Conversa de MangáJapão

Boku no Hero Academia 68 ~72 | Entrevista com Midoriya & Segundo Dia

Texto com spoilers do mangá até o capítulo 72!
Perdeu o CDM anterior? Aqui: Boku no Hero Academia 65~67!

Dentre estes últimos cinco capítulos que li sobre Boku no Hero Academia acredito que a melhor parte é a reflexão proposta pelo vilão Tomura Shigaraki sobre os ideias e a vontade que Stain conseguia transmitir as estes outros vilões, tal qual os heróis também transmitem estas convicções e ideias as pessoas. Tomura basicamente por um momento perdeu seu chão, seus objetivos e sua sua vontade de acreditar em algo, sua crença.

Me parece que a história do Tomura pode ser bem mais interessante do que a ideia dele ser apenas um vilão maluco querendo o caos, tal como ele tinha me feito pensar anteriormente. É até mesmo interessante que o Midoriya depois correlaciona as palavras do Tomura com o sentimento que talvez Kouta tenha, de que há pessoas no mundo que se perderam, que perderam seu chão, e o quanto parece ser insensível ser feliz em um mundo onde tantos passam por problemas.

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O grande problema aí, que gera a debates séries de filosofia e sociologia é o quanto temos que deixar que as tragédias nos afetem. O quanto devemos nos sensibilizar pelo próximo. Sim, Kouta perdeu os pais, eles eram heróis, e as pessoas vangloriam os heróis, sem pensar naqueles que morrem de preocupação com eles. Tomura provavelmente tem um passado terrível, que moldou o que ele é hoje e por essa repulsa de uma sociedade que deposita sua crença de justiça e segurança aos heróis, e por isso vivemos em um estado de falsa segurança, que nos impede de ficarmos preocupados ou infelizes com pensamentos de que há pessoas sofrendo no mundo neste exato momento.

É uma reflexão muito forte que Boku no Hero Academia apresenta, de uma forma leve, em um mangá de batalha. Mas é uma puta reflexão complexa. E até mesmo está ligada ao pensamento do Stain, que tinha como ideal que os heróis não fossem amadores, que eles realmente representassem um ideal verdadeiro de justiça. Stain não acreditava em “falsos heróis”, quase também puxando algo religioso, como “falsos deuses”, “falsas crenças”, que no fim, acabam cegando as pessoas e causando um mundo distorcido por “falsas esperanças”. All Might não é muito diferente nesse sentido, porém ele causa justamente o efeito contrário. Ele é a luz, a esperança, o ideal da justiça que eleva o moral das pessoas. E depois o próprio All Might admite, “eu já falhei com pessoas, eu não consigo salvar todos”, porém ele precisa que as pessoas acreditam, que tenham esperanças de que o mundo é um lugar que vale a pena ser vivido, que há pessoas que estão os protegendo, criando uma sociedade onde todos possam coexistir.

E a realidade, se você for pesar, não é muito diferente do fato de que temos governos, elegemos pessoas que tiram de nossas costas responsabilidades pesadas sobre pessoas que estão sofrendo no mundo. Nos vivemos em uma sociedade cega, porém a reflexão que cabe aqui, é que se Tomura quer dar essa visão as pessoas, o que isso muda? Ele mesmo não parece ter uma solução. Se todos tiverem seu ponto de vista, o que ele espera com isso. Aqui ele é o vilão, então claro que ele quer um mundo de horror e medo. Dá para ver quão forte é essa reflexão e proposta do mangá? Somos cegos porque precisamos, ao mesmo tempo em que precisamos também acreditar que existe a esperança, existe algo melhor para cada um de nós e aqui eu poderia até justificar o porque das pessoas precisaram de crenças religiosas, mas vamos parar por aqui, não? Isso não terá respostas exatas no final das contas, é algo impossível de ser respondido. O que não invalida a proposta de nos fazer pensar e eu realmente gostei da forma como o mangá encontrou para trazer isso à tona.

Pra fechar essa parte, meus elogios a toda a cena criada nesta parte. O Tomura estava assustador e eu realmente fiquei pensando como diabos o Deku iria se safar dessa. Sorte da Uraraka ter voltado. E finalmente a face do Tomura surgiu! Que assustador!

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Os capítulos seguintes começam a trabalhar no arco do acampamento e aqui eu ainda não tenho muito a dizer que não seja justamente a respeito dos sentimentos do Kouta, que também estão casado com as reflexões que fiz mais acima. Se eu tivesse feito esse texto semana passada, provavelmente não teria apostado que os vilões fossem invadir o acampamento tão cedo.

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Dito isso, eu talvez começaria a me preocupar com a dinâmica que o mangá vem realizando. Toda arco agora tem vilões invadindo alguma coisa, impedindo que os estudantes executem qualquer atividade escolar. Eu realmente gostaria de ver eles treinando um pouco mais antes de colocar uma emboscada no acampamento, até porque vai ficar a sensação de que é tudo ou nada. Ou eles se aprimoram ou vão se dar mal. Na hora do aperto os mocinhos sempre vencem, mas gostaria de ver eles treinando e conseguindo alguns feitos sem a necessidade de um perigo real. Tal como aconteceu com o rápido treinamento do Midoriya com o Gran Torino, no momento em que Midoriya precisava e muito entender a sua habilidade. Em todo caso, sendo um mangá de batalha, meio que era de se esperar que isso fosse acontecer.

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Agora é sentar e ver o que o autor vai desenvolver para esse arco que ele já não tenha feito nos anteriores, até porque mesmo que novamente seja um ataque de vilões em meio a uma atividade escolar, temos a chance de vermos outros personagens sendo trabalhados. O próprio Bakugou ainda não teve a chance de se provar diante de um perigo real desde a primeira invasão na escola da Liga dos Vilões. Espero que desta vez ele tenha um confronto em que mostre que ele cresceu. Fora que o fato de serem novos vilões, na qual não conhecemos suas habilidades também deixa tudo um pouco mais diferente e curioso ao leitor.

É aguardar pra ver!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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