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Homem-Aranha | Spider-Island & Big Time – ASM #648~#673 (2011)

Cá estou, novamente, para falar um pouco da minha jornada pela cronologia atrasada do Homem-Aranha. Sim, continuo tentando tirar o atraso das aventuras do herói, após abandonar tudo anos e anos atrás. Há pouco tempo escrevi aqui no blog a respeito de Brand New Day, que me marcou como uma das piores fases que já li do personagem e hoje, quero falar sobre Spider-Island e também um pouco sobre a fase que englobam tal arco, Big Time, que apesar de faltar algumas edições para acabar ela, mas já posso afirmar que é um dos melhores momentos que já li em todos estas anos de Homem-Aranha!

E é curioso como todos os defeitos que senti em Brand New Day somem nessa fase Big Time, que aconteceu entre 2011 e um pedaço de 2012 na revista The Amazing Spider-Man (em grande parte) e que só terminou porque a Marvel mexeu em toda a sua linha novamente quando lançou a fase Marvel Now, mas sobre isso eu ainda chego lá e escreverei aqui num futuro não muito distante, assim espero.

big time spider man

A virada positiva de Big Time!

A grande sacada em Big Time é que finalmente se encerram certos aspectos viciosos do ciclo narrativo de Peter Parker, em especial a “vida de fudido” e como isso faz toda a diferença na hora de criar novas narrativas. Não há mais Peter sem grana, com problemas de emprego, preocupado com familiares, na fossa e assim por diante. Essa fase marca a melhor fase da vida de Peter Parker como Homem Aranha, é o momento em que o herói se sobressai sobre o alter ego da identidade civil e tudo isso porque Peter consegue o emprego de seus sonhos: ele vira um cientista de verdade, encarregado de projetar novas tecnologias num dos maiores laboratórios de desenvolvimento de Nova York, na qual eu como leitor nunca havia ouvido falar de sua existência – a Horizon Labs!

Com isso acabam-se aqueles dramalhões famosos do universo do personagem. Com um emprego estável, de horário flexível e com grana de sobra, resta tempo para que o Homem-Aranha finalmente se torne um grande super herói. A Horizon permite até mesmo que Peter ganhe um laboratório que somente ele tem acesso e com isso permite que ele também desenvolva novas tecnologias para que ele mesmo use como Homem-Aranha. Surgem novos uniformes, que se adaptam a situações específicas, melhorias nas teias e nos rastreadores aranha. O céu passa a ser o limite nessa fase!

Aqui também marca o fato de que o Homem-Aranha passar a fazer parte de duas grandes equipes de heróis da Marvel, a Fundação Futuro (como o Quarteto Fantástico se auto dominou após a morte do Tocha Humana) e também dos Vingadores, com direito a carteirinha de associado e tal, que por si só vira uma ótima piada na revista do personagem, com ele tendo toda hora que mostrar sua identidade como um Vingador e por tanto, um herói de verdade. Essa fase dá a real sensação do que pode vir a ser o universo cinematográfico da Marvel agora que o Homem-Aranha também passa a fazer parte. Dá para perceber claramente que o Homem-Aranha fica tão bem interagindo nesse vasta galeria de personagens tão bem quanto suas aventuras solos que marcaram época e ainda são uma identidade do universo narrativo do mesmo.

E vale elogiar os méritos na qual os editores e roteiristas dessa fase em acertar os aspectos clássicos do personagem, como a retirada da Tia May da vida de Peter momentos antes da Ilha-Aranha, a nova namorada do Peter que mesmo não sendo carismática como Mary Jane está ali para cumprir um papel importante durante toda a fase e se justifca posteriormente e até mesmo Mary Jane surge de forma mais simples e simpática a sua versão xarope e deslocada de Brand New Day, além, é claro, de J. Jonah Jameson que brilha ainda mais nesse arco como prefeito de Nova York e tem um impacto muito importante numa das diretrizes desse arco, quando a revista precisa se mostrar ainda séria, mas ao mesmo tempo trazer um J.J. que os leitores veteranos também sentiam falta desde sua saída do Clarim Diário.

Até mesmo um Venom bacana conseguiram trazer nessa nova fase, com Flash Thompson se assimilando com o simbiose que está no poder do governo americano (já que o Eddie Brock se tornou o anti-venom lá atrás na cronologia). E ficou muito bem essa fase, que chegou a ter uma revista solo e tal. Peguei as primeiras edições e as achei ótimas. Claro que ainda prefiro o Venom clássico, como o vilão e maníaco, mas essa fase dele como uma espécie de bomba relógio, esperando pra dominar o Flash é animal e o Flash também se torna um personagem mais profundo e carismático, especialmente na Ilha Aranha e no drama dele com seu pai. Vale a pena ver essa fase do Venom! (Ah, a mini série Carnage de 2011 também é foda, vale procurar!)

Enfim, Big Time é a fase onde os leitores finalmente puderam ver como é o Homem-Aranha em sua grande auge, o quanto Peter consegue conquistar sendo um verdadeiro herói e não apenas um adolescente azarado que não consegue colocar sua vida pessoal nos devidos eixos. É a fase do crescimento em todos os sentidos. O que depois acaba culminando na Ilha Aranha, um dos arcos mais irados que já vi do Homem-Aranha!

Aranhas, aranhas e aranhas! Por todo lado! Bem vindo a Ilha Aranha!

A Ilha Aranha não é um arco que vá ficar na história como um Guerra Civil, que tem toda uma proposta reflexiva dentro do universo dos super heróis, ela é mais extrovertida e maluca no nível que um Homem Aranha pode ser. Ela não foi feita para que o leitor se impressionasse com o roteiro, e sim para que a diversão viesse justamente de uma situação absurda e insana que só podíamos esperar de um Peter Parker se meter! Ela é justamente um blockbuster irado!

E a premissa é bem simples: todos os habitantes da ilha de Manhattan começam a ganhar poderes semelhantes aos do Homem Aranha e tudo vira um caos! É isso! Vilões, heróis, civis, personagens secundários do universo do Homem Aranha… ninguém escapou! E há situações realmente hilárias e divertidas neste arco em sete partes, que se estendeu na época para outras revistas da linha e também para alguns especiais de uma única edição.

Quanto menciono que o roteiro não é lá grande coisa, digo isso porque não é lá muito instigante ver o Chacal de volta aprontando isso, mesmo que mais para a frente do arco, outro vilão se mostra como cabeça de tudo, sendo que o mesmo também acaba não sendo lá grande coisa. O que vale mesmo é toda a maluquice do arco, como ver o Gavião Arqueiro não sabendo lidar com poderes de aranha, J.J. maluco com todo mundo abusando dos poderes aranhas, da horda de vilões fantasiados de Homem Aranha, com vários uniformes famosos da cronologia, atacando Manhattan e com o próprio Homem Aranha sendo enxotado da batalha porque os heróis não conseguiam distinguir o original dos vilões! Rá!

O arco também serve para resolver outros problemas que Brand New Day criou, como a proteção contra a identidade secreta cai e tudo volta a ser como antes, com qualquer um podendo descobrir a identidade de Peter se ele não for cuidadoso, ou o fato dele ter perdido o sentido aranha, apesar de que este último acontece na fase inicial de Big Time e não foi ruim porque também esse é o momento onde Peter treina Kung Fu e fica realmente irado ver o Homem Aranha mais treinado e menos dependente do sentido aranha. Alias, o próprio Aranha passa a treinar mais com os Vingadores e com a Fundação Futuro justamente para ficar mais afiado nas lutas.

E claro que como se as coisas ainda não estivessem malucas o suficiente, a Ilha Aranha começa a ficar ainda mais bizarra quando todo mundo começa a virar aranhas gigantes! E quando digo aranha, me refiro ao aracnídeo mesmo! Que loucura! O fim do arco com a Mary Jane com poderes de aranha e ajudando Peter, que passa o arco todo desmascarado porque, afinal, todos tem seus poderes é realmente muito épico.

O grande barato é imaginar que insano seria ver a Ilha Aranha sendo adaptada nos cinemas! E o mais irado é que agora com o acordo Sony e Marvel isso realmente pode acontecer num futuro distante! Ficaria incrível e é um arco que pode ser facilmente adaptado para um blockbuster de verão!

amazing big timeNão sei qual foi a reação dos leitores da época. Se curtiram, se não curtiram, ou se irritaram com o roteiro ou com a galhofa que a saga por si só é, mas é fato que algo maluco assim estava fazendo falta na revista do Homem Aranha e que casou perfeitamente com o momento de Big Time.

Pra encerrar a postagem, vale dizer que devo continuar minha viagem, totalmente atrasada, pela cronologia do Homem-Aranha. Ainda falta algumas edições para fechar essa fase e começar Marvel Now, e posteriormente a fase Superior Spider-Man. Mas calma que eventualmente chego e passo por lá! Não estou totalmente com pressa para ficar em dia com a leitura e acabar tendo que esperar mês a mês por novas aventuras. É realmente melhor ler assim, quando dá vontade e pilhas e mais pilhas de edições numa paulada só!

Mas assim, fica essa dica para quem não lê mais as histórias do Homem-Aranha ou porque sempre acha difícil retornar por conta da cronologia. Pegue a fase Big Time para ler, em especial o arco Ilha Aranha. Verá que é um das mais divertidas e malucas histórias já criadas com o personagem.

E fica essa ideia que muitos rebatem pela web quando rolam aquelas conversas sobre quadrinhos de super heróis a respeito deles serem infinitos e cíclicos, fechando fases ruins e fases boas, e reboots e remakes. Homem Aranha sofreu pra caramba entre 2008 até 2010, e em 2011 foi a virada para algo original e inédito, que no fim acabou sendo muito bom. Eu ainda não sei até quando essa boa fase foi ou até mesmo se ainda está boa, mas certamente pretendo descobrir! O meu ponto é que são estas fases realmente boas é que justificam o fato de personagens como Homem Aranha, Batman, Superman, X-Men, Vingadores, sejam Marvel ou DC, perdurarem para todo o sempre. São estes momentos que valem a pena que estes quadrinhos continuem sendo produzidos infinitamente! Não é pelo conjunto da obra, como os mangás são, mas pelos pequenos momentos de genialidade que se pode dar a personagens que existem a décadas e que pertencem as todos que ousam criar novas e originais histórias com os mesmos! Não ser amarrado a um único criador é exatamente o que permite estes ciclos tão divertidos e legais para se acompanhar nos quadrinhos de heróis!

É isso! Fica a dica de leitura se perdeu essa!


Dica: para se ler cronologicamente as HQs Homem-Aranha? (clique aqui)


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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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