Conversa de MangáLendo

Lamen | Opinião – Dragon’s Tale & Super #1

Lá em meados de julho comentei aqui no blog a respeito do projeto Lamen – Mangás bem Servidos, uma plataforma de leitura online de webmangás nacionais. Perdeu o post? Basta clicar aqui. Na ocasião comentei um pouco a respeito dos títulos que estavam estreando na ocasião, um novo webmangá todos os sete dias da semana. E o tempo passou e agora voltarei a falar mais do Lamen sempre que possível, fazendo essa espécie de Conversa de Mangá BR.

Demorei para voltar a comentar aqui os títulos lançados porque como o projeto ainda está começando, os lançamentos dos títulos estavam seguindo uma periodicidade de algumas páginas por semanas, porém no final de tudo, elas encerrariam os primeiros capítulos de cada mangá. Isso significa que acompanhar semanalmente não me agradou muito, pois as páginas liberadas semanalmente nem sempre encerravam uma ideia ou ato do capítulo em si. Sendo assim, resolvi esperar realmente a conclusão dos primeiros capítulos de todos os tipos para aí sim ler cada um. E digo que pra mim isso funcionou muito melhor do que se tivesse continuado a acompanhar as poucas páginas por semana.

Agora todos os títulos estão com seus primeiros capítulos encerrados e os segundos capítulos devem começar em setembro, juntamente com mais três novos mangás. Fico feliz de ver o projeto andando e já começando sua segunda fase de capítulos e novos títulos.

Hoje vou comentar a respeito de Dragon’s Tale e Super, e nos próximos dias vou pegando outros mangás e fazendo meus comentários sobre cada um. Assim também dou um espaço de tempo e folga para quem ainda não conferiu e quiser conferir os webmangás do Lamen.

ATENÇÃO! Vai rolar spoilers a partir deste ponto! Se você não leu o capítulo 1 destes mangás, corre no Lamen e leia, são curtinhos! Aí depois você volta aqui!

Dragon’s Tale #1 – Sonho ou Premonição?

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Então, é meio difícil opinar sobre um mangá nacional, não? Quero dizer, ler um mangá japonês, um universo que já estou habituado, conheço o estilo, sei da capacidade de até onde o mercado de lá conseguir ir é um pouco mais fácil de que escrever sobre algo feito aqui, onde ainda estamos aprendendo a ter nossa própria identidade e estilo.

A primeira coisa que me vem em mente é que Dragon’s Tale mistura um pouco destes dois mundos. Fica claro a influência japonesa, ao mesmo tempo em que insere elementos que funcionam muito mais para a gente como público de que funcionaria lá no Japão. Quando for falar de Super mais abaixo vai ficar mais evidente, mas o caso é que o primeiro capítulo de Dragon’s Tales não diz muito o que esperar do título. Ainda fica uma aura de suspense e mistério do que esperar do mangá.

Ele começa como um mangá porradeiro, que automaticamente me remeteu as minhas lembranças do desenho animado do Street Fighter II, que passava no SBT na década de 90. Não sei se foi uma influência, mas foi uma memória que me veio em mente. Depois a coisa fica meio maluca, com uma fada e o protagonista nu num plano neutro o colocando como escolhido e que sua vida está em perigo. A coisa meio que muda assim de um mangá de briga de gangue para um mangá de fantasia e não sei exatamente se gostei disso.

Até porque é esse o gancho para o segundo capítulo que começa em setembro. O que diabos é essa coisa fantástica que o protagonista sonhou? E onde isso será inserido no universo na qual ele vive. Bem, não dá para chutar muito.

Ainda nesse medo de comparar mangá BR com mangá JP, e para ser sincero, talvez eu possa estar falando uma bobeira, pois não anda começando muitos novos mangás ultimamente e por isso não tenho uma certa experiência com “capítulos 01” de novos mangás, mas a impressão é que aqui, neste caso, não se tem o tempo de páginas que um novo mangá japonês teria para apresentar seu universo. E por isso fico muito indeciso entre gostar e não ter gostado.

Posso dar pontos positivos e negativos. Eu gostei do traço do mangá. Achei incrível o desenhista ter feito algumas páginas duplas com uma arte fantástica. Técnica e nível vem com o tempo, mas mesmo assim não faz feio. Considerando novamente que somos um gênero na qual procuramos nosso próprio estilo vindo de uma forte influência de tantos outros estilos que já existem lá fora. Há um capricho nisso. Já o que não gostei foi na verdade algo que talvez não fizesse diferença, mas eu já estou fora do público alvo de um mangá assim, que foi a parte desbocada do primeiro capítulo. Muito palavrão e um protagonista meio mal educado. Até no sonho com a fadinha o cara meio que solta o verbo. Não é um título de piadinhas, e não estou dizendo que precisa ter, mas sei lá, enquanto ele estava falando com o lutador provocador, ok, tinha um contexto, mas aí ele meio que foi desbocado com a fadinha e achei exagerado. Coisa minha, mas enfim.

E no fim fiquei curioso para ver aonde isso tudo vai dar. Talvez a agressividade do personagem seja justamente algo que vá amadurecer na história. A minha expectativa porém é que ele se mantenha como um mangá de briga, e não algo fantasioso com ele indo a um mundo de fadas e dragões meio Sword Art Online. Eu prefiro o estilão Street Fighter II. O jeito é aguardar!

SUPER #1 – Quero ser herói!

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Pow, eu gostei bastante de SUPER! Admito que quando li as primeiras páginas lá em julho, sem ter pego todo o contexto da série apresentando no primeiro capítulo completo não tinha gostado tanto assim. E talvez eu esteja ainda gostando de SUPER pelos detalhes errados! Calma que explico.

O protagonista do mangá parece ser o Edrik, o garoto que vive na favela e quer ser um herói algum dia. Eu não curto tanto assim o personagem. Ele é meio clichê desse gênero. É meio espalhafatoso, bate peito com tudo mundo, fala o que lhe der na telha. É o estereótipo bem comum em mangás de shonen, e não há qualquer problema com isso. Até porque como se trata de um mangá, é mais do que natural o protagonista crescer e amadurecer sua personalidade. Talvez Edrik fique mais legal com tempo!

Quem eu gostei mesmo foi do Benito, o padeiro bonzinho. Ele tem uns desenhos ótimos, com caras e bocas que ficou incrível. O personagem é super simpático. Se ele realmente morreu neste primeiro capítulo vou ficar bem chateado, já adianto. Até porque seria meio besta a forma como ele morreu, dizendo que ia defender e resolver a parada e simplesmente fica com a mão na cintura esperando ser baleado? Não! NÃO!

No começo eu achei que essa história de favela, Rio de Janeiro, iria me incomodar pelos clichês que tanto vemos em histórias assim na TV, cinema e até quadrinhos feito por aqui. Só que aí o mangá começa a trabalhar e mostrar que estamos em uma realidade original e única, e não em um espelho da realidade. O mundo possui heróis e escolas de heróis. O cenário da cidade não é o real, vide o quadro mais acima. Então é um contexto alternativo da realidade e aí a história me comprou.

Gostei do estilo dos desenhos, do vilão com cara de vilão estereotipado de novela, alias a animação RIO fez o mesmo com seu grande vilão. Não há um problema nisso, já que parece ser nosso estilo, assim como lá fora há certos tipos e caras para vilões.

Meu único medo é essa história do Edrik querer ser um herói e agora ganhou, aparentemente super poderes (elétricos) e talvez vá frequentar uma escola de heróis, é que tudo isso acaba ficando meio semelhante a Boku no Hero Academia. E não que seja justo comparar os títulos, mas no meu caso, que ando adorando Hero Academia, fica meio difícil não mentalizar a comparação. Espero que a coisa ande por outro lado, espero mesmo.

No mais é isso. Eu entendo que é algo novo que está crescendo no Brasil, que em comparação com lá fora, seja Europa, Estados Unidos ou Japão, ainda somos relativamente novatos. Temos muitos casos de estereótipos e clichês em nossas narrativas que precisam ser trabalhadas com o tempo, e uma identidade própria que precisamos aprender a ter em relação as nossas influências estrangeiras, porém acho que o exercício proposto pelo Lamen esta se cumprindo! Eu realmente estou animado para ler as outras séries com seus capítulos completos, assim como quero ver as sequências destes comentados aqui. Porém ressalvo que irei esperar o capítulo 2 sair por completo. Pra mim é a fórmula que deu certo!

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Obs: tenho apenas uma crítica relacionado ao Lamen em si, não aos capítulos. Como é algo que está sendo feito por aqui no Brasil (sem depender de materiais de fora pego de outros locais), os responsáveis pelos mangás e também os responsáveis pelos sites deveriam pensar na resolução das imagens das páginas dos capítulos. No caso de Super e Dragon’s Tales, os arquivos de imagens foram subidos no site em 800px de largura, porém aqui no meu PC elas abrem em mais de 1100px de largura, o que por consequência diminuem a qualidade dos desenhos. No caso do Dragon’s Tales que possuem páginas duplas, estas páginas sim estão numa resolução e qualidade incríveis, mas as páginas normais sofrem desse mal da imagem aumentada que perde resolução. Espero que isso seja algo que o site esteja analisando para mexer no futuro.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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