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Savanna Game – Vol. 01 | Jogos de sobrevivência: é matar ou morrer! (Impressões)

Mais um mangá da JBC que resolvi dar uma verificada e escrever sobre aqui no site. Mais um do Selo Ink, aquele na qual a editora vem usando para lançar títulos incomuns, desconhecidos e com propostas diferentes. E Savanna Game cumpre todos estes requisitos.

O mangá trabalha com uma possibilidade inusitada, colocando uma organização do governo como criadores de um grande reality show com quase 8 milhões de participantes em uma espécie de jogos de sobrevivência, cujo o objetivo é se manter vivo!

Como assim, você me pergunta? Então, existe algum motivo para o governo dar permissão para que pessoas matem outras pessoas e elas não serem responsabilizadas legalmente para tal? Trata-se de um mundo pós-apocalíptico? Tudo indica que não. Savanna Game aparentemente se situa em um mundo normal, sem qualquer adversidade estranha, que justifique a possibilidade destes jogos de morte.

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O leitor pode estranhar essa premissa, mas os autores (roteiro de Ransuke Kuroi e arte de Eri Haruno) cientes disso também inserem estas observações sobre a perspectiva do protagonista da história, Kazuya Shibuya. O jovem é um dos milhares que receberam o convite para participar do Savanna Game. De cara ele acha que é uma piada, mas tudo muda quando canais de televisão passam a anunciar, transmitir e explicar as regras e como os jogos irão funciona, dando assim autenticidade aos convites que tanta gente recebera.

Nada de levar a sério!

Claro que o mangá acaba sendo um exercício de imaginação. A ficção e a fantasia estão inseridas no contexto, dando uma suavizada na proposta surreal. Por exemplo, em Savanna Game há equipamentos especiais e a possibilidade das pessoas conseguirem habilidades paranormais. O mangá abre com Kazuya e mais dois amigos fugindo de um dragão enorme que se materializou no meio da cidade, em meio a primeira rodada da disputa, para logo em seguida retornar um pouco no tempo e contar as coisas desde o começo, antes dos jogos começarem.

O bacana é que o mangá cria regras para todo o surrealismo. As pessoas não são obrigadas a aceitar o convite para o Savanna Game, porém aqueles que aceitarem não podem mais desistir. Durante a realização do torneio, todos recebem um aparelho especial que lhes dá acesso a tudo que possa custar dinheiro, sem que precisem pagar por nada. Comida, hotéis, roupas etc. Recursos ilimitados a todos os participantes, por assim dizer. Todos os participantes do Savanna Game não precisam mais trabalhar, devem-se focar apenas nos jogos para se manterem vivos!

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O tal torneio de vida ou morte é feito por rodadas, e a primeira rodada, iniciada no primeiro volume dá ao vencedor dez milhões em moeda local do universo do mangá, o que é muita grana. O Savanna Game também é apresentado as pessoas como uma disputa na qual o vencedor terá qualquer desejo realizado. Ou seja, é uma guerra entre pessoas onde riquezas infinitas e eterna glória serão conferidas a quem chegar no topo. Ao menos é esta a promessa feita e que todo mundo acaba acreditando, justamente porque tudo é permitido e as leis da sociedade em si não possuem mais qualquer validade aos participantes.

Enfim, o mangá segue trabalhando em tornar crível algo impossível. Às vezes ele cumpre estes objetivos, mas quem precisa não levar isso muito a sério é o leitor. Se levar a sério, torna-se impossível curtir o mangá.

Regras para sobreviver

Kazuya acaba aceitando participar do Savanna Game, graças ao poder de persuasão de seu amigo, Jin Kotegawa, e também porque a garota de quem ele gosta, chamada Mafumi Kudou, resolve participar pelas razões de um pai doente e de um tratamento que ela jamais poderia pagar. As motivações de Jin não são muito claras, ele parece apenas gostar da ideia de ter uma chance de mudar de vida e ganhar dinheiro. Mata um ser humano? Para ele está tudo bem a partir do momento em que o evento realizado está recebendo permissão governamental para que as pessoas possam cometer tal ato.

Savanna Game tem toda uma narrativa de preparo mental, ao menos neste primeiro volume. Fazendo aquele suspense do que está por vir. Antes da primeira rodada e da primeira prova a ser revelada, todos os participantes que se inscreveram no torneio, recebem um item especial. Kazuya recebe uma espada que não consegue desembainhar, Jin uma garra meio estilo Wolverine e Mafumi recebe uma semente de habilidade e com isso recebe o poder de curar pessoas. O trio forma uma parceira e resolve que ficarão juntos em todo o torneio.

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Dá para perceber o clima de RPG da história, né? O mangá tem essa inspiração nesse gênero de videogame tão famoso no Japão. A proposta em si do título nem chega a ser original, já que Hunter X Hunter teve um arco inteiro que se passava dentro de um game virtual de RPG, a saga de Greed Island, e há também Sword Art Online que brinca com a mesma premissa.

A diferença de Savanna Game é que ele não tenta criar um mundo mágico ou uma realidade virtual onde algo assim seja possível. A inserção dos elementos do RPG, das regras de viver ou morrer, são aplicadas em uma realidade normal, ao menos é o que sugere está primeira edição.

Entretanto vejo indícios de que existe algo por trás disso, de que a realidade de objetos mágicos e sementes que deem habilidades as pessoas possa ser explicado mais adiante, porém apenas com o primeiro volume não é possível afirmar isso. Ao fim, é preciso levar como uma história de fantasia, e se deixar levar pela aventura, sem ficar pensando muito no moralismo da coisa.

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Ritmo de temporada

De acordo com o que pesquisei e pelo que a JBC explicou na época em que Savanna Game foi anunciado no Brasil, o mangá possui um sistema de temporadas, sendo que cada temporada dura três volumes e com um roteirista e desenhista para cada uma. Ou seja, esse arco com o Kazuya termina daqui duas edições, que já até foram lançadas no Brasil, mas que ainda não peguei para ler. E bem, esse formato dá uma perspectiva interessante de narrativa.

Significa que a história não vai ficar enrolando, que ela terá um ponto final, ainda que seja aberto, já que pode ser que na segunda temporada novos personagens interajam com aqueles que fora foco na primeira. Novamente, estou conjecturando. Sei que a publicação aqui no Brasil já está na segunda temporada, mas somente tive acesso ao primeiro volume da primeira temporada, justamente para ver qual é a do mangá e se ele me ganhava logo de cara. Certamente até o fim da primeira temporada eu tenho curiosidade de ir, admito.

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Entrando no ritmo

E o primeiro volume trabalha bem com seu ritmo. Ele inicia com toda essa história de como um torneio assim pode ser possível e de todo o período de preparo para a primeira rodada. Kazuya e amigos passam alguns dias treinando enquanto a primeira prova não tem início. Até mesmo um personagem que pode vir a ser um aliado de Kazuya é inserido aqui nesse momento.

A história da espada que ninguém consegue desembainhar também é curiosa. Após iniciado os jogos, após conseguirem fugir do enorme dragão que foi invocado do nada no meio da cidade, Kazuya acaba se vendo em uma situação de morte e consegue desembainhar a espada, na qual ele descobre que ela tem consciência e consegue falar com o jovem! Entende o lance da fantasia e do surrealismo que mencionei mais acima? É por aí.

A primeira rodada do Savanna Game lembra muito uma das primeiras provas de Greed Island de Hunter x Hunter. Todo mundo tem um placa com seu número de identificação. Ao final do tempo estabelecido para a primeira prova, todo mundo deve colher placas de outros competidores, matando-os se possível.

Aqui o mangá impressiona um pouco, pois o leitor acha que só porque as regras permitem o assassinato de pessoas, os protagonistas da história não vão necessariamente matar outras pessoas. Bem, ledo engano achar isso. Jin, o melhor amigo do Kazuya nem é surpresa, pois desde o começo ele tem essa aura meio psicótica, mas assim que a disputa começa, eles se veem encurralados por uma gangue e ao fim da primeira batalha deles, os jovens acabam matando seus adversários. Jin com um sadismo preocupante, devo dizer, já Kazuya o faz sem muita escolha, com o auxílio de sua espada falante, que lhe ensina um pouco sobre sobreviver primeira, refletir sobre a vida do adversário depois.

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A espada do Kazuya alias acaba sendo um personagem próprio, pois tem personalidade e é toda desbocada. Ambos, Kazuya e espada, acabam lutando contra um oponente que usa um revólver com munição infinita (atira balas de ar), o que cria uma luta interessante e cheia de adrenalina. O mangá nesse ponto é um pouco sanguinário, afinal é para um gênero focado em jovens adultos. Não é recomendado as crianças pequenas então.

Curiosidade para continuar lendo

A primeira edição de Savanna Game então é isso. Pode não ser original, pode ser meio estranho sua proposta, mas ao final do primeiro volume, acabei ficando com vontade de ler mais, de ver como estes personagens vão sobreviver nessa disputa surreal de sobrevivência.

E o mangá tem um belo traço, com boas cenas de ação e perseguição. Os personagens tem traços distintos e os diálogos são instigantes. É um mangá de suspense, na qual mesmo que a trama não explique todo o surrealismo imposto pela trama, acaba criando ritmo, fazendo o leitor devorar capítulo atrás de capítulo. Até o final da primeira edição.

É divertido, é estranho e por isso acaba dando vontade de ler mais, de ver como tudo vai terminar. Ao menos nesta primeira temporada que se encerra com apenas três volumes. Espero conseguir ler o resto futuramente.

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Mangás de torneios e disputas sempre são legais
Influências e inspirações em RPGs
Boa arte, com cuidado em expressões e cenários
Há um conflito entre realidade e fantasia que pode ou não incomodar
Excelente ritmo para a proposta de 3 volumes para cada fase
Protagonistas com personalidades distintas

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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