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Reflexão | Games exclusivos perdem status quando também saem no PC?

Esta semana tem muita gente debatendo e discutindo a respeito do peso da exclusividade de alguns games em suas plataformas e o que ocorre quando essa exclusividade é quebrada com o lançamento de uma versão do game para o PC.

O assunto veio à tona no começo desta semana quando a Microsoft veio a público avisar que Rise of the Tomb Raider já está chegando ao PC agora no final de janeiro (dia 28) e logo em seguida oficializou que ReCore, outro exclusivo da plataforma do Xbox One também será lançado no PC em 2016, deixando apenas no ar se o lançamento será simultâneo ou se o game chegará primeiro ao Xbox One.

É impossível não ter a sensação de que isso vem acontecendo muito com os exclusivos do Xbox One ultimamente. E não é que isso seja exatamente uma surpresa, afinal isso meio que ajuda a Microsoft a promover o Windows 10 e sua própria loja de jogos no Windows. O PC como plataforma de venda de exclusivos também é interessante à Microsoft então.

Sendo assim parece que a visão da empresa é essa de que no futuro jogar um de seus games exclusivos em um Xbox One ou em uma Windows 10 não fará qualquer diferença, escolha a plataforma que lhe melhor convier. O que pega e o que anda criando essa acalorada discussão é se isso é saudável ao Xbox como uma plataforma independente de games.

Afinal o que me impede então de comprar um PlayStation 4 e jogar os exclusivos do Xbox One em um PC? Pois é. O que lhe impede?

E os dois exemplos citados não são necessariamente os únicos casos. Dead Rising 3 foi um dos exclusivos do Xbox One em seu lançamento e que acabou indo para o PC depois de um tempo. Fable Legends é outro que também estará em ambas as plataformas aqui discutidas quando o mesmo for lançado em algum momento de 2016. Project Spark também foi um título que chegou no Xbox One e PC – e parece que não deu certo em nenhuma das plataformas, porém isso é papo para outro dia. Pra ajudar a engrossar esse caldo, Sea of Thieves (próximo game da Rare) e Halo Wars 2 também serão lançados no PC, conforme esta lista oficial do site Xbox Wire publicada nesta segunda-feira.

Fable Legends Dead Rising 3

Fora que há estes grandes rumores que sempre existiram por aí, e todo ano acabam sendo renovados, sem nunca se confirmarem oficialmente, a respeito de planos para franquias como Halo e Gears of War também acabarem migrando para o PC. E nem é tão improvável que algo assim possa acontecer caso essa iniciativa da Microsoft de levar seus exclusivos menores para outro ecossistema venha eventualmente dar muito certo. Isso só ainda não acontecer por certas razões e motivos que desconhecemos, mas faria sentido que houvessem tais planos.

Enfim, isso é realmente ruim para o Xbox One?

Há que se tomar um pouco de cuidado ao afirmar ser ruim estes fatos. Do ponto de vista dos jogadores, que ficam irritados ao verem seus exclusivos indo para uma outra plataforma, ainda que esta seja o PC, eu realmente não vejo motivo para esse tipo de irritação. Nesse sentido isso me parece apenas mimimi de internet.


Hoje eu já não me importo muito se jogo X ou jogo Y existe apenas no meu console. Se o estúdio e o publicador do game considerarem que existe mercado para o jogo sair em duas ou três plataformas, ótimo! Quanto mais acessível o jogo é, maior são as chances dele se dar bem e novas sequências para o game serem criadas e isso é algo bom. Quanto mais jogadores se tornarem fãs de um game novo, melhor para todos!

O único problema, a meu ver, do multiplataforma nos dias de hoje é a segregação que isso pode causar nas comunidades e modos online de alguns games que possuem vendas baixas. Um game ter mais jogadores online em um console do que em outro a ponto de causar um desnivelamento da experiência online é algo muito ruim.

Talvez seja por isso que os estúdios e empresas como Microsoft e Sony já começam a pensar em jogos que funcionem cross plataformas, ou seja, entre dois sistemas diferentes. Seja o PlayStation 4 com o PC (Steam) ou o Xbox One com o Windows 10. Isso é uma via de mão dupla quando o multiplayer de determinados títulos permitem reunir a comunidade de ambas as plataformas em um único sistema de servidores e salas online. Fable Legends é um bom exemplo de como isso pode vir a ser algo positivo no futuro, já que existe esta promessa de que ele funcionará exatamente assim, permitindo que você jogo com tudo mundo, seja quem estiver em um Xbox One ou em um PC.

Claro que também há títulos de experiência solo, como o citado Rise of the Tomb Raider, que também acabam não sendo mantidos como uma exclusividade de uma única plataforma, funcionando apenas como exclusivos temporários. Sinceramente não vejo exatamente problemas com isso. No geral, a Sony e a Microsoft estão sabendo trabalhar com essa coisa de “exclusividade temporária”, o que por si só já um incentivo para os jogadores optarem por uma plataforma ou outra. Hype e “jogar antes de outros“, seja para o bem ou para o mal, faz parte desse universo dos videogames.

No caso da Microsoft talvez esse sensação seja um pouco mais complicada, pois pensamos em Xbox sem muitas vezes lembrar que ele é uma divisão da mesma corporação que mantém o Windows 10. É de se imaginar que a Microsoft fique imaginando o quanto mais seus games venderiam se toda a base de Windows 10 instalada ao redor do mundo começassem a prestar mais atenção nisso e comprassem seus exclusivos na mesma proporção que a sua base de Xbox o faz.

A Sony não tem essa preocupação. Um exclusivo third party que saia no Windows 10 ou Steam não agrega muito valor para o PlayStation da mesma forma como pode acontecer no Xbox One.

E mesmo com todo esse debate, ambos os sistemas ainda estão mantendo exclusivos “verdadeiramente exclusivos“. Até hoje não vimos um God of War ou um Uncharted no PC (e nada indica que veremos), da mesma forma que não está rolando isso com os atuais games das séries Halo e Gears of War no PC, ainda que a Microsoft já tenha tentando algo nesse sentido no passado – e se não continuou, é porque não deu muito certo na época. Alias, Sunset Overdrive é um título que podia jurar que teria uma versão para PC e isso ainda não aconteceu… ainda.

A meu ver o PC sempre foi uma plataforma singular de games. Ele compete diretamente com os consoles de mesa ao mesmo também que mantém seu próprio jogo de cintura, suas próprias regras em um ambiente diferente dos consoles de mesa. Ele é diferente e sempre será, ainda que hoje os jogadores consigam emular perfeitamente a experiência dos consoles em um PC.

Porém não são apenas os consoles que estão perdendo exclusivos. O PC também está cedendo um pouco de seu universo próprio aos consoles. Os Indies Games são um ótimo exemplo de como há muita coisa que jamais os jogadores pensariam em ver fora da plataforma do PC e que hoje fazem um sucesso – as vezes até maior – nos consoles. Os consoles estão compartilhando seus exclusivos com o PC quase na mesma proporção que PC agora compartilha o universo de Indie Games com os consoles.

Nem mesmo a Blizzard fica de fora dessa fase de namoro com consoles. Overwatch que deve ser lançado em 2016 chega tanto ao Xbox One quanto ao PlayStation 4, o que foi uma surpresa para muitos que esperavam que o game ficasse apenas no PC. Olha aí a via de mão dupla se formando.

overwatch-origins-edition

Fora que poderia abrir ainda mais esse assunto trazendo o mundo dos games mobile como uma nova plataforma de games. Já que também andam roubando um pouco de vários outras plataformas. Hoje encontramos indie games de PC no ecossistema da Apple Store e Google Play, tal como games de estúdios como Square-Enix e Capcom que saíram dos consoles e hoje estão vendendo em versão para tablets e smartphones. Ducktales Remastered e Castle of Illusion passaram as últimas duas semanas de 2015 sendo vendido por 2 dólares cada um na Apple Store na promoção de fim de ano! Há que se mencionar a Square Enix levando alguns clássicos da franquia Final Fantasy para esse mundo mobile (o preço dessa brincadeira é papo pra outro dia). Isso era algo inimaginável há uns 4 ou 5 anos atrás.

Todas estas idas e vindas para mostrar que o mercado de games está mudando, incluindo o próprio conceito de exclusividade de um game. Seja temporária ou compartilhado com o PC, o que importa é que cada console, seja um Xbox One, um PlayStation 4, um Nintendo Wii U ou um PC tem suas próprias características hoje em dia e a forma como lidam com esse universo de títulos exclusivos. Cada jogador sempre poderá decidir o seu ecossistema preferido, escolhendo pelas funcionalidades, pelos preços praticados, pelos benefícios e vantagens de cada serviço etc.

É curioso como esse amplo cardápio não  existia antigamente. Os jogadores não tinham nada disso. Você escolhia um console Nintendo porque queria jogar Super Mario ou escolhia um console Sega porque queria jogar Sonic.

Já hoje acredito que os games não são necessariamente os únicos fatores que levam um jogador a escolher plataforma X ou Y. Sim, é verdade que ainda existem muitos casos dos games que vendem consoles, os chamados lá fora de system sellers, aquele exclusivo 100% exclusivo que é tão bom – ou hypado – na qual ele por si só “obriga” o jogador a comprar o console em que o jogo está sendo lançado. Super Mario Maker pra mim é o exemplo mais recente desse tipo de situação.

Estes casos de system sellers devem continuar existindo e nem são tão raros assim – há pelo menos um game assim por ano para cada plataforma. Porém o que parece estar acabando é esse tratamento de que todo exclusivo precisa ter esse status, até porque não é fácil um exclusivo sozinho conseguir realmente um feito de conseguir aumentar as vendas de um console.

O mercado mudou, os videogames mudaram, os jogadores mudaram. Nada mais natural do que a forma como os exclusivos agem nesse mercado mudarem também.

Pra encerrar então a minha opinião sobre o assunto. Fica essa ideia de que essa onda de alguns dos exclusivos do Xbox One estarem chegando ao PC não é um problema, ao menos pra mim. Contanto, é claro, que isso não segregue ou diminuía de forma significativa a base instalada no console, o que resultaria em um prejuízo da experiência online do jogo. De resto, eu fico mais contente de ver mais pessoas jogando e virando fã de franquias que até então somente quem tinha um Xbox poderia jogar.

É isso!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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