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Wasteland 2: Director’s Cut | Um game fora da minha zona de conforto!

Há quanto tempo faz que você não joga algum game fora da sua esfera de conforto? Experimentar coisas novas é sempre interessante. As vezes pode ser um desastre, é verdade, porém não necessariamente será. Uma das melhores coisas em se jogar algo pelo qual você não estava esperando e por ser diferente do que você conhece e não está habituado é que essa experiência acaba vindo sem qualquer tipo de hype, aquela expectativa desgraçada na qual quase nunca é correspondida quando estamos naquela animosidade irracional por um game. E é meio assim que Wasteland 2: Director’s Cut caiu em minhas mãos!

O que é Wasteland?

Wasteland 2 é um game RPG, com visão isométrica (você olha de um ângulo superior), baseada em combate tático e por turnos! Mais fora da minha zona atual de games impossível! Faz muito tempo que não pego um RPG em turnos. Talvez o último game por turnos que joguei tenha sido o que? Blue Dragon no Xbox 360 (ah que saudades… até hoje sonho por uma sequência). Game com visão isométrica? Bem sempre tem aqueles títulos indies da Live, mas particularmente me recordo de ter odiado aquele Lara Croft and The Guardian of Light da geração passada. E combate tático? Hum… precisarei ir mais longe. Jeanne d’Arc do PSP provavelmente. Bem, faz tempo, não?

Antes de continuar se faz necessário dar algumas bases sobre a série Wasteland para aqueles que, assim como eu, estão chegando agora nesse mundo louco pós-apocalíptico de Rangers, robôs e criaturas mutantese em uma jogabilidade que tem esse ar retro e também muito mais hardcore do que os jogos atuais. Isso ocorre porque o primeiro Wasteland é de 1988, olha que loucura! Foi lançado em DOS (você que é novinho, nem deve saber o que diabos é isso! E eu tive aula de DOS no ensino médio, quando a gente ainda o chamava de colegial, rá!), e também para Apple II e Commodore 64. Só relíquias do passado!

Outra coisa que você precisa saber é que Wasteland foi o precursor do primeiro Fallout, mas não esse Fallout insano e hypado que você conhece desde Fallout 3 e aguarda salivando por Fallout 4. Isso talvez você já saiba, mas o primeiro Fallout é de 1997 e ele era graficamente muito diferente do que a franquia é hoje. Sim, ele era bem parecido visualmente com Wasteland. E sim, Wasteland e Fallout possuem um nome em comum: Brian Fargo, um dos fundadores da saudosa Interplay Entertainment e atual dono da inXile Entertainment. Que loucura!

Quer algo ainda mais louco? Wasteland 2 foi um projeto que teve seu primeiro pontapé no Kickstarter e olha só os resultados! O game que está chegando aos consoles esta semana, mas lançado em setembro de 2014 no PC, chegou a pedir 900 mil dólares em sua campanha no Kickstarter e foi finalizado com 2 milhões e 900 mil dólares! Veja só o tamanho da nostalgia e do apreço que os envolvidos, o estilo de jogo e tudo afinal que isso representa teve por lá.

E pronto, acertei as bases. Você que adora esse tipo de game, que conhece a história de Fallout, que não estava fora dessa bolha como eu estava, certamente já sabia de tudo isso, não? Bem, eu avisei, esse realmente não é o tipo de game pela qual estou habituado a conhecer ou acompanhar!

Aperte Start e vamos lá!

wasteland 2

Bem, agora eu preciso fazer um alerta! Quem joga esse estilo de game habitualmente vai querer arrancar os cabelos comigo a partir desse ponto (se já não o fez só pelo fato deste game estar completamente fora do meu radar). Meu relato aqui será de um completo noob (novato) nesse tipo de jogabilidade e estilo de game, então siga por sua conta e tenha paciência comigo!

A minha intenção aqui é justamente discutir o quão acessível é esse estilo de game para quem não está habituado com o mesmo. Wasteland 2 consegue ser acessível a qualquer pessoa? Bem, sim e não! A primeira barreira que você precisa conseguir superar é o inglês. O game não é localizado no Brasil e há muito, mas muito texto! É um RPG oras! Não é nada que torne impossível apreciar o jogo, entretanto é obrigatório fazer este alerta, ainda mais em uma geração cada vez mais acostumada com a localização de games.

Não deixa de ser, em todo caso, uma excelente maneira de afiar um pouco seu inglês. O jogo possui aquele sistema clássico de grifar e destacar palavras chaves no meio das falas, como “missão”, “vá pra isso”, “faça aquilo”, “procure fulano”, “pegue isso”. Então é aquele inglês básico dos antigos RPGs, se você tem isso, já te ajudou meio caminho. Quando a história, aí você precisará ter um pouco mais de paciência, apesar de que muito você entende pelo visual! É um mundo pós-apocalíptico, tudo deu merda, as pessoas vivem na desgraça de um mundo detonado por uma guerra nuclear, e você controla um time de ajudantes do xerife, por assim dizer. Inicialmente você vai se deparar com casos e o xerife vai te mandar pra lá e pra cá para resolver essas pendengas. É simples, até porque você está conhecendo e aprendendo mais sobre esse mundo.

Outra coisa que pode assustar os marinheiros de primeira viagem é a alta complexidade das customizações dos personagens e suas classes e atributos antes de começo do game. Se você nunca jogou um game assim, você mal saberá por onde começar. Há dicas e sites que vão te auxiliar isso, caso queira, mas eu resolvi ir na contramão e fui nos parâmetros automáticos que o game lhe oferece caso você seja um novato. Justo e honesto, aceitei a pequena ajuda do game nesse sentido. Apenas mudei um pouco a aparência dos meus personagens (não alterei as classes automáticas que o jogo me deu) e bola pra frente! Customização é pra quem sabe o que está fazendo e eu queria ver se isso não era uma barreira. Felizmente não é! Ao menos até onde joguei. Pode ser um problema mais para frente, mas pretendo descobrir isso por conta própria. Obviamente, a dificuldade foi abaixada para a mais fácil possível, pois novamente, não estou aqui pelo desafio, estou primeiramente tentando encontrar uma zona de conforto e me divertir com isso. E está dando certo.

E aí você começa o game! O xerife vai te mandar fazer algumas coisas, antes de ser aceito na comunidade da vila do fim do mundo, mas ei, isso ou viver em um deserto tóxico, então não é tão mal assim. Nisso o jogador vai entender que pode explorar um pouco as áreas, encontrar itens, interagir com pessoas etc. Tudo que tem em um RPG tradicional.

O grande mapa do game, onde você viaja pelas áreas de combate e exploração do jogo é uma espécie de navegador. Você viaja por um mapa, mas precisa seguir regras, como desviar de áreas radioativas e nunca ir longe demais de onde saiu, sem ter certeza que há algum oásis no meio do caminho, pois se ficar sem água, você vai tomando dando até morrer de sede. Justo, o que vai te dar um medo inicial de não seguir as regras do game até aprender as artimanhas.

Nas áreas de exploração, há múltiplos caminhas, coisas escondidas, e inimigos na qual você pode apenas evitar um confronto, eles não ligam pra ti até que você os provoque e outros que você pode vencer na lábia, apenas conversando e fazendo sábias escolhas no que dizer a eles. Mas se não disso funcionar, lutar é inevitável!

E as batalhas de Wasteland 2 são divertidas! Tem aquele ar nostálgicos de quanto todos os RPGs eram por turnos, mas há elementos de táticos, pois lhe é permitido se movimentar como se o cenário fosse um grande tabuleiro. Claro que há limites até onde você pode ir, e quanto mais longe você for, menor ou nenhum ataque poderá se desferido nessa rodada. Você também pode escolher se esconder, o que obrigará o inimigo a se mexer ou ter alguma forma de te atacar enquanto estiver sobre cobertura. Claro que o inimigo também pode ir para cobertura, o que lhe obrigará a avançar ou a se mexer em um ângulo que possa atacá-lo. Dizendo assim, talvez você se lembre de XCOM, mas novamente, estou fora da minha zona e nunca joguei XCOM, apenas assisti alguns vídeos de gameplay dele no You Tube. Não sei até onde essa comparação é válida.

Claro que parte bacana são os turnos, como nos RPGs clássicos. Cada personagem toma uma ação por vez, ataca dentro de seu turno, ou se defende ou faz outras coisas dentro das opções do menu que abre nos momentos de combate. Cada decisão custa pontos de ação e quando estes pontos terminam, você encerra o turno e passa a vez para o próximo personagem, seja ele seu amigo ou inimigo. Ou seja, é um estilo mais lento de ação e combate, diferente dos action RPGs de hoje em dia, na qual você não tem tempo para ficar pensando e bolando estratégias (um dos meus problemas com esse gênero atual).

Também achei interessante que você pode interagir com objetos da área de exploração, como por exemplo, atirar em portões e eles abrirem. Alguns até mesmo podem acionar um alarme sonoro e atrair inimigo. Quanto as personagens, cada um possui estilos de combates e armas diferentes. Eu comecei com um que tinha apenas uma faca, então ele não podia atirar, enquanto outros tinhas armas diferentes e parece que a distância influência na eficácia destas armas (como disse, ainda estou aprendendo). Claro que conforme o jogo avança você pode adquirir novas armas e ir mudando elas em seus respectivos personagens. Há outra coisa interessante, a munição não é infinita, e nem é compartilhada entre seu time. Ficou sem balas? É melhor ter uma faca ou outra arma com outro tipo de munição, caso contrário você só terá seus punhos contra os inimigos e bem, dependendo de quem for o oponente, punhos não servem para muita coisa.

(A continuar…)

No momento vou encerrar esse texto por aqui. Pretendo continuar falando mais de Wasteland 2 aqui no site pelas próximas semanas. Conforme for adentrando mais nesse universo proposto pelo game. Espero agora aprender mais sobre o sistema de subida de leveis e a respeito da customização e fortificação dos ataques, inclusive sobre a eficácia deles, já que com armas, muitos dos meus ataques falham, o que indica que estou fazendo algo errado (atirando de muito longe ou o personagem tem um status de mira muito ruim, não sei).

Estou gostando do game, talvez justamente por ele fugir da bolha dos games habituais na qual estou acostumado a jogar. Quando se joga sempre mais do mesmo, acabamos fadados a ver mais problemas e pontos negativos do que o normal. Wasteland 2 neste caso pra mim, tem sido revigorante, ao mesmo tempo que traz um certo saudosismo.

O game está disponível para as plataformas Xbox One (a versão que estou testando), PlayStation 4 e PC. O mais interessante é que nesse clima de games e lançamentos entre 250 e 300 reais, ao menos na Xbox Store ele está custando digitalmente 79 reais (lá fora o valor dele é de 39 dólares, então está num valor bacana para nós). Vale se você está procurando algo diferente, algo nostálgico e principalmente algo mais hardcore.

Hoje não vou deixar uma nota aqui, pois ainda quero ver mais do game, aprender mais sobre mecânicas e ver o que mais ele me apresentar após as horas iniciais que já joguei. Mas na próxima vez que voltar a falar de Wasteland 2 aqui no site, e sim, eu voltarei, terei uma base e experiência maior para qualificar ele com uma nota e apresentando seus pontos altos e baixo. No momento fica apenas essa recomendação se você está procurando algo diferente e alternativo para jogar!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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