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How to get away with Murder | Trapaceando um assassinato!

Esta primeira parte é sem spoilers, pode ler sem medo!

Eu nem sei por qual motivo comecei a assistir How to get away with Murder, uma das estreias da temporada do ano passado da ABC. A série começou a ser exibida em setembro do ano passado lá nos Estados Unidos, e teve uma temporada completa de 15 episódios, fazendo um sucesso absurdo lá fora e garantindo sua renovação para uma segunda temporada, que alias começou por lá agora no dia 24 de setembro.

Para alguns o nome desse série não deve ser estranha, pois ela foi exibida aqui no Brasil na TV por assinatura, no canal Sony e estreou recentemente sua primeira temporada completinha aqui no Netflix brasileiro. Eu que estava vendo pela internet mesmo os episódios, aproveitei a chegada da série no Netflix e fiz uma pequena maratona do nono ao décimo quinto episódio em um único final de semana.

Se você ainda não assistiu essa série, está perdendo um excelente programa de mistério e suspense. How to get away with Murder é uma ótima série criminal de mistério. Quem matou quem? Você tem alguns episódios e pistas para descobrir a identidade do assassino, enquanto um outro crime é cometido e que se enrosca com o crime principal, e no meio da temporada, eis que surge uma reviravolta e tudo pode mudar até o fim. É o tipo de conto que você vai ficar preso na trama até que o Scooby-Doo tropece no vilão ao final da temporada e a Velma puxe a máscara do monstro… ou quase isso.

O engraçado é que o trailer de divulgação da série, na qual estou postando logo abaixo, não faz jus a série. A trama vai muito mais do que uma série de advogados ensinando alunos a serem inescrupulosos no tribunal. O crime e o suspense da trama principal funcionam muito mais do que uma série procedural de advogados com o caso da semana. E há casos da semana, as vezes, porém eles são uma espécie de gancho para que a trama em si continue crescendo e evoluindo. Não é algo barato e desnecessário, e em grande parte é dali que você vai aprendendo mais sobre os personagens e suas éticas e morais, na qual a série faz questão de cutucar a todo momento.

Resumidamente a série mostra essa classe de Direito Penal, por uma advogada linha dura, e um grupo de alunos que são escolhidos para fazer parte de uma espécie de estágio interno, conhecendo as rotinas dos tribunais e participando do processo de se criar uma defesa aos clientes dessa advogada.

Nesse meio tempo, o campus da faculdade é cenário de um crime, um assassinato, que aparentemente nada tem a ver com os alunos e essa advogada, exceto se não fosse o flashback inicial do piloto que deixa claro que em um momento futuro, estes alunos estarão envolvidos em um assassinato, sem deixar claro ainda o que diabos eles fizeram ou quem mataram ou até mesmo se de fato mataram.

Lembra um pouco aquele cenário de “Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado”, sempre com um grupo de jovens comentando um crime e querendo se safar do mesmo. O incrível é que How to get away with Murder constroi uma narrativa tão tensa, densa e real que você compra a história, querendo saber mais o que acontecendo e como é que esses personagens vão se livrar de uma merda épica na qual se meteram.

Com isso, a premissa da série é resolver a trama principal. Quem são estes personagens, o que eles fizeram e como chegaram ao momento na qual estão no meio do mato discutindo o que fazer com um suposto corpo. E vai por mim, nada é o que parece, nada é tão simples, e todo mundo acaba se tornando um suspeito em algum momento.

Claro que a atriz Viola Davis, que interpreta a professora e advogada Annalise Keating merece um salva de palmas de um estádio inteiro, porque quem show a atriz concede com essa personagem. É de ficar de boca aberta com algumas cenas.

O grande mérito da série é provocar e cutucar. Seja a ética do mundo do Direito, as falhas do sistema judiciário, a moral pessoal de cada indivíduo e por aí vai. Tudo isso envolto em uma boa trama de crime perfeito e um mistério de quem matou uma das alunas que dá o pontapé a tudo que os 15 episódios do primeiro ano vai trabalhar.

É mérito também que a série trabalhe com uma temporada de apenas 15 episódios, o que permite menos enrolação e mais emoção. Você não sente a história estagnada, parada porque precisa durar mais do que deve. Os jovens, que não são meros adolescentes – é preciso dar essa distinção – são personagens diferentes, cada um com suas características próprias e que apesar de possuírem certos dramalhões, estes são condizentes com o mundo adulto, ainda que exagerados e romantizados um pouco. São personagens interessantes no final das contas, justamente por serem tão diferentes.

Enfim, é sério, vá assistir! Dê uma chance ao primeiro episódio. Se a série não te convencer aqui, não precisa continuar assistindo. Aproveite o fato dela estar no Netflix. E pode ficar tranquilo, o mistério de toda primeira temporada é solucionado nesta temporada. Há um gancho para o segundo ano sim, mas é uma coisa nova, e fica apenas com isso na cabeça para eu não te entregar nenhum spoiler.

how-to-get-away-with-murder-elenco

A partir daqui vai rolar spoilers (incluindo o fim da temporada)! Você foi avisado!

Bem, podendo agora comentar um pouco mais livremente sobre a série, achei muito bom a proposta do show, que não deixar bem claro a sua moralidade. Ela tem um pouco do “errado” de House of Cards. Quer dizer, a turma do Wes realmente cometeu um crime, a Annalise é uma advogada quase sem escrúpulos e ainda assim você torce para todos ali de livrarem dos crimes na quais estão todos cometendo a todo episódio.

Fico com a impressão que o ponto de virada da série ocorre em meados do capítulo nove, quando é revelado boa parte do mistério em torno da noite na qual o Sam morre. Até ali eu podia jurar que ele era realmente o culpado pela morte da garota da caixa d’agua, mas logo depois que o episódio terminou, me bateu aquele pulguinha “e se ele não for?”. Afinal ainda haviam mais 6 episódios até o final da temporada.

Caramba como é bom uma série que me pega desse jeito, indeciso e sem conseguir adivinhar o que vem em seguida. E é difícil hoje em dia não bolar tramas previsíveis. Eu juro que em nenhum momento me passou pela cabeça que o Frank poderia ser o assassino, ainda que a mando do Sam, e olha que isso estava na minha cara o tempo todo. Admito que lá perto do final do episódio 15 fiquei com a ideia fixa de que a Bonnie teria matado a garota, afinal estava quase claro que o Sam não teria de fato a assassinado (no fim, ele mandou, o que dá quase a mesma coisa).

Além disso tem o caso da Rebecca, uma personagem que me dava nos nervos por não levar a coisa a sério. A série conseguiu colocar a dúvida do papel dela no assassinato próximo ao fim da temporada, mas não cheguei a imaginar o a morte dela seria o gancho para o ano 2. E agora? Quem matou a guria?!

Outra coisa que achei genial foi a história do antigo dono do apartamento do Wes, com os arranhões na parede. Também não me liguei que esse pequeno fato seria muito mais importante no fim da história e o ponto de partida para se descobrir a verdade. Boa sacada dos roteiristas.

Agora que venha o segundo ano, com o mistério de quem matou Rebecca. Não acho que a série vá conseguir se sustentar por muito tempo apenas com essa coisa de “quem matou quem?”, porém é uma maneira interessante de terminar o primeiro ano. Fora os ganchos que isso pode abrir daqui pra frente, como para quem Rebecca mandou a mensagem de tempo e tal.

Fico com a impressão de que How to get away with Murder tem fôlego para mais uma temporada, e dependendo de quão boa a nova for, pode vir uma terceira. Mas depois disso, ou a série encerra ou precisaria trocar seu elenco, porque é impossível o mesmo grupo de pessoas se meter em tanta merda e continuar se safando indefinidamente. Precisa mudar o jogo, caso contrário, o show perderá a graça.

how to get away with murder cartaz

Trama de mistério e assassinato impecável
Construção narrativa dos episódios dá uma imersão inesperada
Personagens provocativos e instigantes, a série cutuca ética e moral a toda momento
A atriz Viola Davis dá um show como Annalise Keating
Modelo de 15 episódios por temporada é perfeito, não cansa e não é curto demais
Bem, eu não consegui adivinhar o assassino. Ponto para produtores!
Rola o gancho para o ano 2, mas já me preocupo se a série dura muito nesse fórmula

Não existe crime perfeito, é tudo uma questão de tempo até lhe descobrirem!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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