o que quiser.

Acho que um começo de franquia, Sunset Overdrive precisa mesmo desse tempo para os jogadores se acostumarem a uma nova mecânica de jogo e um universo cheio de coisas diferentes. Não é um jogo totalmente original e único, mas tem um trabalho artístico incrível para ser algo fora da normalidade, num sentido positivo. Resta saber se essa progressão de diversão será exponencial enquanto avança no jogo, porque nesse momento inicial, ele ainda não conseguiu superar nem Crackdown e nem Dead Rising que estão dentro desse gênero de me deixar fazer o que quiser um mundo totalmente aberto.

Tenho esperanças e vejo potencial… mas nesse momento, ainda quero ver mais para poder entender os motivos de tantos elogios e reviews positivos que o título recebeu. E por enquanto é isso!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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