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Crise (3) | EA Access e o 1º passo do futuro sem comprar games?

OK, o título é exagerado propositalmente. Eu não acho que vá existir um futuro onde os videogames possam existir e os jogadores não vão adquirir games. Até mesmo se você pensar no passado, lá pelos anos 80 e 90, quando era muito mais comum alugar cartuchos em locadoras, ainda assim eventualmente as crianças ganhavam games eventualmente. Não se compara aos dias de hoje onde é comum termos prateleiras cheias de games, mas ainda assim, existia a compra de games.

Deixando de lado o passado, e pensando mais no futuro e de toda essa conversa nas duas matérias anteriores (esta e esta), agora é o momento de deixar um pouco o pessimismo de lado e pensar em maneiras de se adaptar as novas regras que o mercado nacional de games está impondo aos jogadores.

Nesse ponto acabei pensando em serviços como o do EA Access, que por coincidência ou não, começou a veicular o comercial que abre a postagem no You Tube, lembrando da existência do serviço, seu valor e suas vantagens. E é um comercial muito bem feito e bem humorado, despertando a atenção de qualquer um que tenha a possibilidade de assinar o serviço.

A proposta é bem simples, você paga o EA Access, no valor de 10 reais mensais ou 59 reais por ano, e aí tem acesso a baixar lançamentos digitalmente alguns dias antes da data oficial do lançamento, tem 10% em produtos da EA na Xbox Live (a EA Access não tem no PlayStation 4) e, a melhor vantagem, é poder jogar alguns games antigos da EA sem ter que pagar por eles. Títulos como Plants vs Zombies Garden Warfare, Battlefield 4, Fifa 15, Titanfall, Need for Speed Rivals, Dragon Age Inquisition e agora em outubro Battlefield Hardline também deve ser liberado.

Não são tanto títulos, mas é um valor honesto para poder jogar eles por um valor mensal ou anual. E quando cansar, você apenas não renova. Parece justo, e parece que é uma boa alternativa para quem não aguenta bancar essa geração de games a 200 reais.

Eu ainda não sou assinante da EA Access, mas pretendo efetuar a minha assinatura anual ainda neste mês de outubro. Vou entrar nessa iniciativa e torcer para que no futuro, talvez outras empresas possam criar seu próprio serviço de assinatura onde você pague um valor anual ou mensal, e possa jogar a biblioteca de títulos da mesma. Diante da situação atual, eu viveria fácil pagando assinaturas de empresas como Microsoft, Ubisoft, Square Enix, Bandai Namco e Activion. E ainda que todas tivesse o mesmo valor ou fossem o dobro de um EA Access, é bem possível que saísse muito mais barato do que ficar comprando os games no preço que eles estão custando atualmente.

Talvez esse seja o momento do desapego. E parar de pensar em ter um console e uma prateleira cheia de games. Apesar que esta geração vem incentivando muito a biblioteca digital, justamente para que os jogadores desapeguem das mídias físicas.

Para alguns isso talvez parece um absurdo, mas eu me lembro que há alguns anos atrás quando a Netflix chegou aqui no Brasil muitos, incluindo eu, ficaram receosos com essa história de pagar por um serviço onde você não era dono dos títulos. E o medo de que a Netflix fosse acabar com o mercado de Home Vídeo de DVDs e Blu-rays? Sim, o mercado foi afetado, mas não foi extinto. E eu, que era um consumidor compulsivo de DVDs, hoje posso respirar mais aliviado. Não parei por completo de comprar algumas coisas no Home Vídeo, mas sou muito mais seletivo graças a estes serviços como Netflix e Crunchyroll. Alias, adoraria que outros como o da Amazon e o famoso Hulu Plus viessem ao Brasil. Seria interessante fomentar esse mercado com outros serviços de streaming que realmente fazem a diferença.

Retornando ao games, a EA parece que deu um primeiro passo importante para entender o futuro do mercado. Há uma preocupação real de quanto os games custam hoje em dia, seja para produzir quando para vendê-los. Tanto que o senso comum para muitos jogadores são de que os games saem hoje em dia incompleto, quando precisam de expansões e DLCs que os tornam mais relevantes (cof… Destiny… cof…).

A própria ideia da Games With Gold na Xbox Live e a a PlayStation Plus na PSN, na qual os jogadores pagam por um serviço online e com isso desfrutam títulos gratuitos sendo liberados mensalmente é um excelente exemplo. E estes títulos funcionam como estes serviços onde se você para de pagar, perde o acesso. Me parece um caminho natural para criar uma comunidade que não possui poder aquisitivo para comprar games, porém encontra nestes sistemas um meio de manter jogando novas coisas regularmente (ainda que não sejam lançamentos). E conforme ela cresce você passa a perceber dois momentos de grande atividade dos jogos: a primeira quando eles são lançados e a segunda quando eles passam a serem permanentemente ou temporariamente gratuitos.

Claro que tudo isso levanta outros debates e fatores. O Xbox One, por exemplo, foi apedrejado quando foi anunciado por incentivar e quase obrigar os jogadores a terem seus títulos digitalmente. Muito se fala que quando e se houver uma próxima geração de consoles, os mesmo provavelmente não terão entrada de mídia. O próprio Nintendo NX já tem rumores dizendo que não terá esse recurso. O futuro parece caminhar para esse quadro, onde serviços de assinaturas criam vantagens grandes em mercados onde a aquisição de jogos não pode ser tão frenética e habitual quanto é aos norte americanos.

Não estou dizendo que a EA Access é a salvação do mercado de games no Brasil, ou a solução para tudo. Mas em tempos complicados, ela me parece uma opção interessante para aqueles que procuram algo para jogar e para injetar um pouco mais de paciência na gente, enquanto aquele lançamento permanece custando seus absurdos duzentos e tantos reais.

É como no passado das locadoras. Naquela época não tínhamos dinheiro para jogar todos os games ou ter todos guardados em nossa casa. Nós virávamos com as locações. Eu encerrei Super Mario RPG assim, e não foi tarefa fácil de um único final de semana. Hoje as locadoras morreram, mas ainda conseguimos ter videogames e consoles e aproveitar jogos de uma forma que não necessariamente a gente precise estar comprando novos games todos os meses. E eu arrisco dizer que isso que estamos vendo com PS Plus, Games With Gold e EA Access é apenas o começo. Esse é um segmento do mercado de games que pode dar muito certo em lugares do mundo como o nosso, onde adquirir games não vem se provando uma tarefa fácil.

E aí? O que você acha?

ea-access-wall

OBS – e só para deixar claro então, futuramente então vai rolar aqui as impressões da EA Access sobre o ponto de vista de um assinante do serviço. E para saber mais sobre o serviço, existe uma página oficial em português com todos os detalhes e títulos disponibilizados até o momento.

OBS 2 – fica para um futuro comentar a respeito da Nintendo nisso tudo, já que ela é a única empresa atual sem um serviço de assinaturas e sem aparentemente demonstrar interesse nesse segmento de serviços e planos onde os jogadores possam receber games. O NX dirá mais (ou nada) sobre isso futuramente.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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