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Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4 | A experiência do arco final da série! (Impressões)

Meu primeiro contato com Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4 aconteceu ano passado, quando estive presente em um evento da Bandai Namco em São Paulo e pude testar o modo multiplayer do game. Deste então sigo de olho no título, que finalmente foi lançado agora em fevereiro, nas plataformas do PlayStation 4, Xbox One e PC.

Um pouco antes de seu lançamento uma demo do game chegou a ser disponibilizado digitalmente nos consoles e desta vez me apresentando um pouco do modo história do game. E aí meu hype foi lá na estratosfera. Encurtando a história sobre a expectativa: passei um final de semana inteiro no game, até completar o Modo História, rever todo o final original do mangá e testar um pouco de tudo que o game tem a oferecer. Para um adulto casado, com filho e sem muito tempo, fechar um game em um final de semana e bater mais de 10 horas de tempo de game rodando no console (segundo os dados mostrados no Xbox One, que marca o tempo de todos os jogos que o usuário joga) é algo bem impressionante pra mim.

Claro que este não é o meu primeiro contato com a franquia Naruto Storm. Já a conheço desde a geração passada, apesar de ter deixado de jogar algumas das sequências. Digo isso porque sei que muitos dos recursos que estão presentes no game atual não apresentam nada de novo para muitos dos que acompanham a série, porém ainda assim eu sempre me impressiono com cada evolução, por menor que seja, que a série Storm recebe a cada novo game.

Assisti e li alguns reviews antes de vir escrever este aqui para o site, e notei que muito destas análises não receberam tão bem assim a ideia de Naruto Storm 4 ter separado o tradicional modo aventura do modo história. E é estranho, pois pra mim isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Um longo episódio interativo

O modo história agora se parece com um gigantesco episódio do animê, dividido em momentos chaves do último arco da Quarta Guerra Mundial Ninja, na qual o jogador só assume os controles quando as batalhas precisam acontecer. Todo o resto da história se desenrola por meio de cenas do animê ou renderizadas com os belos gráficos do game. A última parte desse modo, mostrando eventos que ainda não foram produzidos no anime, que segue perdido no mundo do pesadelo infinito dos fillers, rola inteiramente com gráficos in-game, o que pra mim gerou um efeito bem agradável, especialmente na luta final contra o Sasuke.

Isso porque o novo game agora possui um sistema de partículas que causa um efeito realmente fantásticos em algumas batalhas mais espalhafatosas que a série Naruto possui. Visualmente o game parece que poderia existir na geração passada sem grandes problemas, exceto quando surgem estes efeitos e partículas e coisas megalomaníacas que deixam claramente a ideia de que estamos em uma nova geração de games. Aí se percebe que é um dos Naruto mais bonitos já feito, especialmente na direção cinemática.

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A série Storm sempre foi marcada pelas batalhas dramáticas do modo single player, que muitas vezes possuem mecânicas bem diferentes dos combates em multiplayer contra jogadores reais. E aqui em Naruto Storm 4 elas continuam tão fantásticas quanto. Sempre cheias de animação, emoção e adrenalina.

Existem batalhas realmente épicas neste novo game. Há uma na qual o jogador controla o Gamakichi contra uma horda de clones do Dez Caudas que é sensacional, com um mini momento de trilhos igual os games do Sonic. Essa fase é realmente muito divertida. Em outro momento estou no meio de uma batalha usando o Kakashi contra o Obito adultos quando em um flash de micro segundos o jogo muda cenário e traz os dois crianças, lutando, e com os golpes totalmente diferente, uma troca feita em tempo real, sem pausa ou loading, foi realmente uma surpresa que me arrancou um “uau” na hora. Fora todas as batalhas de Kurama contra o Dez Caudas ou aquelas mega batalhas dos Kages. O modo história está cheia destes grandes momentos e grandes batalhas que não dá para reproduzir no multiplayer entre jogadores e esse é um tipo de cuidado realmente digno de se elogiar.

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Também vi reclamações a respeito dos Quinck Time Events (QTE) de algumas batalhas, mas na minha opinião um QTE muito complicado é apenas chato. Pra mim eles funcionam como um recurso cinemático mesmo, significando que o apertar de botão serve apenas para me lembrar que há um controle na minha mão. Eles são fáceis e tranquilos, é importante dizer isso, mas não vejo isso como um defeito, dependendo de como você os aceita.

Claro que o modo história pode incomodar o jogador ao perceber que os episódios destes modo você mais os assistem do que o joga, literalmente. Um capítulo de 20 minutos, geralmente têm duas batalhas de 4 ou 3 minutos e no restante do tempo o jogador está apenas assistindo a história, por meio das cenas já mencionadas. Felizmente elas não são somente em textos e imagens estáticas, pois se fossem seriam uma chatice que só. Para nosso deleite o modo história tem uma ótima condução de narrativa, com cenas bem animadas e com áudio, diálogos e trilha sonora do animê – e mais ao fim do review volto a falar da dublagem em português e também da opção de jogar em game em japonês.

Então é preciso deixar bem claro que no modo história, se você não estiver com saco para ver as cenas de história em si, e pular todas elas, é bem capaz de em duas horinhas terminar o modo inteiro, ainda mais se não tiver a preocupação de conseguir ranking S nas batalhas de cada capítulo.

Pode parecer que estou reclamando do modo história, mas não estou. De fato eu gostei muito dele ser assim exatamente do jeito que descrevi, porém sendo realista, sei que é um formato que muitos jogadores não curtem, então é importante deixar bem claro estes aspectos. No fim, se você estiver aqui pelas batalhas dramáticas, ao menos elas posso garantir que estão tão fantásticas quanto sempre foram na série Storm.

Aventure-se… ou não!

Terminando o modo história, o game lhe habilita o modo aventura, outro elemento característico da franquia ao longo dos últimos anos. Este é o modo que tecnicamente deveria ser um mundo aberto, na qual o jogador poderia andar pelo cenários do mundo de Naruto e interagir com outros personagens da série, fazendo missões que consistem em levar algumas coisas de um lugar ao outro e batalhar contra alguns personagens, avançando em um enredo que não tem o peso e o drama do modo história.

Quem já jogou esse modo em games anteriores da série vai estranhar bastante as limitações do modo aqui em Naruto Storm 4. E com razão! Eu não vou me recordar exatamente quais foram os games do Naruto da geração passado que joguei, mas me lembro de um onde a Vila da Folha era enorme, deixando o Naruto correr para qualquer canto, subir em qualquer lugar e vasculhar coisas escondidas por toda a parte. Era bem impressionante, admito. Já no game atual o mundo é bem mais linear e horizontal, sem escaladas livres em qualquer lugar, sem uma exploração realmente livre.

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Pode parecer um retrocesso entre os games anteriores da série, e talvez seja, mas sinceramente? Eu gostei muito mais da decisão de dividir um modo para batalhas dramáticas e um modo livre, ainda que isso o tenha deixado meio simplista e vazio. Não estou defendendo o modo aventura como ele ficou, mas defendo o fato de terem decidido separar o modo história do modo aventura.

Até porque se não fosse assim, ficaria tudo muito parecido com os jogos anteriores. Sem mencionar que alguns games depois do primeiro Naruto de aventura, puxando aqui pela memória, o vislumbre passa e o jogador acaba ficando sem saco para esse tipo de jogabilidade, e aí acaba correndo apenas para ver as batalhas grandes que ficavam entre uma aventura ou outra. E algo bem diferente de um game feito para ser sandbox e a série Naruto Storm, a meu ver, se encaixa mais no gênero luta do que mundo aberto.

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No fim há que se pensar, Naruto é um game de aventura ou de luta? Sim, ele pode ser ambos, mas acho que a longevidade do título e seu foco sempre foram as lutas e batalhas. E como acontece nestes gêneros de games, os modos single player não duram tanto quanto o jogador gostaria.

Sendo assim, aqueles que se interessam pelo título pelo modo aventura, certamente vão ficar um pouco decepcionados por aqui, enquanto quem vem pelas batalhas, multiplayer ou dramáticas do single player, vão se deliciar com a divisão feita para este game da série.

Lute como um ninja!

Hora de comentar um pouco a respeito das batalhas e lutas de Naruto Storm 4! E já dá para deixar claro que é digno de elogios o tamanho da seleção de personagens jogáveis deste game. O maior de todos os games da série até então. Até pensei em relacionar todos os nomes e versões da lista deste link, mas são tantos que desisti (vale consultar entretanto).

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São tantos personagens que eles nem cabem em uma única tela de seleção, precisando serem divididos em categorias e em abas. Há basicamente todos que você conseguir pensar, alguns deles em várias versões diferentes e com golpes diferentes para cada versão. Naruto e o Sasuke são os recordistas, claro, e presentes em versões icônicas de várias fases do mangá.

Acho legal que também tenha as versões crianças, fase original da série, e seus primeiros golpes dessa fase. E o jogo vai além do final do mangá, cobrindo até mesmo um dos filme mais recente pós o fim, trazendo versões de Naruto The Last. Até mesmo Boruto, o filho do Naruto, faz parte da seleção de personagens (para aqueles que adquiriram o game em pré-venda – posteriormente ele sairá geral para todos via DLC).

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Já devo ter dado uma ideia geral então da diversidade dos personagens que existem no game. Tem todos os amigos do Naruto, todos os Kages, do passado e do presente, todos os jinchuurikis, todos os maiores vilões, todos os aliados, todos os personagens memoráveis de várias fases do mangá, como o Zabuza. E cada um com seus próprios golpes e especiais, o que é um feito digno de elogios também.

O sistema em si de batalhas não mudou em relação aos outros games da série. O ambiente é tridimensional e controlar e carregar o chackra para poder usá-lo para correr, atirar objetos e usar golpes especiais permanecem inalterados. Há novidade fica por contra de poder trocar os líderes da batalha, ou seja, você escolhe até três personagens e pode trocar quem controlar durante a luta, porém todos compartilham a mesma barra de energia.

Os modos de batalhas são bem variados, permitindo o jogador se divertir sozinho ou com amigos, em um sofá ou online. Há modos de sobrevivência, de lutar até onde conseguir, de torneios classificatórios, em times, além de vários modos online, por ranking, eventos e sociais. Nesse aspecto o game não deixa nada a dever, há modos que satisfazem todo tipo de jogador.

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Sendo um pouco específico e abordando às batalhas online, infelizmente parece que desta vez eu não me dei muito bem nelas. O velho problema de lag aconteceu comigo em todas que testei, ainda que a minha conexão em particular seja sempre bem ruim em games de luta online, onde qualquer atraso é sempre um problema. Mas as partidas demoram um pouco a serem encontradas, as vezes caem e a existência de lag atrapalha bastante, ainda mais em um game que exige resposta rápido do jogador.

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Existe também a questão de que em um game de luta a dedicação para dominar os movesets são sempre obrigatórios quando se joga com os jogadores online, que sempre sabem tudo de cor e salteado. Não existe uma modalidade online para novatos, então recomendo que você esteja sempre afiado com uma boa equipe e que domine as habilidades e especiais.

E falando em equipe, é interessante mencionar que há equipes especiais, de personagens pré-selecionados que ativam novos combos e golpes especiais em equipe, permitindo uma maior eficiência nas batalhas. Claro que você não precisa jogar com uma equipe assim, podendo escolher qualquer outro personagem, pois eles ainda prestam suporte nas batalhas, no mesmo sistema que existe em games como Marvel vs Capcom.

Há também o sistema de despertar, que já existia nos games anteriores, que continuam por aqui, na qual consiste no personagem ganhar uma vantagem quando está prestes a perder uma batalha, ativando algum poder dormente, como Naruto ativando o chacka da Kurama ou do Sasuke com o Susanoo.

O sistema de batalhas destes games da série Naruto Storm é realmente divertido, bem diferente do tradicional modelo 2D. O jogador precisa se acostumar com a ideia de um ambiente tridimensional, em uma larga arena e com o sistema de combos e chacka que precisam ser carregador constantemente. E ambos os lados abrem essa brecha para carregar o chacka. Ainda que pra mim haja algumas limitações que esse sistema cria, com um moveset um pouco limitado por só existir um botão de ataque, enquanto o resto são combinações de outras coisas, como golpes especiais ou shurikens. Acho que alguns combos de golpes fortes e fracos deveriam existir sim, ou seja, ao menos dois botões de ataques diretos, cada um com suas propriedades, porém ainda assim não é uma experiência fácil dominar as técnicas de luta do game.

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O game também traz uma lojinha virtual, que se compra itens com o dinheiro ficcional que o game possui (ryo). Dá para comprar apetrechos cosméticos, como customizações para o cartão online do jogador e também trajes alternativos para muitos dos personagens do jogo. Gostei também das finalizações customizáveis, que são uma fala e cena do animê quando o jogador termina a luta com um golpe especial, apesar de que estas finalizações customizáveis para serem usadas o jogador precisa montar um personagem pré-definido, o que não achei tão prático assim. Estas opções menores de customizar personagens poderiam acontecer na seleção normal mesmo. Apesar de que também defendo que haja o sistema de criação de um personagem pré-definido, especialmente se o jogador tem seu set preferido e o usa sempre.

Áudio em português ou japonês? Você escolhe!

A respeito da dublagem do game, também só tenho elogios. Gostei bastante da dublagem, que se encaixa muito bem nos diálogos e cenas animadas, sem aquela coisa estranha de personagem mexendo a boca e o som não saindo, sem traduções estranhas ou vozes grotescas, especialmente dos personagens novos, que ainda não possuíam uma voz oficial por aqui. De todos, apenas a voz do Sasuke acho bizarra até hoje em relação ao original em japonês, porém todos os outros me agradam. A voz nacional do Naruto, da dubladora Úrsula Bezerra, é uma boa voz para o personagem a meu ver. O fato é quem está acostumado com o original, sempre vai estranhar a dublagem. E é mesmo uma questão de se acostumar e se adaptar, ou vai sempre achar ruim. Mas o trabalho da Bandai Namco com todo o cuidado de dublar o game inteiro é de ficar de pé e aplaudir, pois isso é algo que não achei que algum dia aconteceria com estes games baseados em animês e a Bandai Namco tem feito um trabalho exemplar por aqui.

Claro que para quem não quer dublagem, pois há quem odeie mesmo e não tem jeito, o jogo no menu de opções permite deixá-lo com áudio original em japonês e as legendas em português. Ou seja, o sistema consegue agradar a todo mundo, quem quer dublado e quer o áudio original. Não há mimimi ou chorumelas quanto a isso.

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Só teve um detalhe que não me agradou em relação ao áudio: por exemplo, deixando em japonês com legendas, muitas das batalhas do modo história tem grandes trechos de diálogos que rolam durante as batalhas, dificultando acompanhar se você estiver apenas com a legenda em português ativada. As lutas são agitadas demais, não dá tempo pra prestar atenção nas legendas. Nesse sentido, acabei optando por jogar o modo história com a dublagem rolando, onde estes diálogos conduzem a narrativa do arco. Isso me permitiu prestar atenção a luta e ouvir o diálogo sem me estressar com legenda.

Concluindo!

Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4 como um todo é um excelente game, com uma grande abrangência de modos e estilos de jogo, em uma das maiores seleções de personagens que já vi em um game de luta com personagens de animes e que agrada um amplo público, ainda que seu foco sempre pareça ser o fãs da série, o que é completamente compreensível.

Sem dúvida é uma excelente entrada para a nova geração de consoles. Com pequenos problemas aqui e ali, mas ainda assim é um ótimo recomeço. Espero que este não seja o último game da série Storm, só porque a história original acabou. Que o próximo aprenda e tenha alguns cuidados que não foram possíveis aqui. E quem sabe o retorno de um modo aventura mais complexo e mais completo. Fora que série tem um grande catálogo de batalhas dramáticas feita em todos os games até aqui. Eu esperava que algumas reprises fossem surgir aqui em algum modo especial/recap, mas não rolou. O próximo game precisa repensar como resgatar coisas que ficaram de fora e que estiveram presentes na geração passada.

Mas não espere o próximo só por causa disso! Vale jogar o game aqui e agora, e se despedir mais uma vez dessa lenda do Ninja Laranja da Vila da Folha!

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Vídeos



A maior seleção de personagens até então!
Batalhas dramáticas continuam intensas e divertidas
Vários modos de combate, online e single player
Dublagem localizada e áudio original como opção
Modo aventura não impressionou desta vez
Batalhas online requerem melhores conexões
Troca de líderes e efeito de partículas são boas adições

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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