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Metal Gear Solid V | O prólogo, a imersão e as migalhas em um trilho!

Finalmente! Demorou, mas Metal Gear Solid V The Phanton Pain está em mãos! E depois de tantos sites falando bem, elogiando e dando altíssimas notas, é impossível não embarcar na montanha russa do hype. E sei o quanto ela é perigosa! Acrescente ao fato de que nunca joguei qualquer outro Metal Gear Solid. Agora você que é fã roxo da franquia me xingou, vi isso chegando antes mesmo de começar essa postagem.

Bem, talvez a afirmação acima tenha sido um pouco exagerada. Afinal eu me lembro de brincar um pouco com algum Metal Gear Solid que existia no primeiro PlayStation, porém nem me arrisco em tentar adivinhar qual. No PSP também tenho memórias fracas de ter testado algum demo da série. E claro, Metal Gear Solid V Ground Zeroes que foi disponibilizado gratuitamente na Xbox Live há alguns meses. Brinquei uma ou duas horas com Ground Zeroes, porém entendo porque muitos dizem que ele é um game com cara de demo. No mais, o que sei da série foi o que ouvi em podcasts e assisti no You Tube.

Alias deixe-me fazer uma recomendação das antigas. Volte lá em 2012, antes do Overloadr, quando ainda existia o Games on the Rocks. Existe uma épica edição de 4 horas sobre explicações e cronologias em torno de Metal Gear Solid. Sei que o Nerdcast também fez a mesma coisa recentemente, e eu também ouvi, entretanto particularmente gosto muito mais da versão do Games on the Rocks. Fica a dica! E a lição que tiro disso tudo é que Metal Gear Solid não se entende, apenas se joga e curte a experiência que cada game individualmente proporciona!

E hoje, venho aqui falar apenas e tão somente do prólogo de Metal Gear Solid V Phanton Pain que é um soco na cara! Que coisa absurdamente insana! 60 minutos cravados de prólogo, o que meio que se encaixa na coluna Primeira Hora que existe aqui no site por sinal.

Vai ter spoilers? Hum… entenda que eu não manjo nada da história geral da franquia. Vou comentar sobre os eventos de jogabilidade da primeira hora, e algumas coisas presentes nessa hora. Podem ser spoilers, podem não ser.

Metal Gear Solid V Hospital Prologue

Jogo ou evento interativo? No fim quem ganha é a imersão!

Tenho noção de que essa é uma conversa antiga. Não é de hoje que se discute quick time events, não é de hoje que se discute o quanto realmente se joga em um point & click ou o quanto um jogo precisa de cenas e história em detrimento da jogabilidade. Sei muito bem da conversa e de todo o debate que rolou na geração passada com Metal Gear Solid IV, por possuir muitas cenas de história e diálogos, especialmente no final do game e toda a questão do Kojima fazer algo cinematográfico demais para um game.

E pra mim esse é um debate sem certo ou errado. Vai de cada indivíduo, de cada gosto e principalmente da experiência de cada um. Me diverti mais com um game assistindo-o do que jogando? Não é a diversão que conta? Deveria. E Metal Gear Solid V (vamos presumir que daqui em diante estarei falando exclusivamente de Phanton Pain, ok? Esqueça Ground Zeroes) dá uma senhora aula de interação e imersão. Que prólogo mais intenso!

Sei que essa cena do hospital foi usada para revelar o título ao mundo há muito tempo atrás. Que se você for pensar, naquele momento, ou nesse momento, poderia ser qualquer game, de qualquer franquia ou uma nova franquia. Eu sei que Metal Gear Solid em sua essência original não é isso (ou parte não é), mas é uma baita experiência cinematográfica que um jogador não espera ter ao começar um novo game.

Não é um daqueles tutoriais chatos, onde você passa horas lendo textos, ou fazendo coisas óbvias. Está acontecendo algo realmente intenso no prólogo e você, ainda que seguindo um trilho roteirizado, fica aflito e afoito com o que o jogo está lhe entregando.

Fora a genialidade de algumas coisas, apenas pelo prazer da zoação, como te fazer construir um avatar que não vai ser usado ou mais ao fim do prólogo ver uma baleia surgindo do nada e fazendo aquilo que você quer que ela faça. As coisas são realmente inesperadas e surpreendentes no prólogo de MGSV. Eu nem sequer esperava algum ser sobrenatural chegando para tocar o terror em tudo! Nesse momento fiquei pensando o quão incrível seria se os atuais Resident Evil seguissem por esse caminho. Eu passei por esse desespero em Resident Evil 3 ao fugir a todo momento do Nêmesis, não? Minha memória diz que sim.

Metal Gear Solid V Hospital Prologue 002

Eu realmente tive muita sorte de começar o game em um sábado a tarde, na qual eu não pudesse ser interrompido – a esposa precisou sair e o filhão estava tirando um cochilo, apesar de que ele acordou em um certo momento do prólogo e ficou tão imerso assistindo quanto eu estava também (ok, ele me perguntou se o bicho pegando fogo era o Chama do Ben 10 – “Claro, filho, claro que é“). Se tivesse começado o game em um intervalo de almoço ou no final de um dia de semana já exausto e cansado querendo ir para cama… teria dado tudo errado. Interromper essa experiência inicial seria muito errado.

Acabei o prólogo e fiquei pensando se eu deveria continuar ou parar para descansar. Resolvi parar, e até porque queria deixar para escrever sobre essa experiência aqui no site, sem que o resto do game nublasse meus pensamentos. Eu vou voltar a falar do resto do game aqui no site, é claro. Pode esperar.

Porém não pude deixar de pensar sobre o quanto joguei e o quanto apenas interagi com o roteiro. O jogo nessa parte não me dá liberdade para fazer o que eu quiser. É seguir o colega de cabeça enfaixada e ir aprendendo algumas coisas, enquanto vê o hospital inteiro ser tomado por soldados e duas criaturas assustadoramente sobrenaturais me perseguirem sabe-se lá o porque!

Ah eu tomei um bug nesse prólogo que quase travou o jogo. Há um momento nele onde preciso aprender a atirar e pegar os guardas na porta da entrada do hospital – antes do tanque entrar com tudo –  e ao invés de descer as escadas nessa área, eu fui para a esquerda e desci em um balcão. Eu não sei se foi porque eu matei dois soldados no exato local onde era a saída desse balcão ou sei lá, só sei que o fogo se alastrou pra cima deles e travou a saída! Hahaha, mas eventualmente acabei saindo de lá usando o salto que o personagem tem. O bom é que o prólogo fazia checkpoint a todo momento, então eu poderia simplesmente ter refeito essa parte se não conseguisse sair do local em que estava.

E também fiquei maluco lá no fim quando sai em disparada em cima de um cavalo com um cavalo em chamas pelo Chama (do Ben 10, claro) me perseguindo. Caramba, que coisa louca!

São coisas assim que me pergunto se não precisam ter mais nos games de hoje. Eventos cinematográficos que sejam nesse nível de interação. Sempre admiti aqui no site ser fã de games sandbox, mas se tem algo que eles muitas vezes não sabem fazer são criar momentos como esse vivenciado no prólogo de Metal Gear Solid V, e eu sei que o game aqui também é um sandbox, o que torna esse prólogo ainda mais incrível!

Deixar o jogador interagir muito mais nas cenas, trazer uma narrativa mais intensa, me dar falsa sensação de que eu estou conduzindo a história, ainda quando em parte estou apenas assistindo e seguindo o trilho de marcação da cena. Eu realmente estava precisando de momentos assim para ficar empolgado. Eu não sou um grande fã de point & click justamente porque aí acho muito exagerado o tempo na qual fico apenas decidindo o que fazer na história e o tempo na qual a história avançar por si mesmo, porém admito que preciso dar uma chance aos mais novos, como o The Walking Dead (baixado aqui no One já) e também Life is Strange (estou tentando adquirir para o site). Eu gosto desses momentos, mas não apenas deles. Confuso, eu sei.

Em todo caso fica aí esse pequeno texto, sem qualquer conclusão definitiva, apenas o gostinho de satisfação por uma experiência incomum nos games atuais. Será que a experiência deste prólogo de Metal Gear Solid V consegue desagradar alguém? Eu não consigo imaginar alguém que não entre na imersão de algo criado nesse nível de atenção. Só sei que essa é uma experiência rara nos dias de hoje, ao menos é o que sinto.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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