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One-Punch Man Vol. 02 | A Casa da Evolução e a Gangue Utopia! (Impressões)

Atualmente venho escrevendo muitas impressões em torno das primeiras edições de diversos mangás e, apesar disso ser bem legal – pois me dá a oportunidade de apresentar títulos novos aqui no site – sinto vontade enorme de retornar a diversas obras e continuar comentando a respeito da história.

Até porque a primeira edição normalmente serve para construir e apresentar um universo, os personagens e uma proposta geral da o história ali imaginada por seu autor, enquanto as edições seguintes vão seguir como a prova de ferro para saber se a proposta inicial tem ritmo e fôlego para manter um plot interessante.

A minha intenção é voltar mais vezes para alguns títulos que me agradam e comentar mais a respeito da história e outros pontos que não dá para fazer em uma primeira apresentação, enquanto mantenho um olhar também sobre a qualidade da versão física do mangá, no que diz respeito a sua qualidade impressa.

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Com isso em mente, eis que cá estamos, de volta ao mundo de Saitama, no segundo volume de One-Punch Man! E se você perdeu as impressões do primeiro volume do mangá, tal como a apresentação de seu universo e do que se trata a obra, irá encontrar a resenha da primeira edição neste link.

Importante — A minha intenção aqui é dar uma geral sobre a história deste segundo volume e comentar alguns pontos legais de como o mangá continua seu desenvolvimento. Não vou ficar narrando ou detalhando cada pequeno momento de todos os capítulos da edição, portanto para quem se preocupar com grandes spoilers acredito que pode continuar a leitura sem medo.

O segundo volume de One-Punch Man começa exatamente com o gancho deixado pelo primeiro volume, com o pequeno arco A Casa da Evolução, que se conclui aqui mesmo e ainda sobra espaço para a história com A Gangue Utopia, enquanto a edição se encerra com outro gancho para se trabalhar em seu terceiro volume.

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De fato, quem já assistiu ao animê da obra, lançado ano passado com apenas 12 episódios, não vai encontrar muita coisa inédita nesta edição, não que isso torne irrelevante a leitura da edição. Na verdade acabei pescando pequenos detalhes que não tinha me atentado quando vi a série animada ano passado, talvez pela forma corriqueira na qual geralmente assisto animês. Aliás, OPM já possui 7 OVAS e não assisti nenhuma delas. Preciso uma hora destas sentar e vê-las, pois nem sequer sei do que elas se tratam.

Voltando a edição, tem um fato na versão impressa pela Panini que me chamou a atenção neste segundo volume e que havia reclamado quando escrevi as impressões do primeiro volume: as páginas duplas. Para a segunda edição a Panini (ou a gráfica na qual o mangá é impresso) tomou um maior cuidado com as páginas duplas. Agora a arte original não está mais sendo comido pelo miolo e nem preciso abrir violentamente o mangá para conseguir ver todo o quadro inteiro de certas páginas. Perfeito!

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Ah e que beleza a segunda edição trazer mais um marcado de páginas, não? Acho tão maneiro essa iniciativa de tantas mangás atualmente trazerem, vez ou outra, marcadores de páginas!

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É legal acompanhar One-Punch Man em seu formato… hum… ia dizer original, mas isso se aplicaria a versão digital feito apenas pelo ONE, não? Talvez o ideia seja dizer pelo formato definitivo, já com o traço do Yusuke Murata. O traço do Murata aqui é inacreditável, ainda que o ONE mande muito bem no argumento da série, conseguindo criar contexto e conteúdo para uma ideia simples: um herói que é tão poderoso que conseguir vencer qualquer oponente com apenas um soco.

Fico contente de ter decidido aguardar o lançamento oficial do título aqui no Brasil. É bem mais gostoso pegar um mangá que ainda não tenha lido pela internet e ser surpreendido pelo conteúdo dentro da versão impressa. Até porque sei o quanto é difícil essa transição da comodidade da internet para a aquisição da versão oficial. Posso citar como exemplos One Piece e Bleach, que o acompanho online há muito tempo, bem antes do lançamento oficial da Panini aqui no Brasil de ambos os mangás, e simplesmente não consigo deixar de ler online – ainda que compre e colecione os mangás impressos. É estranho, mas estou cada vez mais inclinado a deixar de ler online para acompanhar diretamente na versão oficial. Isso, claro, quando o formato, a qualidade, e o título for realmente em uma qualidade que valha a pena essa leitura “atrasada” em relação com quem lê online e está pau a pau com o Japão.

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Descobrir que a versão em mangá de One-Punch Man se assemelha assustadoramente com a versão animada é também bem impressionante. Como disse, o Murata tem um traço realmente perfeccionista, atendo a todos os mínimos detalhes, criando movimento e efeitos que não é todo mangá por aí que consegue com tal nível de perfeição. Eu imagino o quanto isso facilitou o trabalho na Madhouse na animação. Fora a megalomania de quadros que preenchem páginas duplas constantemente na narrativa do mangá, deixando tudo ainda mais intenso.

É até engraçado pensar que mesmo com tantas artes e quadros gigantes, com um título do gênero que supostamente seria de batalhas, One-Punch Man apresente um bom tempo de leitura. Não é como Bleach, que meio que virou exemplo universal de mangá de leitura rápido.

Nesse ponto é que entra a genialidade do ONE, pois como há um protagonista que pode lidar facilmente com qualquer ameaça, um recurso que o autor encontrou para dar substância ao mangá foi trabalhar com personagens que adoram falar, e não é uma tagarelice clichê de vilão e herói, ainda que isso exista em parte sim, mas normalmente são diálogos que prendem a tensão ou dão um background ao personagem ou contexto de uma situação do universo da série. Os diálogos trabalham a serviço do ritmo da história, além de criar um dos melhores pontos de exploração do mangá: o humor.

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Apesar de One-Punch Man seguir muito a cartilha do mundo de heróis e vilões, ONE acabou utilizando muito do humor para trabalhar com os clichês do gênero. O próprio Saitama é uma grande brincadeira com isso. Quem nunca imaginou porque o Superman tem tanto trabalho para vencer seus inimigos, sendo tão forte quanto ele normalmente ele deveria ser? É interessante a perspectiva de ONE nesse sentido, que precisa se virar para criar um mangá de ação, de batalhas, na qual um personagem não precisa de tantas páginas para solucionar o conflito. É preciso ser sagaz para manter a trama quente e interessante. E aqui, no segundo volume, o mangá continua provando que isso é possível, sem enfiar o Saitama em todas as páginas possíveis.

Gosto de como os personagens secundários são tão importantes quanto seu próprio protagonista. O papel do Genos, o ciborgue que vira aprendiz do Saitama, tem um papel importante nesse sentido, pois normalmente é ele o responsável por algumas soluções clássicas de combate. Ele precisa lutar e trazer esse ritmo de confronto meio Dragon Ball ao mangá, enquanto Saitama provavelmente fica ali no canto, cutucando o nariz. E mesmo assim, Genos é um personagem excelente, porque convence o leitor de que talvez desta vez ele vença… ainda que fique sempre aquele sentimento de que ele não vencerá se o inimigo for tão forte. Genos um personagem feito para apanhar, e de maneiras horríveis as vezes. Mas ele é um ciborgue, então tudo bem! Ele pode ser remontado infinitas vezes.

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Na outra extremidade há os vilões. No segundo volume há apenas um mega vilão, o Ashura Kabuto (já falo do Sonic). Quero dizer, aquele vilão brutamontes, de força física mesmo. O típico tanque de guerra. Nesse ponto o mangá puxa aquele arquétipo famoso nos mangás, do monstro absurdo e poderoso. Uma das regras dos bons quadrinhos de heróis: vilões são tão importantes quanto os heróis.

Ashura é um destes vilões que na substância talvez não diga muito, mas cria aquele efeito de contraste que o herói precisa. É como o Toguro em Yu Yu Haksuho. E ONE já deixa bem estabelecido logo no começo do mangá que Saitama dá conta disso tranquilamente, ainda que toda a cena para chegar a essa conclusão prenda o leitor, até que o recurso do humor resolve toda a questão. E detalhe, para o fato de que o próprio cientista que agitou toda a confusão com a Casa de Evolução simplesmente é ignorado no fim, como se fosse algo sem importância.

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No que diz respeito a segunda parte da edição, com a Gangue Utopia, talvez a inclusão do Sonic (da Velocidade Sônica) como um vilão seja correto, mas a meu ver ele está mais para um rival. Faz sentido, não? Talvez nesta edição isso não fique tão claro assim, e é óbvio que mesmo como rival, Sonic não é e não tem aspirações para ser um dos “mocinhos” do mangá.

Gosto de como é nesta história da Gangue Utopia o ONE já começa a mostrar que o mangá pode ir além da dinâmica, Saitama e Genos. Acho hilário a piada com o Ciclista da Justiça, Mumen-Rider, que aqui aparece apenas como um ponta, mas quem viu o animê sabe que ele voltará a aparecer futuramente e com um peso bem maior.

O universo de One-Punch Man já começa a crescer nesta edição. Novos personagens, que não são apenas os secundários da semana, são apresentados e o elenco da série começa a crescer, porque o mangá precisa disso para funcionar. E são bons personagens, que funcionam dentro do clichê de paródia que o mangá é em partes, e isso é muito positivo.

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Ao contrário do Extra do primeiro volume, que comentei na resenha passada que não havia gostado, achei excelente o extra do segundo volume, com a pequena história chamada “Polimento”. Para quem gostaria de ver o Saitama suando um pouco para vencer um vilão, nada melhor do que voltar no tempo e ver um flashback de quando ele ainda estava treinando, o que dá mais veracidade ao momento da edição que ele explica como ficou tão forte assim. Aparentemente seu treinamento funciona. As vezes as coisas são mais simples do que normalmente achamos.

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Importante (2) — Enfim, acho que me estendi até mais do que pretendia, mas gostei do papo por aqui. Se tornou quase um Conversa de Mangá de One-Punch Man. Espero que você possa deixar um comentário aqui, para dar aquela força e me indicar de que quer ver mais aqui no site impressões e conversas assim sobre mais volumes de mangás, além de suas primeiras edições. E também para que eu volte a voltar mais sobre One-Punch Man quando tiver em mãos o terceiro volume. Como se trata de uma iniciativa nova, é pelo feedback dos leitores que eu sei se a proposta é legal ou não. Então, por favor, se gostou, comente!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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